{"id":216931,"date":"2026-01-06T03:18:27","date_gmt":"2026-01-06T03:18:27","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/216931\/"},"modified":"2026-01-06T03:18:27","modified_gmt":"2026-01-06T03:18:27","slug":"droga-para-artrite-reumatoide-tem-potencial-para-melhorar-qualidade-de-rins-para-transplante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/216931\/","title":{"rendered":"Droga para artrite reumatoide tem potencial para melhorar qualidade de rins para transplante"},"content":{"rendered":"<p>\n                                 Medicina\n                            <\/p>\n<p>                            Droga para artrite reumatoide tem potencial para melhorar qualidade de rins para transplante<\/p>\n<p class=\"summary\">Estudo da Faculdade de Medicina de S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto pode ampliar o aproveitamento do \u00f3rg\u00e3o, o mais procurado no Brasil: h\u00e1 quase 30 mil pessoas na fila de espera<\/p>\n<p>\n                                 Medicina\n                            <\/p>\n<p>                                                        Droga para artrite reumatoide tem potencial para melhorar qualidade de rins para transplante<\/p>\n<p class=\"p-int-resumo summary \">Estudo da Faculdade de Medicina de S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto pode ampliar o aproveitamento do \u00f3rg\u00e3o, o mais procurado no Brasil: h\u00e1 quase 30 mil pessoas na fila de espera<\/p>\n<p>                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/56790.jpg\" class=\"img-fluid\" onclick=\"expand(56790,'files\/post\/56790.jpg',true)\"\/><\/p>\n<p class=\"Legenda\">No Brasil entre 60% e 70% dos pacientes que recebem um rim de doador falecido desenvolvem insufici\u00eancia renal aguda tempor\u00e1ria logo ap\u00f3s o transplante, uma taxa duas vezes maior do que a observada na Europa e nos Estados Unidos; essa diferen\u00e7a tem rela\u00e7\u00e3o direta com o tempo e as condi\u00e7\u00f5es em que o \u00f3rg\u00e3o \u00e9 preservado (imagem: Ag\u00eancia Brasil)<\/p>\n<p><strong>Fernanda Bassette | Ag\u00eancia FAPESP<\/strong> \u2013 Mais de 60 mil pessoas no Brasil esperam por um transplante de \u00f3rg\u00e3o e quase 30 mil est\u00e3o na fila por um rim \u2013 o mais procurado entre todos os tipos de transplantes. Dados de 2024 da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Transplante de \u00d3rg\u00e3os (<a href=\"https:\/\/site.abto.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>ABTO<\/strong><\/a>) mostram que o aproveitamento de rins de doadores falecidos no Brasil ficou entre 68% e 70%, o que significa que quase um ter\u00e7o dos rins captados n\u00e3o foram utilizados para transplante por crit\u00e9rios cl\u00ednicos, anat\u00f4micos ou log\u00edsticos e refor\u00e7a a urg\u00eancia de novas estrat\u00e9gias que melhorem a preserva\u00e7\u00e3o e o aproveitamento dos \u00f3rg\u00e3os dispon\u00edveis.<\/p>\n<p>O transplante continua sendo o tratamento mais eficaz para a doen\u00e7a renal cr\u00f4nica, oferecendo maior sobrevida e melhor qualidade de vida em compara\u00e7\u00e3o \u00e0 di\u00e1lise. Hospitais e centros de pesquisa em todo o mundo t\u00eam buscado alternativas para ampliar o n\u00famero de \u00f3rg\u00e3os utiliz\u00e1veis, inclusive recorrendo a doadores com crit\u00e9rios estendidos, cujos rins, embora vi\u00e1veis, apresentam maior risco de complica\u00e7\u00f5es ap\u00f3s o transplante.<\/p>\n<p>Pesquisadores da Faculdade de Medicina de S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto (Famerp), com apoio da FAPESP (projetos\u00a0<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/216644\/efeito-do-inibidor-do-inflamassoma-nos-rins-de-ratos-apos-morte-encefalica-preservacao-a-frio-versus\/?q=numero_processo:(23\/17655-1)\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>23\/17655-1<\/strong><\/a>, <a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/212684\/efeito-do-inibidor-do-inflamassoma-nos-rins-de-ratos-apos-morte-encefalica-preservacao-a-frio-versus\/?q=numero_processo:(23\/03915-1)\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>23\/03915-1<\/strong><\/a> e <a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/116352\/efeito-do-inibidor-do-inflamassoma-nos-rins-de-ratos-apos-morte-encefalica-preservacao-a-frio-versus\/?q=numero_processo:(23\/08792-5)\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>23\/08792-5<\/strong><\/a>), testaram o anakinra, um medicamento j\u00e1 aprovado pela Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa) para o tratamento da artrite reumatoide, como forma de reduzir a inflama\u00e7\u00e3o em rins de doadores falecidos antes do transplante, num processo que pode melhorar a fun\u00e7\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o e aumentar seu aproveitamento.