{"id":231940,"date":"2026-01-16T20:22:25","date_gmt":"2026-01-16T20:22:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/231940\/"},"modified":"2026-01-16T20:22:25","modified_gmt":"2026-01-16T20:22:25","slug":"restauro-da-natureza-pode-ajudar-a-prevenir-incendios-e-cheias-ambiente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/231940\/","title":{"rendered":"Restauro da natureza pode ajudar a prevenir inc\u00eandios e cheias | Ambiente"},"content":{"rendered":"<p>\u00c0 medida que os Estados-membros da Uni\u00e3o Europeia preparam os respectivos <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/10\/23\/azul\/noticia\/plano-restauro-natureza-ja-concluiu-diagnostico-avanca-fase-propostas-prioridades-2151944\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Planos Nacionais de Restauro<\/a>, cujo prazo de entrega est\u00e1 agendado para meados de 2026, o Conselho Consultivo Cient\u00edfico das Academias Europeias (EASAC) emitiu um aviso claro: o restauro da natureza na Europa n\u00e3o deve ser encarado como uma mera obriga\u00e7\u00e3o legal ou um \u201cfardo administrativo\u201d, mas sim como um investimento estrat\u00e9gico vital para a estabilidade econ\u00f3mica e seguran\u00e7a do continente.<\/p>\n<p>Numa an\u00e1lise sobre a aplica\u00e7\u00e3o do Regulamento de Restauro da Natureza da Uni\u00e3o Europeia, os peritos do EASAC sublinham que os benef\u00edcios econ\u00f3micos de restaurar ecossistemas degradados superam largamente os custos previstos.<\/p>\n<p>Estima-se que os benef\u00edcios ascendam a 1800 mil milh\u00f5es de euros, contra custos de cerca de 150 mil milh\u00f5es, nomeadamente atrav\u00e9s da preven\u00e7\u00e3o de danos causados por eventos extremos e da melhoria da sa\u00fade p\u00fablica. Ou seja, o restauro da natureza \u00e9 a estrat\u00e9gia mais rent\u00e1vel para garantir a resili\u00eancia clim\u00e1tica da Europa.<\/p>\n<p>Restauro preventivo<\/p>\n<p>Para Thomas Elmqvist, investigador da Universidade de Estocolmo e director do programa de ambiente do EASAC, ignorar o papel econ\u00f3mico da natureza constitui um erro estrat\u00e9gico grave.<\/p>\n<p>Uma das recomenda\u00e7\u00f5es centrais dos peritos passa pela adop\u00e7\u00e3o do \u201crestauro preventivo\u201d, uma abordagem proactiva que visa mitigar desastres naturais, como inc\u00eandios rurais e secas, antes que estes ocorram, integrando em particular o sector agr\u00edcola nesta transi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O organismo cient\u00edfico exorta os Estados-membros a tratarem o capital natural \u2014 solos, biomassa, turfeiras, zonas h\u00famidas, rios e ecossistemas marinhos \u2014 como activos estrat\u00e9gicos essenciais, que devem ser devidamente financiados e geridos de forma coerente entre as v\u00e1rias tutelas do Governo.<\/p>\n<p>Paisagens \u201cpiro-diversas\u201d<\/p>\n<p>Um dos pilares centrais do documento \u00e9 precisamente o conceito de \u201crestauro preventivo\u201d, uma mudan\u00e7a estrat\u00e9gica que passa das respostas reactivas a cat\u00e1strofes para uma redu\u00e7\u00e3o proactiva dos riscos.<\/p>\n<p>No contexto espec\u00edfico dos inc\u00eandios florestais, uma amea\u00e7a cr\u00edtica para o Sul da Europa, o EASAC recomenda a cria\u00e7\u00e3o de paisagens \u201cpiro-diversas\u201d.<\/p>\n<p>A estrat\u00e9gia passa por desenhar mosaicos na paisagem, alternando manchas de floresta mista (com diversidade de esp\u00e9cies e idades) com pastagens e cinturas agro-florestais \u2014 uma proposta, ali\u00e1s, que tem vindo a ser defendida h\u00e1 v\u00e1rios anos por especialistas portugueses em fogos rurais. Esta descontinuidade do coberto vegetal, aliada ao abandono de monoculturas cont\u00ednuas, cria barreiras naturais que dificultam a propaga\u00e7\u00e3o das chamas.