{"id":231463,"date":"2026-01-16T13:45:07","date_gmt":"2026-01-16T13:45:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/231463\/"},"modified":"2026-01-16T13:45:07","modified_gmt":"2026-01-16T13:45:07","slug":"icnf-e-gnr-investigam-morte-de-17-milhafres-reais-em-almeida-conservacao-da-natureza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/231463\/","title":{"rendered":"ICNF e GNR investigam morte de 17 milhafres-reais em Almeida | Conserva\u00e7\u00e3o da natureza"},"content":{"rendered":"<p>O Instituto da Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza e das Florestas (ICNF) e o Servi\u00e7o de Protec\u00e7\u00e3o da Natureza e do Ambiente (Sepna) da GNR est\u00e3o a investigar o que aparenta ser um caso de envenenamento que ter\u00e1 resultado na morte de pelo menos 17 milhafres-reais, em Leomil, concelho de Almeida. A ave tem estatuto de protec\u00e7\u00e3o e est\u00e1 classificada no Livro Vermelho como Criticamente em Perigo (para a popula\u00e7\u00e3o residente, que c\u00e1 nidifica) ou Vulner\u00e1vel (para a invernante).<\/p>\n<p>O caso ter\u00e1 chegado ao conhecimento da GNR nesta segunda-feira, dia 12, ap\u00f3s o alerta de uma pessoa que se deparou com as primeiras aves mortas. Pedro Prata, do projecto Rewilding Portugal, diz que os <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2016\/12\/06\/ecosfera\/noticia\/o-unico-sobrevivente-de-um-grande-envenenamento-de-aves-regressa-a-natureza-1753926\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">milhafres-reais<\/a> (Milvus milvus) mortos estavam pr\u00f3ximos de um dormit\u00f3rio utilizado pelas aves e que \u00e9 dos poucos que existem do lado portugu\u00eas, j\u00e1 que a maior parte desses locais escolhidos pela esp\u00e9cie para pernoitar se encontra do lado espanhol. Por isso, sublinha, a morte de tantos animais por c\u00e1 \u201ctem consequ\u00eancias muito mais altas\u201d.<\/p>\n<p>Por enquanto, o ICNF n\u00e3o adianta qualquer causa para a morte das aves selvagens, limitando-se a indicar que foi feita \u201cuma vistoria conjunta\u201d do seu servi\u00e7o de Vigil\u00e2ncia e Fiscaliza\u00e7\u00e3o e da GNR no dia seguinte \u00e0 den\u00fancia para \u201cprospec\u00e7\u00e3o e recolha de ind\u00edcios\u201d, estando a decorrer \u201cos procedimentos previstos em situa\u00e7\u00f5es\u201d como esta. \u201cAssim que sejam conhecidos os resultados das an\u00e1lises forenses \u00e0s provas e ind\u00edcios recolhidos no local, o ICNF tomar\u00e1, no \u00e2mbito das suas compet\u00eancias, as provid\u00eancias que venham a revelar-se necess\u00e1rias\u201d, responde.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m a GNR se recusa, por enquanto, a arriscar o que ter\u00e1 estado na origem da morte destes milhafres, com o respons\u00e1vel das rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas da GNR da Guarda, tenente-coronel Joni Ferreira, a afirmar apenas que, depois de contactados pelo ICNF, estiveram no local, onde \u201cforam recolhidos os cad\u00e1veres de 17 milhafres-reais e alguns meios de prova\u201d, que est\u00e3o agora a ser analisados.<\/p>\n<p>Sobre a possibilidade de se estar perante um <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2016\/11\/25\/ecosfera\/noticia\/so-numa-semana-foram-envenenados-11-animais-selvagens-em-castro-verde-1752541\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">envenenamento<\/a> propositado, diz que, para j\u00e1, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel determinar se foi isso que aconteceu. \u201cO caso est\u00e1 em investiga\u00e7\u00e3o e s\u00f3 com o resultado dos exames em curso, nomeadamente laboratoriais, \u00e9 que ser\u00e1 poss\u00edvel saber algo mais\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Contudo, um elemento da equipa de vigil\u00e2ncia da <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/03\/02\/azul\/noticia\/faz-falta-rewilding-associacoes-destacam-importancia-renaturalizacao-plano-restauro-2124513\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Rewilding Portugal<\/a> esteve tamb\u00e9m no local e o que encontrou n\u00e3o deixa lugar a muitas d\u00favidas sobre o que ter\u00e1 acontecido. \u201cFoi colocado um isco envenenado, uma ovelha morta com veneno, num local usado pelos milhafres para pernoitarem em col\u00f3nia\u201d, denuncia Pedro Prata, que descreve que o alerta foi dado por volta das 8h. \u201cOs primeiros milhafres a sa\u00edrem do dormit\u00f3rio morreram logo ali e algu\u00e9m que se apercebeu deu o alerta. Estiveram presentes o ICNF e o Sepna e, no dia seguinte, uma brigada cinot\u00e9cnica da GNR, para tentar investigar a origem do veneno\u201d, relata o bi\u00f3logo.