{"id":227279,"date":"2026-01-13T21:48:07","date_gmt":"2026-01-13T21:48:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/227279\/"},"modified":"2026-01-13T21:48:07","modified_gmt":"2026-01-13T21:48:07","slug":"a-lua-esta-roubando-a-atmosfera-da-terra-e-o-sol-tem-culpa-nisso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/227279\/","title":{"rendered":"A Lua est\u00e1 &#8220;roubando&#8221; a atmosfera da Terra e o Sol tem culpa nisso"},"content":{"rendered":"<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">Part\u00edculas da atmosfera terrestre foram levadas para o espa\u00e7o pelo vento solar e v\u00eam se depositando na Lua h\u00e1 bilh\u00f5es de anos, misturando-se ao solo lunar, de acordo com um novo estudo.<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">A pesquisa lan\u00e7a nova luz sobre um enigma que persiste h\u00e1 mais de meio s\u00e9culo, desde que as miss\u00f5es Apollo trouxeram amostras lunares com tra\u00e7os de subst\u00e2ncias como \u00e1gua, di\u00f3xido de carbono, h\u00e9lio e nitrog\u00eanio incorporadas no regolito \u2014 a camada superficial empoeirada da Lua.<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">Estudos iniciais teorizaram que o Sol era a fonte de algumas dessas subst\u00e2ncias. Mas, em 2005, pesquisadores da Universidade de T\u00f3quio sugeriram que elas tamb\u00e9m poderiam ter se originado da atmosfera de uma Terra jovem, antes do desenvolvimento de um campo magn\u00e9tico, h\u00e1 cerca de 3,7 bilh\u00f5es de anos.<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">Os autores suspeitaram que o campo magn\u00e9tico, uma vez estabelecido, teria interrompido o fluxo, aprisionando as part\u00edculas e tornando dif\u00edcil ou imposs\u00edvel sua fuga para o espa\u00e7o.<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">Agora, a nova pesquisa contesta essa suposi\u00e7\u00e3o, sugerindo que o campo magn\u00e9tico da Terra pode ter ajudado, em vez de bloquear, a transfer\u00eancia de part\u00edculas atmosf\u00e9ricas para a Lua \u2014 processo que continua at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">\u201cIsso significa que a Terra tem fornecido gases vol\u00e1teis, como oxig\u00eanio e nitrog\u00eanio, ao solo lunar durante todo esse tempo\u201d, disse Eric Blackman, coautor do novo estudo e professor do departamento de f\u00edsica e astronomia da Universidade de Rochester, em Nova York.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Apollo-11-6-e1721306873309.jpg\" alt=\"Foto da Terra feita pela miss\u00e3o Apollo 11 da superf\u00edcie da Lua, em 1969 \u2022 Nasa\" width=\"849\" height=\"477\" class=\"flex size-full object-cover\" loading=\"lazy\"\/>Foto da Terra feita pela miss\u00e3o Apollo 11 da superf\u00edcie da Lua, em 1969 \u2022 Nasa<br \/>\nExplora\u00e7\u00e3o lunar<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">\u201cH\u00e1 muito se acredita que a Lua se formou inicialmente a partir do impacto de um asteroide na\u00a0proto-Terra\u00a0(Terra\u00a0primitiva), durante o qual houve uma grande mistura inicial de subst\u00e2ncias vol\u00e1teis da Terra para a Lua\u201d, acrescentou ele por e-mail. \u201cNossos resultados mostram que ainda h\u00e1 compartilhamento de subst\u00e2ncias vol\u00e1teis, mesmo ap\u00f3s bilh\u00f5es de anos.\u201d<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">A presen\u00e7a de elementos \u00fateis como oxig\u00eanio e hidrog\u00eanio na superf\u00edcie da Lua pode ser de interesse para a explora\u00e7\u00e3o lunar.<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">\u201cAs miss\u00f5es lunares, e em \u00faltima inst\u00e2ncia as col\u00f4nias lunares que possam surgir algum dia, provavelmente precisar\u00e3o de recursos autossustent\u00e1veis que n\u00e3o precisem ser transportados da Terra\u201d, disse Blackman.<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">\u201cPor exemplo, j\u00e1 se estudou como processar a \u00e1gua do regolito lunar e extrair hidrog\u00eanio e oxig\u00eanio para produzir combust\u00edvel. H\u00e1 tamb\u00e9m estudos sobre combust\u00edveis \u00e0 base de am\u00f4nia que aproveitariam o nitrog\u00eanio transportado para a Lua pelo vento solar. Assim, esse material transportado pelo vento solar se incorpora ao solo e se torna parte dos recursos locais que essas inova\u00e7\u00f5es poderiam explorar.