{"id":22436,"date":"2025-08-09T14:12:09","date_gmt":"2025-08-09T14:12:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/22436\/"},"modified":"2025-08-09T14:12:09","modified_gmt":"2025-08-09T14:12:09","slug":"contrato-entre-espanha-e-huawei-faz-soar-os-alarmes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/22436\/","title":{"rendered":"Contrato entre Espanha e Huawei faz soar os alarmes"},"content":{"rendered":"<p>Em meados do m\u00eas passado, o Governo espanhol e a gigante tecnol\u00f3gica chinesa Huawei chegaram a um acordo que poder\u00e1 revelar-se problem\u00e1tico. Foi o jornal espanhol The Objective (TO) que lan\u00e7ou, no passado dia 7 de julho, a informa\u00e7\u00e3o: \u00abO Minist\u00e9rio do Interior adjudicou contratos no valor de 12,3 milh\u00f5es de euros \u00e0 multinacional chinesa Huawei para a gest\u00e3o do armazenamento das escutas telef\u00f3nicas judiciais\u00bb. O contrato pode ler-se ainda no primeiro par\u00e1grafo da not\u00edcia, \u00abprev\u00ea a cust\u00f3dia digital do resultado das interceta\u00e7\u00f5es ordenadas por ju\u00edzes e procuradores e enquadra-se nos processos habituais geridos pela Dire\u00e7\u00e3o-Geral de Racionaliza\u00e7\u00e3o e Centraliza\u00e7\u00e3o da Contrata\u00e7\u00e3o\u00bb.<\/p>\n<p>\u00abO sistema utilizado \u00e9 o OceanStor 6800 V5, uma linha de servidores de armazenamento de alto desempenho desenvolvida pela Huawei. Este equipamento serve de suporte para conservar e classificar as comunica\u00e7\u00f5es legalmente intercetadas pelas for\u00e7as de seguran\u00e7a do Estado, em conformidade com as Diretrizes de Seguran\u00e7a TIC elaboradas pelo Centro Criptol\u00f3gico Nacional (CCN-STIC) e os requisitos do Esquema Nacional de Seguran\u00e7a. A adjudica\u00e7\u00e3o foi processada de acordo com os procedimentos p\u00fablicos estabelecidos e pode ser consultada na Plataforma de Contrata\u00e7\u00e3o do Estado\u00bb, explicou ainda o TO.<\/p>\n<p>\u00c0 primeira vista, pode parecer apenas um contrato entre uma entidade governamental e uma gigante multinacional de tecnologia. Mas o assunto \u00e9 mais complexo que isso. Trata-se de uma esfera intimamente ligada com a seguran\u00e7a nacional, e \u00e9 precisamente isso que tem causa celeuma n\u00e3o s\u00f3 entre a oposi\u00e7\u00e3o do governo de Pedro S\u00e1nchez e de algumas for\u00e7as de autoridade espanholas, mas tamb\u00e9m dos aliados ocidentais em Washington e Bruxelas.<\/p>\n<p>Por exemplo, e tamb\u00e9m de acordo com o TO, \u00abexiste um mal-estar crescente em setores da Pol\u00edcia Nacional e da Guarda Civil devido \u00e0 continuidade da Huawei como fornecedora de sistemas sens\u00edveis para as for\u00e7as policiais e o CNI\u00bb, isto porque \u00abconsideram [que o acordo \u00e9] uma incongru\u00eancia estrat\u00e9gica em mat\u00e9ria de seguran\u00e7a, uma vez que se tenta extremar a precau\u00e7\u00e3o com programas estrangeiros, mas esses dados s\u00e3o confiados a uma empresa ligada ao Partido Comunista Chin\u00eas\u00bb.<\/p>\n<p>De Washington veio um aviso: \u00abA Espanha est\u00e1 a brincar com o fogo ao colocar em risco a sua seguran\u00e7a nacional e a seguran\u00e7a dos seus cidad\u00e3os. Ao aproveitar um agente conhecido do PCC para recolher e armazenar quantidades insuper\u00e1veis de dados sens\u00edveis, a Espanha tornou-se vulner\u00e1vel a amea\u00e7as claras \u00e0 seguran\u00e7a e soberania n\u00e3o s\u00f3 de si mesma, mas tamb\u00e9m dos seus aliados em todo o mundo.\u00bb, pode ler-se no comunicado oficial proferido por Rick Crawford, Presidente da Comiss\u00e3o Permanente de Intelig\u00eancia da C\u00e2mara dos Representantes norte-americana.