{"id":224205,"date":"2026-01-11T00:58:17","date_gmt":"2026-01-11T00:58:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/224205\/"},"modified":"2026-01-11T00:58:17","modified_gmt":"2026-01-11T00:58:17","slug":"nao-tem-cerebro-mas-dormem-como-os-humanos-alforrecas-ajudam-a-explicar-para-que-serve-o-sono","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/224205\/","title":{"rendered":"N\u00e3o t\u00eam c\u00e9rebro mas dormem como os humanos: alforrecas ajudam a explicar para que serve o sono"},"content":{"rendered":"<p class=\"category\"><a href=\"https:\/\/sicnoticias.pt\/ciencia\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Ci\u00eancia<\/a><\/p>\n<p>Pensamos no sono como uma forma de restaurar o c\u00e9rebro: um momento para processar mem\u00f3rias, limpar as c\u00e9lulas de toxinas e prepararmo-nos para um novo dia. Mas at\u00e9 os animais que n\u00e3o t\u00eam c\u00e9rebro precisam de dormir, o que vem alterar a ideia da fun\u00e7\u00e3o do sono.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/1768093097_597_original.webp\" alt=\"N\u00e3o t\u00eam c\u00e9rebro mas dormem como os humanos: alforrecas ajudam a explicar para que serve o sono\"\/><\/p>\n<p>TatianaMironenko<\/p>\n<p><strong>As alforrecas e as an\u00e9monas-do-mar dormem cerca de um ter\u00e7o do dia, tal como os humanos, apesar de n\u00e3o terem c\u00e9rebro. Um estudo publicado na<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><strong>Nature<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><strong>conclui que o sono surgiu muito antes dos c\u00e9rebros complexos e que a sua fun\u00e7\u00e3o principal \u00e9 proteger os neur\u00f3nios dos danos no ADN causados pela vig\u00edlia.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: start;\">As alforrecas e as an\u00e9monas-do-mar n\u00e3o t\u00eam c\u00e9rebro, mas t\u00eam neur\u00f3nios.\u00a0Mesmo assim, entram num estado de sono com caracter\u00edsticas muito semelhantes \u00e0s observadas nos humanos, incluindo per\u00edodos de inatividade e maior dificuldade em acordar quando s\u00e3o perturbadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: start;\">Esta descoberta desafia a ideia de que o sono existe apenas para restaurar o c\u00e9rebro. Pelo contr\u00e1rio, sugere que dormir \u00e9 uma necessidade mais b\u00e1sica, comum at\u00e9 a animais com sistemas nervosos muito simples.<\/p>\n<p><strong>O sono surgiu muito cedo na evolu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: start;\">Um estudo da Universidade Bar-Ilan, em Israel, <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41467-025-67400-5\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer nofollow\">publicado na revista\u00a0Nature<\/a>, indica que uma das fun\u00e7\u00f5es essenciais do sono surgiu h\u00e1 centenas de milh\u00f5es de anos,<strong>\u00a0<\/strong><strong>entre os primeiros animais com neur\u00f3nios<\/strong><strong>.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: start;\">Ao estudar alforrecas e an\u00e9monas-do-mar, os investigadores conclu\u00edram que o sono est\u00e1 associado \u00e0 <strong>p<\/strong><strong>rote\u00e7\u00e3o<\/strong><strong> dos neur\u00f3nios contra danos no ADN e contra o stress celular.<\/strong> Esta fun\u00e7\u00e3o ter\u00e1 surgido muito antes da evolu\u00e7\u00e3o de c\u00e9rebros complexos.<\/p>\n<p><strong>Quanto tempo dormem e em que altura do dia<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: start;\">A equipa analisou os padr\u00f5es de sono das alforrecas\u00a0Cassiopea andromeda, em laborat\u00f3rio e no seu ambiente natural, e das an\u00e9monas-do-mar\u00a0Nematostella vectensis, em laborat\u00f3rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: start;\">Ambos os organismos <strong>dormem cerca de um ter\u00e7o do dia, uma propor\u00e7\u00e3o semelhante \u00e0 dos humanos.<\/strong> As alforrecas dormem sobretudo durante a noite, com pequenas pausas ao meio-dia. As an\u00e9monas-do-mar dormem principalmente durante o dia.<\/p>\n<p style=\"text-align: start;\">Nas alforrecas, o sono \u00e9 regulado pelas altera\u00e7\u00f5es da luz e pelo impulso homeost\u00e1tico do sono, o mecanismo interno que aumenta a necessidade de dormir quanto mais tempo se est\u00e1 acordado.<\/p>\n<p style=\"text-align: start;\">Nas an\u00e9monas-do-mar, o sono \u00e9 regulado tanto pelo rel\u00f3gio circadiano interno como pelo impulso homeost\u00e1tico, um sistema semelhante ao que existe em muitos animais com c\u00e9rebros mais desenvolvidos.<\/p>\n<p><strong>Danos no ADN dos neur\u00f3nios<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: start;\">Os investigadores observaram que, em ambas as esp\u00e9cies<strong>, a vig\u00edlia prolongada e a priva\u00e7\u00e3o de sono est\u00e3o associadas a um aumento dos danos no ADN dos neur\u00f3nios.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: start;\">Quando os organismos foram <strong>expostos a fatores externos de stress que aumentam os danos no ADN,<\/strong> passaram a dormir mais, como forma de compensa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: start;\">Dormir permite limitar esses danos e proteger neur\u00f3nios que n\u00e3o se regeneram facilmente.<\/p>\n<p style=\"text-align: start;\">O estudo prop\u00f5e que <strong>o sono evoluiu como uma solu\u00e7\u00e3o adaptativa para reduzir o custo celular da vig\u00edlia<\/strong>. Estar acordado implica entrada sensorial constante, maior atividade neuronal, aumento do metabolismo celular e mais movimento, processos que geram stress e danos nas c\u00e9lulas nervosas.<\/p>\n<p><strong>Um modelo para estudar a origem do sono<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: start;\">Os neur\u00f3nios ter\u00e3o surgido em animais muito antigos, semelhantes \u00e0s atuais alforrecas e an\u00e9monas-do-mar, pertencentes ao filo dos cnid\u00e1rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: start;\">Por isso, defendem os autores, estes organismos podem servir como modelos importantes para estudar a origem e a evolu\u00e7\u00e3o do sono e para perceber porque \u00e9 que<strong> dormir continua a ser uma necessidade fundamental em praticamente todos os animais.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Ci\u00eancia Pensamos no sono como uma forma de restaurar o c\u00e9rebro: um momento para processar mem\u00f3rias, limpar as&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":224206,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[84],"tags":[109,107,108,32,33,105,103,104,106,110],"class_list":{"0":"post-224205","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-ciencia-e-tecnologia","8":"tag-ciencia","9":"tag-ciencia-e-tecnologia","10":"tag-cienciaetecnologia","11":"tag-portugal","12":"tag-pt","13":"tag-science","14":"tag-science-and-technology","15":"tag-scienceandtechnology","16":"tag-technology","17":"tag-tecnologia"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115873756119892948","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/224205","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=224205"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/224205\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/224206"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=224205"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=224205"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=224205"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}