{"id":229880,"date":"2026-01-15T12:25:07","date_gmt":"2026-01-15T12:25:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/229880\/"},"modified":"2026-01-15T12:25:07","modified_gmt":"2026-01-15T12:25:07","slug":"rappers-da-linha-de-sintra-fora-da-radio-e-tv-mas-com-milhoes-no-digital","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/229880\/","title":{"rendered":"Rappers da Linha de Sintra fora da r\u00e1dio e TV, mas com milh\u00f5es no digital"},"content":{"rendered":"<p>&#8220;N\u00f3s n\u00e3o t\u00ednhamos acesso a &#8216;managers&#8217; [empres\u00e1rios], n\u00e3o t\u00ednhamos acesso \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o; ent\u00e3o, n\u00f3s vend\u00edamos os nossos trabalhos de m\u00e3o em m\u00e3o&#8221;, vestidos &#8220;com aquelas roupas largas&#8221;, imagem dos artistas da m\u00fasica urbana, que engloba estilos como o rap e o hip-hop, conta \u00e0 Lusa o m\u00fasico Prod\u00edgio, nome art\u00edstico de Osvaldo Moniz.<\/p>\n<p>O rapper, de 37 anos, nasceu em Angola, mas cedo veio viver para Queluz, na Linha de Sintra, onde criou os seus primeiros sucessos. Muitos deles tiveram como temas &#8220;\u00e1lcool, mi\u00fadas, um bocadinho de bo\u00e9mia&#8221;, o que ter\u00e1, na sua opini\u00e3o, contribu\u00eddo para alguma penaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;A gente n\u00e3o passava na r\u00e1dio&#8221; e &#8220;n\u00e3o \u00e9ramos bem-vindos na televis\u00e3o&#8221;, conta.<\/p>\n<p>O produtor musical Daus, nome art\u00edstico de Pedro Silva, confirma. &#8220;Os rapazes que v\u00eam do urbano est\u00e3o habituados a fazer com pouco. Ent\u00e3o, criaram mecanismos e foi tudo criado \u00e0 volta do n\u00e3o ter, de n\u00e3o contar com esse lado&#8221;, quer a parte televisiva, quer a r\u00e1dio.<\/p>\n<p>&#8220;Normalmente, um artista urbano come\u00e7a a explodir no pr\u00f3prio meio dele, na zona onde mora. Depois, vai se alimentando por a\u00ed, neste caso na Linha de Sintra, se for preciso&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Em declara\u00e7\u00f5es \u00e0 Lusa, acrescenta que estes artistas se acostumaram &#8220;a n\u00e3o ter qualquer tipo de apoio&#8221; na divulga\u00e7\u00e3o em meios tradicionais.<\/p>\n<p>Mas as portas est\u00e3o agora semiabertas, at\u00e9 porque este estilo musical come\u00e7ou a ser visto como capitaliz\u00e1vel, o que \u00e9 facilmente percet\u00edvel pelas milh\u00f5es de audi\u00e7\u00f5es e visualiza\u00e7\u00f5es que os rappers acumulam nas plataformas digitais.<\/p>\n<p>E para isso h\u00e1 meios que n\u00e3o podem falhar, como o Spotify, um servi\u00e7o de m\u00fasica, podcast e v\u00eddeo digital que d\u00e1 acesso a milh\u00f5es de m\u00fasicas e a outros conte\u00fados de criadores de todo o mundo. Mas tamb\u00e9m o YouTube, hoje com menos relev\u00e2ncia, mas ainda assim um canal importante para a carreira do artista.<\/p>\n<p>A r\u00e1dio continua a ser um bom canal para a parte de exposi\u00e7\u00e3o do artista, bem como os festivais, que deviam estar mais abertos a estes talentos, que enchem salas, mas ainda assim s\u00e3o desvalorizados em rela\u00e7\u00e3o aos que v\u00eam de fora, diz.<\/p>\n<p>Muitos destes &#8220;soldados urbanos&#8221; j\u00e1 vivem totalmente da m\u00fasica, como Ivandro. O seu tema &#8220;Lua&#8221;, single lan\u00e7ado em 2022, permitiu ao cantor e compositor nascido em Angola e criado na Linha de Sintra alcan\u00e7ar um feito que coube a poucos, ao atingir um Disco de Diamante, s\u00f3 poss\u00edvel ap\u00f3s 80.000 vendas e &#8216;streams&#8217; (audi\u00e7\u00e3o ou visualiza\u00e7\u00e3o pela internet).<\/p>\n<p>O seu primeiro \u00e1lbum (&#8220;Trovador&#8221;, 2024) teve mais de 100 milh\u00f5es de &#8216;streams&#8217;, sendo tamb\u00e9m Diamante, mas os primeiros passos na m\u00fasica foram dados ainda na escola de Mem Martins, onde agora sempre que regressa \u00e9 recebido por um batalh\u00e3o de f\u00e3s.<\/p>\n<p>Ivandro tem uma agenda cheia de espet\u00e1culos. Tal como T-Rex (Daniel), que cresceu em Monte Abra\u00e3o e recorda os primeiros passos na m\u00fasica, sentado numa cadeira no seu quarto e a usar um microfone comprado &#8220;no chin\u00eas&#8221;.<\/p>\n<p>Desde que viu a sua m\u00fasica transformar-se em dinheiro que entendeu que iria alcan\u00e7ar os objetivos financeiros. Os seus f\u00e3s ajudaram esse prop\u00f3sito e, em 2023, o seu \u00e1lbum de estreia (&#8220;Cor D`\u00c1gua&#8221;) foi o mais ouvido, tendo j\u00e1 recebido v\u00e1rios Discos de Ouro e Platina.