{"id":225869,"date":"2026-01-12T10:27:09","date_gmt":"2026-01-12T10:27:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/225869\/"},"modified":"2026-01-12T10:27:09","modified_gmt":"2026-01-12T10:27:09","slug":"estrela-morta-desafia-modelos-astronomicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/225869\/","title":{"rendered":"Estrela morta desafia modelos astron\u00f3micos"},"content":{"rendered":"<p class=\"category\"><a href=\"https:\/\/sicnoticias.pt\/ciencia\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Ci\u00eancia<\/a><\/p>\n<p>Uma an\u00e3 branca tem estado a expelir um jato de mat\u00e9ria h\u00e1 pelo menos mil anos. O problema \u00e9 que os cientistas n\u00e3o sabem como uma estrela morta sem disco consegue alimentar um jato t\u00e3o duradouro.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/1768213629_726_original.webp\" alt=\"Imagem captada pelo VLT de uma estrela morta a criar uma onda de choque \u00e0 medida que se desloca pelo espa\u00e7o\"\/><\/p>\n<p>Imagem captada pelo VLT de uma estrela morta a criar uma onda de choque \u00e0 medida que se desloca pelo espa\u00e7o<\/p>\n<p>ESO\/K. I\u0142kiewicz and S. Scaringi et al. Background: PanSTARRS<\/p>\n<p><strong>Astr\u00f3nomos descobriram uma onda de choque em torno de uma an\u00e3 branca que, segundo os modelos atuais, n\u00e3o deveria produzir jatos de mat\u00e9ria, uma observa\u00e7\u00e3o inesperada que desafia a forma como se compreende a intera\u00e7\u00e3o entre estrelas mortas e o meio interestelar.<\/strong><\/p>\n<p>O g\u00e1s e a poeira ejetados pelas estrelas podem, em determinadas condi\u00e7\u00f5es, colidir com o meio circundante e criar ondas de choque. Mas uma estrela morta n\u00e3o deveria faz\u00ea-lo.<\/p>\n<p>Com o aux\u00edlio do <a href=\"https:\/\/www.eso.org\/public\/teles-instr\/paranal-observatory\/vlt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer nofollow\">Very Large Telescope (VLT), do Observat\u00f3rio Europeu do Sul (ESO),<\/a> uma equipa de astr\u00f3nomos captou imagens de uma onda de choque em torno de uma an\u00e3 branca &#8211; o n\u00facleo estelar remanescente ap\u00f3s uma estrela, como o nosso Sol, ter esgotado o seu combust\u00edvel nuclear e expelido as suas camadas exteriores, formando uma nebulosa planet\u00e1ria.<\/p>\n<p>De acordo com os mecanismos atualmente conhecidos, <strong>a pequena estrela<\/strong> <strong>RXJ0528+2838 n\u00e3o deveria apresentar este tipo de estrutura \u00e0 sua volta.<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>\u201cEncontr\u00e1mos algo nunca antes observado e, mais importante ainda, completamente inesperado\u201d, afirma Simone Scaringi, professora associada da Universidade de Durham, no Reino Unido, e coautora principal do estudo,<a href=\"https:\/\/www.eso.org\/public\/archives\/releases\/sciencepapers\/eso2601\/eso2601a.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer nofollow\"> hoje publicado na revista Nature Astronomy.<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p>A forma e o tamanho da onda de choque sugerem que<strong> a an\u00e3 branca tem estado a expelir um jato poderoso h\u00e1 pelo menos mil anos.<\/strong> O problema \u00e9 que os cientistas ainda n\u00e3o sabem como uma estrela morta sem disco consegue alimentar um jato t\u00e3o duradouro.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cAs nossas observa\u00e7\u00f5es revelaram um jato que, de acordo com o nosso conhecimento atual, n\u00e3o deveria existir\u201d, afirma Krystian Ilkiewicz, investigador de p\u00f3s-doutoramento no Centro Astron\u00f3mico Nicolaus Copernicus, em Vars\u00f3via, e coautor do estudo.<\/p><\/blockquote>\n<p>Em astronomia, o termo \u201cjato\u201d \u00e9 usado para descrever fluxos estreitos de material expelidos por objetos celestes.<\/p>\n<p>Uma onda de choque sem explica\u00e7\u00e3o conhecida<\/p>\n<p>A RXJ0528+2838 situa-se a cerca de 730 anos-luz da Terra. \u00c0 medida que se desloca atrav\u00e9s da gal\u00e1xia, interage com o g\u00e1s do meio interestelar, o espa\u00e7o entre as estrelas, criando<strong> uma onda de choque descrita como &#8220;<\/strong><strong>um arco curvo de material, semelhante \u00e0 onda que se forma \u00e0 frente de um navio em movimento&#8221;<\/strong><strong>, <\/strong>explica Noel Castro Segura, investigador da Universidade de Warwick, no Reino Unido, e colaborador do estudo.