{"id":219141,"date":"2026-01-07T14:24:14","date_gmt":"2026-01-07T14:24:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/219141\/"},"modified":"2026-01-07T14:24:14","modified_gmt":"2026-01-07T14:24:14","slug":"morreu-o-maior-agente-duplo-da-cia-aldrich-ames-tinha-84-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/219141\/","title":{"rendered":"Morreu o maior agente duplo da CIA: Aldrich Ames tinha 84 anos"},"content":{"rendered":"<p>Morreu Aldrich Ames, o maior traidor da CIA (Ag\u00eancia Central de Intelig\u00eancia dos EUA), que vendeu informa\u00e7\u00e3o norte-americana \u00e0 R\u00fassia durante quase uma d\u00e9cada, nos anos da Guerra Fria. Ames morreu a 5 de janeiro numa pris\u00e3o em Cumberland, Maryland, aos 84 anos. A causa da morte do condenado n\u00e3o \u00e9 conhecida.<\/p>\n<p>O antigo agente duplo come\u00e7ou a vender segredos a Moscovo em 1985, numa altura em que era &#8220;uma das pessoas mais bem informada na comunidade de intelig\u00eancia sobre os servi\u00e7os secretos russos&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;E o meu acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o e o meu conhecimento sobre os sovi\u00e9ticos eram tais que eu conseguia obter praticamente tudo o que queria&#8221;, afirmou em 1994 numa entrevista no dia antes do seu julgamento, citada pelo <a href=\"https:\/\/www.washingtonpost.com\/obituaries\/2026\/01\/06\/aldrich-ames-dead-cia-traitor\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">The Washington Post.<\/a><\/p>\n<p>&#8220;Houve uma estranha transfer\u00eancia de lealdades&#8221;, acrescentou. &#8220;N\u00e3o era para com o sistema sovi\u00e9tico, o qual eu acreditava ser um regime monstruoso, desumano e horrendo&#8221;. Foi mais um desacreditar nas institui\u00e7\u00f5es norte-americanas, e nos seus servi\u00e7os de intelig\u00eancia, explicou, o que o levou a ter lealdade para com uma nova forma de vida e vis\u00e3o do mundo, acima de meras preocupa\u00e7\u00f5es governamentais.<\/p>\n<p>Na altura, Ames estava a passar por um div\u00f3rcio com a sua primeira mulher &#8211; tamb\u00e9m agente da CIA, Nancy Segebarth &#8211; e tinha-se apaixonado por Maria del Rosario Casas. Conheceram-se na Cidade do M\u00e9xico, na embaixada da Col\u00f4mbia, onde ela trabalhava.<\/p>\n<p>Era l\u00e1 que Ames se encontrava frequentemente com um agente da KGB (ag\u00eancia de intelig\u00eancia sovi\u00e9tica) onde ambos tentavam recrutar agentes do lado oposto. No meio de um dia de trabalho, conheceu a futura mulher, que o acompanharia nos anos seguintes e durante o julgamento.<\/p>\n<p>                                                    Come\u00e7ou a vender segredos \u00e0 Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica em 1985<\/p>\n<p>Foi em abril de 1985 que Ames cometeu o primeiro crime: entrou numa embaixada sovi\u00e9tica, e sem pudor, ofereceu o nome de dois agentes recrutados pela CIA. Em troca, recebeu 50 mil d\u00f3lares (cerca de 45 mil euros).<\/p>\n<p>Meses depois repetiu o processo e entregou todos os nomes de que tinha conhecimento de agentes sovi\u00e9ticos e do Pacto de Vars\u00f3via recrutados pela CIA e pelo FBI. Na altura, nem exigiu qualquer quantia em troca, mas os sovi\u00e9ticos, intrigados, disseram-lhe que, se continuasse, poderia receber at\u00e9 2 milh\u00f5es de d\u00f3lares (cerca de 1,7 milh\u00f5es de euros).<\/p>\n<p>Com o passar dos anos e mesmo entre transfer\u00eancias para a Europa, Ames continuou a trabalhar como agente duplo, deixando documentos confidenciais em \u00e1reas remotas, com sinais secretos em caixas de correio ou em postes de eletricidade para sinalizar o esconderijo.<\/p>\n<p>A CIA e o FBI n\u00e3o ignoraram o que estava a acontecer. Ali\u00e1s, estavam at\u00e9 bastante cientes de que havia um espi\u00e3o entre as suas fileiras, mas Ames &#8211; que vivia na cara zona de Washington, conduzia um jaguar e tinha uma segunda casa de mais de meio milh\u00e3o de d\u00f3lares na Virg\u00ednia &#8211; n\u00e3o era um dos suspeitos.<\/p>\n<p>Ao todo, as autoridades estimam que a trai\u00e7\u00e3o de Ames &#8211; a maior falha de seguran\u00e7a na hist\u00f3ria da CIA &#8211; tenha causado a morte a pelo menos 10 agentes deste e de outros servi\u00e7os de intelig\u00eancia. Em troca, recebeu cerca de um milh\u00e3o de d\u00f3lares e tinha outro milh\u00e3o prometido em propriedades na R\u00fassia.