{"id":222932,"date":"2026-01-10T00:44:11","date_gmt":"2026-01-10T00:44:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/222932\/"},"modified":"2026-01-10T00:44:11","modified_gmt":"2026-01-10T00:44:11","slug":"filme-de-jim-jarmusch-premiado-em-veneza-com-elenco-de-luxo-e-uma-desilusao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/222932\/","title":{"rendered":"filme de Jim Jarmusch premiado em Veneza com elenco de luxo \u00e9 uma desilus\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><strong>A HIST\u00d3RIA:<\/strong> Tr\u00eas hist\u00f3rias que se debru\u00e7am sobre as rela\u00e7\u00f5es de filhos adultos uns com os outros e com o pai, m\u00e3e ou pais de certa forma distantes. Cada cap\u00edtulo tem lugar no presente e num pa\u00eds diferente. \u201cPai\u201d tem lugar no nordeste dos EUA, \u201cM\u00e3e\u201d em Dublin, Irlanda, e \u201cIrm\u00e3 Irm\u00e3o\u201d em Paris, Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>&#8220;Pai M\u00e3e Irm\u00e3 Irm\u00e3o&#8221;: nos cinemas desde 8 de janeiro de 2026 (visionado no BFI London Film Festival 2025 em outubro).<\/p>\n<p>Por Manuel S\u00e3o Bento (aprovado no <a href=\"https:\/\/www.rottentomatoes.com\/critics\/manuel-sao-bento\/movies\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer nofollow\">Rotten Tomatoes<\/a>. Membro de associa\u00e7\u00f5es como OFCS, IFSC, OFTA. <a href=\"https:\/\/linktr.ee\/manuelsbento\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer nofollow\">Veja mais no portfolio<\/a>).<br \/>\nClassifica\u00e7\u00e3o (0 a 5):\u00a0 * 1\/2<\/p>\n<p>&#8220;Pai M\u00e3e Irm\u00e3 Irm\u00e3o&#8221; ambiciona ser uma tr\u00edptica discreta sobre o isolamento moderno e os la\u00e7os familiares, mas a sua estrutura r\u00edgida e a avers\u00e3o ao conflito transformam-na num exerc\u00edcio de estilo que se esvazia de verdadeiro conte\u00fado. Propositadamente mon\u00f3tono, lento e repetitivo, Jim Jarmusch promete sil\u00eancio contemplativo que, infelizmente, torna-se numa experi\u00eancia praticamente nula, provando que o minimalismo, quando destitu\u00eddo de uma espinha dorsal emocional ou tem\u00e1tica, \u00e9 apenas in\u00e9rcia. Uma desilus\u00e3o.<\/p>\n<p>\t\t<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/1768005849_954_thumbs.web.sapo.io.webp\"  alt=\"Pai M\u00e3e Irm\u00e3 Irm\u00e3o\" loading=\"true\"\/><\/p>\n<p>      Pai M\u00e3e Irm\u00e3 Irm\u00e3o<br \/>\n      Cr\u00e9ditos: NOS Audiovisuais<\/p>\n<p>A cr\u00edtica<\/p>\n<p>O realizador Jim Jarmusch (&#8220;Paterson&#8221;) \u00e9 um nome que, por si s\u00f3, carrega um peso significativo no cinema &#8220;indie&#8221; norte-americano, sendo conhecido por um estilo minimalista e de humor &#8220;deadpan&#8221;. A expectativa geral para um novo projeto \u2014 ainda por cima um vencedor do Le\u00e3o de Ouro em Veneza e com um elenco de luxo \u2014 \u00e9 sempre alt\u00edssima, mas pessoalmente, n\u00e3o \u00e9 propriamente um cineasta com quem tenha grande familiaridade. Contudo, em &#8220;Pai M\u00e3e Irm\u00e3 Irm\u00e3o&#8221;, o que se esperava ser uma medita\u00e7\u00e3o observacional sobre a complexidade familiar, revelou-se, para mim, numa experi\u00eancia profundamente frustrante e esquec\u00edvel.<\/p>\n<p>Com argumento e realiza\u00e7\u00e3o a cargo do pr\u00f3prio Jarmusch, a obra divide a sua narrativa em tr\u00eas atos distintos, cada um explorando diferentes din\u00e2micas de fam\u00edlias nucleares em diferentes pa\u00edses. O primeiro segmento, &#8220;Pai&#8221;, re\u00fane os irm\u00e3os Jeff (Adam Driver) e Emily (Mayim Bialik) numa visita inc\u00f3moda ao seu pai recluso (Tom Waits) em New Jersey. O segundo, &#8220;M\u00e3e&#8221;, leva-nos a Dublin, onde as irm\u00e3s Timothea (Cate Blanchett) e Lilith (Vicky Krieps) se encontram para o ch\u00e1 anual com a sua m\u00e3e, uma autora austera (Charlotte Rampling). O segmento final, &#8220;Irm\u00e3o Irm\u00e3&#8221;, acompanha os irm\u00e3os g\u00e9meos Skye (Indya Moore) e Billy (Luka Sabbat) em Paris, confrontando o legado dos seus pais rec\u00e9m-falecidos.