{"id":23142,"date":"2025-08-10T03:45:08","date_gmt":"2025-08-10T03:45:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/23142\/"},"modified":"2025-08-10T03:45:08","modified_gmt":"2025-08-10T03:45:08","slug":"o-treinamento-olfativo-e-um-dos-caminhos-para-a-reabilitacao-do-nariz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/23142\/","title":{"rendered":"O treinamento olfativo \u00e9 um dos caminhos para a reabilita\u00e7\u00e3o do nariz"},"content":{"rendered":"<p><strong>T\u00e1dzio Fran\u00e7a<br \/>Rep\u00f3rter<\/strong><\/p>\n<p>A perda parcial ou total do olfato \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o indesejada, que vai al\u00e9m do inc\u00f4modo. \u00c9 algo capaz de alterar a qualidade de vida de v\u00e1rias formas. No entanto, \u00e9 poss\u00edvel reaprender a sentir os cheiros. O treinamento olfativo \u00e9 uma pr\u00e1tica baseada em evid\u00eancias cient\u00edficas que pode ajudar na recupera\u00e7\u00e3o do olfato mesmo ap\u00f3s meses de perda. \u00c9 a fisioterapia para o nariz, uma forma estruturada de reabilita\u00e7\u00e3o sensorial atrav\u00e9s do est\u00edmulo olfativo. O tema se popularizou nas redes sociais e, apesar de muita gente j\u00e1 tentar fazer por contra pr\u00f3pria, a orienta\u00e7\u00e3o de um m\u00e9dico \u00e9 sempre essencial.<\/p>\n<p>O treinamento olfativo \u00e9 especialmente eficaz em casos de perda de olfato ap\u00f3s infec\u00e7\u00f5es virais, mas tamb\u00e9m pode ajudar em outras condi\u00e7\u00f5es. A otorrinolaringologista Lidiane Ferreira, do Hospital Onofre Lopes (HUOL), explica que as principais causas de altera\u00e7\u00e3o do olfato s\u00e3o as inflamat\u00f3rias e infecciosas, principalmente as virais. \u201cIsso vai desde as viroses mais comuns, resfriados e gripes como influenza ou rinov\u00edrus, assim como o Covid-19, que causa um processo inflamat\u00f3rio mais intenso\u201d, diz.<\/p>\n<p>Outras causas tamb\u00e9m presentes, segundo Lidiane, s\u00e3o altera\u00e7\u00f5es na anatomia do nariz, poliposes nasais (que s\u00e3o doen\u00e7as cr\u00f4nicas do nariz); traumatismos cranianos, em que pode ocorrer altera\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o do c\u00e9rebro respons\u00e1vel pelo nervo olfativo; pacientes que inalam subst\u00e2ncias t\u00f3xicas, principalmente industriais, que acarretam les\u00e3o da mucosa olfativa, ou mesmo doen\u00e7as neurol\u00f3gicas que afetam o nervo olfativo.<\/p>\n<p>As condi\u00e7\u00f5es que alteram o olfato s\u00e3o as seguintes: a anosmia, que \u00e9 a perda total do olfato; a hiposmia, que \u00e9 a diminui\u00e7\u00e3o do olfato, \u201co paciente que percebe o cheiro, mas com dificuldade, tem uma certa limita\u00e7\u00e3o na intensidade do cheiro\u201d, explica a m\u00e9dica; e tamb\u00e9m a parosmia, que seria uma percep\u00e7\u00e3o distorcida dos cheiros.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso ainda se atentar ao fato de que nem toda perda de olfato \u00e9 causada por v\u00edrus. Pode ser algo muito mais s\u00e9rio, como tumores, rinossinusites cr\u00f4nicas, doen\u00e7as neurol\u00f3gicas, ou at\u00e9 defici\u00eancias hormonais.<\/p>\n<p><strong>Treinamento olfativo<\/strong><\/p>\n<p><strong><br \/><\/strong>Os procedimentos para os treinamentos olfat\u00f3rios fazem parte de protocolos mundiais e tamb\u00e9m da Sociedade Brasileira de Otorrinolaringologia. \u201cEsses protocolos ficaram mais evidentes no p\u00f3s Covid, porque muitas pessoas j\u00e1 estavam fazendo\u201d, diz. A pr\u00e1tica consiste em cheirar conscientemente uma s\u00e9rie de odores diferentes, duas vezes ao dia, por no m\u00ednimo 12 semanas. \u00c9 o est\u00edmulo do olfato atrav\u00e9s do cheiro.<\/p>\n<p>Lidiane Ferreira explica que h\u00e1 treinamentos que s\u00e3o padronizados com ess\u00eancias espec\u00edficas, e tamb\u00e9m os protocolos caseiros, que o m\u00e9dico pode recomendar ao paciente para inalar, por exemplo, p\u00f3 de caf\u00e9, cravo, mel, pasta de dente. \u201cH\u00e1 subst\u00e2ncias que o paciente encontra no pr\u00f3prio ambiente dom\u00e9stico, e que pode fazer esse treinamento diariamente\u201d, diz.<\/p>\n<p>As subst\u00e2ncias do treinamento olfativo caseiro s\u00e3o: caf\u00e9, ess\u00eancia de baunilha, mel, cravo, suco de tangerina, pasta de dente, e vinagre de \u00e1lcool. J\u00e1 os aromas mais utilizados nos protocolos cient\u00edficos costumam ser rosa, lim\u00e3o, cravo e eucalipto \u2013 sempre por meio de \u00f3leos essenciais. A exposi\u00e7\u00e3o repetitiva ajuda o c\u00e9rebro a \u201creaprender\u201d a processar os cheiros.