{"id":231364,"date":"2026-01-16T12:22:12","date_gmt":"2026-01-16T12:22:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/231364\/"},"modified":"2026-01-16T12:22:12","modified_gmt":"2026-01-16T12:22:12","slug":"danuza-leao-ironizou-a-busca-dos-ricos-por-exclusividade-16-01-2026-folha-105-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/231364\/","title":{"rendered":"Danuza Le\u00e3o ironizou a busca dos ricos por exclusividade &#8211; 16\/01\/2026 &#8211; Folha 105 anos"},"content":{"rendered":"<p>A colunista <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrada\/2022\/12\/danuza-leao-foi-musa-a-vida-inteira.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Danuza Le\u00e3o<\/a> dissecou com ironia a ang\u00fastia dos <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/mercado\/2025\/08\/michel-alcoforado-se-infiltra-entre-ricacos-para-fazer-raio-x-de-como-se-porta-a-elite.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">novos ricos<\/a> brasileiros. Em 2012, ela publicou na <b>Folha<\/b> uma reflex\u00e3o: &#8220;Bom mesmo \u00e9 possuir coisas exclusivas, a que s\u00f3 n\u00f3s temos acesso; se todo mundo fosse rico, a vida seria um t\u00e9dio&#8221;.<\/p>\n<p>Danuza descreveu a escalada infinita dos desejos. O homem que come\u00e7ou sonhando com um apartamento agora despreza qualquer coisa &#8220;com menos de 800 metros quadrados, piscina, sauna e churrasqueira&#8221;.<\/p>\n<p>O problema identificado pela colunista era insol\u00favel: &#8220;Como se diferenciar do resto da humanidade, se todos t\u00eam acesso a absolutamente tudo, pagando m\u00f3dicas presta\u00e7\u00f5es mensais?&#8221;. Viagens deixaram de impressionar \u2014&#8221;por R$ 50 mensais, o porteiro do pr\u00e9dio tamb\u00e9m pode ir&#8221; a Nova York. At\u00e9 jatinhos e helic\u00f3pteros ficaram banais, s\u00f3 podendo &#8220;deslumbrar uma menina modesta que ainda n\u00e3o passou dos 18&#8221;.<\/p>\n<p>Leia a seguir o texto completo, parte da se\u00e7\u00e3o <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/105-colunas-de-grande-repercussao\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">105 Colunas de Grande Repercuss\u00e3o<\/a>, que relembra cr\u00f4nicas que fizeram hist\u00f3ria na <strong>Folha<\/strong>. A iniciativa integra as comemora\u00e7\u00f5es dos 105 anos do jornal, em fevereiro de 2026.<\/p>\n<p><b>Ser especial (25\/11\/2012)<\/b><\/p>\n<p>Afinal, qual a gra\u00e7a de ter muito dinheiro? Quanto mais coisas se tem, mais se quer ter e os desejos e anseios v\u00e3o mudando \u2014e aumentando\u2014 a cada dia, s\u00f3 que a coisa n\u00e3o \u00e9 assim t\u00e3o simples. Bom mesmo \u00e9 possuir coisas exclusivas, a que s\u00f3 n\u00f3s temos acesso; se todo mundo fosse rico, a vida seria um t\u00e9dio.<\/p>\n<p>Um homem que come\u00e7a do nada, por exemplo: no in\u00edcio de sua vida, ter um apartamento era uma ambi\u00e7\u00e3o quase imposs\u00edvel de alcan\u00e7ar; mas, agora, cheio de sucesso, se voc\u00ea falar que est\u00e1 pensando em comprar um com menos de 800 metros quadrados, piscina, sauna e churrasqueira, ele vai olhar para voc\u00ea com o maior desprezo \u2014isso se olhar.<\/p>\n<p>Vai longe o tempo do primeiro fusquinha comprado com o maior sacrif\u00edcio; agora, se n\u00e3o for um importado, com televis\u00e3o, bar e computador, n\u00e3o interessa \u2014e s\u00f3 tem gra\u00e7a se for o \u00fanico a ter o brinquedinho. Somos todos verdadeiras crian\u00e7as, e s\u00f3 queremos ser \u00fanicos, especiais e raros; simples, n\u00e3o?