\u201d<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/2015_LRO_earth_and_limb_m1199291564l_color_2stretch_mask_0-e1700505839733.jpeg\" alt=\"Terra vista da Lua em foto feita em 2015 pelo rob\u00f4 Lunar Reconnaissance Orbiter, da Nasa \u2022 Nasa\/Goddard\/Arizona State University\" width=\"849\" height=\"477\" class=\"flex size-full object-cover\" loading=\"lazy\"\/>Terra vista da Lua em foto feita em 2015 pelo rob\u00f4 Lunar Reconnaissance Orbiter, da Nasa \u2022 Nasa\/Goddard\/Arizona State University<br \/>\nUm valioso registro qu\u00edmico<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">Para o novo estudo, os pesquisadores usaram simula\u00e7\u00f5es computacionais e testaram dois cen\u00e1rios. Um deles apresentava vento solar forte \u2014 um fluxo de part\u00edculas em alta velocidade proveniente do Sol \u2014 e aus\u00eancia de campo magn\u00e9tico ao redor da Terra. O outro apresentava vento solar mais fraco e um forte campo magn\u00e9tico ao redor da Terra. Os cen\u00e1rios correspondem, em linhas gerais, a um estado antigo e a um estado atual do nosso planeta. O cen\u00e1rio da Terra moderna mostrou-se o mais eficaz na transfer\u00eancia de fragmentos da atmosfera terrestre para a Lua.<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">Em seguida, os pesquisadores compararam os resultados com dados obtidos diretamente da an\u00e1lise do solo lunar em estudos anteriores.<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">\u201cUtilizamos amostras lunares trazidas \u00e0 Terra pelas miss\u00f5es Apollo 14 e 17 para validar nossos resultados\u201d, disse Shubhonkar Paramanick, estudante de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o no departamento de f\u00edsica e astronomia da Universidade de Rochester. Paramanick foi o autor principal do estudo, publicado em dezembro na revista Nature Communications Earth &amp; Environment.<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">\u201cTemos esse vento solar chegando \u00e0 atmosfera terrestre, e ent\u00e3o a atmosfera terrestre escapando. Ent\u00e3o, tentamos determinar qual seria a propor\u00e7\u00e3o dessa mistura, ou distinguir quais part\u00edculas s\u00e3o de origem solar e quais s\u00e3o de origem terrestre\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">O campo magn\u00e9tico da Terra \u00e9 gerado por correntes el\u00e9tricas produzidas pelo movimento de ferro e n\u00edquel fundidos no n\u00facleo externo l\u00edquido do planeta. Ele se estende por uma vasta \u00e1rea no espa\u00e7o, formando um escudo que desvia grande parte do vento solar, que, de outra forma, erodiria a atmosfera.<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\"><strong class=\"group-[.isActiveSource]:text-xl group-[.isActiveSource]:font-bold\">GALERIA &#8211; Veja imagens da miss\u00e3o Apollo 11<\/strong><\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">Quando o campo magn\u00e9tico interage com o vento solar, cria uma magnetosfera \u2014 uma estrutura semelhante \u00e0 de um cometa, com uma frente comprimida e uma longa cauda. Quando as part\u00edculas do vento solar s\u00e3o canalizadas ao longo das linhas da magnetosfera perto dos polos, obtemos auroras, tamb\u00e9m conhecidas como luzes do norte e luzes do sul.<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">O formato da magnetosfera explica por que o vento solar consegue arrancar algumas part\u00edculas da atmosfera terrestre e gui\u00e1-las para o espa\u00e7o. Tamb\u00e9m permite que uma fra\u00e7\u00e3o maior da atmosfera da Terra seja transportada para a Lua do que no modelo da Terra n\u00e3o magnetizada, ou modelo da Terra antiga, de acordo com Blackman.<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">\u201cO campo magn\u00e9tico n\u00e3o \u00e9 puramente protetor por dois motivos: ele exerce press\u00e3o, o que de certa forma infla a atmosfera da Terra, dando ao vento solar um pouco mais de acesso \u00e0 atmosfera\u201d, disse ele. \u201cE quando a Lua est\u00e1 na fase de lua cheia de sua \u00f3rbita, ela passa por uma regi\u00e3o chamada &#8216; magnetocauda &#8216;, onde o campo magn\u00e9tico abre um canal que permite que o material atmosf\u00e9rico expelido siga um caminho mais direto at\u00e9 a Lua.