<\/p>\n<p>De Bruxelas, a reprimenda chegou a Madrid por parte de Bart Groothuis, eurodeputado neerland\u00eas e ex-alto funcion\u00e1rio de seguran\u00e7a cibern\u00e9tica do Minist\u00e9rio da Defesa dos Pa\u00edses Baixos. A Espanha est\u00e1 \u00aba cometer um grande erro\u00bb, disse Groothuis, citado pelo Politico. \u00abN\u00e3o existem medidas de mitiga\u00e7\u00e3o de riscos de ciberseguran\u00e7a em vigor para combater a amea\u00e7a de cidad\u00e3os chineses entrarem em instala\u00e7\u00f5es de armazenamento e dados\u00bb, continuou, acrescentando ainda que \u00ab[a] Espanha est\u00e1 agora dependente do pa\u00eds com o maior e mais sofisticado programa de espionagem ofensiva dirigido contra n\u00f3s\u00bb.<\/p>\n<p>O tema, como foi mencionado, tem j\u00e1 cerca de um m\u00eas e foi abordado pelos maiores \u00f3rg\u00e3os de comunica\u00e7\u00e3o social europeus. Por\u00e9m, foi a decis\u00e3o do Partido Popular (PP) em levar o caso para debate no Congresso dos Deputados que catapultou o assunto para outros n\u00edveis de mediatismo. Segundo o jornal espanhol El Mundo, \u00ab[o] PP vai usar a sua maioria no Congresso para que o secret\u00e1rio de Estado das Telecomunica\u00e7\u00f5es e Infraestruturas Digitais, Antonio Hernando, compare\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o aos contratos (\u2026) assinados entre o Governo de Espanha e a Huawei\u00bb. Isto porque \u00abHernando participou na cria\u00e7\u00e3o da referida empresa especializada em assuntos p\u00fablicos e trabalhou nela durante o intervalo da sua vida pol\u00edtica, entre 2017 e 2021, quando voltou a integrar o n\u00facleo pr\u00f3ximo do presidente como assessor no seu gabinete na Moncloa\u00bb. \u00abOs populares querem que ele explique \u201cquais medidas est\u00e1 a tomar para evitar o conflito de interesses existente entre a sua atividade passada como lobista a favor da empresa chinesa\u00bb, acrescenta ainda a not\u00edcia do di\u00e1rio espanhol.<br \/>Assim, parece que as pol\u00e9micas em torno do governo de Pedro S\u00e1nchez, cada vez mais fragilizado, se continuam a acumular. <\/p>\n<p>A resolu\u00e7\u00e3o do conflito entre a R\u00fassia e a Ucr\u00e2nia revelou-se mais complexa que aquilo que o Presidente norte-americano, Donald Trump, certamente esperaria. O republicano adotou o fim do conflito em 24 horas como uma das principais bandeiras da sua campanha eleitoral, garantindo que, para que tal acontecesse, bastaria sentar os dois intervenientes \u2013 Volodymyr Zelensky e Vladimir Putin \u2013 \u00e0 mesa. Ao fim de pouco mais de seis meses, o encontro ainda n\u00e3o aconteceu, mesmo que a Casa Branca e at\u00e9 Kiev se tenham esfor\u00e7ado para que a reuni\u00e3o de alto n\u00edvel acontecesse.<\/p>\n<p>\u00c0 medida que a segunda presid\u00eancia Trump foi avan\u00e7ando, o que foi caracterizado como uma pol\u00edtica de apaziguamento de Washington em rela\u00e7\u00e3o a Moscovo \u2013 numa aproxima\u00e7\u00e3o que foi evidente -, a paci\u00eancia do Presidente dos EUA foi-se esgotando \u00e0 medida que Putin fugia das negocia\u00e7\u00f5es e intensificava os bombardeamentos \u00e0s cidades ucranianas.<\/p>\n<p>A paci\u00eancia acabou por se esgotar de vez quando Trump lan\u00e7ou um ultimato a Vladimir Putin h\u00e1 cerca de duas semanas. O ultimato \u2013 que previa \u00abtarifas muito severas\u00bb impostas pelos EUA \u00e0 R\u00fassia caso esta \u00faltima n\u00e3o colocasse um ponto final na guerra \u2013 acabaria hoje. Segundo o rep\u00f3rter da Time Nik Popli, \u00ab[a]inda n\u00e3o est\u00e1 claro se Putin concordar\u00e1 com o ultimato de Trump ou se o Kremlin considera a amea\u00e7a de san\u00e7\u00f5es cred\u00edvel o suficiente para for\u00e7ar uma mudan\u00e7a significativa na sua campanha militar. Putin pode oferecer um cessar-fogo parcial que envolva a suspens\u00e3o dos ataques com m\u00edsseis e drones que a R\u00fassia intensificou contra cidades ucranianas nos \u00faltimos meses \u2013 atingindo apartamentos, maternidades, transportes civis e um parque infantil -, mas tal cessar-fogo parcial n\u00e3o impediria a R\u00fassia de avan\u00e7ar no leste da Ucr\u00e2nia, onde conquistou cerca de 900 milhas quadradas desde dezembro, de acordo com dados do think tank Institute for the Study of War\u00bb.