{"id":233249,"date":"2026-01-17T20:13:17","date_gmt":"2026-01-17T20:13:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/233249\/"},"modified":"2026-01-17T20:13:17","modified_gmt":"2026-01-17T20:13:17","slug":"por-que-mulheres-tem-mais-depressao-do-que-homens-pesquisa-robusta-traz-explicacoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/233249\/","title":{"rendered":"Por que mulheres t\u00eam mais depress\u00e3o do que homens? Pesquisa robusta traz explica\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p data-component-name=\"paragraph\" class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 gsLklW  \">Mulheres carregam uma carga gen\u00e9tica mais significativa para o transtorno depressivo maior (TDM) do que homens. \u00c9 o que indica a maior metan\u00e1lise j\u00e1 feita sobre diferen\u00e7as na <a href=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/tudo-sobre\/depressao\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\" title=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/tudo-sobre\/depressao\">depress\u00e3o<\/a> entre os sexos. Conduzido por pesquisadores da Universidade de Queensland, na Austr\u00e1lia, e publicado na <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41467-025-63236-1#Sec12\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Nature Communications<\/a> em agosto de 2025, o estudo analisou mais de 195 mil casos.<\/p>\n<p data-component-name=\"paragraph\" class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 gsLklW  \">A pesquisa tamb\u00e9m identificou, pela primeira vez, uma variante gen\u00e9tica associada \u00e0 depress\u00e3o exclusivamente em homens, localizada no cromossomo X, fornecido pela <a href=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/tudo-sobre\/mulher\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\" title=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/tudo-sobre\/mulher\/\">mulher<\/a> no momento da concep\u00e7\u00e3o. Os autores observaram que as variantes que influenciam o TDM no sexo masculino s\u00e3o um subconjunto daquelas encontradas em mulheres, e que o sexo feminino apresenta uma sobreposi\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica maior entre depress\u00e3o e caracter\u00edsticas como <a href=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/tudo-sobre\/obesidade\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\" title=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/tudo-sobre\/obesidade\">obesidade<\/a> e s\u00edndrome metab\u00f3lica.<\/p>\n<p><img  loading=\"lazy\" class=\"lazy-load-img\"\/><\/p>\n<p>Depress\u00e3o acomete mais mulheres do que homens e gen\u00e9tica pode ser um dos motivos por tr\u00e1s dessa diferen\u00e7a\u00a0Foto:  My Ocean studio\/Adobe Stock <\/p>\n<p>O estudo refor\u00e7a a import\u00e2ncia de an\u00e1lises estratificadas por sexo e sugere que abordagens cl\u00ednicas futuras, incluindo novos tratamentos, poder\u00e3o se beneficiar de estrat\u00e9gias que considerem diferen\u00e7as gen\u00e9ticas espec\u00edficas entre homens e mulheres. \u201cDe forma geral, o estudo confirma que a depress\u00e3o tem uma influ\u00eancia gen\u00e9tica\u201d, afirma o psiquiatra Ricardo Jonathan Feldman, do Einstein Hospital Israelita. \u201cE \u00e9 polig\u00eanica: v\u00e1rios genes podem contribuir para maior ou menor risco de desenvolver o transtorno.\u201d<\/p>\n<p>Mas a gen\u00e9tica n\u00e3o determina, sozinha, se uma pessoa ter\u00e1 depress\u00e3o. \u201cAs mulheres t\u00eam mais depress\u00e3o, epidemiologicamente falando\u201d, destaca Feldman. \u201cS\u00e3o v\u00e1rios motivos: al\u00e9m da quest\u00e3o gen\u00e9tica apontada pelo estudo, h\u00e1 fatores ambientais, como viol\u00eancia, traumas, desigualdades sociais e salariais, a sobrecarga cotidiana e influ\u00eancias hormonais.