{"id":229773,"date":"2026-01-15T10:54:19","date_gmt":"2026-01-15T10:54:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/229773\/"},"modified":"2026-01-15T10:54:19","modified_gmt":"2026-01-15T10:54:19","slug":"portugal-tem-finalmente-um-novo-plano-de-accao-para-economia-circular-economia-circular","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/229773\/","title":{"rendered":"Portugal tem finalmente um novo Plano de Ac\u00e7\u00e3o para Economia Circular | Economia Circular"},"content":{"rendered":"<p>Vem a\u00ed um novo Plano de Ac\u00e7\u00e3o para a Economia Circular (PAEC), um documento que pretende tra\u00e7ar os caminhos que Portugal deve trilhar at\u00e9 2030 para promover a vida \u00fatil dos produtos e valorizar recursos. Este objectivo, que implica desligar o crescimento econ\u00f3mico do consumo voraz de recursos e da produ\u00e7\u00e3o incessante de res\u00edduos, vem de m\u00e3os dadas com uma referida ambi\u00e7\u00e3o nacional (e europeia) de alcan\u00e7ar a neutralidade carb\u00f3nica at\u00e9 2050.<\/p>\n<p>O Governo <a href=\"https:\/\/www.portugal.gov.pt\/pt\/gc25\/governo\/comunicado-do-conselho-de-ministros?i=706\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">aprovou<\/a> em Conselho de Ministros, na quinta-feira, o documento que abrange o per\u00edodo entre 2025 e 2030 &#8211; ou seja, que j\u00e1 chega com um ano de atraso. O novo plano apresenta-se como a tentativa mais estruturada para transformar Portugal, pa\u00eds que o pr\u00f3prio documento descreve como tendo \u201cum metabolismo lento e de baixa produtividade dos recursos\u201d. A ambi\u00e7\u00e3o \u00e9 dotar o pa\u00eds de uma economia capaz de regenerar, reutilizar e valorizar aquilo que hoje ainda descarta.<\/p>\n<p>Portugal mant\u00e9m uma taxa de circularidade de apenas 2,8%, muito abaixo da m\u00e9dia europeia, e sustenta grande parte da riqueza em sectores materiais pesados, como a constru\u00e7\u00e3o, dependente dos minerais n\u00e3o met\u00e1licos que moldam estradas, edif\u00edcios e infra-estruturas. Mais de metade dos res\u00edduos urbanos produzidos pelos portugueses s\u00e3o actualmente <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2026\/01\/12\/azul\/noticia\/tres-milhoes-toneladas-residuos-acabam-aterros-anos-portugal-2160886\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">enviados para aterros<\/a> sanit\u00e1rios, que na sua maioria recebem<a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/11\/05\/azul\/noticia\/maioria-aterros-portugal-recebe-descargas-ilegais-emitindo-toneladas-metano-co2-excesso-2153143\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\"> descargas ilegais<\/a> e est\u00e3o pr\u00f3ximos do <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/03\/07\/azul\/noticia\/ha-aterros-podem-esgotarse-dois-anos-novo-plano-residuos-propoe-solucoes-2125168\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">limite da capacidade<\/a>.<\/p>\n<p>O plano parte do reconhecimento de que o ciclo anterior, terminado em 2020, ficou aqu\u00e9m do necess\u00e1rio, n\u00e3o por falta de inten\u00e7\u00e3o, mas por aus\u00eancia de instrumentos eficazes. As autoridades admitem no documento barreiras profundas: pol\u00edticas pouco alinhadas, financiamento insuficiente, resist\u00eancia dos consumidores e produtos concebidos para durar pouco.<\/p>\n<p>Por outro lado, o PAEC 2030 identifica pontos positivos emergentes, como a maior sensibiliza\u00e7\u00e3o p\u00fablica, a press\u00e3o da Uni\u00e3o Europeia por progressos e modelos tecnol\u00f3gicos capazes de impulsionar uma transi\u00e7\u00e3o \u201cregenerativa, eficiente, produtiva e inclusiva\u201d, l\u00ea-se no documento de mais de 200 p\u00e1ginas.<\/p>\n<p>Vales-repara\u00e7\u00e3o para aparelhos<\/p>\n<p>O PAEC 2030 desdobra-se em tr\u00eas escalas de interven\u00e7\u00e3o, a que os autores do documento chamaram macro, meso e micro. Nas medidas mais amplas, as chamadas ac\u00e7\u00f5es macro, o Governo prop\u00f5e mexer nos incentivos que moldam o comportamento econ\u00f3mico, estudando a aplica\u00e7\u00e3o de mecanismos fiscais que tornem mais acess\u00edveis produtos com o R\u00f3tulo Ecol\u00f3gico da Uni\u00e3o Europeia, bens em segunda m\u00e3o ou artigos que contenham mat\u00e9rias-primas secund\u00e1rias.