<\/p>\n<p>Este tipo de ondas de choque \u00e9 geralmente produzido por material ejetado pela pr\u00f3pria estrela. No entanto, no caso da RXJ0528+2838, nenhum dos modelos conhecidos consegue explicar totalmente as observa\u00e7\u00f5es agora obtidas.<\/p>\n<p>Imagem de grande angular (DSS) do c\u00e9u em torno da estrela RXJ0528+2838<\/p>\n<p>ESO\/Digitized Sky Survey 2. Acknowledgement: D. De Martin<\/p>\n<p>Um sistema bin\u00e1rio teoricamente &#8220;calmo&#8221;<\/p>\n<p>A RXJ0528+2838 \u00e9 uma an\u00e3 branca, o n\u00facleo remanescente de uma estrela de pequena massa na fase final da sua vida. Trata-se de um sistema bin\u00e1rio, com uma estrela companheira semelhante ao Sol. Nestes sistemas, \u00e9 comum que o material da estrela companheira seja transferido para a an\u00e3 branca, formando um disco de acre\u00e7\u00e3o \u00e0 sua volta. Esse disco pode alimentar jatos de mat\u00e9ria expelidos a grande velocidade.<\/p>\n<p>Contudo, a RXJ0528+2838 n\u00e3o apresenta sinais de possuir um disco, o que torna a origem do jato e da nebulosa associada particularmente enigm\u00e1tica.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cFic\u00e1mos verdadeiramente surpreendidos por um sistema supostamente calmo e sem disco poder dar origem a uma nebulosa t\u00e3o espetacular\u201d, sublinha Scaringi.<\/p><\/blockquote>\n<p>A estranha nebulosidade em torno da RXJ0528+2838 foi detetada pela primeira vez em imagens do Telesc\u00f3pio Isaac Newton, em Espanha. A forma invulgar levou os investigadores a observ\u00e1-la com maior detalhe atrav\u00e9s do instrumento <a href=\"https:\/\/www.eso.org\/public\/teles-instr\/paranal-observatory\/vlt\/vlt-instr\/muse\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer nofollow\">MUSE<\/a>, montado no VLT, do ESO.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cAs observa\u00e7\u00f5es do MUSE permitiram-nos mapear a onda de choque em detalhe e analisar a sua composi\u00e7\u00e3o, o que foi crucial para confirmar que esta estrutura tem origem no sistema bin\u00e1rio e n\u00e3o numa nebulosa ou nuvem interestelar n\u00e3o relacionada&#8221;, explica Krystian Ilkiewicz, investigador de p\u00f3s-doutoramento no Centro Astron\u00f3mico Nicolaus Copernicus, em Vars\u00f3via, e coautor do estudo.<\/p><\/blockquote>\n<p>Um mist\u00e9rio por resolver<\/p>\n<p>Uma poss\u00edvel explica\u00e7\u00e3o envolve o forte campo magn\u00e9tico da RXJ0528+2838, agora confirmado pelos dados do MUSE. Esse campo magn\u00e9tico pode canalizar diretamente o material \u201croubado\u201d \u00e0 estrela companheira para a an\u00e3 branca, impedindo a forma\u00e7\u00e3o de um disco.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cA nossa descoberta mostra que, mesmo sem a presen\u00e7a de um disco, estes sistemas podem gerar jatos poderosos. Isto revela um mecanismo que ainda n\u00e3o compreendemos totalmente e desafia a teoria dominante sobre a forma como a mat\u00e9ria se move e interage nestes sistemas bin\u00e1rios extremos&#8221;, diz Ilkiewicz.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Os resultados sugerem a exist\u00eancia de uma fonte de energia<\/strong><strong> <\/strong><strong>oculta<\/strong><strong>, <\/strong><strong>provavelmente o forte campo magn\u00e9tico. <\/strong>No entanto, este \u201cmotor misterioso\u201d, como lhe chama Scaringi, parece explicar apenas parcialmente o fen\u00f3meno observado, j\u00e1 que os dados indicam que o campo magn\u00e9tico atual s\u00f3 seria capaz de sustentar uma onda de choque durante algumas centenas de anos.<\/p>\n<p>Para perceber melhor a natureza destes jatos sem disco, ser\u00e1 necess\u00e1rio estudar muitos mais sistemas bin\u00e1rios. <a href=\"https:\/\/elt.eso.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer nofollow\">O futuro Extremely Large Telescope (ELT) <\/a>permitir\u00e1 \u201cdetetar e mapear estes sistemas com muito mais detalhe, incluindo outros mais t\u00e9nues, o que, eventualmente, nos ajudar\u00e1 a compreender a misteriosa fonte de energia que permanece inexplicada&#8221;, prev\u00ea Scaringi.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Ci\u00eancia Uma an\u00e3 branca tem estado a expelir um jato de mat\u00e9ria h\u00e1 pelo menos mil anos. 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