{"id":233472,"date":"2026-01-18T00:31:18","date_gmt":"2026-01-18T00:31:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/233472\/"},"modified":"2026-01-18T00:31:18","modified_gmt":"2026-01-18T00:31:18","slug":"os-humanos-sao-a-sua-principal-fonte-de-alimento-devido-a-falta-de-florestas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/233472\/","title":{"rendered":"os humanos s\u00e3o a sua principal fonte de alimento devido \u00e0 falta de florestas!"},"content":{"rendered":"<p> <img decoding=\"async\" fetchpriority=\"high\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/la-falta-de-bosque-esta-volviendo-a-los-humanos-el-alimento-principal-de-los-mosquitos-1768483576885.jpeg\"  width=\"768\" height=\"432\" alt=\"Os mosquitos n\u00e3o desenvolvem uma &quot;prefer\u00eancia&quot; estrita, mas antes adaptam-se, por conveni\u00eancia, ao hospedeiro mais dispon\u00edvel.\" title=\"Os mosquitos n\u00e3o desenvolvem uma &quot;prefer\u00eancia&quot; estrita, mas antes adaptam-se, por conveni\u00eancia, ao hospedeiro mais dispon\u00edvel.\" data-image=\"jnp0ifuoxtdt\"\/>Os mosquitos n\u00e3o desenvolvem uma &#8220;prefer\u00eancia&#8221; estrita, mas antes adaptam-se, por conveni\u00eancia, ao hospedeiro mais dispon\u00edvel.   <img decoding=\"async\" fetchpriority=\"high\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/christian-garavaglia.jpg\" alt=\"Christian Garavaglia\" width=\"40\" height=\"40\"\/>    <a class=\"nombre text-hv\" href=\"https:\/\/www.tempo.pt\/autor\/christian-garavaglia\/\" title=\"Christian Garavaglia\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Christian Garavaglia<\/a> Meteored Argentina       17\/01\/2026 09:03   6 min   <\/p>\n<p>A Mata Atl\u00e2ntica, um dos ecossistemas mais ricos e degradados do planeta, est\u00e1 a sofrer uma transforma\u00e7\u00e3o que vai muito para al\u00e9m do simples desaparecimento de \u00e1rvores e esp\u00e9cies. De acordo com um estudo publicado na revista Frontiers in Ecology and Evolution, a <strong>degrada\u00e7\u00e3o ambiental est\u00e1 a alterar os h\u00e1bitos alimentares dos mosquitos selvagens<\/strong>, levando-os a alimentar-se cada vez mais de sangue humano \u00e0 medida que os seus hospedeiros naturais desaparecem. <\/p>\n<p>Longe de ser um mero inc\u00f3modo sazonal, esta altera\u00e7\u00e3o constitui um sinal de <strong>alerta epidemiol\u00f3gico<\/strong>. Os investigadores alertam que a eros\u00e3o das barreiras ecol\u00f3gicas que antes confinavam certos v\u00edrus a ambientes florestais pode facilitar a sua dissemina\u00e7\u00e3o para as \u00e1reas urbanas. <\/p>\n<p>Mosquitos fora da sua \u00e1rea de distribui\u00e7\u00e3o natural. <\/p>\n<p>O estudo foi realizado em dois remanescentes da Mata Atl\u00e2ntica no estado do Rio de Janeiro: a Reserva Ecol\u00f3gica do Guapia\u00e7u e a Reserva S\u00edtio Recanto. Estes fragmentos florestais, cada vez mais amea\u00e7ados pela expans\u00e3o humana, permitiram aos investigadores <strong>capturar mosquitos com recurso a armadilhas luminosas<\/strong>, principalmente ao entardecer, quando muitas esp\u00e9cies s\u00e3o mais ativas. <\/p>\n<p>No total, foram identificadas 52 esp\u00e9cies e 1.714 exemplares capturados. Entre eles, 145 f\u00eameas \u2014 as \u00fanicas que se alimentam de sangue para p\u00f4r os seus ovos \u2014 apresentavam vest\u00edgios de sangue no abd\u00f3men. Gra\u00e7as \u00e0 an\u00e1lise gen\u00e9tica, a equipa conseguiu identificar a origem de algumas destas refei\u00e7\u00f5es. <\/p>\n<p>Os resultados foram surpreendentes: entre as sequ\u00eancias identific\u00e1veis, uma <strong>propor\u00e7\u00e3o significativa correspondia a sangue humano<\/strong>. Mais precisamente, 24 mosquitos alimentaram-se do sangue de 18 pessoas, bem como de um n\u00famero muito menor de aves, anf\u00edbios, um c\u00e3o e um roedor. <\/p>\n<p>A biodiversidade como barreira sanit\u00e1ria <\/p>\n<p>Num ecossistema saud\u00e1vel, os mosquitos selvagens alimentam-se normalmente de uma grande variedade de vertebrados, o que <strong>dilui a propaga\u00e7\u00e3o de agentes patog\u00e9nicos<\/strong>. No entanto, a desfloresta\u00e7\u00e3o e a fragmenta\u00e7\u00e3o florestal reduzem esta diversidade e concentram o risco. <\/p>\n<p><a class=\"imagen \" href=\"https:\/\/www.tempo.pt\/noticias\/plantas\/o-arbusto-esquecido-que-repele-mosquitos-resiste-a-seca-e-nao-precisa-de-poda.html\" title=\"O arbusto esquecido que repele mosquitos, resiste \u00e0 seca e n\u00e3o precisa de poda\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\"><img decoding=\"async\" fetchpriority=\"low\" class=\"lazy img-body non-editable\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/el-arbusto-olvidado-que-repele-mosquitos-resiste-la-sequia-y-no-necesita-poda-1755517745097_320.jpg\"  width=\"320\" height=\"225\"\/><\/a><\/p>\n<p>\u201cA <strong>biodiversidade atua como um amortecedor ecol\u00f3gico<\/strong>\u201d, explica Sergio Machado, coautor do estudo. Quando esta desaparece, os agentes patog\u00e9nicos