{"id":224755,"date":"2026-01-11T14:00:14","date_gmt":"2026-01-11T14:00:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/224755\/"},"modified":"2026-01-11T14:00:14","modified_gmt":"2026-01-11T14:00:14","slug":"os-negocios-da-china-que-portugal-fez-na-venezuela-observador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/224755\/","title":{"rendered":"Os &#8220;neg\u00f3cios da China&#8221; que Portugal fez na Venezuela \u2013 Observador"},"content":{"rendered":"<p>\u00c9 tamb\u00e9m nesse ano que, na sequ\u00eancia do mesmo acordo bilateral, a carne de porco se torna a maior exporta\u00e7\u00e3o portuguesa com destino \u00e0 Venezuela com o fornecimento de milhares de toneladas de pernil, o prato de elei\u00e7\u00e3o dos venezuelanos no Natal. O principal protagonista do neg\u00f3cio \u00e9 empresa Iguarivarius, criada de prop\u00f3sito para concentrar as vendas de pernil e que <a href=\"https:\/\/observador.pt\/especiais\/como-o-rei-do-pernil-de-porco-comecou-a-ser-investigado-pela-justica\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">ter\u00e1 faturado 200 milh\u00f5es de euros<\/a> com esta opera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas em 2017\u00a0a pol\u00e9mica estala quando Maduro <a href=\"https:\/\/observador.pt\/2017\/12\/28\/iguarivarius-que-empresa-e-esta-que-vende-pernil-a-venezuela\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">acusa Portugal<\/a> de sabotar a importa\u00e7\u00e3o da iguaria. As vendas foram interrompidas por falta de pagamento aos fornecedores portugueses. As exporta\u00e7\u00f5es de pernil evaporam-se das estat\u00edsticas nesse mesmo ano, numa altura em que os neg\u00f3cios na Venezuela estavam j\u00e1 em queda livre, o que resultou, por outro lado, numa queda significativa do stock de investimento direto de Portugal na Venezuela no ano seguinte \u2014 segundo dados do Banco de Portugal o stock passou de um pico de 650 milh\u00f5es de euros em 2017 para pouco mais de 90 milh\u00f5es no ano seguinte).<\/p>\n<p>A queda dos neg\u00f3cios foi a consequ\u00eancia de uma combina\u00e7\u00e3o de fatores: a desvaloriza\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o do petr\u00f3leo e a <a href=\"https:\/\/observador.pt\/especiais\/relancar-o-petroleo-na-venezuela-vai-custar-muito-demorar-anos-e-e-de-alto-risco-oito-respostas-sobre-o-que-esta-em-causa\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">degrada\u00e7\u00e3o da sua capacidade de produ\u00e7\u00e3o<\/a> \u2014 o \u00fanico recurso do pa\u00eds \u2014 e a eros\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es internacionais da Venezuela, que se acentuaram dois anos depois de Maduro substituir Hugo Ch\u00e1vez ap\u00f3s a sua morte em mar\u00e7o de 2013. A infla\u00e7\u00e3o galopante, a desvaloriza\u00e7\u00e3o do bol\u00edvar e as san\u00e7\u00f5es fizeram o resto.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"mUxvfeHnVV\">\n<p><a href=\"https:\/\/observador.pt\/2017\/12\/28\/iguarivarius-que-empresa-e-esta-que-vende-pernil-a-venezuela\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Iguarivarius. Que empresa \u00e9 esta que vende pernil \u00e0 Venezuela?<\/a><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Depois de terem crescido todos os anos desde 2005, at\u00e9 alcan\u00e7arem um pico de 313 milh\u00f5es de euros em 2013, os valores das exporta\u00e7\u00f5es mantiveram-se elevados at\u00e9 2015, mas na d\u00e9cada seguinte caem de forma acentuada, apenas interrompida em 2023 com uma exporta\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis. Atualmente, os valores s\u00e3o residuais e andam na casa dos 10 milh\u00f5es de euros por ano.<\/p>\n<p>Algumas das empresas que faturaram muitos milh\u00f5es na Venezuela \u2014 que chegou a ser o principal mercado para construtoras como o Grupo Lena e a Teixeira Duarte \u2014 acabaram a rela\u00e7\u00e3o comercial com contas por receber ou a reclamar compensa\u00e7\u00f5es por quebra de contratos.<\/p>\n<p>Fernando Serrasqueiro, antigo secret\u00e1rio de Estado do Com\u00e9rcio dos governos de Jos\u00e9 S\u00f3crates, perdeu a conta ao n\u00famero de vezes que teve de se meter num avi\u00e3o rumo a Caracas. Admite que ter\u00e3o sido 15 a 20 vezes entre 2005 e 2011. A estreia dessas viagens de trabalho aconteceu logo no ano inaugural do primeiro governo para iniciar o trabalho de negociar um acordo global muito abrangente que s\u00f3 veio a ser assinado em 2008.