{"id":228843,"date":"2026-01-14T19:51:07","date_gmt":"2026-01-14T19:51:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/228843\/"},"modified":"2026-01-14T19:51:07","modified_gmt":"2026-01-14T19:51:07","slug":"almirante-admite-plano-b-na-politica-observador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/228843\/","title":{"rendered":"almirante admite plano B na pol\u00edtica \u2013 Observador"},"content":{"rendered":"<p>Tudo por um plano A, mas n\u00e3o significa que n\u00e3o haja plano B. Henrique Gouveia e Melo acredita que h\u00e1 um voto silencioso, que est\u00e1 a ficar fora do radar das sondagens, que lhe permite ir \u00e0 segunda volta. Obcecado pelo planeamento, o almirante ainda aposta tudo num plano A (chegar a Bel\u00e9m) e, para isso, vai insistir em duas frentes: falar mais para os mais idosos \u2014 que lhe est\u00e3o gratos pela pandemia \u2014 e puxar pelo lado militar \u2014 que acredita ser uma vantagem no atual contexto internacional. Surge, no entanto, uma quest\u00e3o \u00e0 qual j\u00e1 n\u00e3o foge a responder: e se perder? O almirante admite, nesse caso, aproveitar o capital pol\u00edtico para criar ou prosseguir com uma <strong>associa\u00e7\u00e3o c\u00edvica<\/strong> e, ao contr\u00e1rio do que tinha dito nos \u00faltimos meses, n\u00e3o exclui criar um <strong>partido<\/strong>. S\u00e3o esses os caminhos do plano B.<\/p>\n<p>O almirante e a pr\u00f3pria estrutura t\u00eam negado outro cen\u00e1rio que n\u00e3o a segunda volta. E, ao contr\u00e1rio de Jo\u00e3o Cotrim Figueiredo \u2014 que meteu os p\u00e9s pelas m\u00e3os \u2014 o almirante safou-se bem \u00e0 quest\u00e3o de em quem votaria em caso de n\u00e3o passar, ao dizer que n\u00e3o respondia porque nem sequer admitia essa possibilidade. Apesar disso, nas entrelinhas, h\u00e1 um plano B. No programa Prova Oral, da Antena 3, Henrique Gouveia e Melo <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=ssyme-jdSYU\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">disse<\/a> o seguinte: \u201cN\u00e3o ponho de parte, porque j\u00e1 aprendi a n\u00e3o p\u00f4r de parte nada, <strong>qualquer projeto pol\u00edtico<\/strong> de futuro se isso estiver dentro da minha capacidade\u201d.<\/p>\n<p>Questionado diretamente sobre se esse projeto seria um partido, n\u00e3o rejeitou liminarmente essa possibilidade, mas mostrou-se mais favor\u00e1vel a outro tipo de estrutura: \u201cUm projeto pol\u00edtico n\u00e3o \u00e9 necessariamente criar um partido. Pode ser um<strong> movimento c\u00edvico<\/strong>, mas para j\u00e1 n\u00e3o passa pela minha cabe\u00e7a fazer uma coisa dessas.\u201d<\/p>\n<p>Nessa mesma entrevista, Gouveia e Melo admitiu estar num dilema: \u201cEnquanto cidad\u00e3o, depois desta experi\u00eancia pol\u00edtica, <strong>terei de decidir se vou continuar dentro da pol\u00edtica<\/strong> ou se vou fazer uma coisa que nunca fiz, que \u00e9 lutar pelos meus interesses pessoais e fazer qualquer coisa pelos meus interesses materiais.\u201d<\/p>\n<p>As declara\u00e7\u00f5es de Henrique Gouveia e Melo apontam num sentido contr\u00e1rio \u00e0s que fez no ver\u00e3o, quando <a href=\"https:\/\/rr.pt\/noticia\/politica\/2025\/06\/06\/gouveia-e-melo-sou-contra-a-presidencia-fazer-partidos\/428350\/?utm_medium=rss\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">disse<\/a> \u00e0 R\u00e1dio Renascen\u00e7a que \u201c<strong>n\u00e3o faz sentido<\/strong> [criar um partido]. Eu n\u00e3o ia promover uma coisa dessas, at\u00e9 porque isso poderia ser perigoso para a pr\u00f3pria democracia. Sou contra, e sou contra a Presid\u00eancia fazer partidos.