{"id":223815,"date":"2026-01-10T18:18:12","date_gmt":"2026-01-10T18:18:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/223815\/"},"modified":"2026-01-10T18:18:12","modified_gmt":"2026-01-10T18:18:12","slug":"onde-surgiu-a-nossa-especie-fosseis-com-773-mil-anos-reforcam-teoria-sobre-origem-em-africa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/223815\/","title":{"rendered":"Onde surgiu a nossa esp\u00e9cie? F\u00f3sseis com 773 mil anos refor\u00e7am teoria sobre origem em \u00c1frica"},"content":{"rendered":"<p class=\"category\"><a href=\"https:\/\/sicnoticias.pt\/ciencia\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Ci\u00eancia<\/a><\/p>\n<p>A descoberta preenche uma lacuna importante nos registos f\u00f3sseis e refor\u00e7a teoria da origem africana do Homo sapiens.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/1768069092_101_original.webp\" alt=\"Mand\u00edbula com 773.000 anos, proveniente da pedreira de Thomas, em Marrocos.\"\/><\/p>\n<p>Mand\u00edbula com 773.000 anos, proveniente da pedreira de Thomas, em Marrocos.<\/p>\n<p>Hamza Mehimdate, Programme Pr\u00e9histoire de Casablanca<\/p>\n<p><strong>F\u00f3sseis humanos descobertos em Marrocos e datados com grande precis\u00e3o em 773 mil anos refor\u00e7am a hip\u00f3tese de que a origem do Homo sapiens \u00e9 africana, ajudando a preencher uma lacuna importante no registo f\u00f3ssil e a esclarecer a separa\u00e7\u00e3o entre as linhagens humanas africanas e euro-asi\u00e1ticas.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">O f\u00f3ssil mais antigo conhecido de <a href=\"https:\/\/sicnoticias.pt\/pesquisa?q=Homo+sapiens\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer nofollow\">Homo sapiens<\/a>, o \u00fanico representante vivo do g\u00e9nero Homo, foi descoberto em <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/nature22336\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer nofollow\">Jebel Irhoud<\/a>, em Marrocos, e tem cerca de 300 mil anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">No entanto, estudos gen\u00e9ticos e paleontol\u00f3gicos indicam que os antepassados do Homo sapiens se ter\u00e3o separado muito antes das linhagens euro-asi\u00e1ticas que deram origem aos <a href=\"https:\/\/sicnoticias.pt\/pesquisa?q=neandertais\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer nofollow\">neandertais<\/a> e aos <a href=\"https:\/\/sicnoticias.pt\/pesquisa?q=denisovanos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer nofollow\">denisovanos<\/a>, j\u00e1 extintos, provavelmente entre 750 mil e 550 mil anos atr\u00e1s.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Durante d\u00e9cadas, os f\u00f3sseis mais relevantes desse per\u00edodo no chamado \u201cVelho Mundo\u201d ocidental foram encontrados sobretudo em <strong>Atapuerca, em Espanha<\/strong>, incluindo o <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41598-021-83039-w\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer nofollow\">Homo antecessor<\/a>, datado de h\u00e1 cerca de 800 mil anos. Esta esp\u00e9cie apresenta uma <strong>combina\u00e7\u00e3o de tra\u00e7os do<\/strong><strong> <\/strong><strong>Homo erectus<\/strong><strong> <\/strong><strong>com caracter\u00edsticas mais pr\u00f3ximas do<\/strong><strong> <\/strong><strong>Homo sapiens<\/strong><strong> <\/strong><strong>e dos neandertais.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">A aus\u00eancia de f\u00f3sseis africanos compar\u00e1veis levou alguns investigadores a defender a <strong>hip\u00f3tese, muito debatida, de que o<\/strong><strong> <\/strong><strong>Homo sapiens<\/strong><strong> <\/strong><strong>poderia ter tido uma origem fora de \u00c1frica,<\/strong> regressando mais tarde ao continente.<\/p>\n<p>Jean-Jacques Hublin \u00e9 paleoantrop\u00f3logo franc\u00eas e professor no Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva, em Leipzig, onde dirige o Departamento de Evolu\u00e7\u00e3o Humana.