<\/p>\n<p>Em declara\u00e7\u00f5es ao Observador, Serrasqueiro explica que a aposta na Venezuela foi feita por se considerar que, gra\u00e7as \u00e0 grande comunidade luso-descendente, cerca de um milh\u00e3o de pessoas, havia um grande potencial como mercado da saudade. Apesar da riqueza do petr\u00f3leo, o pa\u00eds sofria j\u00e1 ent\u00e3o uma grande car\u00eancia de produtos alimentares e outros bens essenciais. Houve tamb\u00e9m uma motiva\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, resultante das rela\u00e7\u00f5es pessoais entre S\u00f3crates e Hugo Ch\u00e1vez.<\/p>\n<p>O pressuposto que permitiu avan\u00e7ar com as transa\u00e7\u00f5es foi a disponibilidade de fundos gerada pela venda do petr\u00f3leo venezuelano, em particular \u00e0 Galp, que durante estes anos foi cliente deste crude pesado que \u00e9 procurado para a produ\u00e7\u00e3o de betumes, asfaltos e gas\u00f3leo. A contrapartida das exporta\u00e7\u00f5es portuguesas come\u00e7ou por ser garantida pelas receitas devidas pela Galp \u00e0 Venezuela, cuja transfer\u00eancia para o pa\u00eds era suspensa na propor\u00e7\u00e3o dos valores envolvidos nos contratos e depositada numa conta da Caixa Geral de Dep\u00f3sitos.<\/p>\n<p>\t\t    \t\t         Portugal n\u00e3o compra petr\u00f3leo venezuelano h\u00e1 mais de 10 anos <\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\u2193 Mostrar<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\u2191 Esconder<\/p>\n<p>Portugal n\u00e3o compra petr\u00f3leo da Venezuela h\u00e1 mais de 10 anos, mas em 2001 o pa\u00eds sul-americano chegou a ser um dos principais fornecedores de petr\u00f3leo, representando 7% das importa\u00e7\u00f5es anuais. As compras de crude venezuelano atingiram alguma dimens\u00e3o durante os anos de governa\u00e7\u00e3o de Jos\u00e9 S\u00f3crates e foram usadas para financiar as exporta\u00e7\u00f5es para aquele pa\u00eds.<\/p>\n<p>Entre 2008 e 2012 (com exce\u00e7\u00e3o do ano do resgate a Portugal, 2011), as importa\u00e7\u00f5es mantiveram-se um pouco abaixo das 300 mil toneladas, o que correspondia a pouco mais de 2% das compras anuais. A partir de 2013, o petr\u00f3leo venezuelano deixa de constar nas estat\u00edsticas de importa\u00e7\u00e3o nacionais. Esta aus\u00eancia antecipa as san\u00e7\u00f5es que anos mais tarde seriam aplicadas ao regime.<\/p>\n<p>A din\u00e2mica dos neg\u00f3cios ultrapassou o plafond de cr\u00e9dito que a Venezuela tinha por conta do fornecimento de petr\u00f3leo a Portugal e que era de 200 milh\u00f5es de euros por ano, o que correspondia ao envio de dois petroleiros. E os bens e servi\u00e7os fornecidos pelas empresas ficaram dependentes dos pagamentos de entidades p\u00fablicas da Venezuela. Nem todos esses montantes passaram pela conta da Caixa. Havia pagamentos diretos entre empresas nacionais e a Venezuela.<\/p>\n<p>As contrapartes deste acordo entre estados eram os dois governos. Mas enquanto de Portugal os fornecimentos, e mais tarde os investimentos, eram feitos por empresas privadas, na Venezuela o cliente era o Estado e, em especial, a grande empresa do Estado \u2014 a Petr\u00f3leos de Venezuela (PDVSA). A PDVSA, conta o antigo secret\u00e1rio de Estado, funcionava como \u201cum Estado dentro do Estado\u201d, tinha empresas participadas para as v\u00e1rias \u00e1reas \u2014 alimentar, agr\u00edcola, medicamentos \u2014 e muitas vezes eram essas empresa as destinat\u00e1rias dos produtos comprados a Portugal e muitos pagamentos tinham origem no grupo.<\/p>\n<p>O ponto de partida dos contratos para empresas portuguesas ter\u00e1 come\u00e7ado nos quatro milh\u00f5es de euros. No primeiro ano a seguir \u00e0 assinatura do acordo, 2009, o valor salta para 40 milh\u00f5es de euros. E, no ano seguinte, em 2010, chegar aos 400 milh\u00f5es de euros, recorda Fernando Serrasqueiro. Neste patamar estavam inclu\u00eddos pagamentos de servi\u00e7os, contratos de obras p\u00fablicas ou assist\u00eancia t\u00e9cnica prestada pelas empresas nacionais na Venezuela, al\u00e9m das exporta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O<a href=\"https:\/\/diariodarepublica.pt\/dr\/detalhe\/decreto\/31-a-2008-566841\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\"> acordo econ\u00f3mico<\/a> assinado