{"id":23352,"date":"2025-08-10T10:24:04","date_gmt":"2025-08-10T10:24:04","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/23352\/"},"modified":"2025-08-10T10:24:04","modified_gmt":"2025-08-10T10:24:04","slug":"paulo-china-e-luis-figo-disseram-adeus-ao-7-cafe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/23352\/","title":{"rendered":"Paulo China e Lu\u00eds Figo disseram adeus ao 7 Caf\u00e9"},"content":{"rendered":"<p>O espa\u00e7o foi muito mais do que um snack-bar, restaurante ou bar. Chegou a ser o grande ponto de encontro dos turistas nacionais, e n\u00e3o s\u00f3, que estavam no Sotavento algarvio. Era tamb\u00e9m uma esp\u00e9cie de central de informa\u00e7\u00f5es, onde se podia saber qual a festa da noite, como arranjar convites para a zona VIP, que t\u00e1xis havia dispon\u00edveis \u2013 os TVDE estavam a muitos anos de surgirem -, qual a possibilidade de arranjar uma casa para pernoitar uma noite, onde tomar o pequeno-almo\u00e7o por volta das seis da manh\u00e3, ou procurar comida para levar para o barco ancorado na marina. Ou ainda para jantar fora de horas, bem como ver rostos conhecidos \u2013 foram muitos os que foram \u00e0 procura de encontrar o \u00eddolo da sua vida. O rosto dessa central de \u2018facilitamento\u2019, chamemos-lhe assim, era Paulo Tong, mais conhecido por Paulo China. Foi ele que teve primeiro uma esplanada perto daquela que veio a ficar conhecida como 7 Caf\u00e9 ou 7 Figo, e que convidou o ent\u00e3o craque do Barcelona para juntarem os dois espa\u00e7os e transformarem a marina de Vilamoura.<\/p>\n<p>\u00abO 7, e antes a esplanada do China, sempre foi o local onde eu dava apoio \u00e0s pessoas que precisavam de gelo, precisavam disto, precisavam daquilo. Nessa altura, o ponto de encontro de todas essas fam\u00edlias era a esplanada, que antes era a esplanada Clube N\u00e1utico\/ Paulo China\u00bb.<\/p>\n<p><strong>O ponto de encontro<br \/><\/strong>O s\u00f3cio de Lu\u00eds Figo explica o passo seguinte. \u00abDepois junt\u00e1mos os dois espa\u00e7os e fizemos o \u20187 Figo e China\u2019. Nessa altura juntava-se a nata da nata. Era o ponto de encontro. Depois eu \u2018mandava\u2019 as pessoas para o amigo banheiro (risos) [leia-se Lu\u00eds Evaristo, ent\u00e3o na Casa do Castelo, em Albufeira, e depois no Sasha em Portim\u00e3o, e de quem China \u00e9 muito amigo], para a Trigonometria ou para o T-Clube, Locomia, Kadoc\u2026\u00bb, recorda Paulo China que n\u00e3o podia ficar sem bateria no telem\u00f3vel, pois as chamadas sucediam-se e eram muitos os que chegavam ao Algarve e lhe ligavam. \u00abEstamos a falar desde presidentes de c\u00e2maras, Porto, Matosinhos e por a\u00ed fora, Fernando Gomes, M\u00e1rio Almeida, Narciso Miranda, Santana Lopes, todos os ministros de Cavaco, entre os quais Fernando Nogueira, Silva Peneda. Havia os desportistas, os pol\u00edticos e as fam\u00edlias da \u00e1rea financeira, como Pedro Queiroz Pereira, os irm\u00e3os Nogueiras, os da RAR. Havia a nata do mundo das finan\u00e7as\u00bb.<\/p>\n<p>Agora tudo terminou com a venda do espa\u00e7o ao fundo imobili\u00e1rio Arrow Global, o novo \u2018dono\u2019 de Vilamoura, mas deixemos a hist\u00f3ria da venda mais para o fim e vamos ao in\u00edcio do \u2018casamento\u2019 Paulo China\/Lu\u00eds Figo.