{"id":220253,"date":"2026-01-08T09:19:38","date_gmt":"2026-01-08T09:19:38","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/220253\/"},"modified":"2026-01-08T09:19:38","modified_gmt":"2026-01-08T09:19:38","slug":"tratar-a-obesidade-custa-300-e-tal-euros-por-mes-e-imenso-estamos-a-lutar-para-que-o-estado-comparticipe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/220253\/","title":{"rendered":"Tratar a obesidade custa &#8220;300 e tal euros por m\u00eas&#8221;, \u00e9 &#8220;imenso&#8221;: &#8220;Estamos a lutar para que o Estado comparticipe&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>\t                Portugal j\u00e1 ultrapassou a m\u00e9dia europeia de obesidade e &#8220;mais de metade da popula\u00e7\u00e3o em Portugal entre os 18 e os 74 anos tem excesso de peso ou obesidade&#8221;. H\u00e1 consenso entre os especialistas: &#8220;Infelizmente, no nosso pa\u00eds n\u00e3o temos qualquer comparticipa\u00e7\u00e3o dos f\u00e1rmacos para a obesidade, isso n\u00e3o \u00e9 correto&#8221;. Comparticipar o tratamento (que nalguns casos pode durar para sempre) &#8220;traz poupan\u00e7as financeiras para o Estado&#8221; e a taxa de sucesso &#8220;vai ser brutal&#8221;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/cnnportugal.iol.pt\/ozempic-victoza-trulicity\/medicamentos-para-emagrecer\/tomaram-ozempic-perderam-peso-mas-ficaram-a-parecer-mais-velhos-flacidez-da-pele-aparencia-encovada-tudo-meio-pendurado-e-flacido\/20251120\/691f070cd34e2bd5c6d434e2\" onmouseout=\"this.style.transform=&#039;translateY(0)&#039;;this.style.boxShadow=&#039;0 0 0 rgba(0,0,0,0)&#039;;\" onmouseover=\"this.style.transform=&#039;translateY(-3px)&#039;;this.style.boxShadow=&#039;0 6px 12px rgba(0,0,0,0.12)&#039;;\" style=\"display:block;box-sizing:border-box;width:100%;padding:18px 20px;border-radius:12px;background:#000000;color:#cc0000;text-decoration:none;font-family:Inter,system-ui,-apple-system,&#039;Segoe UI&#039;,Roboto,&#039;Helvetica Neue&#039;,Arial;font-weight:700;letter-spacing:0.5px;position:relative;display:flex;flex-direction:column;gap:6px;border-top:2px solid #000000;border-bottom:2px solid #000000;transition:transform 180ms ease,box-shadow 180ms ease;\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">LEIA TAMB\u00c9MTomaram Ozempic, perderam peso mas ficaram a parecer mais velhos: &#8220;flacidez da pele, apar\u00eancia encovada, tudo meio pendurado e fl\u00e1cido&#8221;<\/a><\/p>\n<p>S\u00e3o j\u00e1 mais de metade os portugueses que sofrem de obesidade ou excesso de peso em Portugal. \u00c9 o que revelam os dados de 2022, respetivos \u00e0 popula\u00e7\u00e3o adulta: 37,3% dos portugueses tinha excesso de peso e 15,9% cumpria os requisitos de um quadro de obesidade. Os sistemas de sa\u00fade deixaram h\u00e1 muito de estar indiferentes ao problema e, por isso, t\u00eam investido em solu\u00e7\u00f5es. H\u00e1, portanto, uma sa\u00edda, que pode passar pela medica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O Ozempic, que \u00e9 um dos nomes mais populares entre os medicamentos usados para o tratamento da obesidade, foi &#8220;desenhado e estudado para a diabetes&#8221;, mas a mol\u00e9cula que comp\u00f5e este medicamento tornou-se um fen\u00f3meno para tratar o excesso de peso. O Ozempic tornou-se not\u00edcia por causa disso, mas