\u201d Mas havia uma nuance: Gouveia e Melo contestava a ideia de criar um partido a partir de Bel\u00e9m (como fez Eanes com o PRD), n\u00e3o caso n\u00e3o fosse eleito para Bel\u00e9m.<\/p>\n<p>Um destacado apoiante de Gouveia e Melo disse ao Observador que falar nessa possibilidade \u00e9 \u201ccolocar a <strong>carro\u00e7a<\/strong> \u00e0 frente dos bois\u201d. \u201cPrimeiro, \u00e9 preciso ganhar as Presidenciais. Se n\u00e3o ganhar, \u00e9 preciso ver que vota\u00e7\u00e3o tem e que capital pol\u00edtico vai ter. E o pr\u00f3prio cansa\u00e7o que ele [Gouveia e Melo] ter\u00e1. Agora, se tiver entre os 15 e os 20%, vai mandar isso <strong>fora<\/strong>?\u201d, cenariza a mesma fonte.<\/p>\n<p>\u201cEle <strong>n\u00e3o<\/strong> fala de partido. O que ele fala \u00e9 de um movimento c\u00edvico, que ali\u00e1s, j\u00e1 existe, que se chama \u2018Honrar Portugal\u2019\u201d, desvaloriza outro apoiante que tem acompanhado Gouveia e Melo nesta caminhada. Ainda um outro apoiante do almirante tenta desviar essa ideia e diz ao Observador que, na mesma entrevista \u00e0 Antena 3, ele admite a possibilidade de ter outra vida.<\/p>\n<p>Gouveia e Melo tamb\u00e9m disse, \u00e9 verdade, que podia ir trabalhar para uma empresa, lembrando que \u201cenquanto militar\u201d desenvolveu \u201cgrandes capacidades tecnol\u00f3gicas.\u201d O almirante admitiu <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=ssyme-jdSYU\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">tamb\u00e9m<\/a> na Antena 3 fazer uma esp\u00e9cie de voluntariado em prol de pa\u00edses agredidos: \u201cEstaria dispon\u00edvel para <strong>ajudar pa\u00edses<\/strong> em risco de amea\u00e7a totalit\u00e1ria\u201d. A estrutura de campanha continua, e mesmo os membros da associa\u00e7\u00e3o c\u00edvica que apoia Henrique Gouveia e Melo, a rejeitar falar de outro cen\u00e1rio que n\u00e3o seja chegar a Bel\u00e9m. Resta saber qual \u00e9 estrat\u00e9gia do almirante para estes \u00faltimos dias.<\/p>\n<p>Henrique Gouveia e Melo tem puxado cada vez mais pelo seu lado militar. Se no in\u00edcio da candidatura tentava provar que era mais um cidad\u00e3o a exercer o direito (e dever) c\u00edvico de se candidatar \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, agora n\u00e3o tem problemas em acenar com o seu passado militar. Na ter\u00e7a-feira, pela primeira vez a partir do p\u00falpito, evocou <strong>o general Ramalho Eanes \u2014<\/strong>\u00a0o \u00faltimo Presidente da Rep\u00fablica militar. Estava num almo\u00e7o com apoiantes na Associa\u00e7\u00e3o de Fuzileiros do Barreiro, uma das muitas interven\u00e7\u00f5es onde tem contado hist\u00f3rias da Marinha.<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio almirante admitiu, em declara\u00e7\u00f5es ao Observador, que tenta \u201cmostrar \u00e0 popula\u00e7\u00e3o que ir\u00e1 votar que <strong>a minha prepara\u00e7\u00e3o militar pode ser uma mais-valia<\/strong> para a Rep\u00fablica, no sentido em que o Presidente \u00e9 o Comandante Supremo das For\u00e7as Armadas.\u201d O almirante costuma utilizar a met\u00e1fora do navio que n\u00e3o deixa ningu\u00e9m para tr\u00e1s para atacar, por exemplo, o neoliberalismo de Jo\u00e3o Cotrim Figueiredo.