{"id":219560,"date":"2026-01-07T19:55:26","date_gmt":"2026-01-07T19:55:26","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/219560\/"},"modified":"2026-01-07T19:55:26","modified_gmt":"2026-01-07T19:55:26","slug":"morte-de-utente-apos-3-horas-inem-fez-o-seu-trabalho-observador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/219560\/","title":{"rendered":"Morte de utente ap\u00f3s 3 horas. &#8220;INEM fez o seu trabalho&#8221; \u2013 Observador"},"content":{"rendered":"<p>\u201c<strong>O INEM fez o seu trabalho<\/strong>\u201c. Foi desta forma que o presidente do INEM, Lu\u00eds Mendes Cabral, reagiu esta quarta-feira ao caso de um utente que morreu ap\u00f3s tr\u00eas horas de espera por uma ambul\u00e2ncia no Seixal.<\/p>\n<p>Em declara\u00e7\u00f5es aos jornalistas, Mendes Cabral apontou os constrangimentos do organismo na mobiliza\u00e7\u00e3o atempada de meios \u00e0 reten\u00e7\u00e3o de ambul\u00e2ncias nos hospitais. \u201cO que foi definido no dia 2 de janeiro \u00e9 que n\u00e3o \u00e9 admiss\u00edvel que uma situa\u00e7\u00e3o urgente esteja mais de 60 minutos \u00e0 espera. O INEM fez o seu trabalho, fez uma triagem que est\u00e1 correta na nossa primeira avalia\u00e7\u00e3o\u201d, disse, no Centro de Orienta\u00e7\u00e3o de Doentes Urgentes (CODU) de Lisboa, continuando: \u201cEstamos com um problema de constrangimento de ambul\u00e2ncias, principalmente na margem sul do Tejo\u201d.<\/p>\n<p>Entretanto, a <strong>Inspe\u00e7\u00e3o-geral das Atividades em Sa\u00fade (IGAS) confirmou ao Observador a abertura de um inqu\u00e9rito<\/strong> ao caso da morte do utente ap\u00f3s quase tr\u00eas horas de espera por uma ambul\u00e2ncia. O INEM abriu tamb\u00e9m uma auditoria sobre esta situa\u00e7\u00e3o, revelou Lu\u00eds Mendes Cabral: \u201cEsse primeiro passo foi determinado e essa auditoria \u00e0 chamada est\u00e1 a ser feita\u201d.<\/p>\n<p>Lu\u00eds Mendes Cabral saiu tamb\u00e9m em defesa do sistema de triagem recentemente implementado e que tra\u00e7ou a prioriza\u00e7\u00e3o das chamadas nos centros de atendimento urgentes (CODU).<\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"ZAXivFqx6J\">\n<p><a href=\"https:\/\/observador.pt\/2026\/01\/07\/homem-morreu-no-seixal-depois-de-quase-tres-horas-a-espera-do-inem\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Homem morreu no Seixal depois de quase tr\u00eas horas \u00e0 espera do INEM<\/a><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>\u201cO que tenho conhecimento \u00e9 que habitualmente fazemos cerca de 4.500 atendimentos di\u00e1rios nestes centros de atendimento urgentes. Desde o final do per\u00edodo festivo estamos com uma m\u00e9dia de 5.500 chamadas, estamos com mais mil chamadas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0quilo que \u00e9 o nosso trabalho habitual. Conseguimos refor\u00e7ar os meios, foram refor\u00e7ados, por exemplo, na margem Sul com 6 ambul\u00e2ncias para garantir que neste pico de gripe t\u00ednhamos uma resposta adequada. Se os nossos meios fossem capazes de chegar aos hospitais, entregar os doentes e ficar imediatamente dispon\u00edveis, n\u00e3o ter\u00edamos qualquer limita\u00e7\u00e3o\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Segundo Lu\u00eds Mendes Cabral, o \u201c<strong>novo sistema est\u00e1 a correr exatamente como era previsto<\/strong>\u201d e foi bem implementado \u201cnuma altura de procura muito significativa\u201d dos servi\u00e7os de emerg\u00eancia. \u201cN\u00e3o h\u00e1 diferen\u00e7a nenhuma no fluxograma. \u00c9 inconsequente dizermos que h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o entre defini\u00e7\u00e3o de tempos de resposta e aquilo que t\u00ednhamos anteriormente. [Antes] as chamadas n\u00e3o eram priorizadas. T\u00e3o depressa trat\u00e1vamos um enfarte do mioc\u00e1rdio como uma entorse no tornozelo\u201d, sublinhou.<\/p>\n<p>Garantindo que o \u201csistema n\u00e3o falhou\u201d, Lu\u00eds Mendes Cabral enfatizou que o \u201cINEM precisa de ter \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o todos os meios que contratualizou\u201d para socorrer a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cSe tivermos todos os meios contratualizados no circuito, n\u00e3o temos problemas de resposta\u201d, referiu, lan\u00e7ando de imediato o aviso: \u201c<strong>Se tivermos as ambul\u00e2ncias retidas nos hospitais, n\u00e3o temos os meios que precisamos para socorrer os portugueses<\/strong>\u201c.