tamb\u00e9m \u00e9 not\u00edcia por causa de acontecimentos como o da endocrinologista Gra\u00e7a Vargas, que recentemente foi\u00a0<a href=\"https:\/\/cnnportugal.iol.pt\/policia-judiciaria\/saude\/detida-a-medica-campea-das-receitas-de-ozempic-para-falsos-diabeticos\/20251119\/691d9f44d34e3caad84b7104\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">acusada em Portugal de ter receitado, de forma fraudulenta, medicamentos antidiab\u00e9ticos no valor de mais de 9,7 milh\u00f5es de euros<\/a>,\u00a0num esquema em que as receitas eram emitidas atrav\u00e9s do Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade (SNS) para garantir a comparticipa\u00e7\u00e3o estatal destes f\u00e1rmacos a utentes que na verdade queriam perder peso.\u00a0<\/p>\n<p>Para a tamb\u00e9m endocrinologista Maria Jo\u00e3o Oliveira, este caso pode ser reflexo de um problema maior. &#8220;Infelizmente, no nosso pa\u00eds n\u00e3o temos qualquer comparticipa\u00e7\u00e3o dos f\u00e1rmacos para a obesidade, o que n\u00e3o est\u00e1 correto &#8211; temos obesidades grav\u00edssimas em que a \u00fanica solu\u00e7\u00e3o poss\u00edvel acaba por ser a cirurgia&#8221;, afirma \u00e0 CNN Portugal.<\/p>\n<p>&#8220;Estamos perante uma situa\u00e7\u00e3o complicada, porque estes f\u00e1rmacos custam imenso dinheiro&#8221;, sublinha Maria Jo\u00e3o Oliveira, lembrando que a obesidade deve receber aten\u00e7\u00e3o m\u00e9dica e tratamento adequado &#8211; \u00e9 reconhecida como um problema de sa\u00fade p\u00fablica. O problema, diz, \u00e9 que os pacientes n\u00e3o conseguem suportar estes f\u00e1rmacos &#8211; que &#8220;custam 300 e tal euros por m\u00eas&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;No Wegovy, um miligrama custa 153 euros; 1,7 miligramas custam \u00e0 volta de 200 euros; e 2,4 miligramas custam 244 euros&#8221;, explica a presidente da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo (SPEDM), Paula Freitas. O Mounjaro \u00e9 mais caro: &#8220;Cinco miligramas custam 244 euros; dez miligramas custam 333 euros e 15 miligramas custam mais de 400 euros&#8221;.<\/p>\n<p>E h\u00e1 uma diferen\u00e7a substancial entre o Ozempic e o Wegovy: o primeiro \u00e9 comparticipado pelo Estado (mas para o tratamento da diabetes), ao contr\u00e1rio do segundo, que foi concebido para o tratamento da obesidade, mas n\u00e3o tem qualquer comparticipa\u00e7\u00e3o. &#8220;Essa \u00e9 uma das grandes diferen\u00e7as que est\u00e1 na base de algumas pol\u00e9micas que t\u00eam surgido nos \u00faltimos tempos&#8221;, diz Jo\u00e3o J\u00e1come de Castro, endocrinologista e antigo presidente da SPEDM, que defende uma &#8220;vis\u00e3o mais \u00e0 frente&#8221; relativamente \u00e0 comparticipa\u00e7\u00e3o das terap\u00eauticas que combatem a obesidade.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00f3s, endocrinologistas e as sociedades cient\u00edficas, temos vindo a lutar para que o Estado encontre uma forma de comparticipar a medica\u00e7\u00e3o para a obesidade. Sabemos que mais de metade da popula\u00e7\u00e3o em Portugal entre os 18 e os 74 anos tem excesso de peso ou obesidade e compreendemos que isso \u00e9 um fardo econ\u00f3mico muit\u00edssimo pesado, mas as contas do tratamento j\u00e1 foram feitas e trazem benef\u00edcios&#8221;, sublinha Jo\u00e3o J\u00e1come de Castro. O especialista refere-se a esta vantagem: se os n\u00edveis de excesso de peso e de obesidade ca\u00edrem em Portugal, o Estado vai gastar posteriormente menos dinheiro no SNS no tratamento de pessoas com complica\u00e7\u00f5es de sa\u00fade derivadas precisamente do excesso de peso.