{"id":226619,"date":"2026-01-13T11:30:08","date_gmt":"2026-01-13T11:30:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/226619\/"},"modified":"2026-01-13T11:30:08","modified_gmt":"2026-01-13T11:30:08","slug":"candida-auris-o-que-e-preciso-saber-sobre-este-fungo-perigos-protecao-transmissao-fatores-de-risco-tratamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/226619\/","title":{"rendered":"Candida auris: o que \u00e9 preciso saber sobre este fungo &#8211; perigos, prote\u00e7\u00e3o, transmiss\u00e3o, fatores de risco, tratamento"},"content":{"rendered":"<p>\t                Uma equipa de investigadores liderada pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) estudou os primeiros casos confirmados em Portugal de infe\u00e7\u00e3o por \u2018candida auris\u2019, um fungo resistente a medicamentos considerado uma amea\u00e7a \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica global<\/p>\n<p>O que \u00e9\u00a0 <\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.cuf.pt\/mais-saude\/tudo-o-que-precisa-de-saber-sobre-o-fungo-candida-auris\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">De acordo com a CUF<\/a>, o &#8220;candida auris&#8221; \u00e9 uma esp\u00e9cie de fungo que est\u00e1 associado a m\u00faltiplos surtos, infe\u00e7\u00f5es graves e altas taxas de mortalidade em todo o mundo. Em causa est\u00e1 um fungo patog\u00e9nico capaz de entrar na corrente sangu\u00ednea e de invadir todo o corpo. Este fungo foi identificado pela primeira vez em 2009, no Jap\u00e3o.<\/p>\n<p>Porque pode ser perigoso? <\/p>\n<p>A infe\u00e7\u00e3o por candida auris \u00e9 invasiva e pode atingir o sangue, feridas, ouvidos e at\u00e9 \u00f3rg\u00e3os vitais como o cora\u00e7\u00e3o e o c\u00e9rebro. Estima-se que entre 30% a 60% dos doentes afetados podem n\u00e3o sobreviver, sobretudo aqueles com outras doen\u00e7as graves, sistema imunit\u00e1rio comprometido ou internamentos prolongados.<\/p>\n<p>&#8220;Contudo, \u00e9 importante ter em considera\u00e7\u00e3o que a maioria destas pessoas tinha outros problemas de sa\u00fade graves que aumentaram o seu risco de mortalidade. O facto de existirem j\u00e1 outras doen\u00e7as pode tamb\u00e9m contribuir para que seja mais dif\u00edcil diagnosticar esta infe\u00e7\u00e3o&#8221;, adianta a CUF.<\/p>\n<p>Como \u00e9 feito o diagn\u00f3stico? <\/p>\n<p>O diagn\u00f3stico \u00e9 complexo. M\u00e9todos laboratoriais comuns muitas vezes n\u00e3o conseguem identificar o candida auris, sendo necess\u00e1rio recorrer a t\u00e9cnicas espec\u00edficas e a testes de sensibilidade para determinar os antif\u00fangicos mais eficazes.<\/p>\n<p>&#8220;Este fator dificulta um correto diagn\u00f3stico, o que, por sua vez, pode colocar em causa o correto tratamento do doente. Consequentemente, este fungo pode espalhar-se mais f\u00e1cil e rapidamente. O diagn\u00f3stico de candida auris requer m\u00e9todos laboratoriais espec\u00edficos.&#8221;<\/p>\n<p>Como se transmite <\/p>\n<p>O fungo transmite-se facilmente atrav\u00e9s do contacto direto com pessoas infetadas, mesmo assintom\u00e1ticas, ou superf\u00edcies contaminadas, onde pode sobreviver semanas. Os principais fatores de risco incluem internamentos prolongados, cirurgias recentes, uso de cateteres e antibi\u00f3ticos de largo espectro, doen\u00e7as cr\u00f3nicas como diabetes, ou imunidade comprometida.<\/p>\n<p>Quais s\u00e3o os principais fatores de risco? <\/p>\n<ul>\n<li>Doentes internados ou residentes em lares<\/li>\n<li>Doentes polimedicados ou com cirurgia recente<\/li>\n<li>Altera\u00e7\u00f5es do sistema imunit\u00e1rio (algumas situa\u00e7\u00f5es de cancro ou diabetes)<\/li>\n<li>Toma de antibi\u00f3ticos ou de antif\u00fangicos de largo espectro<\/li>\n<li>Presen\u00e7a de tubos ou cateteres, como, por exemplo, sondas de alimenta\u00e7\u00e3o, alg\u00e1lias ou cateteres venosos centrais.