{"id":21595,"date":"2025-08-08T20:09:07","date_gmt":"2025-08-08T20:09:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/21595\/"},"modified":"2025-08-08T20:09:07","modified_gmt":"2025-08-08T20:09:07","slug":"mulheres-morrem-mais-por-hipertensao-associada-ao-alcool-aponta-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/21595\/","title":{"rendered":"MULHERES MORREM MAIS POR HIPERTENS\u00c3O ASSOCIADA AO \u00c1LCOOL, APONTA ESTUDO"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 cada vez mais evid\u00eancias de que n\u00e3o existe n\u00edvel de \u00e1lcool seguro para a sa\u00fade. E, no caso de pessoas convivem com a hipertens\u00e3o \u2014 doen\u00e7a cr\u00f4nica caracterizada pelos n\u00edveis elevados da press\u00e3o sangu\u00ednea nas art\u00e9rias \u2014, o h\u00e1bito de consumir bebidas alco\u00f3licas pode ser ainda mais perigoso, principalmente quando de maneira excessiva.<\/p>\n<p>\u00c9 o que revela uma pesquisa publicada em julho no American Journal of Preventive Medicine. O trabalho analisou a mortalidade por hipertens\u00e3o atribu\u00edvel ao consumo excessivo de \u00e1lcool nos Estados Unidos, com foco nas diferen\u00e7as entre os sexos. Os resultados indicam um aumento significativo nas mortes por hipertens\u00e3o relacionadas ao \u00e1lcool, especialmente entre as mulheres.<\/p>\n<p>Os n\u00fameros apontam um crescimento m\u00e9dio anual de 41,5% nas mortes por hipertens\u00e3o nos EUA entre 2016-2017 e 2020-2021, passando de 86.396 para 122.234 \u00f3bitos por ano. Contudo, o que mais chama a aten\u00e7\u00e3o na pesquisa \u00e9 o salto de mortes anuais por hipertens\u00e3o atribu\u00edveis ao \u00e1lcool: foram de 13.941 no primeiro per\u00edodo analisado para 21.137, uma alta de 51,6%.<\/p>\n<p>Outra conclus\u00e3o importante do estudo \u00e9 que mais de 60% das mortes por hipertens\u00e3o relacionadas ao consumo excessivo de \u00e1lcool ocorreram entre mulheres. E, nos per\u00edodos analisados, esse tipo de mortalidade cresceu mais entre elas.<\/p>\n<p>Para o cardiologista Israel Guilharde, do Hospital Municipal Iris Rezende Machado \u2013 Aparecida de Goi\u00e2nia (HMAP), unidade p\u00fablica em Goi\u00e1s administrada pelo Einstein Hospital Israelita, os dados demonstram que a hipertens\u00e3o ainda \u00e9 um desafio e que a rela\u00e7\u00e3o entre sa\u00fade e bebida alco\u00f3lica precisa ser repensada. \u201cSe a ingest\u00e3o de \u00e1lcool \u00e9 um fator que podemos controlar, por que n\u00e3o abra\u00e7ar essa chance de transformar esses n\u00fameros? Mais do que causar temor, essa informa\u00e7\u00e3o deve nos obrigar a fazer escolhas que nos levem a um futuro mais saud\u00e1vel\u201d, avalia o m\u00e9dico.<\/p>\n<p>Os preju\u00edzos causados pelo consumo exagerado de bebida alco\u00f3lica a indiv\u00edduos hipertensos s\u00e3o diversos. Uma das raz\u00f5es \u00e9 que o \u00e1lcool, quando consumido em excesso, pode \u201cacelerar\u201d o sistema nervoso, o que leva o cora\u00e7\u00e3o bater mais r\u00e1pido e, consequentemente, provoca a contra\u00e7\u00e3o dos vasos sangu\u00edneos, elevando a press\u00e3o arterial.<\/p>\n<p>Outro fator \u00e9 que a bebida alco\u00f3lica pode afetar diretamente os vasos, tornando-os menos flex\u00edveis, o que dificulta o fluxo do sangue. \u201cE para quem j\u00e1 est\u00e1 tratando a press\u00e3o, \u00e9 importante saber que o \u00e1lcool pode interferir na a\u00e7\u00e3o dos medicamentos, diminuindo sua efic\u00e1cia\u201d, informa Guilharde. \u201cN\u00e3o podemos esquecer tamb\u00e9m do efeito cumulativo: quem bebe demais com frequ\u00eancia tende a ganhar peso, dormir mal, acumular gordura visceral \u2014 todos esses s\u00e3o fatores que pioram a hipertens\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p><strong>Por que as mulheres s\u00e3o mais afetadas?