<\/p>\n<p>No que \u00e0 obesidade diz respeito, pode dizer-se que Portugal j\u00e1 esteve pior, ocupando agora a 17\u00aa posi\u00e7\u00e3o entre os 26 pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia com taxas mais altas de obesidade, segundo o <a href=\"https:\/\/www.pordata.pt\/pt\/estatisticas\/saude\/estado-de-saude\/taxa-de-obesidade\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Pordata<\/a>. Quando avaliados os n\u00edveis de excesso de peso da popula\u00e7\u00e3o, as percentagens colocam Portugal (52,3%) acima da m\u00e9dia europeia que se fixa nos 50,6%, de acordo com os dados do Eurostat <a href=\"https:\/\/ec.europa.eu\/eurostat\/statistics-explained\/index.php?title=Overweight_and_obesity_-_BMI_statistics#Highlights\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">relativos a 2022<\/a>.<\/p>\n<p>A boa not\u00edcia \u00e9 que a lista de solu\u00e7\u00f5es, outrora limitada aos f\u00e1rmacos injet\u00e1veis, acaba de ser alargada aos <a href=\"https:\/\/cnnportugal.iol.pt\/wegovy\/perda-de-peso\/wegovy-em-comprimido-comeca-a-ser-vendido-esta-semana-farmaco-sera-mais-barato-do-que-os-tratamentos-injetaveis-para-a-obesidade\/20260106\/695d2a99d34e92a344970d00\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">medicamentos de administra\u00e7\u00e3o oral, que come\u00e7am esta semana a ser vendidos nos EUA.<\/a> O novo formato traz consigo pelo menos duas vantagens ao tornar o processo menos invasivo e mais barato para a carteira dos utentes.\u00a0Apesar de ser expect\u00e1vel que a Ag\u00eancia Europeia do Medicamento (EMA) acabe por aprovar a comercializa\u00e7\u00e3o do Wegovy em comprimido, ainda n\u00e3o h\u00e1 uma data para a chegada do f\u00e1rmaco ao mercado portugu\u00eas.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"400\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/1767863978_970_600.webp\" width=\"600\"\/><\/p>\n<p>Para Jo\u00e3o J\u00e1come de Castro, a perda de peso converte-se num leque de melhorias, entre as quais o controlo da diabetes ou mesmo a remiss\u00e3o da doen\u00e7a, a revers\u00e3o da hipertens\u00e3o, o desenvolvimento de menos cancros e problemas osteoarticulares e ortop\u00e9dicos, a diminui\u00e7\u00e3o de enfartes do mioc\u00e1rdio e de acidentes vasculares cerebrais, menos problemas do foro psicol\u00f3gico e consequentemente menos baixas. &#8220;Al\u00e9m do bem-estar que isto traz para os doentes, que \u00e9 um valor inestim\u00e1vel, para n\u00f3s m\u00e9dicos h\u00e1 toda uma poupan\u00e7a significativa para o Estado e para as entidades que comparticipam os medicamentos.&#8221;<\/p>\n<p>A opini\u00e3o \u00e9 partilhada por Paula Freitas. &#8220;O tratamento da obesidade, seja ele farmacol\u00f3gico ou cir\u00fargico, \u00e9 custo eficaz porque as pessoas n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o t\u00eam uma s\u00e9rie de doen\u00e7as metab\u00f3licas, mentais e mec\u00e2nicas, mas tamb\u00e9m s\u00e3o mais produtivas para a sociedade. Se eu tiver uma pessoa que n\u00e3o trabalha, que n\u00e3o tem capacidade, essa pessoa tem custos porque eu n\u00e3o estou a tratar a obesidade, mas estou a tratar as 200 doen\u00e7as associadas.