entre os dois pa\u00edses come\u00e7ou por estar mais focado na exporta\u00e7\u00e3o de produtos essenciais \u2014 sobretudo alimentos e tamb\u00e9m medicamentos. Mas o universo de setores abrangido era extremamente vasto e ia desde as infraestruturas e energia, \u00e0 constru\u00e7\u00e3o, \u00e1guas, produtos agr\u00edcolas transformados e agroalimentar, bens de equipamento e consumo, material m\u00e9dico e de constru\u00e7\u00e3o, repara\u00e7\u00e3o naval e respetivos componentes, servi\u00e7os, turismo, ci\u00eancia e tecnologias, comunica\u00e7\u00f5es, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o. Foi criada a Comiss\u00e3o Mista de Acompanhamento Bilateral que reuniu v\u00e1rias vezes.<\/p>\n<p>A Venezuela estava sobretudo interessada em adquirir produtos muito b\u00e1sicos e de baixo custo para vender na rede de lojas controlada pelo Estado, explica Fernando Serrasqueiro. O Estado \u00e9 o grande importador de alimentos e outros produtos e tamb\u00e9m tem o controlo sobre os pre\u00e7os que podem ser praticados nas lojas privadas. A comunidade luso-venezuelana \u00e9 grande propriet\u00e1ria de supermercados no pa\u00eds e Fernando Serrasqueiro lembra que uma das queixas mais comuns que chegavam \u00e0s autoridades portuguesas passava pela imposi\u00e7\u00e3o de vender produtos a pre\u00e7os demasiado baixos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos alimentos \u2014 conservas, farinhas, \u00f3leos de soja, leite em p\u00f3, bolachas \u2014 que envolveram empresas como a Sovena, Ramirez e Cofaco\u00a0\u2014 houve tamb\u00e9m neg\u00f3cios com a ind\u00fastria farmac\u00eautica \u2014 Bial, Antral, Azevedos. Mas a exporta\u00e7\u00e3o alimentar que ganhou mais protagonismo foi o pernil de porco que era como o bacalhau para os portugueses, o prato de Natal preferido na Venezuela. As encomendas para o m\u00eas de dezembro foram de tal ordem que as empresas nacionais de enchidos que iniciaram a opera\u00e7\u00e3o tiveram de importar para satisfazer a procura. Pouco depois foi criada uma empresa para coordenar este com\u00e9rcio, a Iguarivarius.<\/p>\n<p>O acordo comercial envolvia tamb\u00e9m a \u00e1rea da energia. Al\u00e9m da compra de petr\u00f3leo, a Galp chegou a estudar uma unidade de GNL (g\u00e1s natural liquefeito) no pa\u00eds. A EDP assinou um protocolo com a petrol\u00edfera local para estudar parques e\u00f3licos e outras empresas como a Cabelte, a Efacec e a Martifer estiveram envolvidas na ofensiva portuguesa no pa\u00eds.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u00c9 tamb\u00e9m nesse ano que, na sequ\u00eancia do mesmo acordo bilateral, a carne de porco se torna a&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":224756,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[27,28,2562,476,90,4069,15,16,43315,14,29171,25,26,21,22,62,12,13,19,20,302,32,23,24,33,40885,17,18,29,30,31,3023],"class_list":{"0":"post-224755","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-portugal","8":"tag-breaking-news","9":"tag-breakingnews","10":"tag-comu00e9rcio-externo","11":"tag-economia","12":"tag-empresas","13":"tag-exportau00e7u00f5es","14":"tag-featured-news","15":"tag-featurednews","16":"tag-grupo-lena","17":"tag-headlines","18":"tag-josu00e9-su00f3crates","19":"tag-latest-news","20":"tag-latestnews","21":"tag-main-news","22":"tag-mainnews","23":"tag-mundo","24":"tag-news","25":"tag-noticias","26":"tag-noticias-principais","27":"tag-noticiasprincipais","28":"tag-polu00edtica","29":"tag-portugal","30":"tag-principais-noticias","31":"tag-principaisnoticias","32":"tag-pt","33":"tag-teixeira-duarte","34":"tag-top-stories","35":"tag-topstories","36":"tag-ultimas","37":"tag-ultimas-noticias","38":"tag-ultimasnoticias","39":"tag-venezuela"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":"Validation failed: Text character limit of 500 exceeded"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/224755","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=224755"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/224755\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/224756"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=224755"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=224755"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=224755"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}