\u201d<\/p>\n<p data-component-name=\"paragraph\" class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 gsLklW  \">Segundo estat\u00edsticas globais, as mulheres t\u00eam quase o dobro de risco de desenvolver depress\u00e3o em compara\u00e7\u00e3o aos homens. De acordo com a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (<a href=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/tudo-sobre\/oms-organizacao-mundial-de-saude\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\" title=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/tudo-sobre\/oms-organizacao-mundial-de-saude\/\">OMS<\/a>), cerca de 4% da popula\u00e7\u00e3o mundial vive com depress\u00e3o \u2014 o equivalente a aproximadamente 332 milh\u00f5es de pessoas \u2014, incluindo 5,7% dos adultos (4,6% entre homens e 6,9% entre mulheres) e 5,9% daqueles com 70 anos ou mais. No Brasil, a <a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/ress\/a\/YJthwW4VYj6N59BjdS94FJM\/?format=html&amp;lang=pt\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Pesquisa Nacional de Sa\u00fade de 2019 <\/a>estimou que 10,2% dos adultos haviam recebido diagn\u00f3stico de depress\u00e3o, com preval\u00eancias de 14,7% entre mulheres e 5,1% entre homens.<\/p>\n<p data-component-name=\"paragraph\" class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 gsLklW  \">Em 2017, uma metan\u00e1lise com dados de 3,6 milh\u00f5es de participantes em mais de 90 pa\u00edses, publicada no <a href=\"https:\/\/psycnet.apa.org\/doiLanding?doi=10.1037%2Fbul0000102\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Psychological Bulletin<\/a>, mostrou que essa diferen\u00e7a come\u00e7a aos 12 anos, atinge o pico na adolesc\u00eancia \u2014 quando meninas podem apresentar at\u00e9 tr\u00eas vezes mais risco de depress\u00e3o do que meninos \u2014 e se mant\u00e9m est\u00e1vel ao longo da vida adulta. A disparidade aparece em diferentes formas de diagn\u00f3stico, culturas e regi\u00f5es.<\/p>\n<p>Quatro hip\u00f3teses sobre diferen\u00e7as<\/p>\n<p data-component-name=\"paragraph\" class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 gsLklW  \">A pesquisa partiu de um impasse: estudos anteriores chegavam a conclus\u00f5es opostas sobre o papel da gen\u00e9tica na diferen\u00e7a entre homens e mulheres. Alguns sugeriam que a influ\u00eancia era maior em mulheres; outros n\u00e3o viam diferen\u00e7a nenhuma. A falta de consenso motivou a nova metan\u00e1lise. Segundo os autores, a diverg\u00eancia se deve principalmente ao uso de metodologias distintas, especialmente na defini\u00e7\u00e3o de casos e na caracteriza\u00e7\u00e3o do fen\u00f3tipo de TDM, o que altera resultados e dificulta compara\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p data-component-name=\"paragraph\" class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 gsLklW  \">O universo analisado incluiu 130.471 casos em mulheres e 64.805 em homens. Os pesquisadores testaram quatro hip\u00f3teses principais sobre diferen\u00e7as gen\u00e9ticas associadas ao TDM: se variantes ligadas ao transtorno atuam com magnitudes distintas; se existem variantes exclusivas em um dos sexos; se o cromossomo X tem papel direto no risco; e se variantes com efeitos em mais de um tra\u00e7o ajudam a explicar essas diferen\u00e7as.<\/p>\n<p data-component-name=\"paragraph\" class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 gsLklW  \">Os resultados refor\u00e7am que a maioria das variantes associadas ao TDM \u00e9 compartilhada entre os dois sexos, mas n\u00e3o de forma id\u00eantica. As an\u00e1lises identificaram 16 variantes significativas em mulheres e oito em homens, incluindo a variante in\u00e9dita localizada no cromossomo X \u2014 achado que refor\u00e7a a utilidade de separar as an\u00e1lises por sexo.<\/p>\n<p data-component-name=\"paragraph\" class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 gsLklW  \">Apesar da ampla sobreposi\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica, o estudo apontou para uma carga de risco maior em mulheres, sustentada por um conjunto adicional de variantes exclusivas. Essa diferen\u00e7a permaneceu mesmo quando os pesquisadores consideraram o subdiagn\u00f3stico masculino, j\u00e1 que homens tendem a falar menos sobre o que sentem e buscar menos ajuda.