<\/p>\n<p>\t\t<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/1768005850_884_thumbs.web.sapo.io.webp\"  alt=\"Pai M\u00e3e Irm\u00e3 Irm\u00e3o\" loading=\"true\"\/><\/p>\n<p>      Pai M\u00e3e Irm\u00e3 Irm\u00e3o<br \/>\n      Cr\u00e9ditos: NOS Audiovisuais<\/p>\n<p>A premissa do cinema de Jarmusch muitas vezes reside no &#8220;nada&#8221;, na observa\u00e7\u00e3o atenta de intera\u00e7\u00f5es humanas mundanas. O problema de &#8220;Pai M\u00e3e Irm\u00e3 Irm\u00e3o&#8221; n\u00e3o \u00e9 ser um filme lento, mas sim repetitivo e sem conseguir extrair significado ou humor suficiente da sua inten\u00e7\u00e3o formal.<\/p>\n<p>A estrutura de tr\u00edptico, que deveria servir para nos mostrar as varia\u00e7\u00f5es universais do tema da dist\u00e2ncia emocional, falha miseravelmente. Em vez de nos apresentar tr\u00eas perspetivas complementares, oferece tr\u00eas hist\u00f3rias t\u00e3o semelhantes que \u00e9 dif\u00edcil n\u00e3o questionar se tinha subst\u00e2ncia para uma longa-metragem. A f\u00f3rmula \u00e9 quase sempre a mesma: fam\u00edlias h\u00e1 muito afastadas que se reencontram, resultando numa sucess\u00e3o de sil\u00eancios constrangedores e di\u00e1logos for\u00e7ados que nunca se desenvolvem para um confronto, resolu\u00e7\u00e3o ou sequer um entendimento. A tens\u00e3o \u00e9 palp\u00e1vel em todos os segmentos, mas Jarmusch recusa-se persistentemente a dar-lhe qualquer tipo de vaz\u00e3o, culminando numa sensa\u00e7\u00e3o de vazio que n\u00e3o \u00e9 po\u00e9tica, mas sim exaustiva.<\/p>\n<p>\t\t<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/1768005850_597_thumbs.web.sapo.io.webp\"  alt=\"Pai M\u00e3e Irm\u00e3 Irm\u00e3o\" loading=\"true\"\/><\/p>\n<p>      Pai M\u00e3e Irm\u00e3 Irm\u00e3o<br \/>\n      Cr\u00e9ditos: NOS Audiovisuais<\/p>\n<p>Cada n\u00facleo familiar cont\u00e9m um &#8220;segredo&#8221; ou uma tens\u00e3o n\u00e3o resolvida, sejam problemas financeiros n\u00e3o transparentes ou mentiras sobre o estado profissional. Estas s\u00e3o molas dram\u00e1ticas que se esperava fossem exploradas ou, pelo menos, sentidas, mas que s\u00e3o simplesmente ignoradas pelos intervenientes. &#8220;N\u00e3o quero lidar\/falar sobre isso agora&#8221; \u00e9 a frase expl\u00edcita, como tantas outras, que paira no ar de forma constante, transformando cada cap\u00edtulo numa meia-hora de t\u00e9dio ineficaz.<\/p>\n<p>Jarmusch salpica as hist\u00f3rias com uma s\u00e9rie de motivos recorrentes que, pretensamente, deveriam ligar as narrativas ou injetar alguma excentricidade necess\u00e1ria, mas que acabam por sublinhar a sua monotonia propositada. \u00c9 o brinde com \u00e1gua, ch\u00e1 ou caf\u00e9; a piada t\u00edpica brit\u00e2nica for\u00e7ada do &#8220;bob&#8217;s your uncle&#8221;; a obsess\u00e3o por skaters em c\u00e2mara lenta. \u00c9 poss\u00edvel fazer um esfor\u00e7o herc\u00faleo para ver os skaters como um s\u00edmbolo fugaz de liberdade ou de escape \u00e0 pris\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es familiares obrigat\u00f3rias, mas \u00e9 um estic\u00e3o que &#8220;Pai M\u00e3e Irm\u00e3 Irm\u00e3o&#8221; nunca se d\u00e1 ao trabalho de merecer. S\u00e3o apenas repeti\u00e7\u00f5es que irritam, tornando a mensagem \u2014 de que todas as fam\u00edlias s\u00e3o estranhas, distantes e desonestamente superficiais \u2014 numa constata\u00e7\u00e3o enfadonha.