{"id":230963,"date":"2026-01-16T02:49:08","date_gmt":"2026-01-16T02:49:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/230963\/"},"modified":"2026-01-16T02:49:08","modified_gmt":"2026-01-16T02:49:08","slug":"resto-de-intestino-de-lobo-pre-historico-revela-refeicao-de-gigante-glacial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/230963\/","title":{"rendered":"Resto de intestino de lobo pr\u00e9-hist\u00f3rico revela refei\u00e7\u00e3o de gigante glacial"},"content":{"rendered":"<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">H\u00e1 14 mil anos, na Regi\u00e3o Sul da Sib\u00e9ria Ocidental, na R\u00fassia, <strong class=\"group-[.isActiveSource]:text-xl group-[.isActiveSource]:font-bold\">um filhote de lobo de dois meses de idade devorou um pouco de carne de rinoceronte-lanudo.<\/strong> Momentos depois, sua toca subterr\u00e2nea desabou, matando o filhote e sua irm\u00e3.<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">O conte\u00fado do est\u00f4mago do lobo, congelado no permafrost junto com seu corpo, <strong class=\"group-[.isActiveSource]:text-xl group-[.isActiveSource]:font-bold\">permitiu aos cientistas sequenciar o DNA de um dos \u00faltimos rinocerontes-lanudos conhecidos, um gigante cornudo da Era do Gelo que viveu ao lado dos mamutes.<\/strong> Aa novas descobertas a partir da \u00faltima refei\u00e7\u00e3o do lobo est\u00e3o revelando pistas sobre por que o rinoceronte-lanudo foi extinto.<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">A pesquisa, publicada na quarta-feira na revista cient\u00edfica Genome Biology and Evolution, representa a primeira vez que cientistas conseguiram sequenciar o genoma inteiro \u2014 todo o c\u00f3digo gen\u00e9tico \u2014 de um animal encontrado no est\u00f4mago de outro animal, segundo o coautor Camilo Chac\u00f3n-Duque, bioinformatista da Unidade de DNA Antigo do SciLifeLab, na Universidade de Uppsala, na Su\u00e9cia.<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">\u201cFicamos muito empolgados porque existem pouqu\u00edssimos f\u00f3sseis desse per\u00edodo em que o rinoceronte-lanudo foi extinto\u201d, disse Chac\u00f3n-Duque, que anteriormente foi pesquisador no Centro de Paleogen\u00e9tica da Universidade de Estocolmo, onde o estudo foi conduzido.<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">Ainda coberto de pelos, o filhote de lobo mumificado foi encontrado enterrado no permafrost perto da vila de Tumat, em 2011. Uma aut\u00f3psia posterior revelou um pequeno fragmento de tecido preservado em seu est\u00f4mago. Os cientistas conseguiram extrair DNA desse tecido, que tinha 14.000 anos, e o sequenciamento revelou que ele pertencia a uma esp\u00e9cie de rinoceronte-lanudo conhecida como Coelodonta antiquitatis.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/fragmento.jpg\" alt=\"Fragmento de tecido de rinoceronte-lanudo encontrado dentro do est\u00f4mago do filhote de lobo \u2022 Love D\u00e1len\" width=\"849\" height=\"477\" class=\"flex size-full object-cover\" loading=\"lazy\"\/>Fragmento de tecido de rinoceronte-lanudo encontrado dentro do est\u00f4mago do filhote de lobo \u2022 Love D\u00e1len<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">Chac\u00f3n-Duque disse que os pelos no tecido do rinoceronte-lanudo ainda estavam intactos, sugerindo que o filhote mal havia come\u00e7ado a digerir a refei\u00e7\u00e3o antes de morrer.<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">\u201cPela an\u00e1lise morfol\u00f3gica, parece claro que eles foram simplesmente soterrados vivos. Eles morreram instantaneamente, e foi assim que conseguiram ser preservados\u201d, disse ele. \u201cAcho que n\u00e3o houve tempo suficiente para que o sistema digestivo realmente penetrasse os tecidos.