{"id":225698,"date":"2026-01-12T06:37:15","date_gmt":"2026-01-12T06:37:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/225698\/"},"modified":"2026-01-12T06:37:15","modified_gmt":"2026-01-12T06:37:15","slug":"estudo-alerta-para-riscos-nutricionais-do-uso-prolongado-do-medicamento-omeprazol","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/225698\/","title":{"rendered":"Estudo alerta para riscos nutricionais do uso prolongado do medicamento omeprazol"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp) e da Faculdade de Medicina do ABC (FMABC) alerta que o uso prolongado de inibidores da bomba de pr\u00f3tons (IPBs) pode prejudicar a absor\u00e7\u00e3o de nutrientes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A classe de medicamentos, representada por f\u00e1rmacos como omeprazol, pantoprazol e esomeprazol, \u00e9 utilizada no tratamento de dist\u00farbios g\u00e1stricos e seu uso inadequado, por per\u00edodos superiores aos recomendados por m\u00e9dicos, pode causar defici\u00eancias nutricionais, como anemia, al\u00e9m de comprometer a sa\u00fade \u00f3ssea. Os resultados foram\u00a0<a href=\"https:\/\/pubs.acs.org\/doi\/10.1021\/acsomega.5c07700\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer nofollow\">publicados<\/a>\u00a0na revista\u00a0ACS Omega.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pesquisa,\u00a0<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/178235\/desenvolvimento-de-procedimento-analitico-para-a-quantificacao-de-nanoparticulas-em-amostras-de-solo\/?q=2018\/04957-1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer nofollow\">apoiada<\/a>\u00a0pela Fapesp, avaliou os efeitos do uso cont\u00ednuo desse medicamento na absor\u00e7\u00e3o de minerais essenciais como ferro, c\u00e1lcio, zinco, magn\u00e9sio, cobre e pot\u00e1ssio em ratos. Os animais que receberam o medicamento apresentaram altera\u00e7\u00f5es na distribui\u00e7\u00e3o desses nutrientes pelo organismo. Os pesquisadores observaram que o medicamento altera a distribui\u00e7\u00e3o de minerais no corpo, com ac\u00famulo no est\u00f4mago e desequil\u00edbrios no ba\u00e7o e no f\u00edgado. No sangue, observaram aumento de c\u00e1lcio e queda de ferro, indicando risco de osteoporose e anemia. Tamb\u00e9m foram detectadas mudan\u00e7as importantes nas c\u00e9lulas do sistema imune.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na pesquisa, ratos adultos foram divididos em diferentes grupos: controle e tratado com omeprazol. Os experimentos tiveram dura\u00e7\u00e3o de 10, 30 e 60 dias, per\u00edodos escolhidos para simular diferentes n\u00edveis de uso prolongado do medicamento em humanos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO achado mais preocupante foi o aumento significativo de c\u00e1lcio na corrente sangu\u00ednea dos animais, o que pode indicar um desequil\u00edbrio com a retirada do mineral dos ossos e risco futuro de osteoporose. No entanto, s\u00e3o necess\u00e1rios estudos mais longos para confirmar essa hip\u00f3tese\u201d, afirma\u00a0<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/67701\/angerson-nogueira-do-nascimento\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer nofollow\">Angerson Nogueira do Nascimento<\/a>, professor da Unifesp que coordenou o estudo em parceria com Fernando Fonseca, da FMABC.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Medicamentos como omeprazol, pantoprazol e esomeprazol atuam inibindo a enzima H+, K+, ATPase. Conhecida como bomba de pr\u00f3tons , ela \u00e9 respons\u00e1vel pela etapa final da produ\u00e7\u00e3o de \u00e1cido clor\u00eddrico no est\u00f4mago. Ao reduzir a acidez g\u00e1strica, esses medicamentos aliviam sintomas de \u00falceras, gastrite e refluxo, mas tamb\u00e9m dificultam a absor\u00e7\u00e3o de nutrientes que dependem de um meio \u00e1cido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com mais de 30 anos no mercado, o omeprazol tornou-se amplamente utilizado, muitas vezes de forma prolongada e sem acompanhamento m\u00e9dico. \u201cN\u00e3o se trata de demonizar o medicamento, que \u00e9 eficaz para diversas condi\u00e7\u00f5es g\u00e1stricas. O problema \u00e9 o uso banalizado, inclusive para sintomas leves como azia, e por per\u00edodos prolongados por meses e at\u00e9 anos. Seus efeitos adversos n\u00e3o devem ser negligenciados\u201d, alerta\u00a0<a href=\"https:\/\/www.researchgate.net\/profile\/Andrea-Brito-9\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer nofollow\">Andr\u00e9a Santana de Brito<\/a>, pesquisadora da Unifesp. O estudo foi objeto de sua pesquisa de mestrado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ela ressalta que a situa\u00e7\u00e3o pode se agravar com a nova portaria da Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa), que liberou, em novembro de 2025, a venda de omeprazol 20 mg sem prescri\u00e7\u00e3o m\u00e9dica. \u201cEssa facilidade pode estimular a automedica\u00e7\u00e3o e o uso cont\u00ednuo, desrespeitando a recomenda\u00e7\u00e3o de limitar o tratamento a 14 dias\u201d, alerta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A posi\u00e7\u00e3o da Anvisa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com a Anvisa, a inclus\u00e3o do omeprazol 20 mg como medicamento isento de prescri\u00e7\u00e3o (MIP) representa \u201cum avan\u00e7o na racionaliza\u00e7\u00e3o do seu uso e na promo\u00e7\u00e3o do uso seguro e respons\u00e1vel\u201d.\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAo limitar o tratamento a, no m\u00e1ximo, 14 dias, \u00e9 refor\u00e7ada a mensagem de que o medicamento deve ser utilizado apenas para o al\u00edvio de sintomas leves e tempor\u00e1rios, estimulando o paciente a buscar avalia\u00e7\u00e3o m\u00e9dica em casos de persist\u00eancia ou recorr\u00eancia dos sintomas\u201d, informou a Anvisa em nota \u00e0 reda\u00e7\u00e3o da\u00a0Ag\u00eancia Fapesp. \u201cAs orienta\u00e7\u00f5es claras na bula e no r\u00f3tulo \u2013 como o tempo de uso, sinais de alerta e poss\u00edveis intera\u00e7\u00f5es medicamentosas \u2013 auxiliam o consumidor na tomada de decis\u00e3o consciente.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Anvisa esclarece, ainda, que as embalagens que possuam n\u00famero de c\u00e1psulas que extrapolem um tratamento de at\u00e9 14 dias n\u00e3o poder\u00e3o ser comercializadas sem receita m\u00e9dica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pesquisa com outras mol\u00e9culas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A investiga\u00e7\u00e3o\u00a0foi realizada com omeprazol, mas a pesquisadora destaca que mol\u00e9culas mais modernas da mesma classe de medicamentos, como pantoprazol e esomeprazol, atuam pelo mesmo mecanismo. \u201cNesses casos, o efeito pode ser ainda mais intenso, j\u00e1 que essas mol\u00e9culas t\u00eam a\u00e7\u00e3o mais potente e duradoura. Algumas levam mais de cinco dias para permitir a forma\u00e7\u00e3o de novas bombas de pr\u00f3tons, enquanto o omeprazol leva cerca de um a tr\u00eas dias, o que pode intensificar os efeitos colaterais\u201d, explica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo os pesquisadores, os impactos dos IBPs na absor\u00e7\u00e3o de nutrientes j\u00e1 eram conhecidos, mas o estudo amplia esse entendimento ao incluir magn\u00e9sio e zinco nas an\u00e1lises. \u201cRefor\u00e7amos a import\u00e2ncia do uso racional desses medicamentos e, inclusive, de avaliar a necessidade de suplementa\u00e7\u00e3o em alguns casos. Entretanto, \u00e9 preciso ter um acompanhamento m\u00e9dico para avaliar cada caso individualmente\u201d, afirma Nogueira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O artigo\u00a0Evaluation of the long-term administration of proton pump inhibitors (PPIs) in the mineral nutrient\u2019s bioavailability\u00a0<a href=\"https:\/\/pubs.acs.org\/doi\/10.1021\/acsomega.5c07700\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">pode ser lido aqui<\/a>.<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp) e da Faculdade de Medicina do&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":225699,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[86],"tags":[116,32,33,117],"class_list":{"0":"post-225698","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-saude","8":"tag-health","9":"tag-portugal","10":"tag-pt","11":"tag-saude"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115880751418844457","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/225698","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=225698"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/225698\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/225699"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=225698"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=225698"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=225698"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}