{"id":232804,"date":"2026-01-17T13:11:10","date_gmt":"2026-01-17T13:11:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/232804\/"},"modified":"2026-01-17T13:11:10","modified_gmt":"2026-01-17T13:11:10","slug":"astronomos-surpreendidos-por-onda-de-choque-misteriosa-em-torno-de-estrela-morta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/232804\/","title":{"rendered":"Astr\u00f3nomos surpreendidos por onda de choque misteriosa em torno de estrela morta"},"content":{"rendered":"<p><strong>O g\u00e1s e a poeira ejetados pelas estrelas podem, nas condi\u00e7\u00f5es certas, colidir com o meio circundante e criar uma onda de choque.<\/strong> Com o aux\u00edlio do Very Large Telescope (VLT) do Observat\u00f3rio Europeu do Sul (ESO), os astr\u00f3nomos capturaram imagens de uma onda de choque em torno de uma estrela morta \u2013 uma descoberta que os deixou intrigados. Segundo todos os mecanismos conhecidos, a pequena estrela morta RXJ0528+2838 n\u00e3o deveria ter este tipo de estrutura em seu redor. A descoberta, t\u00e3o enigm\u00e1tica quanto impressionante, desafia a nossa compreens\u00e3o de como as estrelas j\u00e1 mortas interagem com o meio que as rodeia.<\/p>\n<p><strong>\u201cAs nossas observa\u00e7\u00f5es revelaram um poderoso jato que, de acordo com o nosso conhecimento atual, n\u00e3o deveria existir.\u201d<\/strong><\/p>\n<p>\u201cEncontr\u00e1mos algo nunca antes observado e, mais importante ainda, completamente inesperado\u201d, afirma <strong>Simone Scaringi<\/strong>, professora associada da Universidade de Durham, no Reino Unido, e coautora principal do estudo publicado hoje na revista\u00a0Nature Astronomy. \u201cAs nossas observa\u00e7\u00f5es revelaram um poderoso jato que, de acordo com o nosso conhecimento atual, n\u00e3o deveria existir\u201d, diz <strong>Krystian Ilkiewicz<\/strong>, investigador em p\u00f3s-doutoramento no Centro Astron\u00f3mico Nicolaus Copernicus em Vars\u00f3via, Pol\u00f3nia, e coautor do estudo. \u201cJato\u201d \u00e9 o termo usado pelos astr\u00f3nomos para descrever o material que \u00e9 ejetado por objetos celestes.<\/p>\n<p>A estrela RXJ0528+2838 situa-se a 730 anos-luz de dist\u00e2ncia de n\u00f3s e, tal como o Sol e outras estrelas, orbita em torno do centro da nossa Gal\u00e1xia. \u00c0 medida que se move, a estrela vai interagindo com o g\u00e1s do meio interestelar (o espa\u00e7o que existe entre as estrelas), criando um tipo de onda de choque que pode ser descrita como \u201cum arco curvo de material, semelhante \u00e0 onda que se forma na frente de um navio em movimento\u201d, explica <strong>Noel Castro Segura<\/strong>, investigador da Universidade de Warwick, no Reino Unido, e colaborador deste estudo. Estas ondas de choques s\u00e3o geralmente criadas por material ejetado pela estrela central, mas, no caso da RXJ0528+2838, nenhum dos mecanismos que conhecemos consegue explicar totalmente as observa\u00e7\u00f5es agora obtidas.<\/p>\n<p>A RXJ0528+2838 \u00e9 uma an\u00e3 branca, ou seja, o n\u00facleo que resta de uma estrela de pequena massa na fase final da sua vida, e tem em\u00a0sua \u00f3rbita\u00a0uma estrela companheira semelhante ao Sol. Em sistemas bin\u00e1rios deste tipo, o material da companheira \u00e9 transferido para a an\u00e3 branca, dando frequentemente origem a um disco em seu redor. Este disco vai alimentando a an\u00e3 branca, mas uma parte da mat\u00e9ria \u00e9 tamb\u00e9m ejetada para o espa\u00e7o, o que produz jatos poderosos. No entanto, a RXJ0528+2838 n\u00e3o mostra sinais de possuir um disco, o que torna a origem do jato e da nebulosa resultante um mist\u00e9rio.<\/p>\n<p>\u201cFic\u00e1mos verdadeiramente surpreendidos por\u00a0um sistema supostamente calmo e sem disco poder dar origem a uma nebulosa t\u00e3o espetacular\u201d, diz <strong>Scaringi<\/strong>.