<\/p>\n<p><strong>F\u00f3sseis encontrados em Casablanca mudam o cen\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Essa lacuna come\u00e7a agora a ser preenchida com a data\u00e7\u00e3o precisa de f\u00f3sseis humanos descobertos na chamada <strong>Caverna dos Homin\u00eddeos<\/strong>, <strong>na pedreira Thomas, em Casablanca,<\/strong> na costa atl\u00e2ntica de Marrocos.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">O local foi identificado em 1969 e escavado ao longo de mais de 30 anos por uma equipa franco-marroquina.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Os investigadores encontraram <strong>v\u00e9rtebras, dentes e fragmentos de mand\u00edbulas humanas, incluindo uma mand\u00edbula &#8220;muito graciosa&#8221;,<\/strong> descoberta em 2008, cuja morfologia intrigou os especialistas.<\/p>\n<blockquote style=\"text-align: left;\"><p>\u201cOs homin\u00eddeos que viveram h\u00e1 meio milh\u00e3o ou um milh\u00e3o de anos n\u00e3o tinham, geralmente, mand\u00edbulas pequenas. Aqui era claramente algo invulgar. E question\u00e1vamos qual seria a sua idade&#8221;, recordou Hublin.<\/p><\/blockquote>\n<p>Mand\u00edbulas inferiores (maxilares) do Norte de \u00c1frica, ilustrando a varia\u00e7\u00e3o entre os homin\u00eddeos f\u00f3sseis e os humanos modernos. Os f\u00f3sseis apresentados s\u00e3o Tighennif 3 da Arg\u00e9lia (canto superior esquerdo), ThI-GH-10717 da Pedreira Thomas em Marrocos (canto superior direito) e Jebel Irhoud 11 de Marrocos (canto inferior esquerdo), comparados com uma mand\u00edbula de um humano moderno recente (canto inferior direito). Todos os esp\u00e9cimes s\u00e3o apresentados \u00e0 mesma escala, permitindo a compara\u00e7\u00e3o direta do seu tamanho e forma.<\/p>\n<p>Philipp Gunz, MPI for Evolutionary Anthropology<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">O s\u00edtio foi ocupado de forma intermitente por homin\u00eddeos que utilizaram ferramentas de pedra da ind\u00fastria acheulense, mas funcionou tamb\u00e9m como ref\u00fagio de carn\u00edvoros. Um f\u00e9mur humano com marcas, provavelmente deixadas por uma hiena, confirma essa utiliza\u00e7\u00e3o mista do espa\u00e7o.<\/p>\n<p><strong>Uma data\u00e7\u00e3o excecionalmente precisa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Durante anos, as tentativas de datar os f\u00f3sseis n\u00e3o tiveram sucesso. A resposta surgiu em 2022, com a aplica\u00e7\u00e3o de um m\u00e9todo baseado na invers\u00e3o ds polos magn\u00e9ticos da Terra.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">H\u00e1 cerca de 773 mil anos, ocorreu a <a href=\"https:\/\/www.ncei.noaa.gov\/products\/world-magnetic-model\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer nofollow\">transi\u00e7\u00e3o Matuyama\u2013Brunhes<\/a>, a \u00faltima grande invers\u00e3o geomagn\u00e9tica, em que o polo norte magn\u00e9tico passou da proximidade do polo sul geogr\u00e1fico para a posi\u00e7\u00e3o atual. Esta invers\u00e3o deixou um sinal claro nas rochas e sedimentos em todo o mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Na Caverna dos Homin\u00eddeos, os f\u00f3sseis foram encontrados precisamente nas camadas sedimentares correspondentes a essa invers\u00e3o, permitindo uma data\u00e7\u00e3o \u201cmuito, muito precisa\u201d, com uma margem de erro de apenas cerca de quatro mil anos, sublinha Hublin.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Segundo os autores, trata-se de uma das data\u00e7\u00f5es mais rigorosas alguma vez obtidas para f\u00f3sseis humanos do Pleistoceno africano.<\/p>\n<p>Jean-Paul Raynal e Fatima Zohra Sihi-Alaoui, co-directores do programa &#8220;Pr\u00e9 histoire de Casablanca&#8221; durante a escava\u00e7\u00e3o que levou \u00e0 descoberta da mand\u00edbula ThI-GH-10717, em Maio de 2008.<\/p>\n<p><strong>Pr\u00f3ximos da raiz da nossa linhagem<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">A an\u00e1lise anat\u00f3mica detalhada revela que estes f\u00f3sseis apresentam uma <strong>combina\u00e7\u00e3o de caracter\u00edsticas arcaicas e mais modernas. S\u00e3o semelhantes aos f\u00f3sseis de Atapuerca, mas n\u00e3o id\u00eanticos.