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Como \u00e9 feito o tratamento? <\/p>\n<p>O tratamento recorre principalmente a equinocandinas, mas podem ser necess\u00e1rios v\u00e1rios antif\u00fangicos em doses elevadas quando h\u00e1 resist\u00eancia.<\/p>\n<p>Como se evita a transmiss\u00e3o <\/p>\n<p>Para prevenir a propaga\u00e7\u00e3o, a higiene rigorosa das m\u00e3os, a desinfe\u00e7\u00e3o de superf\u00edcies hospitalares e o cuidado no uso de dispositivos m\u00e9dicos s\u00e3o essenciais. Em caso de suspeita de infe\u00e7\u00e3o, \u00e9 fundamental procurar rapidamente assist\u00eancia m\u00e9dica.<\/p>\n<p>Pa\u00edses com casos <\/p>\n<p>Espanha, Gr\u00e9cia, It\u00e1lia, Rom\u00e9nia e Alemanha foram os pa\u00edses com a maioria dos casos ao longo da d\u00e9cada, tendo sido registados \u201csurtos recentes em Chipre, em Fran\u00e7a e na Alemanha, enquanto Gr\u00e9cia, It\u00e1lia, Rom\u00e9nia e Espanha indicaram que j\u00e1 n\u00e3o conseguem distinguir surtos espec\u00edficos devido \u00e0 ampla dissemina\u00e7\u00e3o regional ou nacional\u201d.<\/p>\n<p>E Portugal? <\/p>\n<p>Uma equipa de investigadores liderada pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) estudou os primeiros casos confirmados em Portugal de infe\u00e7\u00e3o por \u2018Candida auris\u2019, um fungo resistente a medicamentos considerado uma amea\u00e7a \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica global.<\/p>\n<p>Num comunicado enviado hoje \u00e0 ag\u00eancia Lusa, a FMUP descreve que este estudo identifica os primeiros casos de \u2018Candida auris\u2019 no pa\u00eds, resultando em conclus\u00f5es que refor\u00e7am a import\u00e2ncia da vigil\u00e2ncia hospitalar.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 fundamental que as institui\u00e7\u00f5es dedicadas ao ensino e \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o se articulem com os hospitais e ULS [Unidades Locais de Sa\u00fade], no sentido de uma investiga\u00e7\u00e3o translacional integrada, de modo a refor\u00e7ar a capacidade de resposta a desafios emergentes em sa\u00fade p\u00fablica com base em evid\u00eancia\u201d, defende Sofia Costa de Oliveira, docente da FMUP que coordenou o estudo, cujos resultados foram publicados na revista cient\u00edfica Journal of Fungi em outubro de 2025.<\/p>\n<p>Foram classificados oito casos identificados em 2023, num hospital da regi\u00e3o Norte, l\u00ea-se no resumo partilhado com a Lusa, no qual \u00e9 salvaguardado que \u201cnenhuma das tr\u00eas mortes dos casos de infe\u00e7\u00e3o invasiva reportados esteve exclusivamente associada \u00e0 infe\u00e7\u00e3o, mas sim a comorbilidades severas dos doentes\u201d.<\/p>\n<p>Sublinhando que \u201c\u00e9 importante perceber que este fungo \u00e9 de propaga\u00e7\u00e3o hospitalar e n\u00e3o comunit\u00e1ria\u201d, a coordenadora refere que \u201ca sua relev\u00e2ncia em sa\u00fade p\u00fablica est\u00e1 associada principalmente \u00e0 facilidade de transmiss\u00e3o em unidades de cuidados de sa\u00fade e \u00e0 resist\u00eancia a alguns antif\u00fangicos, o que justifica uma vigil\u00e2ncia refor\u00e7ada\u201d.<\/p>\n<p>\u201cA dete\u00e7\u00e3o precoce de coloniza\u00e7\u00e3o ou infe\u00e7\u00e3o em doentes em risco permite uma interven\u00e7\u00e3o mais eficaz e limita a propaga\u00e7\u00e3o nos servi\u00e7os de sa\u00fade. As medidas de controlo de infe\u00e7\u00e3o, como a higiene rigorosa das m\u00e3os, a desinfe\u00e7\u00e3o de superf\u00edcies e equipamentos e a vigil\u00e2ncia laboratorial, s\u00e3o cruciais para reduzir a transmiss\u00e3o\u201d, conclui.