<\/p>\n<p>Queremos todas as brincadeirinhas eletr\u00f4nicas, que acabaram de ser lan\u00e7adas, mas qual a gra\u00e7a, se at\u00e9 o vizinho tiver as mesmas? O problema \u00e9: como se diferenciar do resto da humanidade, se todos t\u00eam acesso a absolutamente tudo, pagando m\u00f3dicas presta\u00e7\u00f5es mensais?<\/p>\n<p>As viagens, por exemplo: j\u00e1 se foi o tempo em que ir a Paris era s\u00f3 para alguns; hoje, ningu\u00e9m quer ouvir o relato da subida do Nilo, do passeio de bal\u00e3o pelo deserto ou ver as fotos da viagem \u2014e se for o v\u00eddeo, pior ainda\u2014 de quem foi \u00e0s muralhas da China. Ir a Nova York ver os musicais da Broadway j\u00e1 teve sua gra\u00e7a, mas, por R$ 50 mensais, o porteiro do pr\u00e9dio tamb\u00e9m pode ir, ent\u00e3o qual a gra\u00e7a? Enfrentar 12 horas de avi\u00e3o para chegar a Paris, entrar nas perfumarias que d\u00e3o 40% de desconto, com vendedoras falando portugu\u00eas e onde voc\u00ea s\u00f3 encontra brasileiros \u2014n\u00e3o \u00e9 melhor ficar por aqui mesmo?<\/p>\n<p>Viajar ficou banal e a pergunta \u00e9: o que se pode fazer de diferente, original, para deslumbrar os amigos e mostrar que se \u00e9 um ser raro, com imagina\u00e7\u00e3o e criatividade, diferente do resto da humanidade?<\/p>\n<p>At\u00e9 outro dia causava um certo frisson ter um jatinho para viagens mais longas e um helic\u00f3ptero para chegar a Petr\u00f3polis ou Angra sem passar pelo desconforto dos congestionamentos.<\/p>\n<p>Mas hoje esses pequenos objetos de desejo ficaram t\u00e3o banais que s\u00f3 podem deslumbrar uma menina modesta que ainda n\u00e3o passou dos 18. A n\u00e3o ser, talvez, que o interior do jatinho seja feito de couro de cobra\u2014 talvez.<\/p>\n<p>\u00c9 claro que ficar rico deve ser muito bom, mas algumas coisas os ricos perdem quando chegam l\u00e1. Maracan\u00e3 nunca mais, Carnaval tamb\u00e9m n\u00e3o, e ver os fogos do dia 31 na praia de Copacabana, nem pensar. Se todos t\u00eam acesso a esses prazeres, eles passam a n\u00e3o ter mais gra\u00e7a.<\/p>\n<p>Seguindo esse racioc\u00ednio, subir o Champs Elys\u00e9es numa linda tarde de primavera, junto a milhares de turistas tendo as mesmas vis\u00f5es de beleza, \u00e9 de uma banalidade insuport\u00e1vel. N\u00e3o importa estar no lugar mais bonito do mundo; o que interessa \u00e9 saber que s\u00f3 poucos, como voc\u00ea, podem desfrutar do mesmo encantamento.<\/p>\n<p>Quando se chega a esse ponto, a vida fica dif\u00edcil. Ir para o Caribe n\u00e3o d\u00e1, porque as praias est\u00e3o infestadas de turistas \u2014assim como Nova York, Londres e Paris; e como no Nordeste s\u00f3 tem alem\u00e3es e japoneses, chega-se \u00e0 conclus\u00e3o de que o mundo est\u00e1 ficando pequeno.<\/p>\n<p>Para os muito exigentes, passa a existir uma \u00fanica solu\u00e7\u00e3o: trancar-se em casa com um livro, uma enorme caixa de chocolates \u2014sem medo de engordar\u2014, o ar-condicionado ligado, a televis\u00e3o desligada, e sozinha.<\/p>\n<p>E quer saber? Se o livro for mesmo bom, n\u00e3o tem nada melhor na vida. Quase nada, digamos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A colunista Danuza Le\u00e3o dissecou com ironia a ang\u00fastia dos novos ricos brasileiros. 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