\u201d<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">A irm\u00e3 do filhote de lobo foi encontrada posteriormente, em 2015, e nenhum dos dois apresentava sinais de ataque ou ferimentos. Um estudo publicado no ano passado observou que eles provavelmente morreram quando sua toca subterr\u00e2nea desabou como resultado de um deslizamento de terra. Esse estudo sugeriu que lobos seriam capazes de ca\u00e7ar rinocerontes-lanudos juvenis. Rinocerontes-lanudos adultos teriam tamanho semelhante ao das maiores esp\u00e9cies de rinocerontes vivos atualmente.<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">Com seus longos pelos, o rinoceronte-lanudo estava adaptado a condi\u00e7\u00f5es frias e viveu por toda a Eur\u00e1sia setentrional durante a \u00faltima Era do Gelo. Seu territ\u00f3rio come\u00e7ou a se contrair gradualmente para o leste a partir de 35.000 anos atr\u00e1s, segundo o estudo, mas ele persistiu no nordeste da Sib\u00e9ria e presumia-se que tivesse sido extinto em algum momento ap\u00f3s 18.400 anos atr\u00e1s.<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">Embora f\u00f3sseis de rinoceronte-lanudo sejam relativamente comuns no registro f\u00f3ssil, poucos restos foram encontrados do per\u00edodo estimado de sua extin\u00e7\u00e3o, e nenhum deles havia fornecido informa\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas, tornando o conte\u00fado do est\u00f4mago do lobo valioso para os pesquisadores.<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">Chac\u00f3n-Duque disse que foi dif\u00edcil mapear o genoma a partir da amostra de DNA do rinoceronte-lanudo porque a presen\u00e7a de DNA de lobo no est\u00f4mago complicou as an\u00e1lises. Por exemplo, tanto o lobo quanto o rinoceronte tinham a mesma idade, ent\u00e3o n\u00e3o foi poss\u00edvel usar padr\u00f5es de degrada\u00e7\u00e3o como ferramenta para identificar o DNA antigo. Em vez disso, Chac\u00f3n-Duque e seus colegas usaram o parente vivo mais pr\u00f3ximo do rinoceronte-lanudo, o rinoceronte-de-sumatra, como refer\u00eancia.<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">Depois de sequenciar a amostra, eles compararam o genoma com outros dois genomas sequenciados a partir de f\u00f3sseis de rinoceronte-lanudo encontrados preservados no permafrost siberiano, datados de 18.000 e 49.000 anos atr\u00e1s, respectivamente.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/rinoceronte.jpg\" alt=\"Rinoceronte-lanudo preservado no permafrost em exibi\u00e7\u00e3o em um museu em Yakutsk, na R\u00fassia \u2022 Mammoth Museum of North-Eastern\" width=\"849\" height=\"477\" class=\"flex size-full object-cover\" loading=\"lazy\"\/>Rinoceronte-lanudo preservado no permafrost em exibi\u00e7\u00e3o em um museu em Yakutsk, na R\u00fassia \u2022 Mammoth Museum of North-Eastern<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">O permafrost preserva o DNA antigo de forma particularmente eficaz, e os cientistas j\u00e1 recuperaram mol\u00e9culas de DNA com at\u00e9 2 milh\u00f5es de anos nas regi\u00f5es mais ao norte do planeta.<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">Os tr\u00eas genomas permitiram que os pesquisadores examinassem como a diversidade gen\u00e9tica da esp\u00e9cie \u2014 como n\u00edveis de endogamia e o n\u00famero de muta\u00e7\u00f5es prejudiciais \u2014 mudou ao longo do tempo durante a \u00faltima Era do Gelo.<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">O estudo n\u00e3o encontrou sinais de deteriora\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica \u00e0 medida que a esp\u00e9cie se aproximava da extin\u00e7\u00e3o, sugerindo que o rinoceronte-lanudo provavelmente manteve uma popula\u00e7\u00e3o est\u00e1vel e relativamente grande at\u00e9 pouco antes de desaparecer.<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">Sua extin\u00e7\u00e3o deve ter ocorrido de forma relativamente r\u00e1pida, conclu\u00edram os pesquisadores, provavelmente como resultado do aquecimento global ao final da \u00faltima Era do Gelo, que terminou por volta de 11.000 anos atr\u00e1s.