<\/p>\n<p>Estes incentivos pretendem inverter uma l\u00f3gica de mercado onde o produto novo \u00e9 quase sempre mais barato do que reparar ou reutilizar. A ideia de criar vales de repara\u00e7\u00e3o, que permitam ao cidad\u00e3o ser reembolsado quando decide reparar um electrodom\u00e9stico ou um telem\u00f3vel (em vez de comprar um aparelho novo), \u00e9 referida no plano como um exemplo concreto de ferramenta para alterar esse padr\u00e3o de consumo.<\/p>\n<p>No dom\u00ednio da educa\u00e7\u00e3o, o plano prop\u00f5e que a economia circular deixe de ser apenas tema de <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2026\/01\/12\/azul\/noticia\/tres-milhoes-toneladas-residuos-acabam-aterros-anos-portugal-2160886\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">campanhas pontuais<\/a> e passe a integrar o curr\u00edculo escolar, desde o ensino b\u00e1sico ao superior, estimulando nos alunos um pensamento cr\u00edtico sobre o ciclo de vida dos produtos e a sobreexplora\u00e7\u00e3o de recursos.<\/p>\n<p>Nas compras p\u00fablicas, o Estado pretende reformular regras para que a aquisi\u00e7\u00e3o de bens e servi\u00e7os assente em crit\u00e9rios de circularidade, evitando gastos que geram res\u00edduos e escolhendo fornecedores que se comprometam com modelos circulares. A preocupa\u00e7\u00e3o com os recursos h\u00eddricos est\u00e1 igualmente presente no novo plano, com o fomento de projectos que permitam reutilizar \u00e1gua tratada para novos usos, diminuindo a press\u00e3o sobre as massas de \u00e1gua existentes.<\/p>\n<p>Hortas verticais hidrop\u00f3nicas<\/p>\n<p>J\u00e1 as medidas meso s\u00e3o dirigidas a sectores espec\u00edficos, procurando traduzir a circularidade em ac\u00e7\u00f5es tang\u00edveis. Est\u00e3o identificadas sete cadeias de valor consideradas priorit\u00e1rias para acelerar a transi\u00e7\u00e3o para a economia circular em Portugal: do sector dos <strong>equipamentos el\u00e9ctricos<\/strong> e electr\u00f3nicos aos pl\u00e1sticos, passando pela <strong>distribui\u00e7\u00e3o e retalho<\/strong>.<\/p>\n<p>O dom\u00ednio<strong> agro-alimentar<\/strong> \u00e9 apontado como \u00e1rea essencial para reduzir o desperd\u00edcio e reorganizar pr\u00e1ticas ao longo de toda a cadeia. O plano destaca a necessidade de rever a legisla\u00e7\u00e3o para agilizar a doa\u00e7\u00e3o de produtos alimentares, para que frutas, legumes e outros produtos com valor nutricional n\u00e3o terminem desnecessariamente no lixo. O plano prev\u00ea a cria\u00e7\u00e3o de kits para a instala\u00e7\u00e3o de hortas verticais hidrop\u00f3nicas nas cidades, que permitem produzir alimentos com menos \u00e1gua e menos solo.<\/p>\n<p>Na <strong>constru\u00e7\u00e3o<\/strong>, o sector mais intensivo em materiais, o PAEC 2030 antev\u00ea a possibilidade de tornar obrigat\u00f3ria a incorpora\u00e7\u00e3o de materiais reciclados em obras p\u00fablicas, ao mesmo tempo em que cogita passaportes digitais para materiais e edif\u00edcios, permitindo rastrear a origem, composi\u00e7\u00e3o e potencial de reutiliza\u00e7\u00e3o dos elementos usados numa obra.<\/p>\n<p>No <strong>turismo<\/strong>, a circularidade quer entrar pelos mecanismos formais de avalia\u00e7\u00e3o dos empreendimentos, atrav\u00e9s da inclus\u00e3o de requisitos espec\u00edficos nos seus sistemas de classifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O plano incentiva ainda simbioses industriais no <strong>sector t\u00eaxtil<\/strong>, imaginando situa\u00e7\u00f5es em que res\u00edduos da agricultura, como fibras vegetais, possam servir de mat\u00e9ria-prima para produtos t\u00eaxteis mais sustent\u00e1veis. E no retalho, um sector com forte influ\u00eancia sobre padr\u00f5es de consumo, equaciona-se premiar estabelecimentos que apostem na venda a granel ou na valoriza\u00e7\u00e3o de produtos em fim de vida comercial, mas ainda aptos para consumo.<\/p>\n<p>A cadeia dos <strong>pl\u00e1sticos<\/strong> \u00e9 tratada com particular urg\u00eancia. O plano descreve a necessidade de actuar desde o desenho dos produtos at\u00e9 ao fim de vida, eliminando pl\u00e1sticos de utiliza\u00e7\u00e3o \u00fanica \u201cproblem\u00e1ticos e\/ou desnecess\u00e1rios\u201d e promovendo alternativas circulares. Pretende-se ainda aumentar a reciclagem efectiva, evitando que embalagens que, em teoria, s\u00e3o recicl\u00e1veis mas que na pr\u00e1tica n\u00e3o o s\u00e3o.