{"id":230327,"date":"2026-01-15T18:13:11","date_gmt":"2026-01-15T18:13:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/230327\/"},"modified":"2026-01-15T18:13:11","modified_gmt":"2026-01-15T18:13:11","slug":"trabalhadores-lgbtq-tem-quase-duas-vezes-mais-probabilidade-de-estarem-desempregados-australia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/230327\/","title":{"rendered":"Trabalhadores LGBTQ+ t\u00eam quase duas vezes mais probabilidade de estarem desempregados | Austr\u00e1lia"},"content":{"rendered":"<p class=\"resumo-p3\"><b>Resumo<\/b><br \/><b>&#8211;<\/b> Adultos LGBTQ+ enfrentam mais desemprego e barreiras no trabalho<br \/><b>&#8211;<\/b> Menor representa\u00e7\u00e3o em sectores bem pagos e maior instabilidade laboral<br \/><b>&#8211;<\/b> Discrimina\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m afecta LGBTQ+ em Portugal, muitas vezes sem den\u00fancia<\/p>\n<p>Uma an\u00e1lise \u00e0s respostas de mais de 14 mil pessoas na Austr\u00e1lia mostra que os adultos LGBTQ+ no pa\u00eds t\u00eam quase duas vezes mais probabilidade de estarem desempregados, quando comparados com adultos heterossexuais, e enfrentam barreiras no mercado de trabalho. O estudo com estas conclus\u00f5es foi publicado esta quinta-feira na <a href=\"https:\/\/dx.doi.org\/10.1371\/journal.pone.0339160\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">revista cient\u00edfica Plos One<\/a>.<\/p>\n<p>Os investigadores alertam que esta an\u00e1lise n\u00e3o mediu directamente as causas destas disparidades, mas os padr\u00f5es que observaram \u201cs\u00e3o consistentes com investiga\u00e7\u00f5es anteriores que mostram que as pessoas LGBTQ+ sofrem discrimina\u00e7\u00e3o, exclus\u00e3o e stress no local de trabalho ao longo da vida\u201d, diz ao P3 Dee Tomic, que \u00e9 epidemiologista na Universidade Monash em Melbourne, na Austr\u00e1lia, e principal autora do estudo. Estes factores podem ter impacto na contrata\u00e7\u00e3o, na reten\u00e7\u00e3o, na progress\u00e3o de carreira e na vincula\u00e7\u00e3o a longo prazo no mercado de trabalho.<\/p>\n<p>A investigadora indica ainda que os dados que analisaram revelam que a comunidade LGBTQ+ est\u00e1 menos representada em sectores que oferecem sal\u00e1rios mais altos e maior seguran\u00e7a no emprego.<\/p>\n<p>        &#13;<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n                &#13;\n            <\/p>\n<p>&#13;<\/p>\n<p>A autora sublinha que estas disparidades se mantiveram mesmo ap\u00f3s terem em conta a idade, a educa\u00e7\u00e3o e factores socioecon\u00f3micos, o que d\u00e1 a entender que h\u00e1 mesmo \u201cbarreiras sist\u00e9micas envolvidas\u201d. Entre estas barreiras podem estar pr\u00e1ticas discriminat\u00f3rias no recrutamento e promo\u00e7\u00f5es, exclus\u00e3o por parte de ind\u00fastrias mais conservadoras ou falta de medidas inclusivas no local de trabalho, indica a epidemiologista. Al\u00e9m de uma exclus\u00e3o directa pode haver tamb\u00e9m uma \u201cevita\u00e7\u00e3o antecipada\u201d, em que os trabalhadores LGBT+ se afastam de ambientes que consideram hostis ou inseguros.<\/p>\n<p>\u201cEmbora este estudo n\u00e3o tenha captado experi\u00eancias subjectivas (como sentir-se inseguro ou sem apoio no trabalho), os padr\u00f5es observados s\u00e3o consistentes com uma maior instabilidade e restri\u00e7\u00e3o no emprego\u201d, refere Dee Tomic, em resposta ao P3 por email. No estudo, os autores recordam que o trabalho n\u00e3o se resume ao rendimento: \u201cD\u00e1 tamb\u00e9m acesso a redes sociais, estrutura di\u00e1ria, identidade e um sentido de prop\u00f3sito.