&#8221; Paula Freitas lamenta o facto de nenhum f\u00e1rmaco para o tratamento da obesidade ser comparticipado no pa\u00eds, &#8220;apesar de Portugal h\u00e1 21 anos ter sido pioneiro a considerar a obesidade uma doen\u00e7a&#8221;.<\/p>\n<p>Como funcionamento o tratamento &#8211; que pode ser para sempre <\/p>\n<p>Antes de prosseguir para qualquer abordagem com este tipo de medica\u00e7\u00e3o, o paciente que tem excesso de peso ou obesidade deve ser avaliado por um m\u00e9dico. &#8220;Na primeira parte de uma consulta de obesidade, o m\u00e9dico vai avaliar o que \u00e9 que est\u00e1 nos genes e tentar perceber qual foi o fator precipitante daquele excesso de peso&#8221;, explica Paula Freitas.<\/p>\n<p>Esta triagem \u00e9 crucial, diz a especialista, porque &#8220;at\u00e9 95% das pessoas t\u00eam aquilo a que n\u00f3s chamamos &#8216;obesidade ex\u00f3gena&#8217; [resultado dos h\u00e1bitos de vida do paciente] e h\u00e1 5% de pessoas que t\u00eam obesidades de causas trat\u00e1veis, isto \u00e9, t\u00eam doen\u00e7as que causam obesidade &#8211; e se tratarmos a doen\u00e7a, tratamos a obesidade&#8221;.<\/p>\n<p>O f\u00e1rmaco \u00e9 administrado semanalmente atrav\u00e9s de canetas injet\u00e1veis e, no caso da obesidade, &#8220;como doen\u00e7a cr\u00f3nica que \u00e9, \u00e9 expect\u00e1vel que o tratamento seja tamb\u00e9m ele cr\u00f3nico&#8221;, esclarece Paula Freitas. Ainda assim, h\u00e1 v\u00e1rias exce\u00e7\u00f5es e a m\u00e9dica ressalva a import\u00e2ncia de se olhar para a &#8220;variabilidade da resposta&#8221; dos pacientes, que pode determinar o sucesso da terapia com semaglutido (subst\u00e2ncia ativa do Ozempic e do Wegovy). &#8220;H\u00e1 doentes que respondem muito &#8211; os chamados bons respondedores -, outros que n\u00e3o respondem t\u00e3o r\u00e1pido. E h\u00e1 pessoas, por exemplo, que t\u00eam uma altera\u00e7\u00e3o no gene que regula o recetor do GLP-1 e n\u00e3o respondem de todo a este tipo de tratamento.&#8221; Se o tratamento envolver algu\u00e9m &#8220;com muita idade&#8221;, que j\u00e1 fez m\u00faltiplos tratamentos e j\u00e1 com outras patologias instaladas, &#8220;essa pessoa tamb\u00e9m pode responder menos bem&#8221;.<\/p>\n<p>As doses s\u00e3o articuladas consoante o perfil do paciente, de forma progressiva, para tentar minimizar os efeitos secund\u00e1rios. Quer isto dizer que os profissionais de sa\u00fade v\u00e3o &#8220;titular a dose&#8221;, diz Paula Freitas. &#8220;Se eu quiser prescrever o Wegovy a uma pessoa com obesidade, tenho de usar 0,25 miligramas semanalmente durante um m\u00eas; no m\u00eas seguinte uso 0,5 miligramas e assim sucessivamente at\u00e9 ativar finalmente os 2,4 miligramas.&#8221;<\/p>\n<p>H\u00e1 pacientes que carecem de doses mais elevadas e, nesse caso, iniciam o tratamento com tirzepatida (subst\u00e2ncia ativa do Mounjaro), cuja dose m\u00e1xima vai at\u00e9 aos 15 miligramas. &#8220;Se eu tiver um doente com uma grande obesidade, \u00e9 expect\u00e1vel que aquele doente possa precisar de 15 miligramas, mas eu come\u00e7o com 2,5 no primeiro m\u00eas, depois cinco, depois 7,5, at\u00e9 chegar aos 15&#8221;, diz Paula Freitas.