<\/p>\n<p>Ao puxar do seu passado militar n\u00e3o deixa de apelar ao voto de for\u00e7as de seguran\u00e7a, militares no ativo ou na reserva (seus pares) e tamb\u00e9m ex-combatentes. Uma das ocasi\u00f5es em que insistiu falar nesse \u00faltimo grupo foi quando disse na segunda-feira, num jantar com apoiantes em Alcoba\u00e7a, que \u201cPortugal portou-se mal com os seus antigos combatentes. Parte deles travou uma batalha errada. Mas n\u00e3o foi culpa deles, foi culpa dos pol\u00edticos. O Estado agora <strong>quer dar-lhes uma esmola, <\/strong>qualquer coisa inferior a 100 euros. \u00c9 melhor n\u00e3o dar esmola nenhuma, porque \u00e9 mais ofensiva essa esmola\u201d.<\/p>\n<p>Em Fafe, terra de Marques Mendes, Gouveia e Melo quase fazia a sua vers\u00e3o dos sonhos de menino, quando disse: \u201cHouve um mi\u00fado que aos 17 anos convenceu os pais a irem do Brasil para Portugal para prosseguir o sonho de servir as For\u00e7as Armadas (\u2026) <strong>Esse mi\u00fado era eu<\/strong>.\u201d<\/p>\n<p>O grupo de eleitores que Henrique Gouveia e Melo mais tem investido na segunda semana de campanha s\u00e3o\u00a0os idosos. Tamb\u00e9m em Alcoba\u00e7a foi particularmente enf\u00e1tico, confessando sentir-se indignado com as condi\u00e7\u00f5es em que vivem, apesar de ter visitado bons exemplos: \u201cTenho visitado muitos lares. E das coisas que mais me impressionam \u00e9 que ainda s\u00e3o dep\u00f3sitos de pessoas idosas.\u201d<\/p>\n<p>Gouveia e Melo pessoalizou at\u00e9 esse sofrimento ao projetar-se nessa situa\u00e7\u00e3o daqui a alguns anos: \u201cFere-me de tal maneira que, quando vou visitar,\u00a0fere-me pensar que um dia poderei acabar assim. J\u00e1 disse aos meus mais pr\u00f3ximos, se assim for, que me metam numa embarca\u00e7\u00e3o \u00e0 vela e que me deixem ir para o mar sossegado. \u00c9 mais digno.\u201d<\/p>\n<p>O almirante tem igualmente repetido, quando visita cada feira ou mercado, que fica \u201cchocado\u201d com o facto de encontrar pessoas com mais de 70 anos que t\u00eam de \u201ccontinuar a trabalhar\u201d porque as \u201cbaixas reformas\u201d n\u00e3o lhes permitem sobreviver. \u00c9 com os mais velhos que se det\u00e9m a falar mais tempo. E essa aten\u00e7\u00e3o \u00e9 muitas vezes correspondida. H\u00e1, de facto, manifesta\u00e7\u00f5es espont\u00e2neas na rua.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o s\u00f3. Ainda esta quarta-feira, enquanto visitava uma escola no concelho de Oeiras, uma professora fez uma v\u00eddeochamada com a m\u00e3e idosa. \u201c\u00d3 m\u00e3e, v\u00ea com quem estou aqui? \u00c9 o almirante\u201d. Do outro lado do telem\u00f3vel, apesar de um enquadramento de av\u00f3 em que h\u00e1 mais espa\u00e7o de parede e cara incompleta, a idosa garantia ir votar no almirante. \u00c9 o tal voto ainda silencioso.<\/p>\n<p>O \u00e2nimo da campanha tem-se mantido, ali\u00e1s, na cren\u00e7a de que existe um \u201cvoto camuflado\u201d, onde est\u00e3o milhares de pessoas a quem o almirante chamou \u201cmaioria silenciosa\u201d \u2014 e que escapa ao radar das sondagens. Os idosos ser\u00e3o claramente um desses grupos, acredita a m\u00e1quina de Gouveia e Melo. O pr\u00f3prio almirante disse ao Observador que acredita \u201cverdadeiramente que h\u00e1 uma parte do eleitorado [cujo sentido de voto] n\u00e3o se consegue perceber [nas sondagens]. S\u00f3 teremos verdadeiramente resultados concretos no dia 18.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Tudo por um plano A, mas n\u00e3o significa que n\u00e3o haja plano B. 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