\u201d<\/p>\n<p>Os dados aqui analisados foram obtidos atrav\u00e9s de dados de uma sondagem nacional (HILDA, na sigla em ingl\u00eas), que abrange cerca de 17 mil australianos e \u00e9 feito anualmente desde 2001 para tra\u00e7ar um perfil dos australianos com mais de 15 anos. A partir deste inqu\u00e9rito nacional, foram recolhidos dados sobre identidade sexual de 14.302 pessoas, em 2020 \u2013 dos quais 12.264 foram acompanhados at\u00e9 2023. Foram ainda recolhidos dados sobre identidade de g\u00e9nero a partir das respostas de 13.981 pessoas, em 2023. Estas quest\u00f5es sobre identidade de g\u00e9nero s\u00f3 foram inclu\u00eddas nestes inqu\u00e9ritos em 2022; as quest\u00f5es sobre orienta\u00e7\u00e3o sexual surgem desde 2012, aparecendo no inqu\u00e9rito a cada quatro anos.<\/p>\n<p>Isto significa que, do total de respostas, cerca de 5,9% da amostra se identificava como l\u00e9sbica, gay, bissexual ou outra orienta\u00e7\u00e3o n\u00e3o heterossexual (o que corresponde a cerca de 854 participantes); havia ainda cerca de 1,2% dos participantes que se identificavam como transg\u00e9nero ou como tendo uma identidade de g\u00e9nero diversa (num total de 163 pessoas). Um outro inqu\u00e9rito feito pelo Servi\u00e7o de Estat\u00edstica da Austr\u00e1lia (ABS) indica que 3,6% dos australianos com 16 anos ou mais se identificavam como LGBTQ+, o que bate certo com os dados deste estudo.<\/p>\n<p>Em compara\u00e7\u00e3o com os heterossexuais, as pessoas homossexuais tinham mais probabilidade de estarem desempregados ou de trabalharem em casa e era menos prov\u00e1vel que trabalhassem em trabalhos f\u00edsicos ou de constru\u00e7\u00e3o. Os bissexuais eram menos propensos a integrarem a for\u00e7a de trabalho, estando mais frequentemente desempregados, em part-times ou licen\u00e7as n\u00e3o remuneradas. O mesmo acontecia com as outras identidades sexuais, que tamb\u00e9m tinham mais probabilidade de terem hor\u00e1rios menos convencionais.<\/p>\n<p>Os autores acautelam que s\u00e3o necess\u00e1rios mais estudos para se conhecer melhor esta realidade e reconhecem algumas limita\u00e7\u00f5es do estudo, como a possibilidade de nem todos assumirem a sua verdadeira orienta\u00e7\u00e3o sexual em inqu\u00e9ritos abertos e a necessidade de haver mais dados.<\/p>\n<p><strong>Estigma come\u00e7a antes de entrarem no mercado de trabalho<\/strong><\/p>\n<p>Perante estes resultados, o que fazer? \u201c\u00c9 improv\u00e1vel que as iniciativas no local de trabalho sejam suficientes sem uma mudan\u00e7a cultural mais ampla\u201d, refere a investigadora Dee Tomic. At\u00e9 porque \u201co estigma na inf\u00e2ncia, os sistemas educativos e as atitudes sociais moldam as traject\u00f3rias profissionais muito antes de as pessoas entrarem no mercado de trabalho\u201d.<\/p>\n<p>Como \u00e9 referido no estudo, as pessoas da comunidade LGBTQ+ \u201cenfrentam disparidades significativas\u201d em v\u00e1rias \u00e1reas, como a educa\u00e7\u00e3o, o acesso a servi\u00e7os de sa\u00fade, habita\u00e7\u00e3o ou seguran\u00e7a financeira. Os autores referem que nem toda a discrimina\u00e7\u00e3o \u00e9 homog\u00e9nea nesta comunidade: h\u00e1 grupos, <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2023\/05\/17\/impar\/noticia\/giovanna-tavares-trans-pessoa-bemsucedida-possivel-2049959\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">como as pessoas trans<\/a>, que \u201cmuitas vezes se deparam com formas de discrimina\u00e7\u00e3o e exclus\u00e3o mais intensas e distintas.\u201d V\u00e1rios estudos mostram tamb\u00e9m que as pessoas LGBTQ+ s\u00e3o mais propensas a terem problemas de sa\u00fade mental, incluindo depress\u00e3o e ansiedade, e \u00e9 mais prov\u00e1vel que sejam alvo de viol\u00eancia ou rejei\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>Em Portugal, cerca de 11% das ocorr\u00eancias de discrimina\u00e7\u00e3o de pessoas desta comunidade acontecem no local de trabalho, segundo o <a href=\"https:\/\/ilga-portugal.pt\/files\/uploads\/2023\/10\/F_Relatorio-Observatorio-Discriminacao-Contra-Pessoas-LGBTI-2020-2022.