<\/p>\n<p>\u201cImpunidade\u201d<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Pereira, da Palombar, que desenvolve v\u00e1rios projectos de conserva\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies amea\u00e7adas no pa\u00eds, com particular incid\u00eancia no interior, tamb\u00e9m diz que a informa\u00e7\u00e3o que lhe chegou aponta para o envenenamento como causa da morte dos milhafres-reais, algo que, salienta, n\u00e3o \u00e9 novidade. \u201c\u00c9 uma esp\u00e9cie \u00e0 qual temos vindo a dedicar um esfor\u00e7o muito grande e que tem sido alvo regularmente de epis\u00f3dios de envenenamento ilegal em v\u00e1rias \u00e1reas da regi\u00e3o do Nordeste\u201d, diz.<\/p>\n<p>Tanto Jos\u00e9 Pereira como Pedro Prata salientam a exist\u00eancia do que dizem ser uma sensa\u00e7\u00e3o de \u201cimpunidade\u201d de quem continua a agir desta forma e que, salvaguarda o respons\u00e1vel da Palombar, s\u00e3o geralmente \u201cgrupos muito pequenos de pessoas, j\u00e1 que estas ac\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o bem vistas nas comunidades\u201d.<\/p>\n<p>Sobre a morte destes milhafres, o porta-voz da Rewilding Portugal sa\u00fada o facto de estar a haver uma investiga\u00e7\u00e3o, mas lamenta que nem sempre seja esse o caso. \u201cMortes com recurso a venenos proibidos s\u00e3o frequentes. Este caso n\u00e3o \u00e9 diferente de outros que t\u00eam vindo a acontecer, a \u00fanica diferen\u00e7a \u00e9 que houve alguma preocupa\u00e7\u00e3o em fazer investiga\u00e7\u00e3o. Ainda h\u00e1 cerca de dois anos houve uma data de raposas envenenadas e n\u00e3o foi mexida uma \u00fanica palha\u201d, diz Pedro Prata. \u201cEste caso \u00e9 um bocadinho impactante por causa do n\u00famero de indiv\u00edduos afectados e pela proximidade ao dormit\u00f3rio, mas morrerem dez raposas \u00e9 igualmente tr\u00e1gico para o ecossistema, ainda que a esp\u00e9cie n\u00e3o seja t\u00e3o priorit\u00e1ria. Felizmente, desta vez, est\u00e1 a haver investiga\u00e7\u00e3o e toda a cadeia de prova vai ser assegurada.\u201d<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Pereira refere que, ao longo do tempo, o milhafre-real tem sido \u201cmuito perseguido a n\u00edvel europeu e sofre muitos epis\u00f3dios de envenenamento\u201d, o que \u00e9 ainda mais incompreens\u00edvel dado tratar-se de uma esp\u00e9cie essencialmente necr\u00f3faga (alimenta-se de animais mortos) e que, quando ca\u00e7a, procura animais muito pequenos, como ratos ou insectos. Ou seja, n\u00e3o s\u00f3 tem um papel \u201cfundamental na manuten\u00e7\u00e3o do ecossistema\u201d, incluindo no combate \u00e0 propaga\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as ou pragas, como n\u00e3o \u00e9 uma amea\u00e7a para quem, por exemplo, se dedica \u00e0 ca\u00e7a.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o consigo perceber [como esta informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o passa]\u201d, lamenta o bi\u00f3logo. \u201cO esfor\u00e7o \u00e9 feito, mas se calhar \u00e9 preciso ser mais ambicioso e envolver mais actores, porque esse trabalho de sensibiliza\u00e7\u00e3o acaba por ficar muito concentrado nas ONGA [organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais de ambiente] que, por vezes, t\u00eam alguma dificuldade em ser ouvidas, por existir uma polariza\u00e7\u00e3o muito grande, como se o movimento conservacionista estivesse contra estes sectores [agr\u00edcola e cineg\u00e9tico], o que n\u00e3o \u00e9 verdade\u201d, insiste.<\/p>\n<p>Projecto a arrancar<\/p>\n<p>Do lado da Palombar, salienta, o esfor\u00e7o de conserva\u00e7\u00e3o \u00e9 para continuar. A associa\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 participa num projecto europeu de conserva\u00e7\u00e3o do milhafre-real \u2013 cujos resultados dos \u00faltimos cinco anos dever\u00e3o ser revelados em breve \u2013, como est\u00e1 a iniciar um novo projecto nacional, financiado pelo Norte 2030 e pelo munic\u00edpio de Miranda do Douro, que dever\u00e1 tra\u00e7ar um retrato mais fiel e actualizado da esp\u00e9cie.