{"id":220515,"date":"2026-01-08T12:55:10","date_gmt":"2026-01-08T12:55:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/220515\/"},"modified":"2026-01-08T12:55:10","modified_gmt":"2026-01-08T12:55:10","slug":"do-fungo-zombie-a-orquidea-sanguinolenta-as-especies-mais-curiosas-de-2025-biodiversidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/220515\/","title":{"rendered":"Do fungo zombie \u00e0 orqu\u00eddea sanguinolenta: as esp\u00e9cies mais curiosas de 2025 | Biodiversidade"},"content":{"rendered":"<p>Os Jardins Bot\u00e2nicos Reais de Kew, em Londres, elaboram anualmente uma lista com dez curiosas esp\u00e9cies de plantas e fungos descritas pela ci\u00eancia pela primeira vez ao longo do ano passado. O invent\u00e1rio de 2025 apresenta-nos seres vivos singulares como um fungo zombie que parasita aranhas-de-al\u00e7ap\u00e3o no Brasil e uma orqu\u00eddea \u201csanguinolenta\u201d das florestas andinas do Equador.<\/p>\n<p>O an\u00fancio dos jardins bot\u00e2nicos de Londres sublinha a urg\u00eancia da conserva\u00e7\u00e3o num contexto de perda acelerada de biodiversidade. \u201c\u00c9 dif\u00edcil proteger aquilo que n\u00e3o conhecemos, n\u00e3o compreendemos e nem temos um nome cient\u00edfico\u201d, alerta Martin Cheek, l\u00edder de investiga\u00e7\u00e3o na equipa africana dos Kew.<\/p>\n<p>Martin Cheek recorda que a publica\u00e7\u00e3o de novas esp\u00e9cies deixou de ser um exerc\u00edcio acad\u00e9mico livre de inquieta\u00e7\u00f5es. \u201cAgora, cada vez mais, descobrimos que estas esp\u00e9cies j\u00e1 est\u00e3o amea\u00e7adas, ou quase extintas, no momento em que as descrevemos\u201d, afirma o especialista num comunicado dos jardins bot\u00e2nicos de Londres.<\/p>\n<p>Estima-se que tr\u00eas em cada quatro plantas ainda por descrever estejam amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o. \u201cPara onde quer que olhemos, as actividades humanas est\u00e3o a erodir a natureza at\u00e9 ao ponto da extin\u00e7\u00e3o\u201d, adverte Martin Cheek. Nos jardins bot\u00e2nicos de Londres, iniciativas como a conserva\u00e7\u00e3o de sementes no <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/10\/20\/azul\/noticia\/25-anos-banco-sementes-milenio-recruta-cate-blanchet-lutar-futuro-2151451\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Millennium Seed Bank<\/a> procuram reverter, ou pelo menos desacelerar, o actual cen\u00e1rio de perda progressiva de biodiversidade.<\/p>\n<p>Em 2025, os cientistas dos Kew identificaram 190 novas esp\u00e9cies em colabora\u00e7\u00e3o com parceiros internacionais. Entre elas, destaca-se uma ins\u00f3lita esp\u00e9cie de camp\u00e2nula descoberta nos Balc\u00e3s e uma planta vermelh\u00edssima baptizada em homenagem ao filme de anima\u00e7\u00e3o O Castelo Andante (2004). <\/p>\n<p>Ainda h\u00e1 muito por descobrir e caracterizar na natureza. Estima-se que haja cerca de cem mil esp\u00e9cies vegetais e entre dois e tr\u00eas milh\u00f5es de fungos por identificar. \u201cA taxonomia f\u00fangica continua a ser uma das fronteiras mais estimulantes da ci\u00eancia, embora tamb\u00e9m das mais intimidantes\u201d, afirma Irina Druzhinina, especialista em diversidade micol\u00f3gica, para quem cada nova descoberta \u00e9 \u201cum privil\u00e9gio\u201d.