<\/p>\n<p>Aos 28 anos, conta hoje com &#8220;pessoas capacitadas&#8221; para o ajudar a ganhar a vida com a m\u00fasica, seja atrav\u00e9s dos &#8216;streams&#8217;, dos concertos ou dos direitos de autor. E com a f\u00e9, que acredita ser o motor de todos os sonhos.<\/p>\n<p>O rapper Landim, 37 anos, assistiu \u00e0 explos\u00e3o do rap em Mem Martins e lembra-se bem dos primeiros tempos, quando os recursos eram nenhuns, mas a criatividade sobrava.<\/p>\n<p>\u00c0 Lusa, conta que o &#8216;freestyle&#8217; (improviso de rimas na hora) sempre funcionou como um exerc\u00edcio de ajuda \u00e0 criatividade.<\/p>\n<p>&#8220;Hoje em dia, em poucos minutos, consegues fazer uma m\u00fasica com o telefone, com dois ou tr\u00eas &#8216;gadgets&#8217; [dispositivos tecnol\u00f3gicos] consegues fazer uma m\u00fasica. Antigamente era um bocadinho mais dif\u00edcil, mas tamb\u00e9m se calhar era a\u00ed que estava o prazer de remar contra a mar\u00e9&#8221;, diz.<\/p>\n<p>E prossegue: &#8220;N\u00e3o havia Master, n\u00e3o havia Spotify, n\u00e3o havia YouTube, n\u00e3o havia distribui\u00e7\u00e3o digital. N\u00e3o havia nada disso&#8221;.<\/p>\n<p>Hoje, apesar da difus\u00e3o desta m\u00fasica atrav\u00e9s das redes sociais e dos &#8216;streams&#8217; nas plataformas e dos milh\u00f5es de seguidores, estes artistas continuam a queixar-se de n\u00e3o terem igual destaque na r\u00e1dio ou nos festivais.<\/p>\n<p>&#8220;A gente ainda olha muito para o estrangeiro e para o lado, como se a galinha do vizinho fosse melhor do que a nossa galinha&#8221;, afirma, dizendo acreditar que a qualidade vai conseguir levar estes artistas at\u00e9 onde desejam.<\/p>\n<p>O m\u00fasico e produtor Fumaxa recorda-se bem do pouco que havia quando come\u00e7ou na m\u00fasica urbana, em compara\u00e7\u00e3o com as ferramentas digitais atuais e at\u00e9 uma intelig\u00eancia artificial que, quer se queira quer n\u00e3o, assusta os criadores.<\/p>\n<p>&#8220;Antigamente era um bocado mais dif\u00edcil, n\u00e3o havia muito conhecimento. Eu com 14 anos n\u00e3o fazia o que o meu sobrinho faz. O meu sobrinho toca piano, porque aprendeu no YouTube. Nunca teve aulas e aprendeu tudo no YouTube&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Considera que esta pan\u00f3plia \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o facilita muito e abre uma janela de oportunidades a v\u00e1rios jovens, que podem seguir o que quiserem, seja na m\u00fasica, seja no v\u00eddeo, seja no que for.<\/p>\n<p>E at\u00e9 a intelig\u00eancia artificial pode dar uma ajuda, ao n\u00edvel de produ\u00e7\u00e3o e da cria\u00e7\u00e3o, observa, ressalvando: &#8220;A AI ajuda, mas \u00e9 o artista quem mais manda&#8221;.<\/p>\n<p>Leia Tamb\u00e9m: <a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com\/cultura\/2919167\/cistermusica-leva-50-concertos-a-alcobaca-sob-o-tema-ressurreicao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer nofollow\">Cisterm\u00fasica leva 50 concertos a Alcoba\u00e7a sob o tema &#8220;Ressurrei\u00e7\u00e3o&#8221;<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#8220;N\u00f3s n\u00e3o t\u00ednhamos acesso a &#8216;managers&#8217; [empres\u00e1rios], n\u00e3o t\u00ednhamos acesso \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o; ent\u00e3o, n\u00f3s vend\u00edamos os nossos trabalhos&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":229881,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[141],"tags":[114,115,149,150,32,33],"class_list":{"0":"post-229880","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-musica","8":"tag-entertainment","9":"tag-entretenimento","10":"tag-music","11":"tag-musica","12":"tag-portugal","13":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115899106883306917","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/229880","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=229880"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/229880\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/229881"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=229880"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=229880"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=229880"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}