{"id":217092,"date":"2026-01-06T07:38:07","date_gmt":"2026-01-06T07:38:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/217092\/"},"modified":"2026-01-06T07:38:07","modified_gmt":"2026-01-06T07:38:07","slug":"planeta-errante-tem-massa-e-distancia-medidas-pela-primeira-vez-e-ajuda-a-explicar-o-deserto-de-einstein-entenda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/217092\/","title":{"rendered":"Planeta errante tem massa e dist\u00e2ncia medidas pela primeira vez e ajuda a explicar o &#8216;deserto de Einstein&#8217;; entenda"},"content":{"rendered":"\n<p class=\" content-text__container theme-color-primary-first-letter\" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> Um grupo raro de planetas que vagam pelo espa\u00e7o sem estar ligados a qualquer estrela come\u00e7a a revelar seus segredos. Ao contr\u00e1rio da maioria dos corpos celestes, que orbitam estrelas de forma est\u00e1vel, esses chamados planetas errantes desafiam os modelos tradicionais da astronomia ao viajar sozinhos pelo espa\u00e7o interestelar. A identifica\u00e7\u00e3o recente de um desses objetos, com medi\u00e7\u00f5es precisas de massa e dist\u00e2ncia, representa um avan\u00e7o in\u00e9dito, segundo estudo publicado na revista Science. <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> A pesquisa, publicada na revista Science, nesta quinta-feira (1), conseguiu caracterizar um planeta \u00e0 deriva localizado a cerca de 3.000 parsecs da Terra, o equivalente a aproximadamente 10 mil anos-luz. O trabalho tamb\u00e9m trouxe novos elementos para compreender os processos de forma\u00e7\u00e3o e eje\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria, al\u00e9m de ajudar a explicar a exist\u00eancia do chamado \u201cdeserto de Einstein\u201d, uma faixa quase vazia entre planetas subyovianos e an\u00e3s marrons. <\/p>\n<p>Uma observa\u00e7\u00e3o rara no espa\u00e7o profundo<\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> A an\u00e1lise s\u00f3 foi poss\u00edvel gra\u00e7as a uma combina\u00e7\u00e3o incomum de observa\u00e7\u00f5es feitas a partir da Terra e do telesc\u00f3pio espacial Gaia. Durante um evento de microlente gravitacional, o Gaia registrou seis observa\u00e7\u00f5es em apenas 16 horas, justamente no pico do aumento de brilho de uma estrela de fundo, causado pela passagem do planeta errante. <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> Essa sequ\u00eancia ocorreu porque o planeta se moveu quase perpendicularmente ao eixo de precess\u00e3o do telesc\u00f3pio, uma geometria considerada fortuita pelos pesquisadores. Esse alinhamento permitiu aplicar a t\u00e9cnica da paralaxe de microlente gravitacional, essencial para calcular a dist\u00e2ncia do objeto, algo que normalmente n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel nesse tipo de evento. <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> At\u00e9 ent\u00e3o, a maioria dos exoplanetas era detectada por m\u00e9todos indiretos ligados \u00e0s suas estrelas hospedeiras, como o tr\u00e2nsito \u2014 quando o planeta provoca pequenas quedas peri\u00f3dicas no brilho da estrela \u2014 ou pela oscila\u00e7\u00e3o causada pela atra\u00e7\u00e3o gravitacional. Para planetas errantes, que n\u00e3o emitem luz pr\u00f3pria nem orbitam estrelas, esses m\u00e9todos simplesmente n\u00e3o funcionam. <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> Nesse cen\u00e1rio, a microlente gravitacional se tornou a \u00fanica ferramenta vi\u00e1vel. O fen\u00f4meno ocorre quando um objeto massivo curva e amplifica a luz de uma estrela distante ao cruzar a linha de vis\u00e3o do observador, produzindo um aumento s\u00fabito de brilho. A forma dessa curva permite estimar a massa, mas geralmente deixa amb\u00edgua a rela\u00e7\u00e3o entre massa e dist\u00e2ncia. <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> A quebra dessa limita\u00e7\u00e3o ocorreu no evento associado ao planeta designado KMT-2024-BLG-0792, tamb\u00e9m identificado como OGLE-2024-BLG-0516. Observa\u00e7\u00f5es simult\u00e2neas feitas por diferentes instrumentos, incluindo o Gaia, permitiram calcular com precis\u00e3o a paralaxe gravitacional e, assim, definir ambos os par\u00e2metros fundamentais. <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> As medi\u00e7\u00f5es indicaram que o planeta tem cerca de 22% da massa de J\u00fapiter, valor um pouco inferior ao de Saturno. A estrela de fundo observada no evento foi identificada como uma gigante vermelha, o que ajudou a refinar ainda mais os c\u00e1lculos apresentados no artigo da Science. <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> Os resultados refor\u00e7am um padr\u00e3o j\u00e1 sugerido por estudos anteriores: a maioria dos planetas errantes parece ter massas menores que a de J\u00fapiter, indicando que se formaram em discos protoplanet\u00e1rios e foram ejetados ap\u00f3s intera\u00e7\u00f5es gravitacionais violentas. Objetos mais massivos encontrados fora de sistemas estelares tendem a ser an\u00e3s marrons, grandes demais para serem planetas e pequenas demais para sustentar fus\u00e3o nuclear. <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> Segundo os autores, essa distribui\u00e7\u00e3o ajuda a explicar o \u201cdeserto de Einstein\u201d. Quanto maior a massa de um planeta, menor a chance de ele ser completamente expulso de seu sistema original. Por isso, predominam entre os errantes corpos com massas semelhantes ou inferiores \u00e0s de Saturno ou Netuno. Como resume o estudo, processos din\u00e2micos extremos moldam tanto os planetas que permanecem ligados \u00e0s suas estrelas quanto aqueles condenados a vagar sozinhos pelo cosmos. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Um grupo raro de planetas que vagam pelo espa\u00e7o sem estar ligados a qualquer estrela come\u00e7a a revelar&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":217093,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[84],"tags":[109,107,108,319,32,33,318,105,103,104,106,110],"class_list":{"0":"post-217092","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-ciencia-e-tecnologia","8":"tag-ciencia","9":"tag-ciencia-e-tecnologia","10":"tag-cienciaetecnologia","11":"tag-hard-news","12":"tag-portugal","13":"tag-pt","14":"tag-radar","15":"tag-science","16":"tag-science-and-technology","17":"tag-scienceandtechnology","18":"tag-technology","19":"tag-tecnologia"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115847017460190180","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/217092","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=217092"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/217092\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/217093"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=217092"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=217092"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=217092"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}