<\/p>\n<p>O estudo recebeu o pr\u00eamio de melhor trabalho no <strong><a href=\"https:\/\/stalyc.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Congresso Latino-Americano de Transplantes<\/a><\/strong>, em outubro de 2025 no Paraguai, em reconhecimento \u00e0 sua relev\u00e2ncia cient\u00edfica e ao potencial impacto cl\u00ednico na \u00e1rea de transplante renal. \u201cBuscamos uma maneira de melhorar a qualidade dos rins doados utilizando uma droga segura, acess\u00edvel e j\u00e1 aprovada para uso cl\u00ednico\u201d, explica <a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/88430\/mario-abbud-filho\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>M\u00e1rio Abbud-Filho<\/strong><\/a>, orientador do estudo.<\/p>\n<p>Segundo o pesquisador, no Brasil entre 60% e 70% dos pacientes que recebem um rim de doador falecido desenvolvem insufici\u00eancia renal aguda tempor\u00e1ria logo ap\u00f3s o transplante, taxa duas vezes maior do que a observada na Europa e nos Estados Unidos. Essa diferen\u00e7a tem rela\u00e7\u00e3o direta com o tempo e as condi\u00e7\u00f5es em que o \u00f3rg\u00e3o \u00e9 preservado.<\/p>\n<p>\u201cO tempo que o rim passa resfriado, a manuten\u00e7\u00e3o do doador na UTI, o transporte e a manipula\u00e7\u00e3o influenciam muito o resultado. Esse per\u00edodo prolongado de isquemia fria causa um tipo de \u2018adormecimento\u2019 no rim, o que pode levar o paciente a passar semanas internado em di\u00e1lise at\u00e9 que o \u00f3rg\u00e3o volte a funcionar plenamente\u201d, diz Abbud-Filho. \u201cIsso significa maior tempo de hospitaliza\u00e7\u00e3o, mais comorbidades e mais custo para o sistema de sa\u00fade.\u201d<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, os rins de doadores classificados como \u201ccrit\u00e9rios estendidos\u201d (geralmente mais idosos ou com outras comorbidades) apresentam maior risco de mau funcionamento a longo prazo e s\u00e3o frequentemente rejeitados pelos centros transplantadores. \u201cA nossa pergunta para iniciar esse estudo foi: como podemos melhorar a qualidade desses \u00f3rg\u00e3os para aumentar o aproveitamento e a oferta de rins vi\u00e1veis para o transplante?\u201d, explica o pesquisador.<\/p>\n<p>Atualmente, uma das tecnologias mais promissoras para melhorar a preserva\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os \u00e9 o uso da m\u00e1quina de perfus\u00e3o, que mant\u00e9m o rim continuamente irrigado com solu\u00e7\u00e3o oxigenada e nutrientes, simulando a circula\u00e7\u00e3o sangu\u00ednea at\u00e9 o momento do transplante. A t\u00e9cnica reduz os danos causados pela falta de oxigena\u00e7\u00e3o e aumenta as chances de o \u00f3rg\u00e3o funcionar adequadamente ap\u00f3s o implante.<\/p>\n<p>Apesar dos bons resultados, o m\u00e9todo ainda \u00e9 pouco acess\u00edvel no Brasil: apenas um centro transplantador utiliza a perfus\u00e3o de forma rotineira \u2013 reflexo do alto custo dos equipamentos e insumos. No restante do pa\u00eds, o procedimento padr\u00e3o continua sendo armazenar o \u00f3rg\u00e3o a cerca de 4 \u00b0C em caixas de isopor com gelo \u2013 t\u00e9cnica simples e de baixo custo, mas um pouco menos eficaz na preserva\u00e7\u00e3o da fun\u00e7\u00e3o renal.<\/p>\n<p>\u201cCada \u00f3rg\u00e3o perfundido custa cerca de R$ 15 mil a mais, o que elevaria em 50% o valor do transplante no SUS [Sistema \u00danico de Sa\u00fade]\u201d, afirma Abbud-Filho. Mas, embora o custo inicial seja mais elevado, estudos internacionais indicam que o uso da m\u00e1quina de perfus\u00e3o pode diminuir complica\u00e7\u00f5es, encurtar o tempo de interna\u00e7\u00e3o e, a longo prazo, representar economia para o sistema de sa\u00fade.<\/p>\n<p>Foi por isso que a equipe decidiu testar o potencial do anakinra como alternativa usando as m\u00e1quinas de perfus\u00e3o como meio ideal para levar o f\u00e1rmaco diretamente ao tecido renal. \u201cSabemos que a inflama\u00e7\u00e3o come\u00e7a ainda no doador, logo ap\u00f3s a morte cerebral\u201d, explica <a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/684962\/heloisa-cristina-caldas\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>Helo\u00edsa Cristina Caldas<\/strong><\/a>, pesquisadora respons\u00e1vel pelo aux\u00edlio FAPESP. \u201cEsse processo \u00e9 agravado pelo tempo em que o \u00f3rg\u00e3o fica armazenado em baixa temperatura. Ent\u00e3o decidimos adicionar a droga \u00e0 m\u00e1quina de perfus\u00e3o, buscando reduzir a resposta inflamat\u00f3ria e preservar melhor o rim.