<\/p>\n<p>A data de fim do tratamento n\u00e3o \u00e9 fixa e \u00e9 ditada pela resposta do doente \u00e0 terapia. &#8220;Eu tenho doentes que fizeram o tratamento, depois fizeram um desmame e ficaram bem com uma dose m\u00ednima. Tenho outros que fizeram o tratamento, pararam e n\u00e3o reganharam, ficaram bem e tenho doentes que pararam e reganharam tudo.&#8221;<\/p>\n<p>Estudos recentes revelam que cerca de &#8220;um quarto ou um quinto dos doentes podem n\u00e3o reganhar peso depois de parar o medicamento&#8221;, aponta Jo\u00e3o J\u00e1come de Castro, apesar de os resultados ainda n\u00e3o serem totalmente fi\u00e1veis. &#8220;Pensa-se que alguns doentes possam ter de fazer ciclos intermitentes, como \u00e9 o caso de uma pessoa que perde 30 quilos durante um ano, depois para e ao fim de dois anos reganhe oito quilos &#8211; ent\u00e3o far\u00e1 mais tr\u00eas meses de tratamento.&#8221; O especialista diz que h\u00e1 situa\u00e7\u00f5es em que \u00e9 necess\u00e1rio que o paciente fique numa dose baixa de manuten\u00e7\u00e3o e outras em que o paciente faz tratamento em &#8220;alturas mais desafiantes&#8221;. &#8220;Depois h\u00e1, naturalmente, pessoas que v\u00e3o precisar de terapia com maior cronicidade.&#8221;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"400\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/1767863978_38_600.webp\" width=\"600\"\/><\/p>\n<p>Mesmo que n\u00e3o seja poss\u00edvel definir com certezas o tempo de dura\u00e7\u00e3o do tratamento, Jo\u00e3o J\u00e1come de Castro garante que este \u00e9 um ponto de viragem no combate \u00e0 obesidade. &#8220;Estamos a chegar a percentagens de perda de peso que muitas vezes s\u00f3 consegu\u00edamos quando os doentes eram operados&#8221;, sublinha, acrescentando que a taxa de sucesso vai ser &#8220;brutal&#8221;, j\u00e1 que &#8220;cada vez mais doentes v\u00e3o poder perder peso num n\u00edvel a que n\u00f3s n\u00e3o est\u00e1vamos habituados com medicamentos, sem terem de ser sujeitos a cirurgias que t\u00eam mortalidade associada&#8221;.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o J\u00e1come de Castro explica que um tratamento por semaglutido atua sobretudo a dois n\u00edveis: na perda de apetite e no aumento da saciedade. Este f\u00e1rmaco \u00e9 respons\u00e1vel por &#8220;diminuir o apetite atrav\u00e9s de uma a\u00e7\u00e3o direta nos centros do apetite na base do c\u00e9rebro&#8221; e faz aumentar a saciedade por &#8220;a\u00e7\u00e3o indireta nos centros da saciedade&#8221;. Ou seja, a subst\u00e2ncia atua no est\u00f4mago, tornando mais demorado o esvaziamento g\u00e1strico, que, ao ser atrasado, envia mediadores neuro-hormonais para esses centros da saciedade. A consequ\u00eancia final da conjuga\u00e7\u00e3o destes mecanismos \u00e9 a perda de peso, que costuma ser &#8220;muito significativa&#8221; na grande maioria dos doentes.<\/p>\n<p>Em termos pr\u00e1ticos, acontece isto: &#8220;Diminuir o apetite \u00e9 uma pessoa ir a um jantar, ter um buffet fant\u00e1stico e n\u00e3o lhe apetecer andar ali a picar as coisas. A saciedade \u00e9 uma pessoa ter um prato \u00e0 frente de que gosta e, em vez de comer muito, come um bocadinho e fica satisfeita&#8221;.