{"id":22987,"date":"2025-08-10T00:10:14","date_gmt":"2025-08-10T00:10:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/22987\/"},"modified":"2025-08-10T00:10:14","modified_gmt":"2025-08-10T00:10:14","slug":"essa-culpa-ainda-vive-em-mim-como-a-bomba-atomica-largada-pelos-eua-sobre-nagasaki-destruiu-a-compreensao-da-maternidade-no-japao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/22987\/","title":{"rendered":"&#8220;Essa culpa ainda vive em mim&#8221;. Como a bomba at\u00f3mica largada pelos EUA sobre Nagasaki destruiu a compreens\u00e3o da maternidade no Jap\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>\t                Kikuyo Nakamura e Mitsuko Yoshimura sabem que n\u00e3o t\u00eam muito mais tempo de vida. Mas isso d\u00e1-lhes maior urg\u00eancia em educar as gera\u00e7\u00f5es mais jovens sobre os custos de uma guerra nuclear<\/p>\n<p>Quando o filho adulto de Kikuyo Nakamura descobriu caro\u00e7os nas costas, ela presumiu que fossem apenas erup\u00e7\u00f5es cut\u00e2neas.<\/p>\n<p>Ainda assim, incentivou-o a ir ao hospital \u2014 melhor prevenir do que remediar.<\/p>\n<p>Hiroshi, o seu segundo filho, nasceu em 1948, tr\u00eas anos ap\u00f3s os EUA terem lan\u00e7ado uma bomba at\u00f3mica em Nagasaki. Como sobrevivente do bombardeamento, Nakamura temia h\u00e1 muito tempo que pudesse transmitir problemas de sa\u00fade aos filhos.<\/p>\n<p>Em 2003, aos 55 anos, Hiroshi foi ao hospital. Passaram dois dias sem nenhuma not\u00edcia. Depois tr\u00eas. Depois, uma semana.<\/p>\n<p>Por fim, Nakamura foi ao hospital, onde o filho lhe disse &#8220;eles v\u00e3o fazer mais exames&#8221;, conta \u00e0 CNN.<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"342\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/68971fa4d34ef72ee4494238.webp\" width=\"600\"\/> <\/p>\n<p>   Kikuyo Nakamura, hoje com 101 anos, acredita que passou cancro ao filho, ap\u00f3s um m\u00e9dico ter sugerido que a radia\u00e7\u00e3o passou atrav\u00e9s do leite materno foto: Futa Nagao, CNN <\/p>\n<p>Os resultados mostraram que ele tinha leucemia em est\u00e1gio 4 \u2014 um cancro no sangue em est\u00e1gio avan\u00e7ado que j\u00e1 se tinha espalhado para outras partes do corpo. Segundo Nakamura, o m\u00e9dico disse-lhe que ela tinha passado cancro para o filho \u2013 sugerindo que a radia\u00e7\u00e3o que causou o cancro foi transmitida pela amamenta\u00e7\u00e3o quando ele era beb\u00e9.<\/p>\n<p>Quando Hiroshi morreu, seis meses depois, a sua m\u00e3e acreditou que o havia matado. \u00c9 um pensamento que ainda a assombra, mais de duas d\u00e9cadas depois.<\/p>\n<p>\u201cEu estava tomada pela culpa e pelo sofrimento&#8230; Mesmo agora, ainda acredito no que o m\u00e9dico disse, que eu causei o cancro&#8221;, partilha Nakamura, agora com 101 anos. &#8220;Essa culpa ainda vive em mim.\u201d<\/p>\n<p> <img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/1754784610_978_f_webp.webp\" width=\"600\"\/> <\/p>\n<p>   O filho de Kikuyo, Hiroshi, nasceu tr\u00eas anos depois de os EUA lan\u00e7arem uma bomba at\u00f3mica contra Nagasaki foto: Futa Nagao, CNN\/Cortesia de Kikuyo Nakamura <\/p>\n<p>As mulheres que s\u00e3o expostas \u00e0 radia\u00e7\u00e3o nuclear s\u00e3o geralmente incentivadas a interromper a amamenta\u00e7\u00e3o imediatamente ap\u00f3s uma explos\u00e3o at\u00f3mica. Mas especialistas afirmam que n\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancias concretas de que os &#8220;hibakusha&#8221; de primeira gera\u00e7\u00e3o \u2013 sobreviventes da bomba at\u00f3mica da II Guerra Mundial \u2013 possam transmitir material cancer\u00edgeno para os seus filhos, anos ap\u00f3s a exposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na semana em que se assinala o 80.