<\/p>\n<p>\u201cO projecto visa monitorizar a esp\u00e9cie, fazer um censo da popula\u00e7\u00e3o reprodutora, monitorizar os ninhos, fazer campanhas mais dirigidas ao milhafre, nas \u00e1reas onde ainda ocorrem os poucos animais que restam no pa\u00eds. Queremos marcar indiv\u00edduos desta esp\u00e9cie na \u00e1rea do Parque Natural do Douro Internacional, que \u00e9 onde est\u00e1 essencialmente concentrada a popula\u00e7\u00e3o reprodutora no pa\u00eds\u201d, diz.<\/p>\n<p>Os dados do ICNF apontam para a exist\u00eancia de apenas 50 a 100 casais reprodutores de milhafres-reais no pa\u00eds, com a popula\u00e7\u00e3o invernante (que passa c\u00e1 o Inverno, mas n\u00e3o se reproduz no pa\u00eds) a n\u00e3o ultrapassar os mil indiv\u00edduos.<\/p>\n<p>A Palombar espera vir a ter um retrato mais fidedigno e conseguir apoio privado para poder desenvolver mais ac\u00e7\u00f5es de conserva\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie. \u201cEssa ser\u00e1 a segunda fase do projecto, na qual queremos melhorar o habitat e conseguir mobilizar propriet\u00e1rios que possam aderir a medidas agro-ambientais que visam as aves de rapina\u201d, explica.<\/p>\n<p>A amea\u00e7a do envenenamento tamb\u00e9m continuar\u00e1 no radar da Palombar, que tem, inclusivamente, em curso o projecto <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2020\/11\/02\/local\/noticia\/tornar-grifo-sentinela-nao-queremos-quer-1937524#\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Sentinelas<\/a>, que recorre a aves marcadas com anilhas e GPS para perceber melhor as amea\u00e7as para a biodiversidade e ecossistemas que existem nos territ\u00f3rios que elas percorrem, e que v\u00e3o sendo detectadas \u00e0 medida que por ali se deslocam.<\/p>\n<p>Os milhafres-reais, a par com os grifos (Gyps fulvus), s\u00e3o as sentinelas recrutadas para este projecto, que j\u00e1 permitiu identificar suspeitas de v\u00e1rias amea\u00e7as, como envenenamento e abate a tiro, colis\u00e3o com linhas el\u00e9ctricas ou utiliza\u00e7\u00e3o ilegal de la\u00e7os, algumas das quais resultaram em participa\u00e7\u00f5es \u00e0s autoridades.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O Instituto da Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza e das Florestas (ICNF) e o Servi\u00e7o de Protec\u00e7\u00e3o da Natureza e&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":231464,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[3699,785,2780,27,28,3697,44275,353,15,16,2002,14,14827,25,26,21,22,12,13,19,20,32,23,24,33,44274,17,18,29,30,31],"class_list":{"0":"post-231463","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-portugal","8":"tag-aves","9":"tag-azul","10":"tag-biodiversidade","11":"tag-breaking-news","12":"tag-breakingnews","13":"tag-conservacao-da-natureza","14":"tag-crimes-ambientais","15":"tag-em-destaque","16":"tag-featured-news","17":"tag-featurednews","18":"tag-gnr","19":"tag-headlines","20":"tag-icnf","21":"tag-latest-news","22":"tag-latestnews","23":"tag-main-news","24":"tag-mainnews","25":"tag-news","26":"tag-noticias","27":"tag-noticias-principais","28":"tag-noticiasprincipais","29":"tag-portugal","30":"tag-principais-noticias","31":"tag-principaisnoticias","32":"tag-pt","33":"tag-rewilding-portugal","34":"tag-top-stories","35":"tag-topstories","36":"tag-ultimas","37":"tag-ultimas-noticias","38":"tag-ultimasnoticias"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":"Validation failed: Text character limit of 500 exceeded"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/231463","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=231463"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/231463\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/231464"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=231463"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=231463"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=231463"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}