<\/p>\n<p>Ainda assim, com o resultado do ultimato ainda em aberto, e segundo a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, \u00ab[o]s russos manifestaram o desejo de se reunir com o presidente Trump, e o presidente est\u00e1 aberto a se reunir tanto com o presidente Putin quanto com o presidente Zelensky\u00bb. Este an\u00fancio foi feito na sequ\u00eancia do encontro do enviado especial de Trump, Steve Witkoff, com o l\u00edder russo.<\/p>\n<p>A confirma\u00e7\u00e3o de um encontro cara a cara com Putin foi avan\u00e7ada ontem pelo Kremlin, quando o seu porta-voz, Yuri Ushakov, disse que \u00ab[p]or sugest\u00e3o do lado americano, foi alcan\u00e7ado um acordo para a realiza\u00e7\u00e3o de uma reuni\u00e3o bilateral do mais alto n\u00edvel nos pr\u00f3ximos dias, isto \u00e9, um encontro entre o presidente Vladimir Putin e Donald Trump\u00bb. E Volodymyr Zelensky?<\/p>\n<p>O Presidente ucraniano tem demonstrado ao longo dos \u00faltimos meses o desejo de se reunir com Putin, um apelo que ainda n\u00e3o foi atendido. Nem parece estar para breve. Witkoff levantou o tema da reuni\u00e3o a tr\u00eas na sua visita a Moscovo, mas, de acordo com Ushakov, citado pela RTP, essa proposta n\u00e3o mereceu coment\u00e1rios da parte russa: \u00abPropomos, antes de mais, concentrarmo-nos na prepara\u00e7\u00e3o de uma reuni\u00e3o bilateral com Trump e acreditamos que o principal \u00e9 que esta reuni\u00e3o seja bem-sucedida e produtiva\u00bb.<\/p>\n<p>Por seu lado, Zelensky disse que a Ucr\u00e2nia \u00abn\u00e3o tem medo das reuni\u00f5es e espera a mesma abordagem ousada do lado russo. \u00c9 tempo de acabar com a guerra\u00bb. O l\u00edder ucraniano sublinhou ainda que a Europa, marginalizada h\u00e1 largos meses do processo de negocia\u00e7\u00f5es de paz, deveria ter uma palavra a dizer: \u00abA guerra est\u00e1 a acontecer na Europa, e a Ucr\u00e2nia \u00e9 parte integrante da Europa [\u2026]. A Europa deve, por isso, participar no processo\u00bb, disse, citado pela RTP.<\/p>\n<p>Mas, como avan\u00e7ou o Observador, Trump \u00abs\u00f3 se encontrar\u00e1 com [\u2026] Putin, se o l\u00edder russo tamb\u00e9m se reunir com Volodymyr Zelensky\u00bb.<\/p>\n<p>Por isto, a reuni\u00e3o cara a cara entre Putin e Trump \u2013 a primeira entre um presidente americano e o presidente russo desde o in\u00edcio da invas\u00e3o \u2013 ainda n\u00e3o est\u00e1 confirmada, ficando a depender da decis\u00e3o russa de concordar ou n\u00e3o em participar numa reuni\u00e3o de alto n\u00edvel com a Ucr\u00e2nia. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Em meados do m\u00eas passado, o Governo espanhol e a gigante tecnol\u00f3gica chinesa Huawei chegaram a um acordo&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":22437,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[27,28,90,640,15,16,14,8010,25,26,21,22,62,12,13,19,20,23,24,17,18,29,30,31,63,64,65],"class_list":{"0":"post-22436","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-mundo","8":"tag-breaking-news","9":"tag-breakingnews","10":"tag-empresas","11":"tag-espanha","12":"tag-featured-news","13":"tag-featurednews","14":"tag-headlines","15":"tag-huawei","16":"tag-latest-news","17":"tag-latestnews","18":"tag-main-news","19":"tag-mainnews","20":"tag-mundo","21":"tag-news","22":"tag-noticias","23":"tag-noticias-principais","24":"tag-noticiasprincipais","25":"tag-principais-noticias","26":"tag-principaisnoticias","27":"tag-top-stories","28":"tag-topstories","29":"tag-ultimas","30":"tag-ultimas-noticias","31":"tag-ultimasnoticias","32":"tag-world","33":"tag-world-news","34":"tag-worldnews"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22436","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22436"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22436\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/22437"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22436"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22436"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22436"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}