{"id":228646,"date":"2026-01-14T17:24:08","date_gmt":"2026-01-14T17:24:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/228646\/"},"modified":"2026-01-14T17:24:08","modified_gmt":"2026-01-14T17:24:08","slug":"genoma-de-rinoceronte-lanoso-recuperado-do-estomago-de-lobo-da-idade-do-gelo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/228646\/","title":{"rendered":"Genoma de rinoceronte-lanoso recuperado do est\u00f4mago de lobo da Idade do Gelo"},"content":{"rendered":"<p class=\"category\"><a href=\"https:\/\/sicnoticias.pt\/ciencia\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Ci\u00eancia<\/a><\/p>\n<p>Estudo revela que a esp\u00e9cie manteve estabilidade gen\u00e9tica at\u00e9 \u00e0 extin\u00e7\u00e3o, sugerindo um colapso populacional s\u00fabito causado pelo aquecimento do clima e n\u00e3o um decl\u00ednio gradual ou ca\u00e7a humana.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/1768411448_310_original.webp\" alt=\"Fotografia do filhote de lobo Tumat-1 em  Viena, 2018\"\/><\/p>\n<p>Fotografia do filhote de lobo Tumat-1 em  Viena, 2018<\/p>\n<p>Mietje Germonpr\u00e9<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>Investigadores do Centro de Paleogen\u00e9tica, na Su\u00e9cia, conseguiram analisar o genoma completo de um rinoceronte-lanoso com cerca de 14.400 anos, a partir de uma amostra de tecido preservada no est\u00f4mago de um lobo da Idade do Gelo.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">O estudo, publicado dia 14 de janeiro na revista <a href=\"https:\/\/academic.oup.com\/gbe\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer nofollow\">Genome Biology and Evolution<\/a>, indica que os rinocerontes-lanosos (ou lanudos) permaneceram geneticamente saud\u00e1veis at\u00e9 ao final da \u00faltima Idade do Gelo. A extin\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie ter\u00e1, assim, resultado de um colapso populacional repentino e n\u00e3o de um decl\u00ednio lento e prolongado.<\/p>\n<blockquote style=\"text-align: left;\"><p>\u201cA sequencia\u00e7\u00e3o do genoma completo de um animal da Idade do Gelo encontrado no est\u00f4mago de outro animal nunca tinha sido feita\u201d, afirma Camilo Chac\u00f3n-Duque, autor do estudo e antigo investigador do Centro de Paleogen\u00e9tica, uma colabora\u00e7\u00e3o entre a Universidade de Estocolmo e o Museu Sueco de Hist\u00f3ria Natural.<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: left;\">A amostra analisada prov\u00e9m dos<strong> restos congelados de um lobo da Idade do Gelo descobertos no permafrost, perto da aldeia de Tumat, no nordeste da Sib\u00e9ria. <\/strong>Durante a aut\u00f3psia, os investigadores encontraram um pequeno fragmento de tecido bem preservado no est\u00f4mago do animal.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">A data\u00e7\u00e3o por radiocarbono revelou que o tecido tinha cerca de 14.400 anos. A an\u00e1lise gen\u00e9tica confirmou tratar-se de um rinoceronte-lanoso (Coelodonta antiquitatis) e um dos exemplares mais jovens alguma vez identificados.<\/p>\n<p>Um peda\u00e7o de tecido de rinoceronte-lanoso encontrado dentro do est\u00f4mago da cria Tumat-1. As pequenas marcas de corte s\u00e3o da recolha de ADN realizada no Centro de Paleogen\u00e9tica em Estocolmo, em 2020. <\/p>\n<p>Love Dal\u00e9n\/Universidade de Estocolmo<\/p>\n<blockquote style=\"text-align: left;\"><p>\u201cFoi realmente entusiasmante, mas tamb\u00e9m muito desafiante, extrair um genoma completo a partir de uma amostra t\u00e3o invulgar\u201d, explica S\u00f3lveig Gu\u00f0j\u00f3nsd\u00f3ttir, autora principal do estudo, que realizou este trabalho no \u00e2mbito da sua tese de mestrado na Universidade de Estocolmo.<\/p><\/blockquote>\n<p>Mapear um genoma a partir deste tipo de material \u00e9 particularmente dif\u00edcil. O ADN antigo est\u00e1 geralmente muito degradado e em quantidades muito pequenas, problema agravado pela presen\u00e7a de ADN do predador.<\/p>\n<p><strong>Estabilidade gen\u00e9tica at\u00e9 \u00e0 extin\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>A equipa comparou o genoma do rinoceronte-lanoso de Tumat com outros dois genomas de alta qualidade, <\/strong>provenientes de esp\u00e9cimes mais antigos, datados de h\u00e1 cerca de 18.000 e 49.000 anos. A compara\u00e7\u00e3o permitiu<strong> avaliar a evolu\u00e7\u00e3o da diversidade gen\u00e9tica, os n\u00edveis de consanguinidade e a acumula\u00e7\u00e3o de muta\u00e7\u00f5es potencialmente prejudiciais ao longo da \u00faltima Idade do Gelo.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Os resultados n\u00e3o revelaram sinais de deteriora\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica \u00e0 medida que a esp\u00e9cie se aproximava da extin\u00e7\u00e3o. Pelo contr\u00e1rio, os dados sugerem que <strong>o rinoceronte-lanudo manteve uma popula\u00e7\u00e3o relativamente grande e est\u00e1vel at\u00e9 pouco antes de desaparecer.