<\/p>\n<p>Paula Freitas sublinha o teor revolucion\u00e1rio destas terapias, que, al\u00e9m de combaterem a obesidade, tamb\u00e9m &#8220;reduzem a insulinorresist\u00eancia, a pr\u00e9-diabetes, a hipertens\u00e3o, o perfil lip\u00eddico e contribuem para uma melhoria metab\u00f3lica&#8221;.<\/p>\n<p>Independentemente do tratamento, h\u00e1 algo que n\u00e3o pode falhar: altera\u00e7\u00f5es do estilo de vida do paciente, algo que inclui mudan\u00e7a de h\u00e1bitos alimentares e combate ao sedentarismo atrav\u00e9s da atividade f\u00edsica, restabelecendo o equil\u00edbrio entre a ingest\u00e3o alimentar e o desempenho en\u00e9rgico.<\/p>\n<p>Efeitos adversos (e quem n\u00e3o pode tomar) <\/p>\n<p>Os efeitos adversos, quando aparecem, s\u00e3o &#8220;habitualmente transit\u00f3rios&#8221;, manifestando-se na maior parte dos casos numa fase inicial do tratamento, normalmente nas primeiras semanas. Variam de pessoa para pessoa, mas podem incluir m\u00e1 disposi\u00e7\u00e3o, n\u00e1useas, v\u00f3mitos e diarreia, indica Paula Freitas, que descarta quaisquer &#8220;riscos graves&#8221; associados \u00e0 toma do medicamento.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o J\u00e1come de Castro vai mais longe, garantindo que se trata de &#8220;medicamentos segur\u00edssimos, muitos deles com efeitos protetores que v\u00e3o al\u00e9m da perda de peso&#8221;: &#8220;Vieram trazer efic\u00e1cia na perda de peso, pot\u00eancia terap\u00eautica e seguran\u00e7a&#8221;.<\/p>\n<p>Paula Freitas salvaguarda que o recurso ao semaglutido \u00e9 contraindicado em dois casos: &#8220;N\u00e3o se deve dar este f\u00e1rmaco a pessoas que tenham hist\u00f3rico pessoal ou familiar do carcinoma medular de tiroide, que \u00e9 um cancro rar\u00edssimo; e tamb\u00e9m \u00e9 de ponderar o benef\u00edcio e o risco do tratamento com doentes que tenham tido pancreatites&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Portugal j\u00e1 ultrapassou a m\u00e9dia europeia de obesidade e &#8220;mais de metade da popula\u00e7\u00e3o em Portugal entre os&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":76484,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[86],"tags":[609,611,27,607,608,604,1027,610,539,116,603,570,606,4123,13,1022,1025,602,32,33,117,42663,58,605,29,3008],"class_list":{"0":"post-220253","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-saude","8":"tag-alerta","9":"tag-ao-minuto","10":"tag-breaking-news","11":"tag-cnn","12":"tag-cnn-portugal","13":"tag-crime","14":"tag-diabetes","15":"tag-direto","16":"tag-educacao","17":"tag-health","18":"tag-justica","19":"tag-live","20":"tag-meteorologia","21":"tag-mounjaro","22":"tag-noticias","23":"tag-obesidade","24":"tag-ozempic","25":"tag-pais","26":"tag-portugal","27":"tag-pt","28":"tag-saude","29":"tag-semaglutido","30":"tag-sociedade","31":"tag-tempo","32":"tag-ultimas","33":"tag-wegovy"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115858739226792167","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/220253","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=220253"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/220253\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/76484"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=220253"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=220253"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=220253"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}