\u00ba anivers\u00e1rio dos bombardeamentos americanos de Hiroshima e Nagasaki, sobreviventes idosos \u2013 alguns, como Nakamura, com mais de 100 anos \u2013 partilham as suas hist\u00f3rias de sofrimento e resili\u00eancia, enquanto ainda podem.<\/p>\n<p>Muitos dos sobreviventes eram mulheres jovens, gr\u00e1vidas ou em idade f\u00e9rtil, quando as bombas ca\u00edram e viveram grande parte de suas vidas sob uma forte sombra de medo e estigma.<\/p>\n<p>M\u00e9dicos, vizinhos e at\u00e9 mesmo amigos e familiares disseram-lhes que sua exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 radia\u00e7\u00e3o nuclear poderia lev\u00e1-las a ter filhos com doen\u00e7as ou defici\u00eancias \u2013 isto se conseguissem sequer conceber.<\/p>\n<p> <img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/1754784610_851_f_webp.webp\" width=\"600\"\/> <\/p>\n<p>   As mulheres hibakusha \u2014 a palavra japonesa para sobreviventes da bomba at\u00f3mica \u2014 enfrentavam um estigma severo, muitas vezes culpadas pela infertilidade ou defici\u00eancias n\u00e3o relacionadas com a radia\u00e7\u00e3o foto: Ex\u00e9rcito dos EUA\/Cortesia do Museu da Bomba At\u00f3mica de Nagasaki <\/p>\n<p>Mesmo quando a infertilidade ou a defici\u00eancia de um filho n\u00e3o tinham nada a ver com a exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 radia\u00e7\u00e3o, as mulheres hibakusha sentiam-se frequentemente culpadas e rejeitadas.<\/p>\n<p>Aquelas com cicatrizes vis\u00edveis das explos\u00f5es enfrentaram barreiras para o casamento. Feridas f\u00edsicas eram mais dif\u00edceis de esconder \u2014 e uma prova mais clara da exposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>E numa \u00e9poca da sociedade em que o valor da mulher estava intimamente ligado ao casamento e \u00e0 maternidade, esse estigma era particularmente pernicioso.<\/p>\n<p>Isso fez com que um grande n\u00famero de mulheres sobreviventes \u2014 muitas das quais sofriam de TSPT (transtorno de stress p\u00f3s-traum\u00e1tico) \u2014 &#8220;escondessem o facto de serem hibakusha&#8221;, de acordo com Masahiro Nakashima, professor de estudos sobre radia\u00e7\u00e3o na Universidade de Nagasaki.<\/p>\n<p>&#8220;Numa sociedade como a japonesa \u2014 onde a discrimina\u00e7\u00e3o de g\u00e9nero e a domina\u00e7\u00e3o masculina est\u00e3o profundamente enraizadas \u2014 as mulheres foram especialmente afetadas pela radia\u00e7\u00e3o&#8221;, diz Nakashima \u00e0 CNN.<\/p>\n<p>A bomba de Nagasaki teve um impacto duradouro nas mulheres atingidas pela explos\u00e3o <\/p>\n<p><strong>Todos os sobreviventes das bombas at\u00f3micas no Jap\u00e3o receberam cart\u00f5es de identidade do governo. Mitsuko Yoshimura trabalhava na f\u00e1brica da Mitsubishi Arms em Nagasaki quando a bomba detonou, a 1,1 km de dist\u00e2ncia, segundo o seu cart\u00e3o de identidade. Kikuyo Nakamura estava a aproximadamente 5 a 6 km do local onde caiu a bomba, fora da cidade.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Dist\u00e2ncias de efeito da bomba at\u00f3mica em Nagasaki em 9 de agosto de 1945<\/strong><\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"442\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/68971dc4d34ef72ee4494230.webp\" width=\"600\"\/><br \/>\n  Nota: localiza\u00e7\u00f5es aproximadas das sobreviventes. Os edif\u00edcios e estradas refletem a Nagasaki dos tempos modernos<br \/>* a radia\u00e7\u00e3o \u00e9 medida em rem&#8217;s. Espera-se que uma dose de 500 rem mate metade das pessoas expostas no espa\u00e7o de um m\u00eas.