<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">\u201cNossos resultados mostram que os rinocerontes-lanudos mantiveram uma popula\u00e7\u00e3o vi\u00e1vel por 15.000 anos ap\u00f3s a chegada dos primeiros humanos ao nordeste da Sib\u00e9ria, o que sugere que o aquecimento clim\u00e1tico, e n\u00e3o a ca\u00e7a humana, causou a extin\u00e7\u00e3o\u201d, disse em comunicado o coautor Love Dal\u00e9n, professor de gen\u00f4mica evolutiva no Centro de Paleogen\u00e9tica.<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">Anteriormente, acreditava-se que os dois filhotes de lobo fossem c\u00e3es domesticados precoces ou lobos domesticados. No entanto, o estudo de 2025 afirmou que n\u00e3o havia evid\u00eancias de que os dois animais tivessem tido contato com humanos.<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">O trabalho foi \u201cextremamente valioso\u201d para compreender a hist\u00f3ria evolutiva do rinoceronte-lanudo, disse Nathan Wales, professor s\u00eanior de arqueologia da Universidade de York, no Reino Unido, que estudou os filhotes de lobo, mas n\u00e3o esteve envolvido na pesquisa sobre a amostra do rinoceronte-lanudo.<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">\u201cOs pesquisadores sabem que essa esp\u00e9cie estava se aproximando da extin\u00e7\u00e3o naquele momento, e poder\u00edamos supor que as \u00faltimas linhagens teriam popula\u00e7\u00f5es pequenas e altamente endog\u00e2micas. Mas essa an\u00e1lise bem fundamentada mostra que, em n\u00edvel gen\u00e9tico, a popula\u00e7\u00e3o parecia est\u00e1vel\u201d, disse ele por e-mail.<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">\u201cOs autores apresentaram uma conclus\u00e3o razo\u00e1vel de que um fator externo, como uma mudan\u00e7a ambiental r\u00e1pida, levou \u00e0 extin\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">Wales observou que plantas, insetos e uma alv\u00e9ola tamb\u00e9m foram encontrados nos est\u00f4magos dos filhotes de lobo, e que seria empolgante aplicar m\u00e9todos de DNA antigo a esses conte\u00fados alimentares tamb\u00e9m.<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">\u201cM\u00famias preservadas no permafrost oferecem uma vis\u00e3o espetacular do passado. Normalmente, paleont\u00f3logos e arque\u00f3logos s\u00f3 conseguem recuperar ossos, mas aqui podemos compreender melhor como esses animais se pareciam e como viviam\u201d, disse ele. \u201cVest\u00edgios de suas dietas, microbiomas e ecossistemas est\u00e3o diretamente associados a essas m\u00famias, portanto elas desempenham um papel especial nas an\u00e1lises cient\u00edficas.\u201d<\/p>\n<p>Galeria &#8211; Veja outros animais com caracter\u00edsticas \u00fanicas na natureza<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"H\u00e1 14 mil anos, na Regi\u00e3o Sul da Sib\u00e9ria Ocidental, na R\u00fassia, um filhote de lobo de dois&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":230964,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[84],"tags":[109,107,108,32,33,105,103,104,106,110],"class_list":{"0":"post-230963","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-ciencia-e-tecnologia","8":"tag-ciencia","9":"tag-ciencia-e-tecnologia","10":"tag-cienciaetecnologia","11":"tag-portugal","12":"tag-pt","13":"tag-science","14":"tag-science-and-technology","15":"tag-scienceandtechnology","16":"tag-technology","17":"tag-tecnologia"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115902504157731152","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/230963","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=230963"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/230963\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/230964"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=230963"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=230963"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=230963"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}