{"id":220554,"date":"2026-01-08T13:21:16","date_gmt":"2026-01-08T13:21:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/220554\/"},"modified":"2026-01-08T13:21:16","modified_gmt":"2026-01-08T13:21:16","slug":"flechas-envenenadas-de-60-mil-anos-mostram-tatica-avancada-de-caca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/220554\/","title":{"rendered":"Flechas envenenadas de 60 mil anos mostram t\u00e1tica avan\u00e7ada de ca\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">Cientistas detectaram vest\u00edgios de toxinas vegetais em pontas de flechas da Idade da Pedra que foram utilizadas por ca\u00e7adores-coletores na \u00c1frica do Sul h\u00e1 cerca de 60 mil anos.<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">A descoberta marca o mais antigo registro conhecido de flechas envenenadas e indica que tais ferramentas e estrat\u00e9gias sofisticadas de ca\u00e7a existiam milhares de anos antes do que se pensava anteriormente, segundo os autores de um estudo <a href=\"https:\/\/dx.doi.org\/10.1126\/sciadv.adz3281\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer nofollow\" class=\"text-red-600 underline hover:text-red-500 font-medium break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">publicado na quarta-feira (7) na revista Science Advances<\/a>.<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">&#8220;Na ca\u00e7a por persist\u00eancia, as flechas envenenadas geralmente n\u00e3o matavam a presa instantaneamente&#8221;, disse o autor principal do estudo, Sven Isaksson, professor de ci\u00eancia arqueol\u00f3gica do Laborat\u00f3rio de Pesquisa Arqueol\u00f3gica da Universidade de Estocolmo. &#8220;Em vez disso, o veneno ajudava os ca\u00e7adores a reduzir o tempo e a energia necess\u00e1rios para rastrear e exaurir um animal ferido.&#8221;<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">Dois diferentes alcaloides, ou compostos org\u00e2nicos vegetais, encontrados no res\u00edduo qu\u00edmico venenoso eram da planta gifbol, ou Boophone disticha. Ca\u00e7adores tradicionais da regi\u00e3o ainda utilizam a planta hoje em dia e a chamam localmente de bulbo venenoso.<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">Os ca\u00e7adores-coletores provavelmente mergulhavam as pontas de flecha de quartzo, escavadas no Abrigo Rochoso de Umhlatuzana em KwaZulu-Natal, \u00c1frica do Sul, em 1985, em veneno antes de us\u00e1-las para matar animais para alimenta\u00e7\u00e3o. A presen\u00e7a de flechas envenenadas durante o <a href=\"https:\/\/www.cnnbrasil.com.br\/tecnologia\/cientistas-dizem-ter-identificado-momento-em-que-a-humanidade-quase-foi-extinta\/\" class=\"text-red-600 underline hover:text-red-500 font-medium break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\" target=\"_self\" rel=\"nofollow noopener\">Pleistoceno Tardio<\/a> sugere que os <a href=\"https:\/\/www.cnnbrasil.com.br\/tecnologia\/imagens-de-satelite-revelam-armadilhas-de-caca-de-povos-antigos-no-chile\/\" class=\"text-red-600 underline hover:text-red-500 font-medium break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\" target=\"_self\" rel=\"nofollow noopener\">ca\u00e7adores-coletores<\/a> sabiam quais plantas usar, bem como quanto tempo levaria para as toxinas serem eficazes.<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">&#8220;Compreender que uma subst\u00e2ncia aplicada a uma flecha enfraquecer\u00e1 um animal horas depois requer pensamento de causa e efeito e a capacidade de antecipar resultados tardios&#8221;, escreveu Isaksson em um e-mail. &#8220;As evid\u00eancias apontam que os humanos pr\u00e9-hist\u00f3ricos tinham habilidades cognitivas avan\u00e7adas, conhecimento cultural complexo e pr\u00e1ticas de ca\u00e7a bem desenvolvidas.&#8221;<\/p>\n<p>Identificando uma planta venenosa<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">Embora os humanos h\u00e1 muito dependam das plantas como alimento, as flechas envenenadas s\u00e3o apenas um exemplo de como nossos ancestrais que viviam durante a \u00faltima era do gelo exploraram as propriedades qu\u00edmicas das plantas para desenvolver medicamentos e subst\u00e2ncias t\u00f3xicas, disse Isaksson.