<\/p>\n<p>Fontes:\u00a0<a href=\"https:\/\/nuclearsecrecy.com\/nukemap\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">NukeMap<\/a>, Futa Nagao (fotos)<br \/>Gr\u00e1fico: Soph Warnes, CNN<\/p>\n<p>Feridas para a vida <\/p>\n<p>A exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 radia\u00e7\u00e3o afetou alguns sobreviventes da segunda gera\u00e7\u00e3o, dependendo do momento da gravidez.<\/p>\n<p>O per\u00edodo embrion\u00e1rio \u2014 geralmente entre a 5.\u00aa e a 15.\u00aa semana \u2014 \u00e9 especialmente sens\u00edvel para o desenvolvimento do c\u00e9rebro e dos \u00f3rg\u00e3os do feto. Mulheres expostas \u00e0 radia\u00e7\u00e3o durante esse per\u00edodo apresentaram maior risco de dar \u00e0 luz crian\u00e7as com defici\u00eancia intelectual, problemas neurol\u00f3gicos e microcefalia, uma condi\u00e7\u00e3o caracterizada por cabe\u00e7a pequena e comprometimento da fun\u00e7\u00e3o cerebral, de acordo com <a href=\"http:\/\/www.rerf.or.jp\/en\/library\/archives-en\/scientific_pub\/trtoc-en\/tr1991-en\/tr9113-en\/?utm_source=chatgpt.com\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">estudos<\/a> da Funda\u00e7\u00e3o de Investiga\u00e7\u00e3o dos Efeitos da Radia\u00e7\u00e3o (RERF) conjunta Jap\u00e3o-EUA \u2014 sucessora da Comiss\u00e3o de V\u00edtimas da Bomba At\u00f3mica, formada logo ap\u00f3s a II Guerra Mundial.<\/p>\n<p>Outros estudos mostram que as mulheres hibakusha tamb\u00e9m enfrentavam riscos para a sa\u00fade a longo prazo.<\/p>\n<p>Um estudo da RERF de 2012 descobriu que <a href=\"http:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/22908358\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">a exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 radia\u00e7\u00e3o de uma bomba at\u00f3mica aumenta o risco de cancro para o resto da vida<\/a>. As taxas de cancro s\u00f3lido em mulheres aos 70 anos aumentaram 58% para cada gray de radia\u00e7\u00e3o absorvido pelos seus corpos aos 30 anos. Um gray \u00e9 uma unidade que mede a quantidade de energia de radia\u00e7\u00e3o que um corpo ou objeto absorve. Para os homens, as taxas de cancro s\u00f3lido aumentaram 35%.<\/p>\n<p> <img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/1754784611_62_f_webp.webp\" width=\"600\"\/> <\/p>\n<p>   Para as mulheres hibakusha, o estigma foi particularmente cruel numa sociedade que liga o seu valor diretamente ao casamento e \u00e0 maternidade\u00a0foto: Ex\u00e9rcito dos EUA\/Cortesia do Museu da Bomba At\u00f3mica de Nagasaki <\/p>\n<p>Nakamura tinha 21 anos e pendurava roupas do lado de fora da janela por volta das 11h quando a bomba caiu em Nagasaki, a 9 de agosto de 1945. Conta\u00a0que estava a 5 quil\u00f3metros do epicentro \u2013 um pouco al\u00e9m do que os especialistas chamam de <a href=\"http:\/\/www.atomicarchive.com\/resources\/documents\/med\/med_chp3.html\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">\u00e1rea de &#8220;destrui\u00e7\u00e3o total&#8221;<\/a>.<\/p>\n<p>A jovem m\u00e3e viu uma luz brilhante, seguida de um estrondo e de uma forte rajada de vento que a lan\u00e7ou para o ar. Quando recuperou a consci\u00eancia, a sua casa estava destru\u00edda \u2014 m\u00f3veis espalhados por toda parte e cacos de vidro cobriam o ch\u00e3o. Nakamura chamou a pr\u00f3pria m\u00e3e, que a ajudava a cuidar do filho mais velho.<\/p>\n<p>Aliviada por n\u00e3o estarem fisicamente feridos, a fam\u00edlia fugiu para um abrigo antia\u00e9reo. S\u00f3 no dia seguinte Nakamura percebeu a dimens\u00e3o da destrui\u00e7\u00e3o. Parentes que moravam perto da Universidade de Nagasaki, mais perto da explos\u00e3o, morreram.<\/p>\n<p>Nakamura afirma n\u00e3o ter sofrido nenhum efeito da exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 radia\u00e7\u00e3o. Quatro anos depois, removeram-lhe o \u00fatero e, aos 70 anos, os m\u00e9dicos encontraram um tumor no seu abd\u00f3men, mas os m\u00e9dicos disseram-lhe que nenhum dos problemas estava relacionado com o bombardeamento, conta.