{"id":229760,"date":"2026-01-15T10:45:13","date_gmt":"2026-01-15T10:45:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/229760\/"},"modified":"2026-01-15T10:45:13","modified_gmt":"2026-01-15T10:45:13","slug":"jennifer-lawrence-e-o-filme-autodestroem-se-observador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/229760\/","title":{"rendered":"Jennifer Lawrence e o filme autodestroem-se \u2013 Observador"},"content":{"rendered":"<p><strong>\u00c0 partida, Mata-te, Amor, parecia ter tudo para sair bem. Um casal de estrelas de cinema \u2013 Jennifer Lawrence e Robert Pattinson \u2013 que se revelaram e fizeram o seu nome em superprodu\u00e7\u00f5es e franchises de grandes est\u00fadios, mas que querem mostrar que t\u00eam vida e valor enquanto atores\u00a0em filmes fora do mainstream industrial assinados por realizadores respeitados;<\/strong> Sissy Spacek e Nick Nolte em pap\u00e9is secund\u00e1rios; Martin Scorsese entre os produtores; um argumento em que participaram duas dramaturgas, Alice Birch e Enda Walsh, com base num livro bem referenciado da argentina Ariana Harwicz, M\u00e1tate, Amor (2017), que o pr\u00f3prio Scorsese recomendou \u00e0 tamb\u00e9m produtora Lawrence; e realiza\u00e7\u00e3o da brit\u00e2nica Lynne Ramsay (Temos que Falar Sobre Kevin, Nunca Estiveste Aqui), que tamb\u00e9m colaborou no gui\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>[Veja o \u201ctrailer\u201d de \u201cMata-te, Amor\u201d:]<\/strong><\/p>\n<p>O resultado final: um filme catastr\u00f3fico. <strong>Um jovem casal, Grace (Lawrence) e Jackson (Pattinson) muda-se para o campo, para a casa de um tio deste, que se suicidou. Grace quer escrever um romance, mas fica gr\u00e1vida e tem que cuidar do beb\u00e9 e da casa, enquanto o marido (cujo emprego nunca fica bem claro, algo relacionado com m\u00fasica) fica longos per\u00edodos ausente.<\/strong> Um dia, Jackson oferece um c\u00e3o \u00e0 mulher para ela se sentir mais acompanhada, mas o presente tem o efeito oposto ao pretendido, porque o animal n\u00e3o p\u00e1ra de ladrar e de fazer disparates e porcarias em casa.<\/p>\n<p><strong>[Veja uma entrevista com a realizadora:]<\/strong><\/p>\n<p>A rapariga come\u00e7a a dar sinais de desconcerto metal e de desequil\u00edbrio emocional, seja por sofrer de depress\u00e3o p\u00f3s-parto, seja porque sente que a rela\u00e7\u00e3o sentimental e sexualmente intensa e recompensadora que tinha com o marido se perdeu e se sente frustrada, al\u00e9m de desconfiar que ele a pode andar a enganar. <strong>Grace mergulha ent\u00e3o numa espiral de agita\u00e7\u00e3o descontrolada e imprevis\u00edvel, que deixa estupefactos quer Jackson, quer o espectador: gritaria, comportamentos histri\u00f3nicos e animalescos, tentativas de automutila\u00e7\u00e3o, palavras e gestos violentos, alucina\u00e7\u00f5es, atitudes socialmente embara\u00e7osas. Pouco ou nada falta nesta ementa de clich\u00e9s do desatino f\u00edsico e do colapso psicol\u00f3gico extremo.<\/strong><\/p>\n<p><strong>[Veja Robert Pattinson e Jennifer Lawrence falarem sobre o filme:]<\/strong><\/p>\n<p><strong>A forma que Lynne Ramsay escolheu para nos fazer sentir aquilo por que a personagem est\u00e1 a passar, foi tornar o filme t\u00e3o insuport\u00e1vel para n\u00f3s como a situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 a ser para ela.<\/strong> A prova\u00e7\u00e3o de Grace passa assim tamb\u00e9m a ser a nossa, e infligida com uma insist\u00eancia, uma inclem\u00eancia e uma tal agressividade visual e sonora (para o que tamb\u00e9m contribui a interpreta\u00e7\u00e3o de Jennifer Lawrence, atirada aos lobos para explodir a seu bel-prazer para a c\u00e2mara, j\u00e1 que Pattinson praticamente desaparece de cena a certa altura), <strong>que acabam por mergulhar Grace, e a fita, primeiro no rid\u00edculo, e depois numa esp\u00e9cie de burlesco s\u00e1dico, com um final de onirismo pir\u00f3mano.<\/strong><\/p>\n<p><strong>[Veja uma sequ\u00eancia do filme:]<\/strong><\/p>\n<p>Mata-te Amor autodestr\u00f3i-se em simult\u00e2neo com a sua protagonista, e Ramsay deita fora n\u00e3o s\u00f3 o beb\u00e9 e a \u00e1gua do banho, como tamb\u00e9m a bacia e a canaliza\u00e7\u00e3o. <strong>O filme, a espa\u00e7os, faz-nos recordar Repulsa, de Roman Polanksi, com Catherine Deneuve, e Uma Mulher Sob Influ\u00eancia, de John Cassavetes, com Gena Rowlands,<\/strong> tamb\u00e9m eles sobre mulheres que perdem o norte perante o espanto e a impot\u00eancia daqueles que as rodeiam, o primeiro enveredando pelo terror psicol\u00f3gico, o segundo apostando no mais impenitente naturalismo. <strong>Mas ambos s\u00e3o infinitamente mais imaginativos e substanciais em termos de cinema e de drama, pelo que qualquer semelhan\u00e7a entre eles e esta pepineira desassossegada, cansativa e v\u00e3, \u00e9 pura coincid\u00eancia. <\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u00c0 partida, Mata-te, Amor, parecia ter tudo para sair bem. 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