<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">Os ca\u00e7adores podem ter aplicado veneno nas pontas, tamb\u00e9m chamadas de micr\u00f3litos apoiados, perfurando o bulbo da planta gifbol, ou cortando o bulbo e capturando a subst\u00e2ncia venenosa em um recipiente. O veneno pode ter sido concentrado atrav\u00e9s da aplica\u00e7\u00e3o de calor ou exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 luz solar, segundo o estudo.<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">Os venenos funcionam de diferentes maneiras, com algumas variedades como miotoxinas destruindo o tecido muscular e outras, chamadas neurotoxinas, atacando o sistema nervoso. Os ca\u00e7adores-coletores podem ter evitado qualquer parte do animal afetada por miotoxinas, enquanto as neurotoxinas seriam dilu\u00eddas ap\u00f3s se espalharem por todo o corpo do animal, afirmou Isaksson.<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">&#8220;Algumas toxinas s\u00f3 s\u00e3o perigosas se entrarem na corrente sangu\u00ednea e n\u00e3o s\u00e3o prejudiciais quando ingeridas&#8221;, explicou ele por e-mail. &#8220;Outras podem ser facilmente destru\u00eddas pelo calor e, portanto, neutralizadas pelo cozimento.&#8221;<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">An\u00e1lises qu\u00edmicas revelaram a presen\u00e7a dos alcaloides bufandrina e epibufanisina em cinco das 10 pontas de flecha de quartzo. Apesar de estarem enterradas por milhares de anos, as pontas de flecha ainda mantinham res\u00edduos porque os alcaloides possuem caracter\u00edsticas qu\u00edmicas espec\u00edficas que permitiram sua conserva\u00e7\u00e3o, como o fato de n\u00e3o se dissolverem facilmente em \u00e1gua.<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">Mesmo pequenas quantidades das toxinas da planta podem ser letais para roedores em 20 a 30 minutos e podem causar n\u00e1usea, paralisia respirat\u00f3ria, edema pulmonar, pulso fraco e outros sintomas em humanos, segundo o estudo.<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">Para compara\u00e7\u00e3o, os autores tamb\u00e9m examinaram quatro pontas de flecha de 250 anos de idade coletadas na \u00c1frica do Sul e levadas para a Su\u00e9cia. A an\u00e1lise descobriu que suas pontas estavam impregnadas com os mesmos alcaloides t\u00f3xicos, sugerindo uma longa hist\u00f3ria do uso tradicional do veneno na ca\u00e7a, afirmaram os autores.<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">&#8220;Encontrar vest\u00edgios do mesmo veneno tanto em pontas de flecha pr\u00e9-hist\u00f3ricas quanto hist\u00f3ricas foi crucial&#8221;, disse Isaksson. &#8220;Ao estudar cuidadosamente a estrutura qu\u00edmica das subst\u00e2ncias e, assim, tirar conclus\u00f5es sobre suas propriedades, pudemos determinar que essas subst\u00e2ncias espec\u00edficas s\u00e3o est\u00e1veis o suficiente para sobreviver tanto tempo no solo.&#8221;<\/p>\n<p>Um vislumbre do estilo de vida pr\u00e9-hist\u00f3rico<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">Os arque\u00f3logos intu\u00edam que as pessoas que viviam no final do Pleistoceno deviam ter algum conhecimento sobre toxinas vegetais e as usavam para auxiliar na ca\u00e7a, mas evid\u00eancias diretas eram dif\u00edceis de encontrar, disse Justin Bradfield, professor associado do Instituto de Paleopesquisa da Universidade de Joanesburgo. Bradfield n\u00e3o participou do novo estudo.<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">Mol\u00e9culas org\u00e2nicas frequentemente se degradam com o tempo, dificultando a reconstru\u00e7\u00e3o dos compostos originais, mas Isaksson e sua equipe fizeram um trabalho admir\u00e1vel ao verificar quimicamente pequenos res\u00edduos preservados por acaso, demonstrando a compreens\u00e3o que os ca\u00e7adores-coletores tinham sobre plantas t\u00f3xicas.