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/68971d9fd34e3f0baea172fe.webp\"\/><\/p>\n<p>O trauma psicol\u00f3gico, no entanto, acompanha-a desde ent\u00e3o.<\/p>\n<p>Envergonhada da sua pr\u00f3pria exposi\u00e7\u00e3o, ela temia que o estigma tamb\u00e9m passasse para os seus netos.<\/p>\n<p>\u201cSe as pessoas soubessem que o meu filho morreu de leucemia, especialmente antes de eles [netos] se casarem, outros poderiam n\u00e3o querer casar-se com eles&#8221;, partilha Nakamura. &#8220;Certifiquei-me de que os meus filhos entendiam isso. Mantivemos isso em fam\u00edlia e n\u00e3o cont\u00e1mos a ningu\u00e9m como ele morreu.\u201d<\/p>\n<p>Mas, encorajada por outros sobreviventes, finalmente falou publicamente sobre o cancro do filho em 2006, tr\u00eas anos ap\u00f3s a sua morte.<\/p>\n<p>\u201cRecebi telefonemas e at\u00e9 cartas de pessoas que ouviram a minha hist\u00f3ria. Isso fez-me perceber a gravidade da quest\u00e3o dos efeitos heredit\u00e1rios na sa\u00fade em Hiroshima e Nagasaki\u201d, adianta.<\/p>\n<p>Mesmo sabendo agora que \u00e9 improv\u00e1vel que tenha sido ela a causar o cancro do filho, diz que, como m\u00e3e, o sentimento de culpa \u00e9 um fardo que carregar\u00e1 para sempre.<\/p>\n<p>\u201cAinda sinto muito. Continuo a pedir-lhe desculpas. Digo: \u2018Perdoa-me\u2019.\u201d<\/p>\n<p>As crian\u00e7as que nunca vieram <\/p>\n<p> <img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/1754784613_517_f_webp.webp\" width=\"600\"\/> <\/p>\n<p>   Mitsuko Yoshimura, hoje com 102 anos, sempre sonhou em ter uma grande fam\u00edlia \u2014 mas nunca conseguiu ter filhos foto: Futa Nagao, CNN <\/p>\n<p>O fardo singular da maternidade hibakusha \u00e9 algo que Mitsuko Yoshimura, agora com 102 anos, nunca carregou.<\/p>\n<p>Separada dos pais e da irm\u00e3 ainda jovem, sempre desejou ter uma fam\u00edlia. Mudou-se para Nagasaki em busca de um bom emprego no departamento de tesouraria da Mitsubishi \u2014 poucos meses antes de os EUA lan\u00e7arem a bomba, transformando a cidade num inferno na Terra.<\/p>\n<p>&#8220;Quando cheguei \u00e0 estrada, havia pessoas com sangue a jorrar da cabe\u00e7a, pessoas com a pele arrancada das costas&#8221;, recorda.<\/p>\n<p> <img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/1754784613_136_f_webp.webp\" width=\"600\"\/> <\/p>\n<p>   Yoshimura casou com um outro sobrevivente do bombardeamento um an\u00f3 depois do final da II Guerra Mundial, na esperan\u00e7a de um novo come\u00e7o\u00a0foto: Futa Nagao, CNN\/Cortesia de Mitsuko Yoshimura <\/p>\n<p>Estando a apenas um quil\u00f3metro do epicentro da explos\u00e3o, a sua sobreviv\u00eancia foi um verdadeiro milagre. Nos meses seguintes, ficou para tr\u00e1s para ajudar os feridos. Mas o seu corpo tamb\u00e9m sofreu.<\/p>\n<p>&#8220;O meu cabelo caiu. Sempre que eu tentava pente\u00e1-lo com as m\u00e3os, fios sa\u00edam aos poucos&#8221;, diz Yoshimura. Tamb\u00e9m vomitou sangue regularmente ao longo de meses ap\u00f3s a explos\u00e3o.<\/p>\n<p>Ainda assim, resistiu. Casou-se um ano ap\u00f3s o fim da guerra. O seu marido era um sobrevivente da bomba at\u00f3mica, tal como ela, e o casamento marcou um novo come\u00e7o para o casal.<\/p>\n<p>Mas o filho que tanto desejavam nunca nasceu. Teve dois abortos espont\u00e2neos e um nado-morto.<\/p>\n<p> <img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/1754784614_708_f_webp.webp\" width=\"600\"\/> <\/p>\n<p>   A sobrinha-neta de Yoshimura, Saori Hayasaki, uma sobrevivente de terceira gera\u00e7\u00e3o, aprende sobre o passado de sua fam\u00edlia com ela foto: Futa Nagao, CNN <\/p>\n<p>Hoje, Yoshimura mora sozinha; o seu marido faleceu h\u00e1 anos. Na sua casa em Nagasaki, onde se encontram fotos de filhos e netos, h\u00e1 bonecas \u2014 um substituto silencioso para o que foi perdido, diz.