<\/p>\n<p>                                                    Guerras de espionagem? &#8220;Secund\u00e1rio&#8221; e &#8220;sem impacto real&#8221; na seguran\u00e7a\u00a0<\/p>\n<p>No seu julgamento, em abril de 1994, Ames testemunhou perante uma sala de audi\u00eancias cheia, onde se sentavam, inclusive, a sua esposa, Rosario, e ex-colegas seus da CIA. Nas suas declara\u00e7\u00f5es, admitiu ter &#8220;violado uma confian\u00e7a s\u00e9ria&#8221;, mas desvalorizou o dano que tinha causado como agente duplo.<\/p>\n<p>&#8220;Estas guerras de espionagem s\u00e3o um espet\u00e1culo secund\u00e1rio que n\u00e3o teve impacto real nos nossos interesses de seguran\u00e7a significativos ao longo dos anos&#8221;, considerou.<\/p>\n<p>No seu acordo judicial, o Ames admitiu ter fornecido ao seu superior na KGB os nomes de &#8220;praticamente todos os agentes sovi\u00e9ticos da CIA e de outros servi\u00e7os americanos e estrangeiros&#8221; que conhecia, assim como, uma &#8220;enorme quantidade de informa\u00e7\u00f5es sobre as pol\u00edticas externas, de defesa e de seguran\u00e7a dos Estados Unidos&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Para as pessoas na antiga Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e noutros locais que possam ter sofrido com as minhas a\u00e7\u00f5es, tenho a mais profunda simpatia, at\u00e9 mesmo empatia. Fizemos escolhas semelhantes e sofremos consequ\u00eancias semelhantes&#8221;, acrescentou o ex-agente duplo, condenado a pris\u00e3o perp\u00e9tua aos 52 anos.<\/p>\n<p>                                                    Mulher foi condenada a 5 anos. Ap\u00f3s cumprir a pena, mudou-se<\/p>\n<p>O acordo que assinou inclu\u00eda ainda uma al\u00ednea que permitia que a sua mulher fosse poupada da grande maioria dos crimes que a acusa\u00e7\u00e3o lhe queria imputar. Rosario, acusada de ter participado nos atos de espionagem, foi condenada a cinco anos e tr\u00eas meses de pris\u00e3o, acabando por cumprir apenas quatro.<\/p>\n<p>Ao sair, mudou-se para Bogot\u00e1, onde nasceu, com o seu filho com Ames, Paul.<\/p>\n<p>Durante a sua senten\u00e7a, o espi\u00e3o dedicou-se ao estudo de Direito e da lei norte-americana (usando os seus conhecimentos para abrir diversos processos) e conheceu um produtor de filmes que, em 1998 estreou um filme baseado na sua vida: &#8220;Aldrich Ames: Traitor Within&#8221;, com Timothy Hutton no papel principal.<\/p>\n<p>Leia Tamb\u00e9m: <a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com\/mundo\/2914943\/perseguidos-casa-branca-reescreve-a-invasao-ao-capitolio-em-novo-site\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer nofollow\">&#8220;Perseguidos&#8221;. Casa Branca reescreve a invas\u00e3o ao Capit\u00f3lio em novo site<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Morreu Aldrich Ames, o maior traidor da CIA (Ag\u00eancia Central de Intelig\u00eancia dos EUA), que vendeu informa\u00e7\u00e3o norte-americana&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":219142,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[27,28,15,16,14,25,26,21,22,62,12,13,19,20,23,24,17,18,29,30,31,63,64,65],"class_list":{"0":"post-219141","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-mundo","8":"tag-breaking-news","9":"tag-breakingnews","10":"tag-featured-news","11":"tag-featurednews","12":"tag-headlines","13":"tag-latest-news","14":"tag-latestnews","15":"tag-main-news","16":"tag-mainnews","17":"tag-mundo","18":"tag-news","19":"tag-noticias","20":"tag-noticias-principais","21":"tag-noticiasprincipais","22":"tag-principais-noticias","23":"tag-principaisnoticias","24":"tag-top-stories","25":"tag-topstories","26":"tag-ultimas","27":"tag-ultimas-noticias","28":"tag-ultimasnoticias","29":"tag-world","30":"tag-world-news","31":"tag-worldnews"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115854276299507120","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/219141","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=219141"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/219141\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/219142"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=219141"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=219141"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=219141"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}