<\/p>\n<p>Esta abordagem inclui ainda o fomento do pastoreio extensivo para controlar a biomassa combust\u00edvel e a reidrata\u00e7\u00e3o de turfeiras ressequidas, medida que reduz drasticamente o risco de igni\u00e7\u00e3o e evita fogos subterr\u00e2neos dif\u00edceis de extinguir.<\/p>\n<p>\u201cO restauro da natureza n\u00e3o \u00e9 um luxo ambiental \u2014 \u00e9 uma <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2026\/01\/12\/azul\/noticia\/governo-quer-desemparedar-mil-quilometros-rios-ribeiras-ate-2030-2160899\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">gest\u00e3o b\u00e1sica de risco<\/a>\u201d, explica Thomas Elmqvist. \u201cNuma altura em que a Europa gasta milhares de milh\u00f5es a responder a inunda\u00e7\u00f5es, secas, inc\u00eandios florestais e impactos na sa\u00fade, o restauro de ecossistemas est\u00e1 entre os investimentos preventivos mais inteligentes que podemos fazer.\u201d<\/p>\n<p>Envolver agricultura<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio sublinha que o <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/02\/01\/azul\/noticia\/arrancam-finalmente-trabalhos-plano-restauro-natureza-2120998\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">sucesso dos planos nacionais<\/a> depender\u00e1 da capacidade de envolver activamente os sectores econ\u00f3micos, especialmente a agricultura.<\/p>\n<p>A agricultura regenerativa surge assim como um pilar fundamental. O objectivo \u00e9 reconstruir a mat\u00e9ria org\u00e2nica do solo e a reten\u00e7\u00e3o de \u00e1gua atrav\u00e9s de pr\u00e1ticas como a diversifica\u00e7\u00e3o de culturas e a agro-floresta, sem comprometer a produtividade.<\/p>\n<p>O EASAC recomenda que as pol\u00edticas devem recompensar os agricultores pelos resultados mensur\u00e1veis, como o carbono armazenado no solo e a biodiversidade, alinhando os incentivos da Pol\u00edtica Agr\u00edcola Comum (PAC) com as metas de restauro e eliminando subs\u00eddios que prejudiquem os sumidouros de carbono.<\/p>\n<p>\u201cA maior parte da resist\u00eancia deve-se ao facto de as pessoas verem esta lei apenas como mais uma regulamenta\u00e7\u00e3o que vem restringir as actividades e neg\u00f3cios dos agricultores\u201d, explica Thomas Elmqvist, notando que os planos nacionais de restauro podem trazer novas oportunidades.<\/p>\n<p>\u201cPrecisamos de mecanismos para resolver esta desigualdade na partilha de custos e benef\u00edcios, n\u00e3o esperamos que os propriet\u00e1rios de terras suportem os custos e que, depois, os benef\u00edcios sejam partilhados por todos os outros\u201d, notou o investigador.<\/p>\n<p>Para tal, ser\u00e1 necess\u00e1rio garantir coer\u00eancia pol\u00edtica entre minist\u00e9rios \u2014 desde o Ambiente \u00e0 Agricultura, passando pelas Finan\u00e7as e Energia \u2014, assegurando que os incentivos \u00e0 bioenergia e \u00e0 agricultura intensiva n\u00e3o colidem com os objectivos de recupera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Portugal elogiado pela ambi\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica<\/p>\n<p>Numa avalia\u00e7\u00e3o intercalar realizada pela <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/12\/17\/azul\/noticia\/plano-restauro-natureza-mapa-estrategico-bussola-financeira-2158502\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">coliga\u00e7\u00e3o europeia Restore Nature<\/a>, divulgada em Dezembro de 2025, Portugal surge destacado como um exemplo positivo. O pa\u00eds apresenta o seu Plano Nacional de Restauro como uma \u201cprioridade estrat\u00e9gica nacional\u201d, ligando-o explicitamente \u00e0 resili\u00eancia clim\u00e1tica e a benef\u00edcios socioecol\u00f3gicos, em vez de o tratar como um mero exerc\u00edcio de conformidade.