\u201d<\/p>\n<p>A pesquisa foi realizada na University Medical Center Groningen (UMCG), nos Pa\u00edses Baixos, em parceria com o grupo da Famerp e dentro da colabora\u00e7\u00e3o internacional estabelecida no \u00e2mbito do projeto. Foram utilizados 24 rins de su\u00ednos, escolhidos por sua semelhan\u00e7a com os humanos. Os \u00f3rg\u00e3os foram divididos em tr\u00eas grupos: o primeiro n\u00e3o recebeu tratamento; o segundo teve a droga adicionada durante a perfus\u00e3o hipot\u00e9rmica (a frio, cerca de 4 \u00b0C); e o terceiro recebeu o medicamento durante a perfus\u00e3o normot\u00e9rmica (a 37 \u00b0C), simulando o momento do transplante.<\/p>\n<p>Os resultados foram animadores. \u201cConseguimos reduzir significativamente a express\u00e3o de citocinas inflamat\u00f3rias nos rins tratados, tanto na perfus\u00e3o a frio quanto na reperfus\u00e3o\u201d, relata <a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/711746\/ludimila-leite-marzochi\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>Ludimila Leite Marzochi<\/strong><\/a>, autora principal do estudo. \u201cO anakinra bloqueou a inflama\u00e7\u00e3o e melhorou o perfil molecular dos \u00f3rg\u00e3os.\u201d<\/p>\n<p>Outro dado importante \u00e9 que a droga se mostrou segura, sem causar danos aos tecidos renais. \u201cA an\u00e1lise de toxicidade mostrou que a anakinra n\u00e3o provoca les\u00e3o nem afeta a fun\u00e7\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o, o que \u00e9 um passo importante para que possa ser testada em rins humanos\u201d, acrescenta a pesquisadora.<\/p>\n<p><strong>Teste em humanos<\/strong><\/p>\n<p>O pr\u00f3ximo passo do grupo ser\u00e1 testar o medicamento em rins humanos descartados, em parceria com um centro de pesquisa em Indiana (EUA), onde Marzochi realizar\u00e1 uma nova etapa do projeto a partir de 2026. \u201cA ideia \u00e9 avan\u00e7ar para um cen\u00e1rio mais pr\u00f3ximo da pr\u00e1tica cl\u00ednica e avaliar a viabilidade de uso em transplantes reais\u201d, explica.<\/p>\n<p>Abbud-Filho acredita que, se os resultados se confirmarem na pesquisa com rins humanos, o pr\u00f3ximo passo ser\u00e1 testar o uso desse medicamento no m\u00e9todo tradicional de preserva\u00e7\u00e3o est\u00e1tica, em que o rim \u00e9 mantido em uma solu\u00e7\u00e3o fria dentro da caixa de isopor, pr\u00e1tica usada em quase todos os centros transplantadores do pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201cSe conseguirmos adicionar o anakinra \u00e0 solu\u00e7\u00e3o usada hoje, poder\u00edamos melhorar a qualidade dos rins sem grandes investimentos em tecnologia. Isso reduziria o tempo de interna\u00e7\u00e3o, melhoraria os desfechos dos transplantes e seria economicamente vi\u00e1vel\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Para os pesquisadores, o estudo refor\u00e7a a import\u00e2ncia de buscar solu\u00e7\u00f5es vi\u00e1veis e de alto impacto capazes de unir inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e aplicabilidade cl\u00ednica. \u201cO Brasil precisa avan\u00e7ar no uso das m\u00e1quinas de perfus\u00e3o, que j\u00e1 demonstram benef\u00edcios concretos na preserva\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os, mas tamb\u00e9m desenvolver estrat\u00e9gias que possam ser incorporadas \u00e0 realidade do SUS\u201d, observa Abbud-Filho.<\/p>\n<p>O resultado da pesquisa demonstra que inova\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m pode surgir da otimiza\u00e7\u00e3o de tecnologias dispon\u00edveis. \u201cO anakinra pode ser uma ferramenta importante para tratar os rins antes do transplante e ampliar as chances de sucesso\u201d, diz Marzochi. \u201cNosso desafio \u00e9 transformar esse conhecimento experimental em benef\u00edcio real para os pacientes.\u201d<br \/>&#13;<br \/>\n\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Medicina Droga para artrite reumatoide tem potencial para melhorar qualidade de rins para transplante Estudo da Faculdade de&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":216932,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[86],"tags":[42185,116,32,33,29434,26871,117,896,42186,4483,5721],"class_list":{"0":"post-216931","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-saude","8":"tag-anakinra","9":"tag-health","10":"tag-portugal","11":"tag-pt","12":"tag-reducao-de-custos","13":"tag-rins","14":"tag-saude","15":"tag-saude-publica","16":"tag-sistema-publico-de-saude","17":"tag-sus","18":"tag-transplante"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115845995058611195","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/216931","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=216931"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/216931\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/216932"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=216931"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=216931"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=216931"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}