{"id":229232,"date":"2026-01-15T00:31:20","date_gmt":"2026-01-15T00:31:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/229232\/"},"modified":"2026-01-15T00:31:20","modified_gmt":"2026-01-15T00:31:20","slug":"da-falta-de-combustivel-aos-sms-tardios-o-que-ja-se-concluiu-do-apagao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/229232\/","title":{"rendered":"Da falta de combust\u00edvel aos SMS tardios: O que j\u00e1 se concluiu do apag\u00e3o?"},"content":{"rendered":"<p>Quase nove meses depois, continuam por esclarecer muitos dos contornos do apag\u00e3o energ\u00e9tico de 28 de abril de 2025. Esta quarta-feira, foram ouvidos na na comiss\u00e3o parlamentar de Ambiente e Energia a Entidade Reguladora dos Servi\u00e7os Energ\u00e9ticos, a Autoridade Nacional de Prote\u00e7\u00e3o Civil e o Sistema Integrado de Redes de Emerg\u00eancia e Seguran\u00e7a de Portugal.<\/p>\n<p>O corte generalizado no abastecimento el\u00e9trico afetou Portugal e Espanha durante cerca de 11 horas.<\/p>\n<p>O painel de peritos europeus que investiga o incidente &#8211; a Rede Europeia de Gestores de Redes de Transporte de Eletricidade (ENTSO-E, na sigla em ingl\u00eas) &#8211; concluiu, no primeiro relat\u00f3rio factual sobre o assunto, que o apag\u00e3o foi provocado por uma sucess\u00e3o de desligamentos s\u00fabitos de produ\u00e7\u00e3o renov\u00e1vel, e subsequente perda de sincronismo com a rede continental europeia.<\/p>\n<p>No relat\u00f3rio, de 03 de outubro de 2025, o grupo classifica o incidente como de &#8220;escala 3&#8221; &#8211; o n\u00edvel mais grave previsto pela legisla\u00e7\u00e3o europeia &#8211; e descreve-o como &#8220;o mais significativo ocorrido no sistema el\u00e9trico europeu em mais de 20 anos&#8221;.<\/p>\n<p>                                                    A falta de combust\u00edvel nos hospitais, as pessoas presas em elevadores e as SMS tardias<\/p>\n<p>A Autoridade Nacional de Emerg\u00eancia e Prote\u00e7\u00e3o Civil (ANEPC) adiantou que uma das dificuldades <a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com\/pais\/2919466\/protecao-civil-aponta-falta-de-combustivel-em-hospitais-durante-apagao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">foi a falta de combust\u00edvel<\/a> para os geradores dos hospitais.<\/p>\n<p>Numa audi\u00e7\u00e3o pelo grupo de trabalho da comiss\u00e3o parlamentar de Ambiente e Energia para apurar o que aconteceu no dia do apag\u00e3o, o comandante nacional de emerg\u00eancia e prote\u00e7\u00e3o civil M\u00e1rio Silvestre disse aos deputados que foi ativado um plano de comunica\u00e7\u00e3o de crise em todos os comandos e que foi poss\u00edvel, por exemplo, fazer videochamadas com a REN &#8211; Redes Energ\u00e9ticas Nacionais.<\/p>\n<p>&#8220;Aquilo que n\u00f3s n\u00e3o sab\u00edamos foi que duas horas depois do evento havia hospitais sem combust\u00edveis para os geradores&#8221;, disse o comandante.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Manuel Moura, presidente da ANEPC, explicou que as \u00fanicas ocorr\u00eancias que aumentaram estiveram relacionadas com a abertura de portas de elevadores, contabilizando-se mais de 400 epis\u00f3dios de pessoas fechadas em elevadores.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0s mensagens enviadas pela ANEPC, que come\u00e7aram a chegar j\u00e1 quando a eletricidade come\u00e7ou a ser reposta, Jos\u00e9 Manuel Moura defendeu que a ANEPC fez tudo o que podia ter sido feito. &#8220;O que n\u00f3s pod\u00edamos fazer, nessa medida, foi feito. Foram carregados para o sistema mais 11 milh\u00f5es de mensagens&#8221;, referiu o presidente da ANEPC, esclarecendo que a decis\u00e3o de envio tardio ficou a cargo das operadoras de telecomunica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Sobre o conte\u00fado da mensagem, Jos\u00e9 Manuel Moura questionou: &#8220;O que \u00e9 que as pessoas queriam saber? Quando \u00e9 que voltava e o que aconteceu. Mas eram quest\u00f5es para um milh\u00e3o de d\u00f3lares&#8221;.