<\/p>\n<p>A equipa detectou pela primeira vez uma estranha nebulosidade em torno da RXJ0528+2838 em imagens obtidas pelo Telesc\u00f3pio Isaac Newton, em Espanha. Notando a sua forma invulgar, os investigadores observaram-na com mais detalhe com o aux\u00edlio do instrumento <a href=\"https:\/\/www.eso.org\/public\/teles-instr\/paranal-observatory\/vlt\/vlt-instr\/muse\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">MUSE<\/a> montado no <a href=\"https:\/\/www.eso.org\/public\/teles-instr\/paranal-observatory\/vlt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">VLT<\/a> do ESO. \u201cAs observa\u00e7\u00f5es do MUSE permitiram-nos mapear a onda de choque com todo o detalhe e analisar a sua composi\u00e7\u00e3o, o que foi crucial para confirmar que esta estrutura tem realmente origem no sistema bin\u00e1rio e n\u00e3o numa nebulosa ou nuvem interestelar n\u00e3o relacionadas\u201d, explica <strong>Ilkiewicz<\/strong>.<\/p>\n<p>A forma e o tamanho da onda de choque observada sugerem que a an\u00e3 branca est\u00e1 a expelir um poderoso jato h\u00e1, pelo menos, um milhar de anos. Os cientistas n\u00e3o sabem exatamente como \u00e9 que uma estrela morta sem disco \u00e9 capaz de alimentar um jato t\u00e3o duradouro, mas t\u00eam algumas ideias.<\/p>\n<p><strong>\u201cA nossa descoberta mostra que, mesmo sem a presen\u00e7a de um disco, estes sistemas podem dar origem a jatos poderosos, revelando um mecanismo que ainda n\u00e3o compreendemos completamente.\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Sabe-se que\u00a0a RXJ0528+2838\u00a0possui um forte campo magn\u00e9tico, agora confirmado pelos dados do MUSE. Este campo magn\u00e9tico transfere o material \u201croubado\u201d \u00e0 estrela companheira diretamente para a an\u00e3 branca, sem que haja a forma\u00e7\u00e3o dum disco em seu redor. \u201cA nossa descoberta mostra que, mesmo sem a presen\u00e7a de um disco, estes sistemas podem dar origem a jatos poderosos, revelando um mecanismo que ainda n\u00e3o compreendemos completamente. Estes resultados desafiam a teoria comum que explica como \u00e9 que a mat\u00e9ria se movimenta e interage nestes sistemas bin\u00e1rios extremos\u201d, explica <strong>Ilkiewicz<\/strong>.<\/p>\n<p>Os resultados sugerem a exist\u00eancia duma fonte de energia oculta, provavelmente o forte campo magn\u00e9tico, no entanto esse \u201cmotor misterioso\u201d, como <strong>Scaringi<\/strong> o descreve, ainda tem de ser estudado. Os dados mostram que o campo magn\u00e9tico atual \u00e9 suficientemente forte para alimentar uma onda de choque deste tipo com dura\u00e7\u00e3o de algumas centenas de anos, ou seja, apenas explica parcialmente o que estamos a observar.<\/p>\n<p>Para melhor compreender a natureza destes jatos sem disco, \u00e9 necess\u00e1rio estudar muito mais sistemas bin\u00e1rios. O futuro\u00a0Extremely Large Telescope (<a href=\"https:\/\/elt.eso.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">ELT<\/a>) do ESO ajudar\u00e1 os astr\u00f3nomos a\u00a0\u201cdetectar e a mapear\u00a0com todo o detalhe\u00a0muitos destes sistemas, e tamb\u00e9m outros mais t\u00e9nues, o que, eventualmente, nos ajudar\u00e1 a compreender a misteriosa fonte de energia que permanece inexplicada\u201d, prev\u00ea <strong>Scaringi<\/strong>.<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"213\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/API-1024x213.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-36479\"  \/><strong>\u00a9 APImprensa<\/strong><\/p>\n<p>\u00a9 2026 Guimar\u00e3es, agora!<\/p>\n<p><strong>Partilhe a sua opini\u00e3o nos coment\u00e1rios em baixo!<\/strong><\/p>\n<p>Siga-nos no\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/guimaraesagora\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">Facebook<\/a>,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.x.com\/guimaraesagora\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">X<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/www.linkedin.com\/in\/guimaraesagora\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">LinkedIn<\/a>.<br \/>Quer falar connosco? 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