<\/p>\n<p>Com a sua idade not\u00e1vel, Nakamura e Yoshimura sabem que n\u00e3o t\u00eam muito mais tempo de vida. Mas isso d\u00e1-lhes maior urg\u00eancia em educar as gera\u00e7\u00f5es mais jovens sobre o custo de uma guerra nuclear.<\/p>\n<p>\u201cAs pessoas precisam mesmo de pensar com cuidado. O que \u00e9 que a vit\u00f3ria ou a derrota trazem? Querer expandir o territ\u00f3rio de um pa\u00eds, querer que um pa\u00eds conquiste mais poder, o que \u00e9 que as pessoas buscam exatamente com isso?\u201d, questiona Nakamura. \u201cEu n\u00e3o entendo. Mas o que eu sinto profundamente \u00e9 a completa insensatez da guerra.\u201d<\/p>\n<p>Cr\u00e9ditos <\/p>\n<p data-article-gutter=\"true\" data-component-name=\"paragraph\" data-editable=\"text\" data-uri=\"cms.cnn.com\/_components\/paragraph\/instances\/cmdzr2td8002o3b6rpkxgu6w5@published\"><strong>Jornalista<\/strong><\/p>\n<p data-article-gutter=\"true\" data-component-name=\"paragraph\" data-editable=\"text\" data-uri=\"cms.cnn.com\/_components\/paragraph\/instances\/cmdzr2td8002p3b6r57ure45q@published\">Hanako Montgomery<\/p>\n<p data-article-gutter=\"true\" data-component-name=\"paragraph\" data-editable=\"text\" data-uri=\"cms.cnn.com\/_components\/paragraph\/instances\/cmdzr2td8002q3b6rjycj6jno@published\"><strong>Editores<\/strong><\/p>\n<p data-article-gutter=\"true\" data-component-name=\"paragraph\" data-editable=\"text\" data-uri=\"cms.cnn.com\/_components\/paragraph\/instances\/cmdzr2td8002r3b6rx1yc3huf@published\">Sheena McKenzie, Todd Symons<\/p>\n<p data-article-gutter=\"true\" data-component-name=\"paragraph\" data-editable=\"text\" data-uri=\"cms.cnn.com\/_components\/paragraph\/instances\/cmdzr2td8002s3b6rmcccyxyd@published\"><strong>Produtor<\/strong><\/p>\n<p data-article-gutter=\"true\" data-component-name=\"paragraph\" data-editable=\"text\" data-uri=\"cms.cnn.com\/_components\/paragraph\/instances\/cmdzr2td8002t3b6rg54jbokn@published\">Junko Ogura<\/p>\n<p data-article-gutter=\"true\" data-component-name=\"paragraph\" data-editable=\"text\" data-uri=\"cms.cnn.com\/_components\/paragraph\/instances\/cmdzr2td8002u3b6ruo1y2k0w@published\"><strong>Produtor de v\u00eddeo s\u00e9nior<\/strong><\/p>\n<p data-article-gutter=\"true\" data-component-name=\"paragraph\" data-editable=\"text\" data-uri=\"cms.cnn.com\/_components\/paragraph\/instances\/cmdzr2td8002v3b6r6vffg8qf@published\">Ladan Anoushfar<\/p>\n<p data-article-gutter=\"true\" data-component-name=\"paragraph\" data-editable=\"text\" data-uri=\"cms.cnn.com\/_components\/paragraph\/instances\/cmdzr2td8002y3b6r6egr2ulq@published\"><strong>Editora visual<\/strong><\/p>\n<p data-article-gutter=\"true\" data-component-name=\"paragraph\" data-editable=\"text\" data-uri=\"cms.cnn.com\/_components\/paragraph\/instances\/cmdzr2td800303b6r1yojzh5k@published\">Carlotta Dotto<\/p>\n<p data-article-gutter=\"true\" data-component-name=\"paragraph\" data-editable=\"text\" data-uri=\"cms.cnn.com\/_components\/paragraph\/instances\/cmdzr2td8002w3b6rz5noq3pw@published\"><strong>Editores de v\u00eddeo<\/strong><\/p>\n<p data-article-gutter=\"true\" data-component-name=\"paragraph\" data-editable=\"text\" data-uri=\"cms.cnn.com\/_components\/paragraph\/instances\/cmdzr2td8002x3b6r845xhal5@published\">Estefania Rodriguez, Daishi Kusunoki<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Kikuyo Nakamura e Mitsuko Yoshimura sabem que n\u00e3o t\u00eam muito mais tempo de vida. 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