<\/p>\n<p>Eis a lista completa das dez mais \u201cestranhas e maravilhosas\u201d esp\u00e9cies descobertas pelos especialistas dos Kew em 2025:<\/p>\n<p>O fungo zombie que infecta aranhas<\/p>\n<p>Um dos mais recentes membros \u201coficiais\u201d do reino dos fungos, <a href=\"https:\/\/imafungus.pensoft.net\/article\/168534\/element\/7\/0\/Ophiocordycipitaceae\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Purpureocillium atlanticum<\/a>, \u00e9 um organismo que infecta aranhas enterradas no solo, cobrindo-as com uma rede de filamentos delicados e macios chamada mic\u00e9lio branco. Trata-se, portanto, de um fungo entomopatog\u00e9nico, ou seja, que parasita e provoca doen\u00e7as em insectos, raz\u00e3o pela qual \u00e9 informalmente apelidado de \u201czombie\u201d.<\/p>\n<p>                &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                        O fungo Purpureocillium atlanticum, descoberto na Mata Atl\u00e2ntica brasileira, parasita aranhas-de-al\u00e7ap\u00e3o &#13;<br \/>\nJo\u00e3o Ara\u00fajo \/ DR                     &#13;<\/p>\n<p>Quando as aranhas-de-al\u00e7ap\u00e3o (ou aranhas-buraqueiras) j\u00e1 se encontram enredadas no mic\u00e9lio, a esp\u00e9cie Purpureocillium atlanticum faz emergir um corpo frut\u00edfero com cerca de dois cent\u00edmetros, que atravessa a porta da toca para libertar esporos, as unidades reprodutivas dos fungos.<\/p>\n<p>A descoberta, realizada na Mata Atl\u00e2ntica brasileira em Novembro de 2022, foi poss\u00edvel gra\u00e7as a tecnologia de sequencia\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica port\u00e1til. Este m\u00e9todo permitiu \u00e0 equipa de cientistas liderada por Jo\u00e3o Ara\u00fajo decifrar o genoma no terreno e quase em tempo real. De acordo com os investigadores, este tipo de abordagem \u201cacelera a descoberta de esp\u00e9cies e a compreens\u00e3o ecol\u00f3gica\u201d.<\/p>\n<p>\u201cOs fungos do g\u00e9nero Purpureocillium infectam uma variedade de hospedeiros, incluindo pessoas com imunidade comprometida (mas n\u00e3o \u00e9 o caso desse que descobrimos)\u201d, explica ao <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/azul\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Azul<\/a> Jo\u00e3o Ara\u00fajo. Esp\u00e9cies do grupo P. atypicola \u00e9 especialista em parasitar aranhas, refere o especialista, sendo encontradas em v\u00e1rias partes do mundo, incluindo o Jap\u00e3o (local original da primeira descri\u00e7\u00e3o), os Estados Unidos e o Brasil.<\/p>\n<p>Uma orqu\u00eddea manchada de \u201csangue\u201d<\/p>\n<p>Nas florestas andinas de Cotopaxi, no Equador, os investigadores encontraram <a href=\"https:\/\/phytotaxa.mapress.com\/pt\/article\/view\/phytotaxa.694.3.6\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Telipogon cruentilabrum<\/a>, uma orqu\u00eddea de flores amarelas com veios vermelhos e um labelo cor de sangue. \u201cO labelo \u00e9 uma p\u00e9tala modificada que em muitas esp\u00e9cies se parece com um l\u00e1bio. Funcionalmente, \u00e9 uma plataforma de aterragem de polinizadores na maioria das esp\u00e9cies\u201d, explica ao <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/azul\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Azul<\/a> o bi\u00f3logo <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/01\/31\/azul\/noticia\/viagem-80-novas-especies-descritas-ciencia-portuguesa-2024-2120548\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Jo\u00e3o Farminh\u00e3o<\/a>, do Jardim Bot\u00e2nico da Universidade de Coimbra, que n\u00e3o esteve envolvido na descoberta. <\/p>\n<p>                &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                        Esta nova esp\u00e9cie de orqu\u00eddea, descoberta