<\/p>\n<p>\t\t<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/1768005851_201_thumbs.web.sapo.io.webp\"  alt=\"Pai M\u00e3e Irm\u00e3 Irm\u00e3o\" loading=\"true\"\/><\/p>\n<p>      Pai M\u00e3e Irm\u00e3 Irm\u00e3o<br \/>\n      Cr\u00e9ditos: NOS Audiovisuais<\/p>\n<p>O humor seco e inexpressivo que aprecio em qualquer g\u00e9nero tamb\u00e9m n\u00e3o funciona. Salvo raras exce\u00e7\u00f5es, as piadas morrem no ar. A rece\u00e7\u00e3o no BFI London Film Festival refletiu-o: foi a \u00fanica sess\u00e3o do dia que terminou sem um \u00fanico aplauso e com a sala em sil\u00eancio sepulcral. No entanto, h\u00e1 que reconhecer que, mesmo no meio desta dorm\u00eancia, o talento de alguns atores consegue brilhar. A personagem de Krieps, que surge com cabelo cor-de-rosa, \u00e9 a inje\u00e7\u00e3o de divers\u00e3o e irrever\u00eancia de que o filme desesperadamente precisava. O seu confronto silencioso, mas c\u00f3mico, com a irm\u00e3 mais s\u00f3bria de Blanchett, \u00e9 um dos poucos momentos que me arrancaram um sorriso genu\u00edno.<\/p>\n<p>\t\t<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/1768005851_304_thumbs.web.sapo.io.webp\"  alt=\"Pai M\u00e3e Irm\u00e3 Irm\u00e3o\" loading=\"true\"\/><\/p>\n<p>      Pai M\u00e3e Irm\u00e3 Irm\u00e3o<br \/>\n      Cr\u00e9ditos: NOS Audiovisuais<\/p>\n<p>O terceiro segmento, focado nos g\u00e9meos de Moore e Sabbat, \u00e9, de longe, o mais aceit\u00e1vel. Talvez por n\u00e3o terem pais presentes, o seu di\u00e1logo flui de forma mais natural e a sua liga\u00e7\u00e3o \u00e9 real, fugindo \u00e0 performance monoc\u00f3rdica e for\u00e7ada que marca os dois primeiros segmentos. \u00c9 nesta parte que a caracteriza\u00e7\u00e3o das personagens, feita atrav\u00e9s de detalhes subtis e impl\u00edcitos sobre a vida dos pais falecidos, consegue ser um pouco mais do que superficial.<\/p>\n<p>Mas estes s\u00e3o pontos de luz insuficientes para redimir &#8220;Pai M\u00e3e Irm\u00e3 Irm\u00e3o&#8221;. A profundidade que Jarmusch procura nas intera\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas \u00e9, ironicamente, substitu\u00edda por uma superficialidade que n\u00e3o \u00e9 redentora nem intrigante. N\u00e3o se sente um desenvolvimento, nem a urg\u00eancia de uma mensagem como &#8220;digam o que t\u00eam a dizer antes que seja tarde demais&#8221;. Tudo termina como come\u00e7ou: com indiferen\u00e7a.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A HIST\u00d3RIA: Tr\u00eas hist\u00f3rias que se debru\u00e7am sobre as rela\u00e7\u00f5es de filhos adultos uns com os outros e&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":222933,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[140],"tags":[114,115,147,148,146,32,33],"class_list":{"0":"post-222932","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-filmes","8":"tag-entertainment","9":"tag-entretenimento","10":"tag-film","11":"tag-filmes","12":"tag-movies","13":"tag-portugal","14":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115868039168562035","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/222932","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=222932"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/222932\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/222933"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=222932"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=222932"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=222932"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}