{"id":226143,"date":"2026-01-12T14:17:07","date_gmt":"2026-01-12T14:17:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/226143\/"},"modified":"2026-01-12T14:17:07","modified_gmt":"2026-01-12T14:17:07","slug":"acordo-mercosul-uniao-europeia-cria-um-mercado-imenso-mas-que-pode-nao-ser-equilibrado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/226143\/","title":{"rendered":"Acordo Mercosul-Uni\u00e3o Europeia cria um mercado imenso, mas que pode n\u00e3o ser equilibrado"},"content":{"rendered":"<p>        Um mercado de 700 milh\u00f5es de consumidores e um PIB da ordem dos 22 bili\u00f5es de d\u00f3lares s\u00e3o o que o acordo Uni\u00e3o Europeia-Mercosul vai criar. Mas pode ser um mercado desequilibrado \u2013 s\u00f3 reequilibr\u00e1vel com as medidas de prote\u00e7\u00e3o previstas. Mesmo assim, a Fran\u00e7a tem fortes reservas.    <\/p>\n<p>Ap\u00f3s 26 anos de negocia\u00e7\u00f5es, a aprova\u00e7\u00e3o do acordo entre o Mercosul e a Uni\u00e3o Europeia marca um novo cap\u00edtulo para o com\u00e9rcio internacional. Firme defensor do acordo, o Brasil \u00e9 dos mais otimistas no processo de cria\u00e7\u00e3o da zona de com\u00e9rcio libre entre os dois blocos. Para o presidente da Ag\u00eancia Brasileira de Promo\u00e7\u00e3o de Exporta\u00e7\u00e3o e Investimentos (ApexBrasil), Jorge Viana, o resultado reflete um esfor\u00e7o pol\u00edtico e institucional consistente, com protagonismo do governo brasileiro. \u201cO presidente Lula teve um papel essencial. A Apex tamb\u00e9m. O nosso escrit\u00f3rio em Bruxelas trabalhou continuamente para este resultado\u201d, afirmou, em comunicado oficial do organismo que dirige. \u201cA diplomacia brasileira muda de patamar\u201d, acrescentou o chefe de Assuntos Estrat\u00e9gicos da ApexBrasil Europa, Aloysio Nunes, que calcula em sete mil milh\u00f5es de d\u00f3lares o aumento das exporta\u00e7\u00f5es brasileiras para a Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n<p>Segundo Viana, o acordo representa uma conquista em um cen\u00e1rio internacional marcado pelo enfraquecimento de mecanismos multilaterais e pela fragmenta\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio global. \u201cEste acordo segue no sentido contr\u00e1rio ao que o mundo est\u00e1 a dirigir-se. A pr\u00f3pria Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio (OMC) perdeu import\u00e2ncia, e n\u00f3s estamos a falar do maior acordo econ\u00f3mico do mundo\u201d, destacou.<\/p>\n<p>\u201cEstamos a falar de uma popula\u00e7\u00e3o de mais de 700 milh\u00f5es de habitantes e de um PIB de perto de 22 bili\u00f5es de d\u00f3lares. S\u00f3 perde para o dos Estados Unidos, em torno de 29 bili\u00f5es, e supera o da China, que est\u00e1 em torno de 19 bili\u00f5es\u201d, ressaltou o presidente da ApexBrasil ao analisar o potencial econ\u00f3mico do acordo. \u201c\u00c9 o segundo fluxo comercial que o Brasil tem com o mundo, s\u00f3 perde para a China, e o mais importante: \u00e9 um com\u00e9rcio equilibrado, praticamente 50\/50\u201d, afirmou. \u201cA ApexBrasil preparou-se e tentou a expans\u00e3o do com\u00e9rcio com a Europa este ano\u201d, em resposta \u00e0s tarifas impostas por Washington. Houve um aumento de 4% das exorta\u00e7\u00f5es brasileiras para a Uni\u00e3o Europeia, e aumentar\u00e1 ainda mais\u201d, acrescentou Aloysio Nunes. Jorge Viana recordou que \u201cmais de um ter\u00e7o daquilo que o Brasil exporta para a regi\u00e3o \u00e9 composto por produtos da ind\u00fastria de processamento. Temos um com\u00e9rcio de excelente qualidade com a Uni\u00e3o Europeia\u201d.