{"id":227513,"date":"2026-01-14T00:45:22","date_gmt":"2026-01-14T00:45:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/227513\/"},"modified":"2026-01-14T00:45:22","modified_gmt":"2026-01-14T00:45:22","slug":"acha-que-o-mundo-esta-cada-vez-pior-calma-pode-haver-boas-noticias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/227513\/","title":{"rendered":"Acha que o mundo est\u00e1 cada vez pior? Calma, pode haver boas not\u00edcias&#8230;"},"content":{"rendered":"<p class=\"wp-caption-text top\">SXC<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-kopa-image-size-3 wp-image-10480\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/ffdfe6da0217d96e4195504451ec734b-783x450.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"402\"  \/><\/p>\n<p><strong>Vivemos numa sociedade em decl\u00ednio? V\u00e1rias investiga\u00e7\u00f5es d\u00e3o-nos algumas raz\u00f5es para sermos otimistas.<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 muitas raz\u00f5es para nos sentirmos pessimistas em rela\u00e7\u00e3o aos outros.<\/p>\n<p>Esta perce\u00e7\u00e3o \u00e9 sustentada pela investiga\u00e7\u00e3o: um estudo <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1038\/s41586-023-06137-x\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">publicado<\/a> na Nature em 2023 concluiu que pessoas em mais de 60 pa\u00edses acreditam que a dec\u00eancia b\u00e1sica est\u00e1 a cair a pique.<\/p>\n<p>Uma <a href=\"https:\/\/www.pewresearch.org\/short-reads\/2025\/03\/12\/almost-half-of-americans-say-people-have-gotten-ruder-since-the-covid-19-pandemic\/\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">sondagem<\/a> de 2025 a 9.600 americanos revelou que 46% acreditavam que a falta de educa\u00e7\u00e3o est\u00e1, no geral, a aumentar, enquanto apenas 9% consideravam que estava a diminuir em compara\u00e7\u00e3o com os n\u00edveis pr\u00e9-pandemia.<\/p>\n<p>Mas a <strong>perce\u00e7\u00e3o das pessoas pode ser imprecisa<\/strong>. Numa nova investiga\u00e7\u00e3o, partilhada por <strong>Paul Hanel<\/strong>, da Universidade de Essex (Reino Unido), num artigo no <a href=\"https:\/\/theconversation.com\/think-society-is-in-decline-research-gives-us-some-reasons-to-be-cheerful-268834\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">The Conversation<\/a>, s\u00e3o analisadas qu\u00e3o exatas s\u00e3o as perce\u00e7\u00f5es das pessoas sobre os outros, as implica\u00e7\u00f5es de perce\u00e7\u00f5es incorretas e o que acontece quando essas perce\u00e7\u00f5es erradas s\u00e3o corrigidas.<\/p>\n<p>E \u00e9 claro que aqui existem algumas perce\u00e7\u00f5es erradas. Se olharmos para os valores das pessoas, esses ideais abstratos que orientam o nosso comportamento, h\u00e1 raz\u00f5es para sermos positivos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sociedade.<\/p>\n<p>Noutro <a href=\"https:\/\/journals.sagepub.com\/doi\/10.1177\/1073191121998760\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">estudo<\/a> de 2022 com 32.000 pessoas de 49 grupos culturais, os valores da l<strong>ealdade, honestidade e prestabilidade surgiram em primeiro lugar<\/strong>, enquanto o poder e a riqueza ficaram nos \u00faltimos lugares. Os resultados oferecem pouco apoio \u00e0s alega\u00e7\u00f5es de decl\u00ednio moral.<\/p>\n<p>Uma ferramenta interativa, desenvolvida pelo cientista social <strong>Maksim Rudnev<\/strong> com base em dados do Inqu\u00e9rito Social Europeu, mostra que o padr\u00e3o se manteve consistente entre 2002 e 2023 em mais de 30 pa\u00edses europeus.<\/p>\n<p>Outros estudos mostram que os valores das pessoas s\u00e3o, em termos gerais, semelhantes em mais de 60 pa\u00edses, n\u00edveis de educa\u00e7\u00e3o, denomina\u00e7\u00f5es religiosas e g\u00e9neros (h\u00e1 exce\u00e7\u00f5es, claro). Ou seja, existe uma sobreposi\u00e7\u00e3o substancial entre as respostas de ambos os grupos.