deixam de se dispersar entre m\u00faltiplos hospedeiros e tendem a concentrar-se onde o contacto \u00e9 mais frequente: nos humanos. <\/p>\n<p>Os investigadores comparam este fen\u00f3meno ao degelo dos glaciares. N\u00e3o h\u00e1 um colapso imediato, mas o sistema torna-se inst\u00e1vel e come\u00e7am a surgir riscos antes contidos. <\/p>\n<p>Estes n\u00e3o s\u00e3o mosquitos urbanos<\/p>\n<p>Um dos aspetos mais preocupantes desta descoberta \u00e9 que o estudo n\u00e3o se focou em esp\u00e9cies urbanas como o Aedes aegypti, conhecido por transmitir dengue ou Zika, mas sim em mosquitos selvagens historicamente associados aos ciclos virais dentro da floresta. <\/p>\n<p><img decoding=\"async\" fetchpriority=\"low\" class=\"lazy \" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/la-falta-de-bosque-esta-volviendo-a-los-humanos-el-alimento-principal-de-los-mosquitos-1768483632518.jpeg\"  width=\"768\" height=\"432\" alt=\"Monitorizar o comportamento dos mosquitos ajuda a antecipar riscos para a sa\u00fade.\" title=\"Monitorizar o comportamento dos mosquitos ajuda a antecipar riscos para a sa\u00fade.\" data-image=\"8krmisqftum7\"\/>Monitorizar o comportamento dos mosquitos ajuda a antecipar riscos para a sa\u00fade.<\/p>\n<p>Algumas esp\u00e9cies chegam a ter uma dieta mista, combinando sangue humano com o de anf\u00edbios, aves ou roedores. Isto indica que <strong>os mosquitos n\u00e3o desenvolvem uma &#8220;prefer\u00eancia&#8221; acentuada<\/strong>, mas antes adaptam-se ao hospedeiro mais facilmente dispon\u00edvel. <\/p>\n<p>&#8220;O comportamento dos mosquitos \u00e9 complexo&#8221;, sublinha Jer\u00f3nimo Alencar, autor principal do estudo. &#8220;A<strong> proximidade e a disponibilidade de hospedeiros influenciam o seu comportamento<\/strong> tanto quanto, ou at\u00e9 mais do que, as suas prefer\u00eancias inatas.&#8221; <\/p>\n<p>Um padr\u00e3o que se repete ao longo da hist\u00f3ria<\/p>\n<p>A <strong>rela\u00e7\u00e3o entre a degrada\u00e7\u00e3o ambiental e as doen\u00e7as n\u00e3o \u00e9 recente<\/strong>. O v\u00edrus Zika, por exemplo, foi inicialmente identificado num ecossistema florestal no Uganda, antes de se espalhar para os humanos quando estes ambientes come\u00e7aram a ser alterados. Um fen\u00f3meno semelhante ocorreu durante a constru\u00e7\u00e3o do Canal do Panam\u00e1 e da Rodovia Transamaz\u00f3nica, quando milhares de trabalhadores adoeceram ap\u00f3s terem sido expostos a agentes patog\u00e9nicos anteriormente restritos \u00e0 floresta. <\/p>\n<p>A Mata Atl\u00e2ntica, que outrora cobria mais de 6.000 quil\u00f3metros da costa brasileira, conserva hoje <strong>apenas 12 a 15% da sua \u00e1rea original<\/strong>, dispersa em fragmentos isolados. <\/p>\n<p>Um aviso para o futuro<\/p>\n<p>Embora os cientistas reconhe\u00e7am o <strong>n\u00famero limitado de amostras <\/strong>analisadas e a necessidade de mais estudos, a mensagem \u00e9 clara: a monitoriza\u00e7\u00e3o do comportamento dos mosquitos ajuda a antecipar riscos para a sa\u00fade. <\/p>\n<p>\u201cSaber que os mosquitos de uma zona se alimentam sobretudo de sangue humano \u00e9 um <strong>sinal de alerta<\/strong>\u201d, conclui Machado. Num contexto de invas\u00e3o humana nos ecossistemas, a sa\u00fade ambiental e a sa\u00fade p\u00fablica parecem, mais uma vez, intimamente ligadas. <\/p>\n<p>Refer\u00eancia da not\u00edcia:<\/p>\n<p>D. C\u00e1ssia, <a href=\"https:\/\/www.frontiersin.org\/journals\/ecology-and-evolution\/articles\/10.3389\/fevo.2025.1721533\/full\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Aspects du repas sanguin des moustiques (Diptera : Culicidae) durant la p\u00e9riode cr\u00e9pusculaire dans les vestiges de la for\u00eat atlantique de l&#8217;\u00c9tat de Rio de Janeiro<\/a>. Frontiers in Ecology and Evolution, 2025.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Os mosquitos n\u00e3o desenvolvem uma &#8220;prefer\u00eancia&#8221; estrita, mas antes adaptam-se, por conveni\u00eancia, ao hospedeiro mais dispon\u00edvel. Christian Garavaglia&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":233473,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[86],"tags":[964,2780,4652,116,6541,1009,21542,32,33,117],"class_list":["post-233472","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-saude","tag-ambiente","tag-biodiversidade","tag-floresta","tag-health","tag-mosquito","tag-natureza","tag-picada","tag-portugal","tag-pt","tag-saude"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115913286215923283","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/233472","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=233472"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/233472\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/233473"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=233472"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=233472"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=233472"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}