<\/p>\n<p>O reaprendizado do cheiro tem a ver com a neuroplasticidade, capacidade do c\u00e9rebro de se adaptar e criar novas conex\u00f5es neurais. Estudos de imagem funcional mostram que, ap\u00f3s semanas de treinamento, \u00e1reas cerebrais ligadas ao olfato, como o c\u00f3rtex orbitofrontal e o giro parahipocampal, voltam a ser ativadas. A t\u00e9cnica \u00e9 recomendada oficialmente por diretrizes internacionais, como a EPOS 2020 e o International Consensus Statement on Olfaction Dysfunction (2023).<\/p>\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m um mecanismo biol\u00f3gico para a reabilita\u00e7\u00e3o do olfato que consiste na satura\u00e7\u00e3o dos receptores olfativos com as subst\u00e2ncias que o paciente inala. \u201cJ\u00e1 que a principal causa de hiposmia e anosmia \u00e9 uma altera\u00e7\u00e3o inflamat\u00f3ria, \u00e9 necess\u00e1rio que o receptor receba a subst\u00e2ncia que promover\u00e1 o cheiro\u201d, diz. A hiperexposi\u00e7\u00e3o satura os receptores de forma que eles v\u00e3o, aos poucos, se remodelando e recebendo melhor essas subst\u00e2ncias olfativas.<\/p>\n<p><strong>Efic\u00e1cia<\/strong><\/p>\n<p><strong><br \/><\/strong>Todos os pacientes com disfun\u00e7\u00e3o olfativa podem se beneficiar em algum grau do treinamento olfativo, afirma a m\u00e9dica. Mas o sucesso do procedimento tem a ver tamb\u00e9m com a origem do dist\u00farbio. \u201cPacientes com altera\u00e7\u00f5es neurol\u00f3gicas ou que sofreram traumatismos cranianos ter\u00e3o resultados mais restritos. J\u00e1 aqueles que t\u00eam apenas altera\u00e7\u00f5es inflamat\u00f3rias, como nos casos virais, ou que t\u00eam doen\u00e7as do nariz, como as poliposes, ter\u00e3o resultado melhor\u201d, explica.<\/p>\n<p>A otorrino ressalta que nem sempre a perda ou diminui\u00e7\u00e3o do olfato \u00e9 total ou permanente, ela tamb\u00e9m pode ser transit\u00f3ria. \u201cPortanto, quanto mais cedo a pessoa fizer o tratamento, maiores as chances de reverter o quadro\u201d, diz. O tempo de tratamento ser\u00e1 conforme a melhora do paciente.<\/p>\n<p>\u201cSe a pessoa estiver fazendo o treinamento e est\u00e1 percebendo que tem alguma melhora, geralmente a gente pede para ele usar durante um m\u00eas, at\u00e9 dois meses. Vai depender realmente da resposta que ele est\u00e1 tendo ao tratamento\u201d, explica Lidiane. H\u00e1 v\u00e1rios estudos que mostram os benef\u00edcios do treinamento olfativo, quando comparados aos pacientes que n\u00e3o fazem o tratamento.<\/p>\n<p>Segundo a m\u00e9dica, n\u00e3o existe um percentual definido de melhora, mas existem taxas. \u201cPor exemplo, alguns estudos mostram uma taxa de melhora de 2,75, quer dizer que os pacientes que fazem o procedimento podem ter uma melhora duas vezes maior do que os pacientes que n\u00e3o fazem esse treinamento\u201d, diz.<\/p>\n<p>A efic\u00e1cia do tratamento tem bastante a ver com a dedica\u00e7\u00e3o do paciente a ele, alerta Lidiane. \u201cAcredito que o principal desafio \u00e9 a quest\u00e3o da const\u00e2ncia, o paciente ter na sua rotina aquele hor\u00e1rio para fazer o processo, porque ele vai precisar inalar os odores por cinco minutos pelos menos tr\u00eas vezes por dia, ent\u00e3o requer um pouco de disciplina e dedica\u00e7\u00e3o para o treinamento\u201d, diz.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"T\u00e1dzio Fran\u00e7aRep\u00f3rter A perda parcial ou total do olfato \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o indesejada, que vai al\u00e9m do inc\u00f4modo.&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":23143,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[86],"tags":[8186,116,32,33,117],"class_list":{"0":"post-23142","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-saude","8":"tag-destaques-1","9":"tag-health","10":"tag-portugal","11":"tag-pt","12":"tag-saude"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23142","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23142"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23142\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/23143"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23142"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23142"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23142"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}