<\/p>\n<p>O presidente do organismo assegurou ainda que tem de haver \u201cuma articula\u00e7\u00e3o entre todos\u201d os agentes, sobretudo numa fase de \u201cprocura muito significativa\u201d, envolvendo a dire\u00e7\u00e3o executiva dos servi\u00e7os de urg\u00eancia, que \u201cest\u00e3o a funcionar no limite das suas capacidades\u201d. Por\u00e9m, recusou tra\u00e7ar uma avalia\u00e7\u00e3o negativa do servi\u00e7o. \u201cN\u00e3o podemos concluir que em dois dias com um fluxo muito grande de chamadas que estamos de uma forma corrente a falhar aos portugueses. Mesmo com este fluxo enorme, estamos a dar a resposta que \u00e9 poss\u00edvel, mas os meios s\u00e3o finitos\u201d, salientou.<\/p>\n<p>Sobre o caso deste utente do Seixal, Lu\u00eds Mendes Cabral reiterou que \u201cn\u00e3o houve falhas do INEM\u201d no atendimento e na triagem \u2014 onde a \u201cidentifica\u00e7\u00e3o de prioridade n\u00e3o foi incorreta\u201d, mas apenas uma \u201cdificuldade para encontrar um meio para responder\u201d a este caso: \u201c<strong>O INEM n\u00e3o falhou no planeamento nem na avalia\u00e7\u00e3o dos meios. N\u00e3o falhou naquilo que era a sua fun\u00e7\u00e3o.<\/strong> Fizemos o acionamento ao fim de 15 minutos que, para uma prioridade de 60 minutos, era razo\u00e1vel. O problema neste momento foi a falta de meios na Margem Sul.<\/p>\n<p>Em paralelo, descartou a contratualiza\u00e7\u00e3o de mais meios. \u201cN\u00e3o posso estar a contratar uma infinidade de meios \u00e0 espera que n\u00e3o estejam dispon\u00edveis. Tenho os meios necess\u00e1rios, fizemos um planeamento. Agora, se todas as ambul\u00e2ncias do INEM n\u00e3o estiverem dispon\u00edveis, nem os bombeiros, nem a Cruz Vermelha conseguem inventar mais ambul\u00e2ncias\u201d, frisou.<\/p>\n<p>Questionado sobre o seu futuro e sobre os esclarecimentos prestados ao Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, Lu\u00eds Mendes Cabral considerou estar \u201c<strong>a fazer o trabalho que era preciso e que foi pedido pelo Governo para a refunda\u00e7\u00e3o do INEM<\/strong>\u201d e garantiu existir \u201cuma comunica\u00e7\u00e3o institucional permanente\u201d nesta fase de pico da gripe.<\/p>\n<p>Os bombeiros mais pr\u00f3ximos do socorro ao doente que morreu no Seixal receberam uma chamada do CODU \u00e0s 13h15 a solicitar ambul\u00e2ncia sem especificar a ocorr\u00eancia nem o local, disse \u00e0 Lusa o presidente dos Bombeiros do Seixal.<\/p>\n<p>Segundo Bento Br\u00e1zio Romeiro, na linha do tempo da ocorr\u00eancia, entre as 11h20 e as 14h09, a Associa\u00e7\u00e3o Humanit\u00e1ria de Bombeiros Mistos do Concelho do Seixal, distrito de Set\u00fabal, recebeu apenas esse contacto do Centro de Orienta\u00e7\u00e3o de Doentes Urgentes (CODU) tendo a corpora\u00e7\u00e3o indicado que n\u00e3o tinha disponibilidade de ambul\u00e2ncias.<\/p>\n<p>Contudo, adiantou, neste contacto realizado \u00e0s 13h15 n\u00e3o foi referido o motivo do pedido nem o local da ocorr\u00eancia.<\/p>\n<p>Um homem morreu na ter\u00e7a-feira no Seixal depois de quase tr\u00eas horas \u00e0 espera de socorro do INEM, confirmou o Sindicato dos T\u00e9cnicos de Emerg\u00eancia Pr\u00e9-Hospitalar, admitindo que o novo sistema de triagem possa ter influenciado o desfecho.<\/p>\n<p>A Lusa teve acesso \u00e0 fita do tempo deste caso, que mostra que o homem, de 78 anos, ligou pela primeira vez a pedir socorro ao INEM pelas 11h20 de ter\u00e7a-feira, tendo esta situa\u00e7\u00e3o sido classificada como prioridade 3 \u2013 que prev\u00ea o acionamento de meios em 60 minutos -, mas apenas foi enviada a viatura m\u00e9dica pelas 14h09, quase tr\u00eas horas depois.<\/p>\n<p>A fita do tempo regista, pelas 11h23, que a v\u00edtima tinha dado uma queda, mostrando-se agitado, confuso, sonolento e prostrado.<\/p>\n<p>Apesar de ter sido considerada uma situa\u00e7\u00e3o de prioridade 3, mais de uma hora depois, pelas 12h48, a fita indica que a Cruz Vermelha do Seixal n\u00e3o tinha ambul\u00e2ncia, que as ambul\u00e2ncias de Almada e Seixal estavam ocupadas e, pelas 13h29, houve uma segunda chamada para o INEM a questionar a demora de meios.<\/p>\n<p>Pelas 14h05 houve uma nova chamada e foi registado que a v\u00edtima estava em paragem cardiorrespirat\u00f3ria e pelas 14h09 foi enviada a viatura m\u00e9dica de Almada, que entretanto ficou livre.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u201cO INEM fez o seu trabalho\u201c. 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