<\/p>\n<p data-component-name=\"paragraph\" class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 gsLklW  \">Entre as limita\u00e7\u00f5es da pesquisa, por\u00e9m, est\u00e3o o desequil\u00edbrio amostral entre homens e mulheres; o foco exclusivo em pessoas de ancestralidade europeia; poss\u00edveis fatores de confus\u00e3o na an\u00e1lise de intera\u00e7\u00e3o gen\u00f3tipo-sexo; e a aus\u00eancia de procedimentos de controle de qualidade espec\u00edficos por sexo, que pode ter introduzido vieses t\u00e9cnicos.<\/p>\n<p>Novos alvos de tratamento<\/p>\n<p data-component-name=\"paragraph\" class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 gsLklW  \">Al\u00e9m das diferen\u00e7as gen\u00e9ticas gerais, o estudo destacou padr\u00f5es que ajudam a explicar caracter\u00edsticas espec\u00edficas da depress\u00e3o em mulheres. As an\u00e1lises revelam correla\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas mais fortes entre TDM feminino e tra\u00e7os metab\u00f3licos, como \u00edndice de massa corporal (IMC) elevado e s\u00edndrome metab\u00f3lica, al\u00e9m de vias biol\u00f3gicas ligadas ao sistema imune e genes associados a condi\u00e7\u00f5es neurol\u00f3gicas como epilepsia, Huntington e <a href=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/tudo-sobre\/autismo\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\" title=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/tudo-sobre\/autismo\/\">autismo<\/a>. <\/p>\n<p>Esses v\u00ednculos ajudam a entender por que sintomas como ganho de peso, aumento do apetite e hipersonia s\u00e3o mais frequentes nelas. \u201cEsse \u00e9 o impacto principal do estudo, pois pode oferecer novos alvos de tratamento. Por exemplo, se controlarmos melhor a obesidade e a s\u00edndrome metab\u00f3lica, talvez haja um controle melhor da depress\u00e3o\u201d, aponta o psiquiatra do Einstein.<\/p>\n<p>Nos homens, o padr\u00e3o \u00e9 distinto, com maior frequ\u00eancia de raiva, agressividade, comportamentos de risco e uso de subst\u00e2ncias. Isso reflete diferen\u00e7as biol\u00f3gicas combinadas a fatores ambientais e culturais. Segundo os autores, integrar achados gen\u00e9ticos espec\u00edficos por sexo \u00e0 pr\u00e1tica cl\u00ednica pode, no futuro, abrir caminho para estrat\u00e9gias diagn\u00f3sticas e terap\u00eauticas mais personalizadas contra o TDM, inclusive para o desenvolvimento de tratamentos que atuem em vias biol\u00f3gicas dependentes do sexo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Mulheres carregam uma carga gen\u00e9tica mais significativa para o transtorno depressivo maior (TDM) do que homens. \u00c9 o&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":233250,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[86],"tags":[4182,16909,7359,7670,10334,44553,4184,4185,44554,40342,14149,26547,17833,24090,4188,4190,21278,17670,1098,34425,13386,4194,116,44555,7367,19505,14153,1109,24092,24093,4200,1798,1112,1113,32,5509,21958,10343,33,4202,19509,117,7683,14160,14161,26555,19512,40347,17682,34434,200,26556],"class_list":["post-233249","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-saude","tag-alone","tag-bad","tag-caucasian","tag-clinical","tag-confusion","tag-cry","tag-depressed","tag-depression","tag-depressive","tag-despair","tag-disorder","tag-distress","tag-emotion","tag-emotional","tag-expression","tag-face","tag-failure","tag-feeling","tag-female","tag-frustrated","tag-frustration","tag-headache","tag-health","tag-hopeless","tag-illness","tag-loneliness","tag-lonely","tag-mental","tag-migraine","tag-negative","tag-pain","tag-patient","tag-people","tag-person","tag-portugal","tag-problem","tag-problems","tag-psychology","tag-pt","tag-sad","tag-sadness","tag-saude","tag-sick","tag-stress","tag-stressed","tag-thoughtful","tag-tired","tag-trouble","tag-unhappy","tag-upset","tag-woman","tag-worry"],"share_on_mastodon":{"url":"","error":"Validation failed: Text character limit of 500 exceeded"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/233249","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=233249"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/233249\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/233250"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=233249"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=233249"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=233249"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}