<\/p>\n<p>                                                    SIRESP apontou o dedo aos privados<\/p>\n<p>Por sua vez, o representante do Sistema Integrado de Redes de Emerg\u00eancia e Seguran\u00e7a de Portugal (SIRESP) disse que as falhas de comunica\u00e7\u00f5es no apag\u00e3o <a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com\/pais\/2919446\/apagao-siresp-acusa-privados-de-terem-falhado-na-transmissao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">s\u00e3o da responsabilidade das operadoras privadas<\/a> e negou que tenham existido falhas no SIRESP, uma vez que a energia da rede que falhou foi substitu\u00edda por baterias.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o houve uma falha de energia do nosso lado. O que falhou foi a transmiss\u00e3o &#8211; a conectividade entre as torres e os transmissores&#8221;, explicou V\u00edtor Judicibus, que acrescentou que a transmiss\u00e3o que falhou est\u00e1 a cargo de operadores de telecomunica\u00e7\u00f5es privados.<\/p>\n<p>&#8220;A transmiss\u00e3o \u00e9 toda suportada atrav\u00e9s de redes comerciais. N\u00f3s n\u00e3o temos soberania sobre essas linhas de transmiss\u00e3o. Se tiv\u00e9ssemos tido transmiss\u00e3o, se essas conectividades n\u00e3o tivessem falhado, ter\u00edamos 80% de rede a funcionar&#8221;, esclareceu.<\/p>\n<p>Para V\u00edtor Judicibus, a solu\u00e7\u00e3o para ultrapassar estes constrangimentos passa por ter a soberania sobre a componente de transmiss\u00e3o.<\/p>\n<p>Em resposta aos deputados, o representante do SIRESP considerou ainda que &#8220;o 5G [5.\u00aa gera\u00e7\u00e3o de redes de telecomunica\u00e7\u00f5es m\u00f3veis], neste momento, \u00e9 um mito&#8221;. &#8220;N\u00e3o h\u00e1 5G para comunica\u00e7\u00f5es cr\u00edticas. Substituir o SIRESP \u00e9 algo que para n\u00f3s, SIRESP, n\u00e3o faz sentido&#8221;, acrescentou.<\/p>\n<p>                                                    Interromper interliga\u00e7\u00f5es? &#8220;N\u00e3o era assim que proteg\u00edamos os consumidores&#8221;<\/p>\n<p>Ouvido tamb\u00e9m no grupo de trabalho criado na Comiss\u00e3o de Ambiente e Energia da Assembleia da Rep\u00fablica, o presidente da ERSE defendeu que interromper interliga\u00e7\u00f5es com Espanha para evitar um apag\u00e3o energ\u00e9tico <a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com\/economia\/2919230\/apagao-interromper-interligacoes-nao-protegia-consumidores-diz-a-erse\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">n\u00e3o iria proteger os consumidores<\/a> portugueses, pois implicava ter &#8220;m\u00e1quinas el\u00e9tricas&#8221; em perman\u00eancia para substituir essa pot\u00eancia.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 evidente que evitar o apag\u00e3o em Espanha, evitar que ocorresse em Portugal, n\u00e3o era um custo eficaz, temos que ter consci\u00eancia disso&#8221;, disse Pedro Verdelho quando questionado sobre o que era poss\u00edvel fazer para evitar o incidente energ\u00e9tico.<\/p>\n<p>&#8220;Temos nove interliga\u00e7\u00f5es com Espanha. A capacidade t\u00e9cnica dessas interliga\u00e7\u00f5es \u00e9 superior \u00e0 nossa ponta de consumo&#8221;, vincou, para a seguir defender que &#8220;estar a imunizar essas interliga\u00e7\u00f5es&#8221; implicava, em alternativa, garantir reservas para assegurar que o sistema continuava a funcionar se um dos elementos falhasse, o que traria consequ\u00eancias para os consumidores.