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">relat\u00f3rio de 2020-2022<\/a> do Observat\u00f3rio da Discrimina\u00e7\u00e3o contra pessoas LGBTI+ em Portugal. J\u00e1 os dados de 2024 mostram que 18% da comunidade LGBTQ+ em Portugal se sentiu discriminada no local de trabalho ou enquanto procurava emprego, <a href=\"https:\/\/fra.europa.eu\/sites\/default\/files\/fra_uploads\/lgbtiq_survey-2024-country_sheet-portugal.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">indica a Ag\u00eancia dos Direitos Fundamentais da Uni\u00e3o Europeia (FRA)<\/a>. Em Novembro de 2025, por exemplo, <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/11\/20\/p3\/noticia\/profissionais-saude-lgbtq-denunciam-insultos-discriminacao-local-trabalho-2155390\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">foi noticiado<\/a> que quase metade dos profissionais de sa\u00fade LGBTQ+ em Portugal sofreu ou presenciou situa\u00e7\u00f5es de discrimina\u00e7\u00e3o no local de trabalho.<\/p>\n<p>Nem sempre estes casos s\u00e3o denunciados. Em dois anos, chegaram \u00e0s autoridades portuguesas <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/08\/17\/p3\/noticia\/dois-anos-apenas-14-queixas-assedio-pessoas-lgbti-contexto-laboral-2144016\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">14 den\u00fancias de ass\u00e9dio moral ou sexual<\/a> no local de trabalho a pessoas LGBTQ+, um n\u00famero que a Comiss\u00e3o para a Cidadania e a Igualdade de G\u00e9nero (CIG) diz ficar aqu\u00e9m da verdadeira dimens\u00e3o da discrimina\u00e7\u00e3o contra esta comunidade.Trabalhadores LGBTQ+ t\u00eam quase duas vezes mais probabilidade de estarem desempregados<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Resumo&#8211; Adultos LGBTQ+ enfrentam mais desemprego e barreiras no trabalho&#8211; Menor representa\u00e7\u00e3o em sectores bem pagos e maior&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":230328,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[2337,27,28,3026,15,16,14,13645,36632,41219,25,26,24395,21,22,12,13,19,20,534,32,23,24,33,17,18,849,11219,29,30,31,3097],"class_list":{"0":"post-230327","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-portugal","8":"tag-australia","9":"tag-breaking-news","10":"tag-breakingnews","11":"tag-direitos-humanos","12":"tag-featured-news","13":"tag-featurednews","14":"tag-headlines","15":"tag-homofobia","16":"tag-homossexualidade","17":"tag-identidade-de-genero","18":"tag-latest-news","19":"tag-latestnews","20":"tag-lgbt","21":"tag-main-news","22":"tag-mainnews","23":"tag-news","24":"tag-noticias","25":"tag-noticias-principais","26":"tag-noticiasprincipais","27":"tag-p3","28":"tag-portugal","29":"tag-principais-noticias","30":"tag-principaisnoticias","31":"tag-pt","32":"tag-top-stories","33":"tag-topstories","34":"tag-trabalho","35":"tag-transgenero","36":"tag-ultimas","37":"tag-ultimas-noticias","38":"tag-ultimasnoticias","39":"tag-violencia"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":"Validation failed: Text character limit of 500 exceeded"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/230327","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=230327"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/230327\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/230328"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=230327"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=230327"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=230327"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}