{"id":225850,"date":"2026-01-12T10:11:35","date_gmt":"2026-01-12T10:11:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/225850\/"},"modified":"2026-01-12T10:11:35","modified_gmt":"2026-01-12T10:11:35","slug":"inflamacao-bucal-pode-agravar-danos-cerebrais-associados-ao-parkinson-mostra-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/225850\/","title":{"rendered":"Inflama\u00e7\u00e3o bucal pode agravar danos cerebrais associados ao Parkinson, mostra estudo"},"content":{"rendered":"<p><img data-lazyloaded=\"1\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/s.tododia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/SITE-FOTOS-61-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-221962 webpexpress-processed\"  data-\/>Periodontite \u00e9 uma infec\u00e7\u00e3o bacteriana cr\u00f4nica que atinge as gengivas e os tecidos que sustentam os dentes. Foto: Ag\u00eancia SP<\/p>\n<p>A inflama\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica causada por doen\u00e7as na gengiva pode afetar muito mais do que a boca: pode acelerar a perda de neur\u00f4nios no c\u00e9rebro, agravando os sintomas da doen\u00e7a de Parkinson. Este \u00e9 um dos principais resultados de um estudo conduzido em modelo animal por pesquisadores da Faculdade de Odontologia de Ribeir\u00e3o Preto (Forp) da USP. <\/p>\n<p><strong>Processos inflamat\u00f3rios<br \/><\/strong>A equipe, orientada pelas professoras Glauce Crivelaro do Nascimento e Elaine Aparecida Del Bel Belluz Guimar\u00e3es, ambas do Departamento de Biologia B\u00e1sica e Oral da Forp, verificou que a periodontite \u2013 infec\u00e7\u00e3o bacteriana dos tecidos de suporte dent\u00e1rio \u2013 intensifica processos inflamat\u00f3rios no c\u00e9rebro e agrava a degenera\u00e7\u00e3o de neur\u00f4nios respons\u00e1veis pela produ\u00e7\u00e3o de dopamina, subst\u00e2ncia essencial para o controle dos movimentos. <\/p>\n<p>A hip\u00f3tese do estudo foi apoiada em evid\u00eancias cient\u00edficas recentes mostrando que inflama\u00e7\u00f5es cr\u00f4nicas iniciadas fora do c\u00e9rebro, como as que ocorrem na gengiva, podem afetar o sistema nervoso central. Isso acontece porque subst\u00e2ncias inflamat\u00f3rias liberadas na corrente sangu\u00ednea chegam at\u00e9 o c\u00e9rebro e ativam c\u00e9lulas do sistema imunol\u00f3gico local, provocando o chamado estresse oxidativo \u2013 um desequil\u00edbrio qu\u00edmico que danifica as c\u00e9lulas e acelera o envelhecimento do tecido nervoso. Assim, o grupo decidiu investigar, em modelo animal, se uma inflama\u00e7\u00e3o bucal prolongada poderia intensificar a perda de neur\u00f4nios e os d\u00e9ficits motores t\u00edpicos da doen\u00e7a de Parkinson. <\/p>\n<p><strong>Inflama\u00e7\u00e3o perif\u00e9rica cr\u00f4nica pode chegar ao c\u00e9rebro<\/strong><br \/>A doen\u00e7a de Parkinson \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o neurodegenerativa que causa a perda gradual dos neur\u00f4nios produtores de dopamina. Quando esses neur\u00f4nios morrem, surgem sintomas como tremores, rigidez muscular e lentid\u00e3o motora. <\/p>\n<p>J\u00e1 a periodontite \u00e9 uma infec\u00e7\u00e3o bacteriana cr\u00f4nica que atinge as gengivas e os tecidos que sustentam os dentes. \u00c9 provocada pelo ac\u00famulo de placa bacteriana e pode causar sangramento, retra\u00e7\u00e3o da gengiva e at\u00e9 perda dent\u00e1ria, mas n\u00e3o se limita \u00e0 \u00e1rea bucal. \u201cA inflama\u00e7\u00e3o perif\u00e9rica cr\u00f4nica, mesmo quando localizada na boca, pode induzir ou agravar processos inflamat\u00f3rios no c\u00e9rebro, contribuindo para a degenera\u00e7\u00e3o dos neur\u00f4nios dopamin\u00e9rgicos da subst\u00e2ncia negra \u2013 regi\u00e3o do c\u00e9rebro respons\u00e1vel por produzir a dopamina\u201d, afirma Glauce. <\/p>\n<p><strong>Periodontite<\/strong><br \/>A hip\u00f3tese, explica a pesquisadora, \u00e9 que os mediadores inflamat\u00f3rios liberados na periodontite, como o fator TNF-\u03b1 (sigla para necrose tumoral alfa, que designa pequenas prote\u00ednas importantes no sistema imune), entram na corrente sangu\u00ednea e alcan\u00e7am o sistema nervoso central, ativando as micr\u00f3glias (c\u00e9lulas protetoras do sistema nervoso) e aumentando o estresse oxidativo. <\/p>\n<p>\u201cEsses fatores tornam o ambiente cerebral mais hostil, o que acelera a perda neuronal t\u00edpica do Parkinson.