no Equador, apresenta estruturas amarelas e cor de sangue &#13;<br \/>\nGabriel Iturralde \/ DR                     &#13;<\/p>\n<p>A Telipogon cruentilabrum cresce nas florestas equatorianas sobre as margaridas-de-\u00e1rvore, a poucos metros do solo, e recorre \u00e0 mimetiza\u00e7\u00e3o para atrair moscas-macho em busca de acasalamento. \u201cEsta esp\u00e9cie tem sido h\u00e1 muito identificada erroneamente como Teligopon dendriticus\u201d, alerta o artigo cient\u00edfico que caracteriza a nova esp\u00e9cie.<\/p>\n<p>A esp\u00e9cie foi avaliada como amea\u00e7ada, num contexto ecol\u00f3gico que tem sido agravado pela minera\u00e7\u00e3o e pela agricultura. \u201cMais de metade do seu habitat j\u00e1 foi destru\u00edda\u201d, alerta a equipa liderada por Carlos Martel, que descreveu outras tr\u00eas esp\u00e9cies raras do g\u00e9nero Telipogon em 2025, citado na nota de imprensa dos Kew.<\/p>\n<p>Flores flamejantes como Calcifer<\/p>\n<p>Uma acant\u00e1cea de tr\u00eas metros descoberta no Peru, <a href=\"https:\/\/link.springer.com\/article\/10.1007\/s12225-025-10334-4\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Aphelandra calciferi<\/a>, exibe flores flamejantes em tons de laranja e amarelo que evocam Calcifer, o dem\u00f3nio de fogo de O Castelo Andante, um filme de anima\u00e7\u00e3o do realizador japon\u00eas <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2013\/09\/01\/culturaipsilon\/noticia\/o-mestre-da-animacao-hayao-miyazaki-nao-vai-fazer-mais-filmes-1604596\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Hayao Miyazaki<\/a>, dos est\u00fadios Ghibli.<\/p>\n<p>                &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                        A nova esp\u00e9cie Aphelandra calcifer foi assim baptizada em homenagem \u00e0 personagem Calcifer, oriunda de um filme de anima\u00e7\u00e3o japon\u00eas &#13;<br \/>\nRodolfo Vasquez\/DR                     &#13;<\/p>\n<p>Os investigadores acreditam que esta planta tem \u201cgrande potencial como ornamental de estufa\u201d, segundo o artigo assinado por John Wood e Rosa Villanueva-Espinoza. O investigador <a href=\"https:\/\/www.biology.ox.ac.uk\/people\/john-ri-wood\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">John Wood<\/a>, ligado \u00e0 Universidade de Oxford, lidera a caracteriza\u00e7\u00e3o de novas esp\u00e9cies nos Kew em 2025, somando 25 descri\u00e7\u00f5es publicadas ao longo dos \u00faltimos 12 meses.<\/p>\n<p>As \u201cpedras vivas\u201d da Nam\u00edbia <\/p>\n<p>Da savana da Nam\u00edbia chega uma nova subesp\u00e9cie das c\u00e9lebres \u201cpedras vivas\u201d, plantas suculentas que se disfar\u00e7am de seixos para sobreviver em ambientes \u00e1ridos e hostis. Chama-se Lithops gracilidelineata mopane e diferencia-se de outras subesp\u00e9cies pelo tom cinzento-claro, levemente esbranqui\u00e7ado, e pela superf\u00edcie lisa das folhas.<\/p>\n<p>                &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                        Nova subesp\u00e9cie de Lithops gracilidelineata&#13;<br \/>\nSebastian Hatt\/DR                     &#13;<\/p>\n<p>\u201cDifere de todas as outras esp\u00e9cies de Lithops por crescer na savana arbustiva de mopane de Colophospermum mopane, entre seixos de quartzo e cascalho\u201d, l\u00ea-se no artigo publicado em Dezembro na revista cient\u00edfica <a href=\"https:\/\/link.springer.com\/article\/10.1007\/s12225-025-10274-z\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Kew Bulletin<\/a>. As florestas de mopane s\u00e3o dominadas pela Colophospermum mopane, uma \u00e1rvore caracter\u00edstica de regi\u00f5es quentes e secas no sul do continente africano.