<\/p>\n<p>Na ind\u00fastria, o acordo prev\u00ea a redu\u00e7\u00e3o imediata de tarifas para a produ\u00e7\u00e3o brasileira de m\u00e1quinas e equipamentos de transporte como motores e geradores para energia el\u00e9trica, motores de pist\u00e3o (autope\u00e7as) e avi\u00f5es. Todos representam \u00e1reas estrat\u00e9gicas para inser\u00e7\u00e3o competitiva do Brasil.\u00a0 Tamb\u00e9m haver\u00e1 oportunidade positiva para couro e peles, pedras de cantaria, facas e l\u00e2minas e produtos qu\u00edmicos. Haver\u00e1 uma redu\u00e7\u00e3o gradativa, at\u00e9 zero das tarifas sobre diversas commodities (sujeitos a cotas). Destacam-se os principais produtos brasileiros exportados em 2025: carne de aves, carne bovina e etanol.<\/p>\n<p>Para o presidente da ApexBrasil, a combina\u00e7\u00e3o entre pa\u00edses do Mercosul, com economias tropicais e complementares, e uma das regi\u00f5es com maior poder de consumo do mundo cria um cen\u00e1rio extremamente positivo. \u201cO Mercosul associa-se a uma das regi\u00f5es com o maior potencial de consumo do mundo.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>O outro lado do acordo<\/strong><\/p>\n<p>Do outro lado est\u00e3o principalmente a Fran\u00e7a e a Irlanda, que est\u00e3o contra o acordo. O presidente franc\u00eas, Emmanuel Macron, afirmou que a Fran\u00e7a votaria contra o acordo, como fez, no mesmo instante em que os agricultores gauleses voltavam a bloquear estradas de acesso a Paris.<\/p>\n<p>Genericamente, o Mercosul cobra tarifas de at\u00e9 35% sobre produtos manufaturados e outros ao bloco europeu, que, por sua vez, imp\u00f5e taxas de at\u00e9 15% sobre mercadorias agr\u00edcolas sul-americanas. O tratado eliminar\u00e1 progressivamente todas essas tarifas, para desespero dos agricultores franceses, que denunciam o que chamam de \u201ccompeti\u00e7\u00e3o desleal\u201d.<\/p>\n<p>Apesar dos \u201cavan\u00e7os incontest\u00e1veis\u201d que \u201cdevem ser reconhecidos pela Comiss\u00e3o Europeia\u201d, tamb\u00e9m \u201cdeve ser constatada uma rejei\u00e7\u00e3o pol\u00edtica un\u00e2nime do acordo, como ficou claramente demonstrado nos recentes debates na assembleia nacional e no senado\u201d franceses, afirmou Emmanuel Macron, em comunicado. \u201cFran\u00e7a \u00e9 favor\u00e1vel ao com\u00e9rcio internacional, mas o acordo UE-Mercosul \u00e9 um acordo de outra \u00e9poca, negociado h\u00e1 demasiado tempo com base em fundamentos demasiado antigos\u201c. \u201cEmbora a diversifica\u00e7\u00e3o comercial seja necess\u00e1ria, o ganho econ\u00f3mico do acordo ser\u00e1 limitado para o crescimento franc\u00eas e europeu. N\u00e3o justifica expor setores agr\u00edcolas sens\u00edveis e essenciais para a nossa soberania alimentar\u201d. De acordo com a Comiss\u00e3o Europeia, o acordo com o Mercosul representar\u00e1 mais 0,05% do PIB da UE at\u00e9 2040.<\/p>\n<p>O presidente franc\u00eas saudou os avan\u00e7os obtidos em Bruxelas: \u201cuma cl\u00e1usula de salvaguarda espec\u00edfica\u201d, uma esp\u00e9cie de \u201ctrav\u00e3o de emerg\u00eancia\u201d \u00e0s importa\u00e7\u00f5es agr\u00edcolas dos pa\u00edses latino-americanos do Mercosul em caso de desestabiliza\u00e7\u00e3o do mercado na Europa, mas tamb\u00e9m \u201cmedidas de reciprocidade nas condi\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o\u201d e controlos refor\u00e7ados. \u201cMuitos desses progressos ainda precisam de ser finalizados, e a Fran\u00e7a velar\u00e1 por isso\u201d, disse.