{"id":22460,"date":"2025-08-09T14:40:07","date_gmt":"2025-08-09T14:40:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/22460\/"},"modified":"2025-08-09T14:40:07","modified_gmt":"2025-08-09T14:40:07","slug":"habitacao-97-dos-portugueses-quer-comprar-casa-observador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/22460\/","title":{"rendered":"Habita\u00e7\u00e3o. 97% dos portugueses quer comprar casa \u2013 Observador"},"content":{"rendered":"<p>Com<a href=\"https:\/\/ec.europa.eu\/eurostat\/documents\/6939681\/7243182\/Ares%282023%298073026+Booklet_2024_rents_2023_e_Final.pdf\/e9d50b9f-911c-ca5f-7161-1adc03cb7598?t=1701095269033\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"> as rendas em Lisboa entre as mais altas da Europa<\/a>, o <a href=\"https:\/\/observador.pt\/2025\/06\/23\/precos-das-casas-saltaram-163-nos-primeiros-meses-do-ano-revela-o-instituto-nacional-de-estatistica\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">aumento dos pre\u00e7os das casas<\/a> ao longo dos \u00faltimos anos e <a href=\"https:\/\/observador.pt\/2025\/04\/08\/precos-das-casas-em-portugal-subiram-mais-do-que-o-dobro-da-media-da-ue-no-final-de-2024\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">as crescentes dificuldades em aceder ao mercado<\/a>, a crise da habita\u00e7\u00e3o em Portugal tornou-se uma express\u00e3o do dia a dia \u2014 que chega \u00e0s pol\u00e9micas das demoli\u00e7\u00f5es dos <a href=\"https:\/\/observador.pt\/especiais\/protegem-mais-os-animais-do-que-o-ser-humano-camara-de-loures-avanca-com-demolicao-de-64-habitacoes-ilegais-no-bairro-do-talude-militar\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">bairros de barracas constru\u00eddos em terrenos<\/a> na periferia da capital.<\/p>\n<p>Por esta altura somam-se tamb\u00e9m os milhares de estudantes que aguardam os resultados do <a href=\"https:\/\/observador.pt\/2025\/07\/22\/mais-de-10-mil-candidatos-ao-ensino-superior-no-primeiro-dia-do-concurso\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">concurso nacional de acesso ao ensino superior<\/a> para saber em que universidade s\u00e3o colocados e, em grande parte dos casos, se preparam para uma busca por alojamento, com quartos a pre\u00e7os exorbitantes. Entre os jovens que n\u00e3o s\u00e3o empurrados pela necessidade, <a href=\"https:\/\/observador.pt\/2023\/09\/04\/jovens-portugueses-deixam-casa-dos-pais-aos-279-anos-acima-da-media-da-ue\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">a idade com que saem de casa dos pais<\/a> \u00e9 superior \u00e0 m\u00e9dia europeia: 29,7 anos \u2014 algo a que o Governo tentou responder com v\u00e1rias medidas de apoio para compra de casa, como <a href=\"https:\/\/observador.pt\/2025\/07\/30\/garantia-publica-no-credito-a-habitacao-de-jovens-chegou-a-107-mil-contratos-indicam-dados-do-banco-de-portugal\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">a garantia p\u00fablica no cr\u00e9dito \u00e0 habita\u00e7\u00e3o.<\/a><\/p>\n<p>Em parceria com a Netsonda, o Observador revela qual \u00e9 a realidade da Habita\u00e7\u00e3o em Portugal. As pessoas compraram a casa onde vivem ou est\u00e3o em casa arrendada? Qual \u00e9 a tipologia das casas que habitam? Vivem sozinhos? Desejam comprar casas ou n\u00e3o \u00e9 algo que esteja nas suas ambi\u00e7\u00f5es? Cruzando informa\u00e7\u00e3o recolhida em seis regi\u00f5es do territ\u00f3rio continental (Grande Lisboa, Grande Porto, Litoral Centro, Litoral Norte, Interior Norte e Sul) e analisando as respostas dadas pelas diferentes gera\u00e7\u00f5es, a Netsonda conduziu um inqu\u00e9rito sobre a Habita\u00e7\u00e3o no pa\u00eds. Estes s\u00e3o os principais resultados.<\/p>\n<p>                             Quando come\u00e7aram as diferentes gera\u00e7\u00f5es?  <\/p>\n<p>                    \u2193 Mostrar<\/p>\n<p>                    \u2191 Esconder<\/p>\n<p><b>Gera\u00e7\u00e3o Z<\/b> \u2014 1997 a 2012<\/p>\n<p><b>Millenial<\/b> \u2014 1981 a 1996<\/p>\n<p><b>Gera\u00e7\u00e3o X<\/b> \u2014 1965 a 1980<\/p>\n<p><b>Baby Boomers<\/b> \u2014 1946 a 1964<\/p>\n<p>65% dos inquiridos vive em casa pr\u00f3pria. Ou seja, de entre toda a popula\u00e7\u00e3o que respondeu ao inqu\u00e9rito \u2014 e algo que \u00e9 tamb\u00e9m verific\u00e1vel atrav\u00e9s do Censos 2021 \u2014, a grande maioria ou est\u00e1 ainda a pagar cr\u00e9dito \u00e0 habita\u00e7\u00e3o ou j\u00e1 pagou a sua casa na totalidade. Portugal est\u00e1 \u201cum bocadinho acima da m\u00e9dia\u201d europeia, nota a economista Vera Gouveia Barros, mas simplesmente porque a m\u00e9dia \u00e9 calculada tendo em conta toda a popula\u00e7\u00e3o europeia \u2014 incluindo os pa\u00edses como a Alemanha e a \u00c1ustria, onde a maioria da popula\u00e7\u00e3o vive em casas arrendadas.<\/p>\n<p>Uma coisa tamb\u00e9m \u00e9 certa: quase todos (97%) os inquiridos que n\u00e3o s\u00e3o propriet\u00e1rios manifestaram o desejo de vir a adquirir uma habita\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria no futuro. Os 3% que n\u00e3o o pretendem dizem n\u00e3o querer ficar \u201cpresos a um local\u201d, priorizando a flexibilidade enquanto, ao mesmo tempo, admitem n\u00e3o ter as condi\u00e7\u00f5es financeiras para avan\u00e7ar com a aquisi\u00e7\u00e3o de uma casa.<\/p>\n<p>A casa onde vive atualmente \u00e9<\/p>\n<p>Ainda assim, quase um quarto da popula\u00e7\u00e3o (23% dos inquiridos) habita numa casa arrendada, solu\u00e7\u00e3o que acaba por ser a mais adotada pelas pessoas cujos rendimentos mensais do agregado s\u00e3o inferiores a mil euros e 40% trabalhadores-estudantes. A especialista em Habita\u00e7\u00e3o, em declara\u00e7\u00f5es ao Observador, admite existir uma \u201cprefer\u00eancia pelo regime de propriedade\u201d, mas verifica-se uma tend\u00eancia nas gera\u00e7\u00f5es mais jovens de adotarem o arrendamento, seja pela mobilidade laboral ou por quest\u00f5es familiares.<\/p>\n<p>Relativamente ao resto da popula\u00e7\u00e3o, 4% habita em casas que foram cedidas e 8% dos inquiridos continua dependente, ou seja, a viver com familiares. A maioria (87%) destes dependentes tem at\u00e9 44 anos.<\/p>\n<p>\u201cDurante muitos anos, tivemos um mercado de arrendamento que n\u00e3o funcionava. A maioria das pessoas continua a sentir que o arrendamento as coloca numa situa\u00e7\u00e3o de maior vulnerabilidade do que a propriedade\u201d, acrescenta a especialista, mencionando os casos de \u201csenhorios abusadores\u201d \u2014 que \u201cn\u00e3o cumprem as suas responsabilidades \u2014 como uma das potenciais causas que motiva o afastamento de uma grande parte da popula\u00e7\u00e3o deste mercado.<\/p>\n<p>\u201cA oferta depois acaba por ser um reflexo disto\u201d, continua. Vera Gouveia Barros alerta tamb\u00e9m para o facto de n\u00e3o ser um mercado necessariamente apelativo para os senhorios, sublinhando que a cau\u00e7\u00e3o, atualmente, est\u00e1 \u201climitada, ao n\u00edvel da legisla\u00e7\u00e3o, ao valor de duas rendas\u201d e que \u2014 \u201cmesmo com as rendas altas\u201d \u2014 pode n\u00e3o ser suficientes para \u201ccobrir os danos de algu\u00e9m que, por exemplo, destrua uma cozinha\u201d.<\/p>\n<p>De todas as pessoas que foram consultadas pela Netsonda, 64% vive numa casa usada. Apesar de ser uma tend\u00eancia uniforme em todo o territ\u00f3rio nacional, acaba por ser mais vis\u00edvel nos grandes centros urbanos, Grande Lisboa e Grande Porto, com 70% a viver em casa previamente habitadas. \u201cAs pessoas h\u00e1 uns anos sa\u00edram do centro de Lisboa, at\u00e9 mesmo do concelho de Lisboa, para ir habitar nestas periferias onde a habita\u00e7\u00e3o era mais barata em termos absolutos e tamb\u00e9m em termos do pre\u00e7o pelo metro quadrado, eram casas grandes\u201d, refere ainda a especialista, que admite um \u201cregresso \u00e0 cidade\u201d que partiu de problemas de mobilidade. Mais de metade (54%) dos agregados familiares cujo rendimento mensal l\u00edquido \u00e9 superior a 3.000\u20ac reside atualmente em casas novas.