<\/p>\n<p>&#8220;Se assumimos que vamos interromper a interliga\u00e7\u00e3o para imunizar este fen\u00f3meno que aconteceu em Espanha, significava ter m\u00e1quinas el\u00e9tricas em Portugal em perman\u00eancia, em funcionamento, para substituir aquela pot\u00eancia de interliga\u00e7\u00e3o, o que de forma razo\u00e1vel [n\u00e3o era] aceit\u00e1vel. N\u00e3o era assim que proteg\u00edamos os consumidores&#8221;, advertiu.<\/p>\n<p>Na audi\u00e7\u00e3o, na qual foi questionado pelos deputados do PSD, PS, Chega, IL, Livre e PCP, o presidente da ERSE disse ainda que o regulador teve de tomar &#8220;uma s\u00e9rie de decis\u00f5es&#8221; relacionadas com o facto de, no dia do apag\u00e3o, a compra de energia para esse dia e para o dia seguinte j\u00e1 estar fechada.<\/p>\n<p>&#8220;Houve muitas outras decis\u00f5es que tiveram que ser tomadas, porque quando houve o &#8216;blackout&#8217; [apag\u00e3o], a compra e venda de energia nos mercados organizados j\u00e1 estava fechada para o dia 28 e para o dia 29&#8221;, disse.<\/p>\n<p>Com o apag\u00e3o, cerca das 11h30, &#8220;o que aconteceu [com a energia] realmente foi algo completamente diferente&#8221; e, por isso, &#8220;houve que tomar uma s\u00e9rie de decis\u00f5es para reverter essas situa\u00e7\u00f5es, para garantir a estabilidade do funcionamento do mercado &#8211; a estabilidade dos consumidores, a sustentabilidade do mercado em benef\u00edcio dos consumidores&#8221;, sublinhou.<\/p>\n<p>&#8220;Todas essas interven\u00e7\u00f5es foram tomadas pela ERSE em processos de consulta p\u00fablica que deram origem a uma s\u00e9rie de decis\u00f5es complexas&#8221;, frisou, referindo-se \u00e0 defini\u00e7\u00e3o dos c\u00e1lculos da energia comprada pelas comercializadoras antes do apag\u00e3o e que acabou por n\u00e3o ser consumida.<\/p>\n<p>                                                    <img decoding=\"async\" height=\"640\" with=\"360\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/naom_680ffbcda956d.jpg\" border=\"0\" alt=\"\"\/><\/p>\n<p>O abrandamento da instala\u00e7\u00e3o de energias renov\u00e1veis em 2025 afastou Portugal das metas clim\u00e1ticas, num ano marcado pela redu\u00e7\u00e3o da incorpora\u00e7\u00e3o renov\u00e1vel e pelo aumento da produ\u00e7\u00e3o a partir de g\u00e1s natural ap\u00f3s o apag\u00e3o, segundo a APREN.<\/p>\n<p>                                                     Lusa | 12:33 &#8211; 12\/01\/2026 <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Quase nove meses depois, continuam por esclarecer muitos dos contornos do apag\u00e3o energ\u00e9tico de 28 de abril de&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":229233,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[83],"tags":[88,89,90,32,33],"class_list":{"0":"post-229232","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-empresas","8":"tag-business","9":"tag-economy","10":"tag-empresas","11":"tag-portugal","12":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115896299201432663","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/229232","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=229232"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/229232\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/229233"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=229232"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=229232"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=229232"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}