\u201d <\/p>\n<p><strong>Estado inflamat\u00f3rio com reflexos no c\u00e9rebro<\/strong><br \/>Para investigar a rela\u00e7\u00e3o entre Parkinson e periodontite, os pesquisadores realizaram testes em ratos divididos em quatro grupos: um controle (saud\u00e1vel), um com periodontite, outro com les\u00e3o dopamin\u00e9rgica (modelo de Parkinson) e um quarto grupo com a combina\u00e7\u00e3o das duas condi\u00e7\u00f5es. <\/p>\n<p>A periodontite foi provocada pela coloca\u00e7\u00e3o de uma ligadura em volta dos dentes molares, o que causa ac\u00famulo bacteriano e inflama\u00e7\u00e3o. J\u00e1 a les\u00e3o dopamin\u00e9rgica foi provocada por meio da administra\u00e7\u00e3o de uma subst\u00e2ncia, chamada 6-hidroxidopamina (6-OHDA), que destr\u00f3i seletivamente neur\u00f4nios produtores de dopamina no corpo estriado \u2013 regi\u00e3o do c\u00e9rebro envolvida no controle dos movimentos. Desta forma, segundo Glauce, foi poss\u00edvel \u201cavaliar de forma integrada os efeitos da inflama\u00e7\u00e3o perif\u00e9rica sobre o sistema nervoso central e compreender como a sa\u00fade bucal pode interferir em processos neurodegenerativos\u201d. <\/p>\n<p><strong>Avalia\u00e7\u00f5es com seres vivos<\/strong><br \/>Os animais passaram por testes que avaliam coordena\u00e7\u00e3o motora e equil\u00edbrio, como o rotarod \u2013 em que o rato precisa caminhar sobre uma roda girat\u00f3ria \u2013 e o teste da caminhada, que mede o uso das patas dianteiras. Tamb\u00e9m foram feitas an\u00e1lises de sangue, microtomografia da mand\u00edbula para confirmar a perda \u00f3ssea causada pela periodontite, al\u00e9m de exames histol\u00f3gicos e moleculares do c\u00e9rebro para avaliar inflama\u00e7\u00e3o, estresse oxidativo e morte neuronal. <\/p>\n<p>Os resultados mostraram que os animais com periodontite apresentaram pior desempenho nos testes motores, especialmente quando combinada \u00e0 les\u00e3o dopamin\u00e9rgica. Houve tamb\u00e9m maior perda desses neur\u00f4nios no corpo estriado e aumento da ativa\u00e7\u00e3o de micr\u00f3glia e astr\u00f3citos \u2013 c\u00e9lulas de defesa que, quando hiperativas, contribuem para a inflama\u00e7\u00e3o cerebral. <\/p>\n<p><strong>Efeitos<br \/><\/strong>Al\u00e9m disso, o grupo com ambas as condi\u00e7\u00f5es apresentou aumento de esp\u00e9cies reativas de oxig\u00eanio (ROS) \u2013 mol\u00e9culas t\u00f3xicas que danificam as c\u00e9lulas \u2013 e n\u00edveis mais altos da citocina inflamat\u00f3ria TNF-\u03b1 no sangue, acompanhados de queda na citocina IL-10, que tem efeito anti-inflamat\u00f3rio. \u201cEsses achados indicam um estado inflamat\u00f3rio sist\u00eamico que se reflete no c\u00e9rebro, amplificando a neurodegenera\u00e7\u00e3o\u201d, explica Glauce. <\/p>\n<p>A professora Elaine acrescenta que essa inflama\u00e7\u00e3o perif\u00e9rica pode atingir o c\u00e9rebro por diferentes vias. \u201cH\u00e1 ind\u00edcios de que as subst\u00e2ncias inflamat\u00f3rias consigam atravessar a barreira hematoencef\u00e1lica \u2013 uma esp\u00e9cie de filtro protetor do c\u00e9rebro -, al\u00e9m de poss\u00edveis conex\u00f5es anat\u00f4micas entre as vias oronasais e o sistema nervoso central e at\u00e9 mesmo intera\u00e7\u00f5es mediadas pela microbiota oral e intestinal\u201d, destaca. <\/p>\n<p><strong>Conex\u00e3o entre sa\u00fade bucal e neurodegenera\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>O trabalho refor\u00e7a o conceito de que a periodontite vai muito al\u00e9m de um problema odontol\u00f3gico. \u201cEla \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o inflamat\u00f3ria sist\u00eamica capaz de afetar \u00f3rg\u00e3os distantes. O estudo mostra um mecanismo biol\u00f3gico plaus\u00edvel para explicar por que pacientes com periodontite apresentam maior risco e progress\u00e3o mais r\u00e1pida da doen\u00e7a de Parkinson.\u201d <\/p>\n<p>As pesquisadoras ressaltam que os resultados foram obtidos em modelo experimental, mas trazem implica\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas importantes. O controle da inflama\u00e7\u00e3o oral, por meio de tratamento periodontal adequado e acompanhamento odontol\u00f3gico regular, pode ajudar a reduzir a carga inflamat\u00f3ria sist\u00eamica e, potencialmente, retardar a progress\u00e3o de doen\u00e7as neurodegenerativas. <\/p>\n<p><strong>Expectativas<br \/><\/strong>Com base nesses resultados, o grupo iniciou novos experimentos para testar interven\u00e7\u00f5es terap\u00eauticas que possam reverter ou prevenir a neurodegenera\u00e7\u00e3o associada \u00e0 inflama\u00e7\u00e3o periodontal. \u201cEstamos avaliando, por exemplo, o uso de compostos com a\u00e7\u00e3o anti-inflamat\u00f3ria e antioxidante, como o canabidiol, para investigar se conseguimos proteger os neur\u00f4nios dopamin\u00e9rgicos nesse modelo\u201d, informa Elaine.<\/p>\n<p>*Com informa\u00e7\u00f5es da Ag\u00eancia SP.<\/p>\n<p>Receba as not\u00edcias do Todo Dia no seu e-mail<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Periodontite \u00e9 uma infec\u00e7\u00e3o bacteriana cr\u00f4nica que atinge as gengivas e os tecidos que sustentam os dentes. 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