<\/p>\n<p>Banco comunit\u00e1rio de utens\u00edlios<\/p>\n<p>A terceira escala, a micro, remete para a vida concreta das cidades e das comunidades. Aqui, o PAEC 2030 assume que a transi\u00e7\u00e3o depende de um trabalho de proximidade com o cidad\u00e3o. A <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2021\/08\/16\/local\/noticia\/oito-autarquias-tentam-puxar-economia-circular-sector-construcao-1974054\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Iniciativa Nacional Cidades Circulares<\/a> vai continuar a proporcionar, segundo o documento, apoio t\u00e9cnico e financeiro para que os munic\u00edpios desenvolvam planos locais de ac\u00e7\u00e3o, adequados \u00e0s suas especificidades territoriais e sociais.<\/p>\n<p>O plano tamb\u00e9m contempla a cria\u00e7\u00e3o de bancos comunit\u00e1rios de bens de utiliza\u00e7\u00e3o ocasional, onde ferramentas, pequenos equipamentos ou utens\u00edlios dom\u00e9sticos podem ser partilhados entre vizinhos, reduzindo a necessidade de compra individual e prolongando a vida dos produtos. A aposta em centros locais de repara\u00e7\u00e3o refor\u00e7a esta l\u00f3gica de proximidade, tornando mais f\u00e1cil ao cidad\u00e3o reparar em vez de descartar.<\/p>\n<p>Relativamente aos sistemas de gest\u00e3o de res\u00edduos, o plano prop\u00f5e a experimenta\u00e7\u00e3o de modelos que penalizam ou beneficiam comportamentos do cidad\u00e3o. O modelo Pay As You Throw (PAYT), segundo o qual o utilizador paga apenas pelo lixo indiferenciado que produz, e o Receive As You Throw (RAYT), que oferece ganhos concretos a quem separa correctamente os res\u00edduos dom\u00e9sticos, s\u00e3o apresentados no documento como instrumentos capazes de modificar h\u00e1bitos e evidenciar o custo real do desperd\u00edcio.<\/p>\n<p>E quem gere tudo isso?<\/p>\n<p>Para acompanhar o plano, dever\u00e1 ser criado um modelo de governan\u00e7a que reparte responsabilidades entre um Comit\u00e9 Coordenador, com fun\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas, e uma Comiss\u00e3o T\u00e9cnica de Acompanhamento e An\u00e1lise para o Financiamento, que monitoriza a execu\u00e7\u00e3o f\u00edsica e financeira e identifica apoios dispon\u00edveis.<\/p>\n<p>O documento n\u00e3o ignora a depend\u00eancia de fundos p\u00fablicos e privados, lembrando que \u201ca assun\u00e7\u00e3o de compromissos depende da exist\u00eancia de dota\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel\u201d. O financiamento poder\u00e1 vir, refere o PAEC 2030, de programas europeus como o Horizonte Europa, o LIFE, o Portugal 2030 e tamb\u00e9m do Plano de Recupera\u00e7\u00e3o e Resili\u00eancia, que inclui verbas espec\u00edficas para descarboniza\u00e7\u00e3o industrial e bioeconomia. Dito de outro modo, o sucesso do plano depender\u00e1 sempre da capacidade de mobilizar fundos nacionais e europeus.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Vem a\u00ed um novo Plano de Ac\u00e7\u00e3o para a Economia Circular (PAEC), um documento que pretende tra\u00e7ar os&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":229774,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[8],"tags":[785,27,28,476,4402,15,16,14,25,26,21,22,12,13,19,20,8990,32,23,24,33,11566,6267,31189,3204,17,18,29,30,31],"class_list":["post-229773","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-principais-noticias","tag-azul","tag-breaking-news","tag-breakingnews","tag-economia","tag-economia-circular","tag-featured-news","tag-featurednews","tag-headlines","tag-latest-news","tag-latestnews","tag-main-news","tag-mainnews","tag-news","tag-noticias","tag-noticias-principais","tag-noticiasprincipais","tag-plasticos","tag-portugal","tag-principais-noticias","tag-principaisnoticias","tag-pt","tag-reciclagem","tag-residuos","tag-residuos-urbanos","tag-sustentabilidade","tag-top-stories","tag-topstories","tag-ultimas","tag-ultimas-noticias","tag-ultimasnoticias"],"share_on_mastodon":{"url":"","error":"Validation failed: Text character limit of 500 exceeded"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/229773","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=229773"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/229773\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/229774"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=229773"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=229773"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=229773"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}