<\/p>\n<p>Existem j\u00e1 alguns exemplos de programas de restauro que trazem benef\u00edcios econ\u00f3micos e sociais claros. A gest\u00e3o das florestas de sobreiro no Sul do pa\u00eds, entre os rios Tejo e Sado, com projectos como o <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/03\/03\/azul\/noticia\/organizacoes-serao-decisivas-plano-restauro-natureza-incluindo-angariar-fundos-2124413\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Green Heart of Cork<\/a>, que apoia propriet\u00e1rios na gest\u00e3o sustent\u00e1vel destas paisagens, tem mostrado resultados. Quando geridas segundo princ\u00edpios ecol\u00f3gicos, estas \u00e1reas funcionam como inibidores naturais de inc\u00eandios, al\u00e9m de serem fundamentais para o armazenamento de carbono e recarga de aqu\u00edferos.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m o rec\u00e9m-aprovado <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/10\/07\/azul\/noticia\/lobos-atacam-gado-estao-conflito-humanos-especialistas-pedem-accao-governo-2149566\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Programa Alcateia<\/a>, com um financiamento estimado em 15 milh\u00f5es de euros dedicado \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o do lobo-ib\u00e9rico\u200b, \u00e9 dado como exemplo de alinhamento com as recomenda\u00e7\u00f5es europeias. Prevendo medidas de apoio aos produtores pecu\u00e1rios, como a entrega de c\u00e3es de gado e constru\u00e7\u00e3o de veda\u00e7\u00f5es, assim como o restauro de habitats para presas selvagens como o cor\u00e7o, o programa promove a coexist\u00eancia e a manuten\u00e7\u00e3o de paisagens funcionais.<\/p>\n<p>A n\u00edvel urbano, Lisboa \u00e9 referida pelas medidas de adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 escassez h\u00eddrica, nomeadamente a reutiliza\u00e7\u00e3o de \u00e1guas residuais para rega de espa\u00e7os verdes e a cria\u00e7\u00e3o de bacias de reten\u00e7\u00e3o que funcionam como \u201cesponjas\u201d, reduzindo o risco de cheias.<\/p>\n<p>A remo\u00e7\u00e3o de <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2026\/01\/12\/azul\/noticia\/governo-quer-desemparedar-mil-quilometros-rios-ribeiras-ate-2030-2160899\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">barreiras em rios<\/a> \u00e9 outro tipo de ac\u00e7\u00e3o essencial para garantir a seguran\u00e7a h\u00eddrica que estar\u00e1 em foco no programa Pro-Rios 2030, lan\u00e7ado esta semana.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u00c0 medida que os Estados-membros da Uni\u00e3o Europeia preparam os respectivos Planos Nacionais de Restauro, cujo prazo de&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":231941,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[10],"tags":[562,1467,964,785,2780,27,28,3697,476,15,16,7954,14,25,26,21,22,12,13,19,20,44346,32,23,24,33,16862,17,18,29,30,31,636],"class_list":["post-231940","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-portugal","tag-agricultura","tag-agua","tag-ambiente","tag-azul","tag-biodiversidade","tag-breaking-news","tag-breakingnews","tag-conservacao-da-natureza","tag-economia","tag-featured-news","tag-featurednews","tag-florestas","tag-headlines","tag-latest-news","tag-latestnews","tag-main-news","tag-mainnews","tag-news","tag-noticias","tag-noticias-principais","tag-noticiasprincipais","tag-pac","tag-portugal","tag-principais-noticias","tag-principaisnoticias","tag-pt","tag-recursos-naturais","tag-top-stories","tag-topstories","tag-ultimas","tag-ultimas-noticias","tag-ultimasnoticias","tag-uniao-europeia"],"share_on_mastodon":{"url":"","error":"Validation failed: Text character limit of 500 exceeded"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/231940","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=231940"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/231940\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/231941"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=231940"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=231940"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=231940"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}