<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">&#8220;Isso tamb\u00e9m demonstra planejamento avan\u00e7ado, estrat\u00e9gia e racioc\u00ednio causal \u2014 algo muito dif\u00edcil de comprovar em pessoas que viveram h\u00e1 tanto tempo, mas cujas evid\u00eancias aumentam a cada ano&#8221;, afirmou Bradfield.<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">Antes da descoberta de res\u00edduos de veneno nas pontas de flechas de Umhlatuzana, as evid\u00eancias diretas mais antigas do uso de veneno em ferramentas de ca\u00e7a vinham de flechas com pontas de osso encontradas em um t\u00famulo eg\u00edpcio de 4.431 a 4.000 anos Antes do Presente, bem como na Caverna Kruger, na \u00c1frica do Sul, h\u00e1 cerca de 6.700 anos Antes do Presente, segundo o estudo. Arque\u00f3logos e ge\u00f3logos utilizam a escala Antes do Presente tendo 1950 como ano-base, por ser quando a data\u00e7\u00e3o por radiocarbono foi introduzida.<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">Outras evid\u00eancias do uso de ferramentas de ca\u00e7a envenenadas foram descobertas na Caverna Border, na prov\u00edncia de KwaZulu-Natal, na \u00c1frica do Sul: um aplicador que pode ter sido usado para colocar veneno em pontas de flechas datado de 24.000 anos atr\u00e1s, e um peda\u00e7o de cera de abelha de 35.000 anos que pode ter servido como adesivo para fixar a ponta da flecha.<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">O estudo tamb\u00e9m confirma que o arco e flecha foi uma tecnologia caracter\u00edstica conforme os humanos se espalharam pelo globo, e revela uma distin\u00e7\u00e3o cognitiva entre os ca\u00e7adores-coletores pr\u00e9-hist\u00f3ricos representando o Homo sapiens e outros homin\u00eddeos como os Neandertais, disse Ludovic Slimak, arque\u00f3logo do Centro Nacional Franc\u00eas de Pesquisa Cient\u00edfica e da Universidade Paul Sabatier em Toulouse, Fran\u00e7a. Slimak n\u00e3o participou da pesquisa.<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">&#8220;Isso refor\u00e7a a vis\u00e3o de que o arco n\u00e3o \u00e9 uma inven\u00e7\u00e3o tardia, mas uma tecnologia fundamental e complexa cujas origens remontam a pelo menos 80.000 anos na \u00c1frica e \u00c1sia, e que posteriormente acompanhou a chegada do Homo sapiens \u00e0 Europa h\u00e1 cerca de 54.000 anos&#8221;, acrescentou Slimak.<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">Isaksson e seus colaboradores est\u00e3o ansiosos para investigar outros locais promissores na \u00c1frica do Sul para verificar qu\u00e3o difundido pode ter sido o uso de flechas envenenadas naquela \u00e9poca.<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">&#8220;Isso nos revela algo novo sobre como as pessoas daquela \u00e9poca pensavam, planejavam e entendiam o mundo ao seu redor&#8221;, disse ele.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Cientistas detectaram vest\u00edgios de toxinas vegetais em pontas de flechas da Idade da Pedra que foram utilizadas por&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":220555,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[84],"tags":[109,107,108,32,33,105,103,104,106,110],"class_list":{"0":"post-220554","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-ciencia-e-tecnologia","8":"tag-ciencia","9":"tag-ciencia-e-tecnologia","10":"tag-cienciaetecnologia","11":"tag-portugal","12":"tag-pt","13":"tag-science","14":"tag-science-and-technology","15":"tag-scienceandtechnology","16":"tag-technology","17":"tag-tecnologia"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115859690935373237","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/220554","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=220554"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/220554\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/220555"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=220554"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=220554"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=220554"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}