<\/p>\n<p>A recolha ilegal destas \u201cpedras vivas\u201d amea\u00e7a v\u00e1rias esp\u00e9cies do g\u00e9nero Lithops. \u201cEstamos a assistir a um risco real de extin\u00e7\u00e3o\u201d, sublinha o investigador Sebastian Hatt, que liderou o estudo com parceiros namibianos.<\/p>\n<p>C\u00e2mpanula-branca dos Balc\u00e3s<\/p>\n<p>Nos Balc\u00e3s, nas pradarias subalpinas do monte Korab, entre a Maced\u00f3nia e o Kosovo, foi identificada <a href=\"https:\/\/link.springer.com\/article\/10.1007\/s12225-024-10239-8\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Galanthus subalpinus<\/a>, uma nova esp\u00e9cie de c\u00e2mpanula-branca que se confunde com outra mais comum, Galanthus nivalis. A confirma\u00e7\u00e3o chegou atrav\u00e9s da an\u00e1lise gen\u00e9tica e do tamanho do genoma.<\/p>\n<p>                &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                        Galanthus subalpinus, uma nova esp\u00e9cie de camp\u00e2nula-branca descoberta nos Balc\u00e3s &#13;<br \/>\nIan McEnery \/ DR                     &#13;<\/p>\n<p>A nova esp\u00e9cie foi descrita em 2025 e j\u00e1 \u00e9 considerada criticamente amea\u00e7ada devido \u00e0 colecta para horticultura, ao sobrepastoreio e aos inc\u00eandios rurais. \u201cA popula\u00e7\u00e3o \u00e9 diminuta e enfrenta m\u00faltiplas press\u00f5es\u201d, alerta o investigador Aaron Davis, que coordenou a investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Frutos com sabor a banana e goiaba<\/p>\n<p>Na ilha Manus, na <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/papuasia-nova-guine\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Papu\u00e1sia-Nova Guin\u00e9<\/a>, a nova esp\u00e9cie Eugenia venteri surpreende pelo sabor dos seus frutos, descritos como uma mistura de banana e goiaba com um toque de eucalipto. Esta \u00e1rvore de 18 metros produz flores brancas e frutos esf\u00e9ricos com sulcos vincados, que se desenvolvem em longas hastes (flagelos) que se assemelham a chicotes e serpenteiam pelo solo.<\/p>\n<p>                &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                        Os frutos da nova esp\u00e9cie Eugenia venteri destacam-se pelo sabor de banana e goiaba com um toque de eucalipto&#13;<br \/>\nFanie Venter\/ DR                     &#13;<\/p>\n<p>\u201cA nova esp\u00e9cie Eugenia aqui descrita, da ilha de Manus, representa o \u00fanico t\u00e1xon Eugenia conhecido at\u00e9 agora que exibe caulifloria e a primeira esp\u00e9cie da Papu\u00e1sia-Nova Guin\u00e9 a faz\u00ea-lo\u201d, refere o artigo cient\u00edfico publicado na revista <a href=\"https:\/\/link.springer.com\/article\/10.1007\/s12225-025-10264-1\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Kew Bulletin<\/a>. Caulifloria \u00e9 um termo bot\u00e2nico que se refere \u00e0s plantas que desenvolvem flores e frutos directamente nos caules principais ou troncos lenhosos (em vez de em novos brotos).<\/p>\n<p>\u201cAs caracter\u00edsticas morfol\u00f3gicas da nova esp\u00e9cie foram observadas a partir de colec\u00e7\u00f5es de herb\u00e1rios e complementadas com notas de campo fornecidas pelos colectores\u201d, l\u00ea-se ainda na mesma publica\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>A esp\u00e9cie parece depender de ratos gigantes para poliniza\u00e7\u00e3o e dispers\u00e3o. \u201c\u00c9 uma adapta\u00e7\u00e3o fascinante\u201d, afirmam os colectores Arison Arihafa e Fanie Venter. A esp\u00e9cie foi baptizada como E. venteri em homenagem aos dois colectores.