<\/strong><\/p>\n<blockquote style=\"text-align: left;\"><p>\u201cAs nossas an\u00e1lises mostram um padr\u00e3o gen\u00e9tico surpreendentemente est\u00e1vel, sem aumento da consanguinidade ao longo de dezenas de milhares de anos antes da extin\u00e7\u00e3o dos rinocerontes-lanudos\u201d, afirma Edana Lord, antiga investigadora de p\u00f3s-doutoramento do Centro de Paleogen\u00e9tica.<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>A extin\u00e7\u00e3o ter\u00e1 ocorrido de forma relativamente r\u00e1pida, provavelmente causada pelo aquecimento global no final da Idade do Gelo.<\/strong><\/p>\n<blockquote style=\"text-align: left;\"><p>\u201cOs nossos resultados mostram que os rinocerontes-lanudos mantiveram uma popula\u00e7\u00e3o vi\u00e1vel durante cerca de 15 mil anos ap\u00f3s a chegada dos primeiros humanos ao nordeste da Sib\u00e9ria. Isso sugere que o aquecimento clim\u00e1tico, e n\u00e3o a ca\u00e7a humana, foi o principal fator por detr\u00e1s da extin\u00e7\u00e3o&#8221;, afirma Love Dal\u00e9n, professor de gen\u00f3mica evolutiva no Centro de Paleogen\u00e9tica.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>ADN antigo, esp\u00e9cies extintas e engenharia gen\u00e9tica<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Tal como nesses trabalhos, o genoma do rinoceronte-lanoso refor\u00e7a a ideia de que a gen\u00e9tica pode esclarecer n\u00e3o apenas como estas esp\u00e9cies viviam, mas tamb\u00e9m por que desapareceram, com implica\u00e7\u00f5es diretas para a conserva\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies atualmente amea\u00e7adas.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">J\u00e1 para n\u00e3o falar da inten\u00e7\u00e3o, question\u00e1vel, de empresas de biotecnologia de trazer de volta \u00e0 vida esp\u00e9cies j\u00e1 extintas. <\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">A empresa norte-americana a Colossal Biosciences afirma ter <strong>criado filhotes de lobos gigantes, uma esp\u00e9cie extinta h\u00e1 mais de 12 mil anos.<\/strong> O an\u00fancio gerou entusiasmo nas redes sociais, mas tamb\u00e9m fortes reservas por parte da comunidade cient\u00edfica. Investigadores sublinham que o ADN antigo sofre uma degrada\u00e7\u00e3o profunda ao longo do tempo, o que torna praticamente imposs\u00edvel reconstruir, na \u00edntegra, o genoma de um animal extinto h\u00e1 milhares de anos. Para muitos especialistas, o que est\u00e1 em causa n\u00e3o \u00e9 trazer uma esp\u00e9cie de volta \u00e0 vida, mas sim criar organismos modernos com algumas caracter\u00edsticas de esp\u00e9cies desaparecidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">A mesma empresa diz ter dado mais um passo no objetivo de <strong>\u201cressuscitar\u201d o mamute-lanoso. O avan\u00e7o passa pela cria\u00e7\u00e3o de \u201cratos lanosos\u201d, geneticamente modificados com genes de parentes vivos do mamute, como o elefante-asi\u00e1tico.<\/strong> Os investigadores envolvidos defendem que estas experi\u00eancias permitem testar genes associados \u00e0 adapta\u00e7\u00e3o ao frio. Ainda assim, muitos cientistas alertam que estes animais n\u00e3o s\u00e3o mamutes, nem vers\u00f5es aproximadas, mas modelos de laborat\u00f3rio com altera\u00e7\u00f5es pontuais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Ci\u00eancia Estudo revela que a esp\u00e9cie manteve estabilidade gen\u00e9tica at\u00e9 \u00e0 extin\u00e7\u00e3o, sugerindo um colapso populacional s\u00fabito causado&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":228647,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[84],"tags":[109,107,108,32,33,105,103,104,106,110],"class_list":{"0":"post-228646","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-ciencia-e-tecnologia","8":"tag-ciencia","9":"tag-ciencia-e-tecnologia","10":"tag-cienciaetecnologia","11":"tag-portugal","12":"tag-pt","13":"tag-science","14":"tag-science-and-technology","15":"tag-scienceandtechnology","16":"tag-technology","17":"tag-tecnologia"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115894620232626254","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/228646","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=228646"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/228646\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/228647"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=228646"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=228646"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=228646"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}