{"id":217915,"date":"2026-01-06T19:20:13","date_gmt":"2026-01-06T19:20:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/217915\/"},"modified":"2026-01-06T19:20:13","modified_gmt":"2026-01-06T19:20:13","slug":"pesquisadora-angela-almeida-lancara-livreto-sobre-primeira-fotografa-profissional-em-atuacao-no-rn","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/217915\/","title":{"rendered":"Pesquisadora Angela Almeida lan\u00e7ar\u00e1 livreto sobre primeira fot\u00f3grafa profissional em atua\u00e7\u00e3o no RN"},"content":{"rendered":"<p>Um registro de vida quase apagado pelo tempo vai ganhar uma merecida luz para reavivar sua imagem. A pesquisadora, artista pl\u00e1stica, editora e professora Angela Almeida retoma a hist\u00f3ria de Helena Coelho Ferreira (1897-2001) em \u201cUma fot\u00f3grafa no sert\u00e3o do s\u00e9culo XX\u201d, tida como a primeira mulher a atuar como fot\u00f3grafa profissional no Rio Grande do Norte. O material foi elaborado em forma de plaquete \u2013 um tipo de livro curto com produ\u00e7\u00e3o artesanal \u2013 que, ainda em janeiro, estar\u00e1 dispon\u00edvel em algumas livrarias e sebos da cidade.<\/p>\n<p>Segundo Angela, al\u00e9m de expor a hist\u00f3ria de uma personagem importante que est\u00e1 praticamente esquecida, a obra tamb\u00e9m tem a inten\u00e7\u00e3o de, futuramente, ajuda-la a mapear o que pode ter ficado de acervo da fot\u00f3grafa em \u00e1lbuns de fam\u00edlia do interior potiguar, chamando a aten\u00e7\u00e3o para familiares que possam ter, ainda hoje, fotos assinadas por Helena Coelho, e tenham interesse em ceder.<\/p>\n<p>A plaquete, ilustrada e escrita por Angela, conta a trajet\u00f3ria de Helena Coelho Ferreira, nascida na Bahia em 1897, mas levada para o Rio Grande do Norte aos tr\u00eas anos de idade, ap\u00f3s a morte da m\u00e3e. A baiana foi morar com os av\u00f3s paternos em A\u00e7u. O pai, que era fot\u00f3grafo itinerante, introduz a filha \u00e0s suas t\u00e9cnicas fotogr\u00e1ficas em passagens tempor\u00e1rias pela cidade potiguar. Eventualmente, ela se torna assistente do pai.<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"679\" alt=\"\" class=\"wp-image-885728 lazyload\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/20260106_10VV2_FT_Junior-Santos_Arquivo-TN-1024x679.jpg\"  data- data-eio-rwidth=\"1024\" data-eio-rheight=\"679\" data-mwl-img-id=\"885728\"\/>Angela espera que livro a ajude a mapear acervo de Helena Coelho | Foto: J\u00fanior Santos_Arquivo TN<\/p>\n<p>At\u00e9 que em 1924, Helena se muda com a fam\u00edlia para Currais Novos. Em um nova cidade e com uma nova vida \u00e0 frente, ela decide adotar de vez a profiss\u00e3o do pai \u2013 que a essa altura j\u00e1 havia falecido. \u201cAssim, no come\u00e7o do s\u00e9culo XX, nasce a primeira mulher fot\u00f3grafa no exerc\u00edcio profissional no RN\u201d, escreveu Angela. Segundo ela, n\u00e3o h\u00e1 registro de nenhuma outra mulher nessa fun\u00e7\u00e3o no estado, nessa mesma \u00e9poca. Foram mais de 40 anos nessa profiss\u00e3o.<\/p>\n<p>Angela recorreu a parentes de Helena para obter informa\u00e7\u00f5es, lembran\u00e7as e descri\u00e7\u00f5es da fot\u00f3grafa. Ela n\u00e3o deixou herdeiros. As fotografias profissionais de Helena foram, em grande parte, produzidas em Currais Novos, entre os anos de 1930 e 1960. Segundo a autora, a maioria das fotos que ela teve acesso mostravam apenas encontros da fam\u00edlia de Helena, j\u00e1 que as demais est\u00e3o espalhadas pelos \u00e1lbuns particulares de sua clientela da \u00e9poca. Al\u00e9m de Currais, ela tamb\u00e9m fez trabalhos sob encomenda em Cerro Cor\u00e1.<\/p>\n<p>A partir do que viu do trabalho de Helena, Angela Almeida observou que havia um estilo pr\u00f3prio, na forma como ela escolhia os enquadramentos. \u201cEla foi uma fot\u00f3grafa de registro, como grande parte que atuava em est\u00fadio e mercado. Suas fotos se enquadram na singularidade dos registros t\u00e9cnicos. Todavia, seus retratos nos passam semblantes pl\u00e1cidos, como se n\u00e3o houvesse pressa, talvez o pr\u00f3prio ritmo da fot\u00f3grafa\u201d, escreveu.<\/p>\n<p>A pesquisadora ressaltou que as lentes de Helena passaram longe dos estere\u00f3tipos do sert\u00e3o. \u201cSeus olhos estavam atentos a outras pessoas e outras paisagens ao redor\u201d, disse. Ap\u00f3s a d\u00e9cada de 60, Helena se retirou voluntariamente do segmento. Quando veio morar em Natal, na d\u00e9cada de 70, ela j\u00e1 n\u00e3o fotograva mais profissionalmente.<\/p>\n<p>A ex-fot\u00f3grafa passou a cuidar dos afazeres da fam\u00edlia, em sua casa no Tirol, cuidando de compras e pagamentos. Consta que percorria os bairros da Ribeira, Cidade Alta e Alecrim a p\u00e9 para realizar essas fun\u00e7\u00f5es. Morreu tranquilamente em casa, aos 104 anos, no dia 09 de julho de 2001. \u201cO movimento silencioso de sua obra foi levado para o campo da invisibilidade, fazendo com que hoje pouco habitantes de Currais Novos tenham conhecimento dela\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>\u00c9 a segunda vez que Angela Almeida traz \u00e0 tona vida e obra de um fot\u00f3grafo potiguar esquecido pelo tempo. O primeiro foi Jos\u00e9 Ezelino, um filho de escravizados nascido em Caic\u00f3, que se tornou o primeiro fot\u00f3grafo negro do RN, no livro \u201cQuando a pele incendeia a mem\u00f3ria\u201d, de 2017 \u2013 que tamb\u00e9m se tornou uma bela exposi\u00e7\u00e3o. Por ocasi\u00e3o do novo trabalho, Angela tamb\u00e9m questionou sobre a invisibilidade de Helena Coelho: \u201cSeria por ser mulher?\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Um registro de vida quase apagado pelo tempo vai ganhar uma merecida luz para reavivar sua imagem. 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