<\/strong><\/p>\n<p>O achado de que mais mulheres morreram em decorr\u00eancia do consumo excessivo de \u00e1lcool pode ser explicado por uma combina\u00e7\u00e3o de fatores. \u201cBiologicamente, as mulheres metabolizam o \u00e1lcool de forma diferente, o que pode levar a uma concentra\u00e7\u00e3o mais alta no sangue, mesmo com a mesma quantidade de bebida\u201d, explica o cardiologista.<\/p>\n<p>Em termos culturais, houve uma mudan\u00e7a nos padr\u00f5es de consumo nas \u00faltimas d\u00e9cadas \u2014 as mulheres passaram a beber mais, h\u00e1bito antes mais comum entre os homens. \u201cMas o importante \u00e9 que, ao reconhecer essas diferen\u00e7as, podemos oferecer um cuidado mais personalizado e eficaz, considerando a individualidade em sua jornada de sa\u00fade\u201d, pontua Israel Guilharde.<\/p>\n<p>Apesar de ter pesquisado a popula\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos, o estudo acende um alerta para a situa\u00e7\u00e3o no Brasil. Em sua sexta edi\u00e7\u00e3o, a publica\u00e7\u00e3o \u00c1lcool e a sa\u00fade dos brasileiros, do Centro de Informa\u00e7\u00f5es sobre Sa\u00fade e \u00c1lcool (Cisa), apontou que, no pa\u00eds, o consumo de bebida alco\u00f3lica per capita, medido em litros de \u00e1lcool puro por pessoa de 15 anos ou mais, reduziu 10,4% entre os anos de 2010 (8,6 litros) e 2019 (7,7 litros), mas continuou acima da m\u00e9dia mundial \u2013 5,7 litros em 2010 e 5,5 litros em 2019 \u2013, de acordo com dados da OMS.<\/p>\n<p>As mortes exclusivamente atribu\u00edveis ao \u00e1lcool s\u00e3o mais comuns entre mulheres pretas: em 2022, foram 3,2 a cada 100 mil habitantes. Entre as brancas e pardas, esse n\u00famero foi de 1,4 e 2,2 por 100 mil habitantes, respectivamente.<\/p>\n<p>Vida sem \u00e1lcool<\/p>\n<p>O levantamento do Cisa ainda constatou, em 2022, a incid\u00eancia de 33 \u00f3bitos atribu\u00edveis ao \u00e1lcool a cada 100 mil habitantes no Brasil, sendo 3% deles relacionados \u00e0 hipertens\u00e3o. Especialmente entre as pessoas com 55 anos ou mais, a press\u00e3o alta \u00e9 indicada pela pesquisa como uma das principais causas de mortes atribu\u00edveis \u00e0 bebida alco\u00f3lica, conforme dados do Departamento de Informa\u00e7\u00e3o e Inform\u00e1tica do SUS (DataSUS).<\/p>\n<p>Da\u00ed porque pessoas hipertensas precisam de modera\u00e7\u00e3o \u2014 e a abstin\u00eancia, muitas vezes, \u00e9 o melhor caminho para o cora\u00e7\u00e3o. \u201cPara mulheres, o ideal \u00e9 n\u00e3o mais que uma dose por dia; para homens, no m\u00e1ximo duas doses\u201d, orienta o cardiologista do HMAP. \u201cAquelas \u2018ocasi\u00f5es especiais\u2019 com muito \u00e1lcool podem ser um verdadeiro susto para a press\u00e3o, al\u00e9m de causar v\u00e1rios outros problemas, como arritmias que predisp\u00f5em, por si s\u00f3, \u00e0 ocorr\u00eancia de AVC [acidente vascular cerebral].\u201d<\/p>\n<p>A OMS estabelece que uma dose padr\u00e3o cont\u00e9m cerca de 10 gramas de \u00e1lcool puro, o que corresponde, aproximadamente, a uma lata (350 ml) de cerveja comum ou uma ta\u00e7a pequena (150 ml) de vinho. \u201cO ideal \u00e9 evitar ou diminuir o consumo sempre que poss\u00edvel, especialmente em pacientes com controle press\u00f3rico dif\u00edcil ou com doen\u00e7as cardiovasculares, como coronariopatia e insufici\u00eancia card\u00edaca\u201d, adverte o cardiologista Elzo Mattar, membro do Departamento de Hipertens\u00e3o Arterial da Sociedade Brasileira de Cardiologia. Quando se trata da sa\u00fade, todo cuidado \u00e9 pouco.<\/p>\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Einstein<\/p>\n<p>Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"H\u00e1 cada vez mais evid\u00eancias de que n\u00e3o existe n\u00edvel de \u00e1lcool seguro para a sa\u00fade. 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