{"id":223233,"date":"2026-01-10T07:35:08","date_gmt":"2026-01-10T07:35:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/223233\/"},"modified":"2026-01-10T07:35:08","modified_gmt":"2026-01-10T07:35:08","slug":"virus-da-herpes-ja-infectavam-humanos-ha-mais-de-2-000-anos-revela-dna-antigo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/223233\/","title":{"rendered":"V\u00edrus da herpes j\u00e1 infectavam humanos h\u00e1 mais de 2.000 anos, revela DNA antigo"},"content":{"rendered":"\n<p class=\" content-text__container theme-color-primary-first-letter\" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> Cientistas de diversas universidades europeias identificaram, pela primeira vez, genomas antigos de herpesv\u00edrus humanos preservados no DNA de esqueletos com mais de 2.000 anos. A descoberta demonstra que essas infec\u00e7\u00f5es acompanham a humanidade desde pelo menos a Idade do Ferro. A pesquisa foi liderada por equipes da Universidade de Viena e da Universidade de Tartu, na Est\u00f4nia, e os resultados foram publicados na revista Science Advances. <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> O estudo permitiu aos pesquisadores reconstruir os genomas dos beta-herpesv\u00edrus humanos 6A e 6B (HHV-6A\/B) a partir de restos arqueol\u00f3gicos, fornecendo evid\u00eancias gen\u00e9ticas diretas de sua coevolu\u00e7\u00e3o com os humanos. As an\u00e1lises indicam que essa rela\u00e7\u00e3o persistiu por mil\u00eanios e que os dois v\u00edrus seguiram trajet\u00f3rias evolutivas distintas. Em particular, o HHV-6A parece ter perdido precocemente a capacidade de se integrar ao DNA humano, enquanto o HHV-6B manteve essa caracter\u00edstica. <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> Esse v\u00edrus infecta cerca de 90% das crian\u00e7as antes dos dois anos de idade e \u00e9 a causa da ros\u00e9ola, conhecida como \u201csexta doen\u00e7a\u201d, considerada a principal causa de convuls\u00f5es febris na inf\u00e2ncia. Na maioria dos casos, a infec\u00e7\u00e3o \u00e9 leve e permanece latente no organismo ao longo de toda a vida. <\/p>\n<p>Integra\u00e7\u00e3o viral e transmiss\u00e3o heredit\u00e1ria<\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> Uma das caracter\u00edsticas distintivas do HHV-6A e do HHV-6B \u00e9 a capacidade de inserir seu material gen\u00e9tico nos cromossomos humanos. Essa integra\u00e7\u00e3o permite que o v\u00edrus permane\u00e7a latente por longos per\u00edodos e, em casos raros, seja transmitido de pais para filhos como parte do genoma. Atualmente, cerca de 1% da popula\u00e7\u00e3o mundial carrega essas c\u00f3pias virais herdadas em todas as suas c\u00e9lulas. <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> Embora os cientistas suspeitassem h\u00e1 muito tempo que essas integra\u00e7\u00f5es fossem muito antigas, faltavam evid\u00eancias gen\u00e9ticas conclusivas. Para obt\u00ea-las, um cons\u00f3rcio internacional de pesquisadores das universidades de Cambridge e do University College London analisou quase 4.000 amostras de esqueletos humanos provenientes de diversos s\u00edtios arqueol\u00f3gicos da Europa. A partir desse conjunto, foram identificados e reconstru\u00eddos 11 genomas antigos de herpesv\u00edrus. <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> O genoma mais antigo conhecido pertencia a uma menina que viveu na It\u00e1lia durante a Idade do Ferro, entre 1100 e 600 a.C. Al\u00e9m disso, os v\u00edrus HHV-6A e HHV-6B foram detectados em restos mortais medievais da Inglaterra, B\u00e9lgica e Est\u00f4nia. O HHV-6B tamb\u00e9m foi encontrado em amostras antigas da It\u00e1lia e da R\u00fassia do in\u00edcio do per\u00edodo hist\u00f3rico. <\/p>\n<p>Principais conclus\u00f5es em s\u00edtios europeus<\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> Diversos indiv\u00edduos encontrados na Inglaterra apresentaram formas heredit\u00e1rias do HHV-6B, representando os casos mais antigos conhecidos de herpesv\u00edrus humanos integrados aos cromossomos. O s\u00edtio belga de Sint-Truiden destacou-se por apresentar a maior