{"id":223150,"date":"2026-01-10T04:20:20","date_gmt":"2026-01-10T04:20:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/223150\/"},"modified":"2026-01-10T04:20:20","modified_gmt":"2026-01-10T04:20:20","slug":"descoberta-de-fosseis-e-preciso-reescrever-a-historia-da-humanidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/223150\/","title":{"rendered":"Descoberta de f\u00f3sseis: \u00e9 preciso reescrever a hist\u00f3ria da Humanidade?"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 muito que cientistas se interrogam sobre a origem da esp\u00e9cie humana. Um dos mist\u00e9rios que continua por esclarecer \u00e9 saber de que antepassado comum descendem tanto o ser humano moderno como os neandertais e os denisovanos. Estimativas anteriores indicavam que esse antepassado viveu h\u00e1 cerca de 750 mil anos.<\/p>\n<p>Novas an\u00e1lises de achados f\u00f3sseis em Marrocos trazem dados novos sobre os nossos antepassados mais antigos.<\/p>\n<p>Jean-Jacques Hublin \u00e9 um dos mais destacados paleoantrop\u00f3logos a trabalhar na Alemanha. O antrop\u00f3logo franc\u00eas \u00e9 professor no Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva, em Leipzig, onde dirige o Departamento de Evolu\u00e7\u00e3o Humana.<\/p>\n<p>Na edi\u00e7\u00e3o mais recente da revista cient\u00edfica Nature, ele e uma equipa internacional apresentam 21 f\u00f3sseis \u00f3sseos humanos descobertos numa gruta em Marrocos. \u201cUm antecessor plaus\u00edvel de Homo sapiens\u201d, avalia Hublin. Ou seja, poder\u00e3o tratar-se de pr\u00e9-humanos dos quais descende toda a humanidade atual.<\/p>\n<p>Em Marrocos, Hublin encontrou f\u00f3sseis de homin\u00edneos que viveram precisamente na \u00e9poca e no local onde ter\u00e1 come\u00e7ado a forma\u00e7\u00e3o de Homo sapiens: h\u00e1 cerca de 800 mil anos, em \u00c1frica.<\/p>\n<p>Os f\u00f3sseis agora publicados v\u00eam de Thomas Quarry I, um s\u00edtio arqueol\u00f3gico no sudoeste de Casablanca. Desde o final dos anos 80 que ali se fazem escava\u00e7\u00f5es, com achados de ferramentas de pedra e ossos de pr\u00e9-humanos.<\/p>\n<p>Invers\u00e3o do campo magn\u00e9tico da Terra<\/p>\n<p>Os arque\u00f3logos locais pediram a Hublin, h\u00e1 cerca de 30 anos, apoio na an\u00e1lise dos primeiros f\u00f3sseis encontrados.<\/p>\n<p>O franc\u00eas j\u00e1 suspeitava ent\u00e3o que os achados teriam, no m\u00ednimo, meio milh\u00e3o de anos e remontariam ao per\u00edodo em que Homo Erectus evoluiu para o humano moderno. S\u00f3 que, na altura, faltavam meios para determinar com precis\u00e3o a idade.<\/p>\n<p>A investigadora Serena Perini, da Universidade de Mil\u00e3o, baseou a an\u00e1lise no facto de o campo magn\u00e9tico da Terra ter ficado registado no sedimento aquando da deposi\u00e7\u00e3o dos f\u00f3sseis.<\/p>\n<p>Ao longo da hist\u00f3ria da Terra, o campo magn\u00e9tico muda repetidamente de polaridade. Estas invers\u00f5es paleomagn\u00e9ticas ocorrem \u00e0 escala global e, na escala geol\u00f3gica, d\u00e3o-se praticamente de forma s\u00fabita, deixando nos sedimentos um sinal claro.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise magnetoestratigr\u00e1fica de Perini mostrou que o campo magn\u00e9tico se inverteu precisamente na \u00e9poca em que ali viviam os homin\u00edneos, um evento que os ge\u00f3logos conseguem datar com grande precis\u00e3o. <\/p>\n<p>Assim, Hublin e colegas fixaram a idade dos f\u00f3sseis encontrados em Casablanca em cerca de 773 mil anos.<\/p>\n<p>Segundo Hublin, os ossos pertencem a pelo menos tr\u00eas indiv\u00edduos: dois adultos e um beb\u00e9. Marcas de mordedura num f\u00e9mur mostram que um predador roeu o osso. \u201cProvavelmente uma hiena\u201d, estima Hublin.<\/p>\n<p>A gruta onde os f\u00f3sseis foram encontrados ter\u00e1 servido tamb\u00e9m de abrigo a predadores.<\/p>\n<p>Os achados revelam semelhan\u00e7as com Homo antecessor do sul da Europa, sugerindo um parentesco estreito entre as duas esp\u00e9cies. <\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, as denti\u00e7\u00f5es exibem tra\u00e7os que j\u00e1 apontam para o futuro Homo sapiens. H\u00e1 cerca de 30 anos, investigadores encontraram restos de Homo antecessor na gruta Gran Dolina, em Atapuerca, Espanha.<\/p>\n<p>Fica agora claro: o antepassado comum dos tr\u00eas grupos humanos viveu bem antes do que se pensava, e a separa\u00e7\u00e3o ocorreu de facto em \u00c1frica. Dos seus descendentes evolu\u00edram na Eur\u00e1sia, atrav\u00e9s de Homo antecessor, os neandertais e os denisovanos, enquanto os f\u00f3sseis de Marrocos parecem integrar a linhagem de descend\u00eancia da qual viria a emergir Homo sapiens.<\/p>\n<p>Hublin e colegas consideram, com elevada probabilidade, que na raiz de ambas as linhas est\u00e1 a esp\u00e9cie Homo erectus, a primeira do g\u00e9nero Homo a migrar para fora de \u00c1frica.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria da nossa esp\u00e9cie come\u00e7a em \u00c1frica, mas os seus caminhos estenderam-se muito para l\u00e1 do continente. <\/p>\n<p>Segundo o investigador do Max Planck, os pr\u00e9-humanos em Espanha e Marrocos tinham antepassados comuns, por\u00e9m cada ramo seguiu a sua pr\u00f3pria via. <\/p>\n<p>H\u00e1 cerca de 800 mil anos, parte da popula\u00e7\u00e3o africana de Homo migrou pelo M\u00e9dio Oriente at\u00e9 \u00e0 Europa. Alguns desses primeiros viajantes chegaram \u00e0 Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica, onde evolu\u00edram de forma aut\u00f3noma.<\/p>\n<p>Os f\u00f3sseis de Casablanca, Marrocos contam a hist\u00f3ria dos que permaneceram em \u00c1frica. Desta linha, cerca de meio milh\u00e3o de anos depois, surgiu o moderno Homo sapiens. Mas o detalhe dessa evolu\u00e7\u00e3o continua obscuro: para o intervalo crucial entre 800 e 300 mil anos, quase n\u00e3o h\u00e1 f\u00f3sseis que permitam esclarecer.<\/p>\n<p>H\u00e1, por\u00e9m, uma certeza: a emerg\u00eancia de Homo sapiens n\u00e3o foi um percurso linear.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"H\u00e1 muito que cientistas se interrogam sobre a origem da esp\u00e9cie humana. 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