<\/p>\n<p>At\u00e9 os valores de 2.500 Democratas ou Republicanos nos EUA em 2021-23, ou de 1.500 eleitores do Leave e do Remain no referendo do Brexit em 2016-17, s\u00e3o notavelmente semelhantes. Isto sugere uma narrativa alternativa \u00e0s perce\u00e7\u00f5es de pa\u00edses divididos e polarizados.<\/p>\n<p>Uma limita\u00e7\u00e3o destes resultados \u00e9 o facto de se basearem em auto-relatos das pessoas. Isto significa que os resultados podem ser imprecisos, por exemplo porque as pessoas quiseram apresentar-se de forma positiva. Mas e quanto ao comportamento real das pessoas?<\/p>\n<p>Bons cidad\u00e3os. H\u00e1 esperan\u00e7a!<\/p>\n<p>V\u00e1rios estudos sugerem que a <strong>maioria das pessoas se comporta efetivamente de forma moral<\/strong>.<\/p>\n<p>Por exemplo, quando investigadores analisaram conflitos p\u00fablicos reais registados por\u00a0c\u00e2maras de vigil\u00e2ncia, descobriram que, <strong>em nove em cada dez conflitos, um transeunte interveio <\/strong>(nos casos em que havia transeuntes presentes).<\/p>\n<p>Estas conclus\u00f5es, de 2020, foram semelhantes nos Pa\u00edses Baixos, na \u00c1frica do Sul e no Reino Unido.<\/p>\n<p>As pessoas interv\u00eam em ataques com faca ou ataques terroristas, mesmo quando se colocam em perigo. Embora estes casos sejam raros, demonstram que muitas <strong>pessoas est\u00e3o dispostas a ajudar mesmo em circunst\u00e2ncias extremas<\/strong>.<\/p>\n<p>Em situa\u00e7\u00f5es menos dram\u00e1ticas, tamb\u00e9m podemos observar que as pessoas t\u00eam considera\u00e7\u00e3o pelos outros.<\/p>\n<p>Por exemplo, um <a href=\"https:\/\/www.science.org\/doi\/abs\/10.1126\/science.aau8712\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">estudo<\/a> de 2019 concluiu que, em 38 dos 40 pa\u00edses analisados, <strong>carteiras perdidas tinham, em m\u00e9dia, maior probabilidade de ser devolvidas se\u00a0contivessem algum dinheiro do que se n\u00e3o contivessem dinheiro, e uma probabilidade ainda maior de serem devolvidas quando continham uma quantia razo\u00e1vel de dinheiro<\/strong>.<\/p>\n<p>Isto deve-se provavelmente ao facto de quem as encontrava reconhecer que a perda seria mais prejudicial para o dono da carteira.<\/p>\n<p>Noutra <a href=\"https:\/\/journals.sagepub.com\/doi\/10.1177\/09567976231184887\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">experi\u00eancia<\/a>, em 2023, 200 pessoas de sete pa\u00edses receberam 10.000 d\u00f3lares americanos, com praticamente nenhuma condi\u00e7\u00e3o associada. Os participantes <strong>gastaram mais de 4.700 d\u00f3lares com outras pessoas e doaram 1.700 d\u00f3lares a institui\u00e7\u00f5es de caridade<\/strong>.<\/p>\n<p>Mas e quanto \u00e0s mudan\u00e7as ao longo do tempo? Pode ser que as pessoas, h\u00e1 50 ou\u00a0100 anos, se comportassem de forma mais moral. N\u00e3o h\u00e1 muitos estudos que acompanhem sistematicamente mudan\u00e7as de comportamento ao longo do tempo, mas um <a href=\"https:\/\/journals.sagepub.com\/doi\/10.1177\/09567976231184887\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">estudo<\/a>, feito entre 1956 e 2017, concluiu que os <strong>americanos se tornaram ligeiramente mais cooperantes entre as d\u00e9cadas de 1950 e 2010 quando interagiam com estranhos<\/strong>.<\/p>\n<p>Porque aumentam as perce\u00e7\u00f5es erradas?<\/p>\n<p>Porque \u00e9 que tantas pessoas continuam a acreditar que a sociedade est\u00e1 em decl\u00ednio moral?<\/p>\n<p>Desde logo, os <strong>meios de comunica\u00e7\u00e3o social tendem a focar-se em acontecimentos negativos<\/strong>.<\/p>\n<p>As <strong>not\u00edcias negativas tamb\u00e9m t\u00eam maior probabilidade de ser partilhadas<\/strong> nas redes sociais. Por exemplo, in\u00fameros estudos observaram que, quando ocorrem desastres (furac\u00f5es, sismos), muitos \u00f3rg\u00e3os de comunica\u00e7\u00e3o relatam p\u00e2nico e crueldade, apesar de as pessoas normalmente cooperarem e se apoiarem mutuamente.