concentra\u00e7\u00e3o de casos e por demonstrar a circula\u00e7\u00e3o simult\u00e2nea de ambas as esp\u00e9cies virais em uma mesma comunidade. <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> \u201cEmbora o HHV-6 infecte quase 90% da popula\u00e7\u00e3o humana em algum momento da vida, apenas cerca de 1% carrega o v\u00edrus, herdado dos pais, em todas as c\u00e9lulas do corpo. Esse 1% \u00e9 o grupo com maior probabilidade de possuir DNA ancestral, o que torna a busca por sequ\u00eancias virais consideravelmente mais dif\u00edcil\u201d, explicou a pesquisadora principal do estudo, Meriam Guellil, do Departamento de Antropologia Evolutiva da Universidade de Viena. \u201cCom base em nossos dados, a evolu\u00e7\u00e3o do v\u00edrus remonta a mais de 2.500 anos na Europa, utilizando genomas do per\u00edodo entre os s\u00e9culos VIII e VI a.C. at\u00e9 os dias atuais\u201d, concluiu. <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> Ao analisar os genomas reconstru\u00eddos, os cientistas conseguiram identificar os locais exatos onde os v\u00edrus se integraram aos cromossomos humanos. A compara\u00e7\u00e3o com dados gen\u00e9ticos modernos revelou que algumas dessas integra\u00e7\u00f5es ocorreram h\u00e1 milhares de anos e foram transmitidas por in\u00fameras gera\u00e7\u00f5es, confirmando uma longa coevolu\u00e7\u00e3o entre v\u00edrus e hospedeiros. <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> \u201cA presen\u00e7a de uma c\u00f3pia do HHV-6B no genoma tem sido associada \u00e0 angina e a doen\u00e7as card\u00edacas\u201d, afirmou Charlotte Houldcroft, do Departamento de Gen\u00e9tica da Universidade de Cambridge. \u201cSabemos que essas formas heredit\u00e1rias de HHV-6A e HHV-6B s\u00e3o mais comuns no Reino Unido hoje do que no restante da Europa, e esta \u00e9 a primeira evid\u00eancia de portadores de longo prazo na Gr\u00e3-Bretanha\u201d, acrescentou. <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> O estudo fornece a primeira evid\u00eancia geneticamente datada de coevolu\u00e7\u00e3o entre humanos e herpesv\u00edrus em n\u00edvel de DNA e destaca o valor do DNA antigo para a reconstru\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria das doen\u00e7as infecciosas. Tamb\u00e9m demonstra como infec\u00e7\u00f5es comuns da inf\u00e2ncia podem, ao longo do tempo, integrar-se de forma permanente ao genoma humano. <\/p>\n<p>Evid\u00eancias desde a Idade do Ferro<\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> Embora o HHV-6A e o HHV-6B s\u00f3 tenham sido identificados cientificamente na d\u00e9cada de 1980, pesquisas j\u00e1 indicavam sua presen\u00e7a desde a Idade do Ferro. \u201cDados gen\u00e9ticos modernos sugerem que o HHV-6 pode ter evolu\u00eddo com os humanos desde nossa migra\u00e7\u00e3o da \u00c1frica\u201d, afirmou Guellil. \u201cEsses genomas antigos agora fornecem a primeira evid\u00eancia concreta de sua presen\u00e7a no passado remoto da humanidade\u201d, concluiu. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Cientistas de diversas universidades europeias identificaram, pela primeira vez, genomas antigos de herpesv\u00edrus humanos preservados no DNA de&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":223234,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[86],"tags":[319,116,32,33,318,117],"class_list":{"0":"post-223233","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-saude","8":"tag-hard-news","9":"tag-health","10":"tag-portugal","11":"tag-pt","12":"tag-radar","13":"tag-saude"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115869654893587184","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/223233","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=223233"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/223233\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/223234"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=223233"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=223233"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=223233"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}