<\/p>\n<p>A \u2018Candida auris\u2019 \u00e9 uma levedura que pode colonizar a pele e causar infe\u00e7\u00f5es invasivas em doentes com fatores de risco, como doen\u00e7as graves, tratamentos invasivos e uso de antibi\u00f3ticos e imunossupressores. Considerada uma amea\u00e7a \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica global, est\u00e1 disseminada em v\u00e1rios continentes, atingindo cerca de 60 pa\u00edses.<\/p>\n<p>O microrganismo n\u00e3o \u00e9 transmitido pelo ar, mas sim por contacto entre doentes, entre profissionais de sa\u00fade, ou com superf\u00edcies e equipamentos contaminados.<\/p>\n<p>Esta esp\u00e9cie distingue-se pela resist\u00eancia a m\u00faltiplos f\u00e1rmacos antif\u00fangicos e pela capacidade de persistir em superf\u00edcies e equipamentos, o que pode facilitar a transmiss\u00e3o em unidades de cuidados de sa\u00fade.<\/p>\n<p>&#8220;A caracteriza\u00e7\u00e3o dos mecanismos envolvidos na resist\u00eancia \u00e0 terap\u00eautica antif\u00fangica \u00e9 fundamental para investigar alternativas farmacol\u00f3gicas mais eficazes. O pr\u00f3ximo passo ser\u00e1 explorar o impacto real das novas muta\u00e7\u00f5es detetadas na progress\u00e3o da infe\u00e7\u00e3o e na resist\u00eancia antimicrobiana da \u2018Candida auris\u2019, de forma a tentar controlar esta amea\u00e7a global para a sa\u00fade\u201d, defende a professora.<\/p>\n<p>O artigo resultou de um trabalho de investiga\u00e7\u00e3o que tamb\u00e9m juntou Isabel Miranda, da FMUP e RISE-Health, Dolores Pinheiro, Jos\u00e9 Artur Paiva e Jo\u00e3o Tiago Guimar\u00e3es, da FMUP e da ULS S\u00e3o Jo\u00e3o, Micael Gon\u00e7alves, do CESAM, e Sandra Hil\u00e1rio, da FCUP.<\/p>\n<p>Em setembro do ano passado, o Centro Europeu de Preven\u00e7\u00e3o e Controlo das Doen\u00e7as (ECDC) alertou para a r\u00e1pida propaga\u00e7\u00e3o nos hospitais deste fungo resistente a medicamentos e pediu medidas para travar a sua dissemina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em comunicado, o ECDC indicou que, entre 2013 e 2023, foram registados mais de 4.000 casos nos pa\u00edses da UE\/EEE (inclui a Isl\u00e2ndia, o Liechtenstein e a Noruega), destacando \u201cum salto significativo\u201d em 2023, ano em que foram divulgados 1.346 casos em 18 pa\u00edses.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Uma equipa de investigadores liderada pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) estudou os primeiros casos&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":226620,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[86],"tags":[609,2642,611,27,41166,607,608,2646,2641,2644,610,2645,2643,981,19396,11727,116,2648,570,2647,13,32,33,117,1030,216,2649,29,2640],"class_list":{"0":"post-226619","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-saude","8":"tag-alerta","9":"tag-amor","10":"tag-ao-minuto","11":"tag-breaking-news","12":"tag-candida-auris","13":"tag-cnn","14":"tag-cnn-portugal","15":"tag-conselhos","16":"tag-covid-19","17":"tag-dicas","18":"tag-direto","19":"tag-especialistas","20":"tag-estudos","21":"tag-familia","22":"tag-fungo","23":"tag-fungos","24":"tag-health","25":"tag-hospitais","26":"tag-live","27":"tag-medicos","28":"tag-noticias","29":"tag-portugal","30":"tag-pt","31":"tag-saude","32":"tag-saude-mental","33":"tag-sexo","34":"tag-sns","35":"tag-ultimas","36":"tag-vida-saudavel"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115887565867539682","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/226619","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=226619"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/226619\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/226620"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=226619"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=226619"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=226619"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}