<\/p>\n<p>No centro das grandes cidades, Vera Gouveia Barros refor\u00e7a que apesar das condi\u00e7\u00f5es de habita\u00e7\u00e3o, tal como transportes e supermercados, terem vindo a melhorar, a mudan\u00e7a no \u201cestilo de vida\u201d, que vem com a localiza\u00e7\u00e3o, dificilmente surge com \u201ccasas novas\u201d. \u201cN\u00e3o quer dizer que alguns n\u00e3o tenham sido totalmente reabilitadas e, portanto, tenham at\u00e9 um custo duplamente agravado, n\u00e3o s\u00f3 porque s\u00e3o novas e tiveram de cumprir com todas as exig\u00eancias, mas porque tamb\u00e9m, em cima disso, tiveram as exig\u00eancias de preserva\u00e7\u00e3o arquitet\u00f3nica\u201d. Utilizando a Baixa da cidade de Lisboa como exemplo, a economista e especialista em Habita\u00e7\u00e3o destaca que as casas \u201ct\u00eam de continuar a usar janelas em madeira\u201d e uma s\u00e9rie de outros requisitos que s\u00e3o necess\u00e1rios cumprir na altura de constru\u00e7\u00e3o das casas e que representam quase um duplicar dos custos das propriedades.<\/p>\n<p>\u201cDentro das casas existentes n\u00f3s vamos ter uma disparidade muito grande. Vamos ter as que s\u00e3o mais baratas, que est\u00e3o nestas zonas da \u00e1rea metropolitana sem estarem no centro, e depois temos as outras hipercaras, que s\u00e3o de nicho, em s\u00edtios em que a casa \u00e9 quase patrim\u00f3nio. No meio disto ficar\u00e1 a constru\u00e7\u00e3o nova\u201d, afirma Vera Gouveia Barros.<\/p>\n<p>J\u00e1 na regi\u00e3o Sul, apenas 36% das pessoas inquiridas vive em casas novas. A percentagem aumenta no Norte, tanto no Litoral (40%) como no Interior (44%), mas de acordo com a especialista, o valor depende bastante da \u201cquantidade de casas novas existentes dentro do parque habitacional\u201d.<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a de casa ao longo da vida \u00e9 relativamente comum. Seja por altera\u00e7\u00f5es do agregado familiar, motivos profissionais ou uma desloca\u00e7\u00e3o para outra cidade. De acordo com o inqu\u00e9rito realizado pela Netsonda, 39% das pessoas j\u00e1 alterou o seu local de resid\u00eancia uma ou duas vezes. As gera\u00e7\u00f5es mais velhas (Baby Boomers) s\u00e3o quem o fez mais vezes, com 39% dos inquiridos a revelar ter mudado de casa entre tr\u00eas e cinco vezes.<\/p>\n<p>Mais de metade das pessoas inseridas em agregados cujos rendimentos mensais s\u00e3o inferiores ao sal\u00e1rio m\u00e9dio nacional tamb\u00e9m tiveram de trocar de habita\u00e7\u00f5es em mais de tr\u00eas ocasi\u00f5es ao longo da vida. Segundo Vera Gouveia Barros, a raz\u00e3o poder\u00e1 derivar de uma medida imposta nos anos da troika. \u201cAs regras de concess\u00e3o de cr\u00e9dito foram apertadas e, portanto, pessoas com rendimentos mais baixos ou com situa\u00e7\u00f5es laborais mais inst\u00e1veis deixaram de conseguir aceder a cr\u00e9dito\u201d.<\/p>\n<p>            Quantas vezes j\u00e1 mudou de casa na vida?<\/p>\n<p>            &#8221; data-hover-bgcolor=&#8221;#6a8272&#8243; data-extrainfo-tooltip=&#8221;(1.501 &#8211; 3.000\u20ac)&#8221;&gt;<\/p>\n<p>            &#8221; data-hover-bgcolor=&#8221;#6a8272&#8243; data-extrainfo-tooltip=&#8221;(1.501 &#8211; 3.000\u20ac)&#8221;&gt;<\/p>\n<p>            &#8221; data-hover-bgcolor=&#8221;#6a8272&#8243; data-extrainfo-tooltip=&#8221;(1.501 &#8211; 3.000\u20ac)&#8221;&gt;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Com as rendas em Lisboa entre as mais altas da Europa, o aumento dos pre\u00e7os das casas ao&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":22461,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[83],"tags":[88,89,90,8020,8019,861,8018,57,32,33,58],"class_list":{"0":"post-22460","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-empresas","8":"tag-business","9":"tag-economy","10":"tag-empresas","11":"tag-habitau00e7u00e3o-e-urbanismo","12":"tag-iniciativas-observador","13":"tag-observador","14":"tag-os-nu00fameros-que-somos","15":"tag-pau00eds","16":"tag-portugal","17":"tag-pt","18":"tag-sociedade"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22460","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22460"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22460\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/22461"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22460"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22460"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22460"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}