<\/p>\n<p>\u00c1rvore leguminosa nos Camar\u00f5es<\/p>\n<p>Numa floresta remota dos Camar\u00f5es, ergue-se <a href=\"https:\/\/oaj.fupress.net\/index.php\/webbia\/article\/view\/18480\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Plagiosiphon intermedium<\/a>, uma leguminosa que pode atingir 34 metros e pesar cinco toneladas, tornando-se a maior nova esp\u00e9cie descrita em 2025 pelos jardins bot\u00e2nicos de Kew. Trata-se da primeira adi\u00e7\u00e3o ao g\u00e9nero Plagiosiphon em quase oito d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>                &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                        Foi descrita para a ci\u00eancia em 2025 a portentosa \u00e1rvore Plagiosiphon intermedium&#13;<br \/>\nDR                    &#13;<\/p>\n<p>A nova esp\u00e9cie est\u00e1 restrita a duas localidades n\u00e3o protegidas em Ngovayang, regi\u00e3o camaronense que \u00e9 considerada um alfobre de biodiversidade e tem sido alvo de m\u00faltiplos projectos de minera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cA depend\u00eancia de fungos ectomicorr\u00edzicos torna estas \u00e1rvores ainda mais vulner\u00e1veis\u201d, explica o investigador Xander van Der Burgt, que liderou a descri\u00e7\u00e3o com colegas do Instituto Nacional de Investiga\u00e7\u00e3o Agr\u00edcola dos Camar\u00f5es. Os fungos ectomicorr\u00edzicos desenvolvem-se no solo em simbiose com ra\u00edzes de plantas.<\/p>\n<p>O fungo das gram\u00edneas<\/p>\n<p>Na Mong\u00f3lia Interior, uma regi\u00e3o aut\u00f3noma da China, os investigadores identificaram mais uma pe\u00e7a do vasto e complexo mundo f\u00fangico. <a href=\"http:\/\/chrome-extension:\/\/efaidnbmnnnibpcajpcglclefindmkaj\/https:\/\/www.mycosphere.org\/pdf\/MYCOSPHERE_15_1_26.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow\">Magnaporthiopsis stipae<\/a>, um fungo end\u00f3fito isolado das ra\u00edzes da gram\u00ednea Stipa sareptana, integra um conjunto de 24 novas esp\u00e9cies, 11 novos g\u00e9neros e uma nova fam\u00edlia descritos recentemente.<\/p>\n<p>                &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                        Imagem de microscopia electr\u00f3nica da nova esp\u00e9cie de fungo Magnaporthiopsis stipae, com cor falsa &#13;<br \/>\nC. L. Zhang &amp; Irina Druzhinina \/ DR                     &#13;<\/p>\n<p>Estes organismos vivem dentro de plantas sem causar doen\u00e7a e, por vezes, beneficiam a hospedeira. O estudo, liderado por cientistas da Universidade de Zhejiang, sublinha que muitos fungos ainda por identificar s\u00e3o invis\u00edveis ao olhar humano.<\/p>\n<p>A palmeira dos frutos rubros<\/p>\n<p>J\u00e1 nas encostas calc\u00e1rias de Samar, nas Filipinas, os investigadores encontraram uma palmeira elegante e rara, agora baptizada pela comunidade cient\u00edfica como Adonidia zibabaoa. Descoberta em 2013 por Jiro e Zhereeleen Adorador, esta esp\u00e9cie de frutos vermelhos, conhecida localmente como Amuring, cresce em zonas vulner\u00e1veis a tuf\u00f5es e j\u00e1 desperta interesse entre coleccionadores.