<\/strong><\/p>\n<blockquote style=\"text-align: left;\"><p>\u201cEstamos a observar popula\u00e7\u00f5es que j\u00e1 est\u00e3o em processo de separa\u00e7\u00e3o e diferencia\u00e7\u00e3o\u201d, explica Hublin.<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: left;\">Esta diferen\u00e7a <strong>sugere que as linhagens africanas e euro-asi\u00e1ticas j\u00e1 estavam a divergir h\u00e1 cerca de 773 mil anos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Estudos com microtomografia computorizada (micro-CT) aos dentes mostram que<strong> estes homin\u00eddeos s\u00e3o distintos tanto do<\/strong><strong> <\/strong><strong>Homo erectus<\/strong><strong> <\/strong><strong>como do<\/strong><strong> <\/strong><strong>Homo antecessor<\/strong>, sendo compat\u00edveis com popula\u00e7\u00f5es africanas pr\u00f3ximas da base evolutiva que conduziu ao Homo sapiens.<\/p>\n<p><strong>\u00c1frica e Europa ligadas por antigos corredores<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Embora o M\u00e9dio Oriente seja considerado a principal rota de sa\u00edda dos homin\u00eddeos de \u00c1frica, os investigadores admitem que, em determinados per\u00edodos de descida do n\u00edvel do mar, <strong>possam ter existido passagens entre o Norte de \u00c1frica e o Sul da Europa, nomeadamente atrav\u00e9s do Estreito de Gibraltar ou entre a Tun\u00edsia e a Sic\u00edlia.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Para Hublin, estes f\u00f3sseis constituem \u201cmais uma evid\u00eancia de poss\u00edveis interc\u00e2mbios muito antigos&#8221; entre o Norte de \u00c1frica e o Sudoeste da Europa, embora essas trocas tenham ocorrido antes da separa\u00e7\u00e3o clara das popula\u00e7\u00f5es agora identificadas.<\/p>\n<p><strong>Uma pe\u00e7a-chave na hist\u00f3ria da evolu\u00e7\u00e3o humana<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">O estudo, conduzido por uma equipa internacional que envolve investigadores de Marrocos, Fran\u00e7a, Alemanha, It\u00e1lia e Espanha, <strong>refor\u00e7a a ideia de uma<\/strong><strong> <\/strong><strong>origem profundamente africana<\/strong> <strong>do<\/strong><strong> <\/strong><strong>Homo sapiens<\/strong><strong>.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Os f\u00f3sseis de Casablanca s\u00e3o quase contempor\u00e2neos dos de Atapuerca, mas cerca de meio milh\u00e3o de anos mais antigos do que os restos humanos de Jebel Irhoud. Pela sua posi\u00e7\u00e3o temporal e morfol\u00f3gica, aproximam-se daquilo que os dados gen\u00e9ticos indicam como <strong>o \u00faltimo ancestral comum de humanos modernos, neandertais e denisovanos.<\/strong><\/p>\n<blockquote style=\"text-align: left;\"><p>\u201cEstes f\u00f3sseis podem ser os melhores candidatos que temos atualmente para popula\u00e7\u00f5es africanas pr\u00f3ximas da raiz dessa ancestralidade comum\u201d, conclui Jean-Jacques Hublin.<\/p><\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Ci\u00eancia A descoberta preenche uma lacuna importante nos registos f\u00f3sseis e refor\u00e7a teoria da origem africana do Homo&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":223816,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[84],"tags":[109,107,108,32,33,105,103,104,106,110],"class_list":{"0":"post-223815","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-ciencia-e-tecnologia","8":"tag-ciencia","9":"tag-ciencia-e-tecnologia","10":"tag-cienciaetecnologia","11":"tag-portugal","12":"tag-pt","13":"tag-science","14":"tag-science-and-technology","15":"tag-scienceandtechnology","16":"tag-technology","17":"tag-tecnologia"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115872183288883133","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/223815","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=223815"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/223815\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/223816"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=223815"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=223815"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=223815"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}