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, as <strong>pessoas com opini\u00f5es pol\u00edticas mais extremas<\/strong> \u2014 tanto \u00e0 esquerda como \u00e0 direita \u2014 <strong>t\u00eam maior probabilidade de publicar conte\u00fados online<\/strong>. Por outras palavras, aquilo que vemos nas redes sociais n\u00e3o \u00e9, de forma alguma, representativo da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Claro que nada disto nega que uma minoria de pessoas possa causar danos graves, ou que alguns aspetos da vida p\u00fablica possam estar a piorar.<\/p>\n<p>Paul Hanel escreve que pessoas que acreditam erradamente que os outros se preocupam mais com valores ego\u00edstas e menos com valores compassivos t\u00eam, em m\u00e9dia, menor probabilidade de fazer voluntariado ou de votar. Isto n\u00e3o \u00e9 surpreendente: porqu\u00ea investir o teu tempo em pessoas que achas que nunca retribuiriam o favor?<\/p>\n<p>Numerosas experi\u00eancias demonstraram que mostrar \u00e0s pessoas que os outros partilham, em m\u00e9dia, valores e cren\u00e7as semelhantes aos seus pode torn\u00e1-las mais confiantes e mais esperan\u00e7osas em rela\u00e7\u00e3o ao futuro.<\/p>\n<p>Falar com outras pessoas, sejam amigos, conhecidos ocasionais ou estranhos, pode levar-nos a perceber que os outros s\u00e3o, na sua maioria, amig\u00e1veis, e tamb\u00e9m pode fazer-nos sentir melhor.<\/p>\n<p>Fazer voluntariado, integrar grupos locais ou participar em eventos de bairro pode ser uma boa ideia: ajudar os outros faz-nos sentir melhor. Por fim, <strong>ler not\u00edcias positivas<\/strong> ou <strong>focar-se na bondade dos outros<\/strong> tamb\u00e9m pode melhorar a nossa perspetiva.<\/p>\n<p>As provas sugerem que o decl\u00ednio moral n\u00e3o est\u00e1 a acontecer, mesmo que existam exemplos de alguns maus comportamentos em ascens\u00e3o. Se todos deix\u00e1ssemos de falar com outras pessoas por assumirmos que nos querem fazer mal, deix\u00e1ssemos de ir mais al\u00e9m pelos outros, e assim por diante, haveria o risco de nos tornarmos mais egoc\u00eantricos e de o decl\u00ednio acabar por acontecer. Felizmente, enquanto sociedade, podemos influenciar o nosso pr\u00f3prio destino.<\/p>\n<p>    <a href=\"https:\/\/zap.aeiou.pt\/subscrever-newsletter\" data-wpel-link=\"internal\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">&#13;<br \/>\n        <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-575475\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1765389371_545_2d51fe4a0ba54894421ead1809309ed9-1-450x140.jpg\" alt=\"Subscreva a Newsletter ZAP\" width=\"450\" height=\"140\"\/>&#13;<br \/>\n    <\/a><\/p>\n<p>                <a href=\"https:\/\/whatsapp.com\/channel\/0029VaIC4EE2f3EJZPPSbR34\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">&#13;<br \/>\n                    <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-575475\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1765389371_770_c68c559d956d4ca20f435ed74a6e71e6.png\" alt=\"Siga-nos no WhatsApp\" width=\"175\" height=\"64\"\/>&#13;<br \/>\n                <\/a><\/p>\n<p>                <a href=\"https:\/\/news.google.com\/publications\/CAAiEHRwZondIV71PDjWNoqMduEqFAgKIhB0cGaJ3SFe9Tw41jaKjHbh?hl=en-US&amp;gl=US&amp;ceid=US%3Aen\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">&#13;<br \/>\n                    <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-575475\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1765389372_556_5123dd8b087b644fdb8f8603acd1bad4.png\" alt=\"Siga-nos no Google News\" width=\"176\" height=\"64\"\/>&#13;<br \/>\n                <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"SXC Vivemos numa sociedade em decl\u00ednio? 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