<\/p>\n<p>                &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                        A palmeira filipina Adonidia zibabaoa&#13;<br \/>\nJiro Adorador \/ DR                     &#13;<\/p>\n<p>A sua classifica\u00e7\u00e3o da nova palmeira constituiu um desafio. Foram as an\u00e1lises gen\u00e9ticas realizadas nos jardins bot\u00e2nicos de Kew que confirmaram a inclus\u00e3o da planta no g\u00e9nero Adonidia, que at\u00e9 agora contava apenas com duas esp\u00e9cies, incluindo a popular palmeira-de-natal.<\/p>\n<p>A orqu\u00eddea-lagarta da Indon\u00e9sia<\/p>\n<p>Na Nova Guin\u00e9 e nas ilhas Molucas, territ\u00f3rios indon\u00e9sios, seis novas orqu\u00eddeas foram descritas, entre elas a curiosa <a href=\"https:\/\/link.springer.com\/article\/10.1007\/s12225-025-10281-0\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Dendrobium eruciforme<\/a>. Esta nova planta \u00e9 chamada \u201corqu\u00eddea-lagarta\u201d devido ao porte diminuto e \u00e0 apar\u00eancia que evoca uma col\u00f3nia de lagartas sobre troncos.<\/p>\n<p>                &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                        A nova esp\u00e9cie de orqu\u00eddea Dendrobium eruciforme&#13;<br \/>\nAndre Schuiteman \/ Kew Gardens                     &#13;<\/p>\n<p>Cinco destas seis novas esp\u00e9cies resultam do trabalho conjunto entre os Kew e parceiros locais no \u00e2mbito do projecto Tropical Important Plant Areas, que j\u00e1 identificou 13 \u00e1reas priorit\u00e1rias para conserva\u00e7\u00e3o. Tr\u00eas pertencem \u00e0 regi\u00e3o conhecida como Crown Jewel, um dos redutos mais ricos e intactos de floresta tropical, ocupado pelas aves-do-para\u00edso celebrizadas pelo naturalista brit\u00e2nico <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/david-attenborough\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">David Attenborough<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Os Jardins Bot\u00e2nicos Reais de Kew, em Londres, elaboram anualmente uma lista com dez curiosas esp\u00e9cies de plantas&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":220516,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[785,2780,4614,27,28,109,3697,4823,15,16,11727,14,25,26,21,22,62,12,13,19,20,42698,23,24,17,18,29,30,31,63,64,65],"class_list":{"0":"post-220515","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-mundo","8":"tag-azul","9":"tag-biodiversidade","10":"tag-biologia","11":"tag-breaking-news","12":"tag-breakingnews","13":"tag-ciencia","14":"tag-conservacao-da-natureza","15":"tag-especies-ameacadas","16":"tag-featured-news","17":"tag-featurednews","18":"tag-fungos","19":"tag-headlines","20":"tag-latest-news","21":"tag-latestnews","22":"tag-main-news","23":"tag-mainnews","24":"tag-mundo","25":"tag-news","26":"tag-noticias","27":"tag-noticias-principais","28":"tag-noticiasprincipais","29":"tag-orquideas","30":"tag-principais-noticias","31":"tag-principaisnoticias","32":"tag-top-stories","33":"tag-topstories","34":"tag-ultimas","35":"tag-ultimas-noticias","36":"tag-ultimasnoticias","37":"tag-world","38":"tag-world-news","39":"tag-worldnews"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":"Validation failed: Text character limit of 500 exceeded"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/220515","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=220515"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/220515\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/220516"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=220515"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=220515"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=220515"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}