<\/p>\n<p>A posi\u00e7\u00e3o italiana oscilou ao longo das negocia\u00e7\u00f5es em Bruxelas. Inicialmente favor\u00e1vel ao acordo, Roma passou a apresentar novas exig\u00eancias durante as rondas de negocia\u00e7\u00e3o e chegou mesmo a sinalizar resist\u00eancia e prov\u00e1vel vota\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria. Mas, no final, aceitou. It\u00e1lia responde por aproximadamente 13% da popula\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Europeia, o que era determinante para a forma\u00e7\u00e3o da maioria qualificada no Conselho.<\/p>\n<p>A Comiss\u00e3o Europeia prop\u00f4s antecipar 45 mil milh\u00f5es de euros em recursos da Uni\u00e3o Europeia para agricultores no pr\u00f3ximo or\u00e7amento plurianual do bloco e concordou em reduzir tarifas de importa\u00e7\u00e3o sobre alguns fertilizantes, numa tentativa de atrair pa\u00edses ainda reticentes ao acordo com o Mercosul. A It\u00e1lia imp\u00f4s ainda a redu\u00e7\u00e3o do percentual necess\u00e1rio para o acionamento das salvaguardas. Na pr\u00e1tica, este mecanismo estabelece como a UE pode suspender temporariamente as baixas tarif\u00e1rias na importa\u00e7\u00e3o de determinados produtos agr\u00edcolas considerados sens\u00edveis (como aves ou carne bovina) do Mercosul, caso essas importa\u00e7\u00f5es sejam consideradas prejudiciais aos produtores da UE. Quando as importa\u00e7\u00f5es de produtos agr\u00edcolas sens\u00edveis aumentarem em m\u00e9dia 8% \u2013 a It\u00e1lia queria 5% \u2013 ao longo de um per\u00edodo de tr\u00eas anos, o bloco poder\u00e1 iniciar uma investiga\u00e7\u00e3o sobre a necessidade de medidas de prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Pa\u00edses de peso como Alemanha e Espanha \u2013 e tamb\u00e9m Portugal \u2013 posicionaram-se de forma favor\u00e1vel ao acordo, avaliando que o pacto amplia o acesso das suas ind\u00fastrias e empresas de servi\u00e7os a um mercado de mais de 280 milh\u00f5es de consumidores no Mercosul.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Um mercado de 700 milh\u00f5es de consumidores e um PIB da ordem dos 22 bili\u00f5es de d\u00f3lares s\u00e3o&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":226144,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[43526,27,28,15,16,208,14,43527,25,26,21,22,4622,62,12,13,19,20,23,24,17,18,29,30,31,636,63,64,65],"class_list":{"0":"post-226143","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-mundo","8":"tag-a-brasil","9":"tag-breaking-news","10":"tag-breakingnews","11":"tag-featured-news","12":"tag-featurednews","13":"tag-franca","14":"tag-headlines","15":"tag-itali","16":"tag-latest-news","17":"tag-latestnews","18":"tag-main-news","19":"tag-mainnews","20":"tag-mercosul","21":"tag-mundo","22":"tag-news","23":"tag-noticias","24":"tag-noticias-principais","25":"tag-noticiasprincipais","26":"tag-principais-noticias","27":"tag-principaisnoticias","28":"tag-top-stories","29":"tag-topstories","30":"tag-ultimas","31":"tag-ultimas-noticias","32":"tag-ultimasnoticias","33":"tag-uniao-europeia","34":"tag-world","35":"tag-world-news","36":"tag-worldnews"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115882560292685933","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/226143","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=226143"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/226143\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/226144"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=226143"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=226143"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=226143"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}