\u201d<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">A Lua atravessa a magnetosfera durante alguns dias por m\u00eas, e as part\u00edculas pousam na superf\u00edcie lunar, onde se incorporam ao solo, pois a Lua n\u00e3o possui atmosfera para bloque\u00e1-las.<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">Compreender a hist\u00f3ria dessa intera\u00e7\u00e3o entre a Lua e a Terra \u00e9 importante porque fornece um valioso registro qu\u00edmico, ou seja, informa\u00e7\u00f5es sobre a atmosfera antiga da Terra que podem estar contidas no solo lunar, argumenta o estudo. A composi\u00e7\u00e3o da atmosfera, disse Blackman, est\u00e1 ligada \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o da vida em diferentes est\u00e1gios da hist\u00f3ria da Terra.<\/p>\n<p>Uma nova perspectiva<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">Kentaro Terada, professor de cosmoqu\u00edmica isot\u00f3pica e geoqu\u00edmica na Universidade de Osaka, no Jap\u00e3o, disse estar muito satisfeito com a corrobora\u00e7\u00e3o te\u00f3rica de suas observa\u00e7\u00f5es. Terada liderou um estudo de 2017 que demonstrou como o vento solar e o campo magn\u00e9tico da Terra transportaram oxig\u00eanio para a Lua, mas n\u00e3o participou da nova pesquisa.<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">\u201cH\u00e1 muito se reconhece que a Terra e a Lua coevolu\u00edram fisicamente desde a sua forma\u00e7\u00e3o\u201d, disse ele em um e-mail. A descoberta de meteoritos lunares e a observa\u00e7\u00e3o de fluxos de part\u00edculas da Terra transportados pelo vento solar revelam uma nova perspectiva: \u201cos dois corpos tamb\u00e9m se influenciaram quimicamente \u2014 uma esp\u00e9cie de troca de mat\u00e9ria\u201d, explicou, acrescentando que o artigo \u00e9 \u201cextremamente interessante em sua discuss\u00e3o abrangente da hist\u00f3ria da Terra\u201d.<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">A Lua guarda pistas sobre a hist\u00f3ria e a evolu\u00e7\u00e3o da Terra, e este novo estudo refor\u00e7a essa no\u00e7\u00e3o, de acordo com Simeon Barber, pesquisador s\u00eanior da Open University, no Reino Unido, que n\u00e3o participou do estudo.<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">O estudo tamb\u00e9m \u00e9 oportuno, acrescentou ele, devido \u00e0 recente aquisi\u00e7\u00e3o de novas amostras de solo lunar jovem pela miss\u00e3o Chang&#8217;e-5 da China em 2020, bem como \u00e0s primeiras amostras do lado oculto da Lua pela Chang&#8217;e-6 em 2024 , o que oferece a oportunidade de testar ainda mais as descobertas.<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">Al\u00e9m disso, Barber afirmou que o trabalho contribuir\u00e1 para a interpreta\u00e7\u00e3o dos resultados dos futuros m\u00f3dulos de pouso rob\u00f3ticos lunares capazes de medir diretamente os elementos vol\u00e1teis no regolito lunar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Part\u00edculas da atmosfera terrestre foram levadas para o espa\u00e7o pelo vento solar e v\u00eam se depositando na Lua&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":227280,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[84],"tags":[109,107,108,32,33,105,103,104,106,110],"class_list":{"0":"post-227279","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-ciencia-e-tecnologia","8":"tag-ciencia","9":"tag-ciencia-e-tecnologia","10":"tag-cienciaetecnologia","11":"tag-portugal","12":"tag-pt","13":"tag-science","14":"tag-science-and-technology","15":"tag-scienceandtechnology","16":"tag-technology","17":"tag-tecnologia"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115889996079426910","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/227279","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=227279"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/227279\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/227280"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=227279"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=227279"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=227279"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}