<\/p>\n<p><strong>O empurr\u00e3o de Andr\u00e9 Jordan<br \/><\/strong>\u00abO 7 foi a jun\u00e7\u00e3o com a esplanada do Clube N\u00e1utico\/China, que ter\u00e1 come\u00e7ado nos finais dos anos 70, in\u00edcio dos anos 80. Com a chegada do Andr\u00e9 Jordan, que foi dono de Vilamoura, eles tinham aquele patrim\u00f3nio, o Clube N\u00e1utico, e venderam-nos o espa\u00e7o. At\u00e9 porque o Clube N\u00e1utico passou para o outro lado da marina, junto ao Manel do Peixe. Como n\u00e3o tinha dinheiro para comprar o espa\u00e7o, convidei o Lu\u00eds, que gostou da ideia. Fizemos a jun\u00e7\u00e3o dos dois espa\u00e7os em 1998, e durante o Mundial de Futebol em Fran\u00e7a, como Portugal n\u00e3o foi apurado, o Lu\u00eds Figo viu os jogos da sele\u00e7\u00e3o com muitos amigos portugueses e n\u00e3o s\u00f3. O Figo nessa altura estava no Barcelona e decidiu investir no Algarve. Ele j\u00e1 vinha para Vilamoura desde os tempos do Sporting. Andr\u00e9 Jordan, o guru de todos os tempos, gostava muito de desporto, nomeadamente de futebol, e gostou da ideia\u00bb, come\u00e7a por dizer Paulo China ao SOL.<\/p>\n<p>Para quem n\u00e3o viveu esses tempos, diga-se que a marina de Vilamoura, em agosto, \u00e0 noite, fazia lembrar o Metro em hora de ponta, com muitos a quererem ser vistos e outros a quererem ver. No meio de uma enorme multid\u00e3o passeavam, a passo de caracol, carros de luxo, com os Ferrari \u00e0 cabe\u00e7a, mas havia centenas ou mesmo milhares de pessoas que passavam pelo 7 Caf\u00e9 para tentar encontrar o craque ou algum dos seus colegas futebolistas.<\/p>\n<p><strong>Os promotores do bar<br \/><\/strong>Paulo China era o operacional do neg\u00f3cio e Lu\u00eds Figo o nome que dava \u2018chama\u2019 ao espa\u00e7o. Desde muito cedo ligado ao mundo do futebol, China conheceu a velha gera\u00e7\u00e3o de jogadores, como Sh\u00e9u ou Eus\u00e9bio, mas tornou-se uma esp\u00e9cie de porto de abrigo de muitos dos jogadores que surgiram depois de Portugal ter sido bi-campe\u00e3o de sub-20, a gera\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o Vieira Pinto, Paulo Madeira, Figo, Rui Costa, Fernando Couto ou o recentemente falecido Jorge Costa. \u00abHavia o conv\u00edvio entre as gera\u00e7\u00f5es do Carlos Manuel, do Diamantino com as gera\u00e7\u00f5es do Rui Costa, Figo e dos campe\u00f5es de Riade. O ambiente era giro, saud\u00e1vel, est\u00e1vamos na fase em que ningu\u00e9m recusava um aut\u00f3grafo, uma foto\u00bb, acrescenta Paulo China.<\/p>\n<p>Continuando nas mem\u00f3rias, em meados dos anos 90, Paulo China organizava um jogo de futebol entre os craques portugueses em f\u00e9rias com os amigos estrangeiros. Os primeiros jogos realizaram-se no ent\u00e3o pelado do Est\u00e1dio Municipal de Quarteira, em que entravam craques estrangeiros como Pepe Guardiola, Zenden, Phillipe Cocu, Paul Gascoigne, entre tantos outros. Terminado o jogo, seguia-se um op\u00edparo jantar no D. Pedro, em Vilamoura. E eram esses craques todos, mais a col\u00f3nia do Reino Unido, que frequentavam o 7 Figo, ou 7 Caf\u00e9 \u2013 h\u00e1 diferentes nomes para o mesmo espa\u00e7o.<\/p>\n<p>\u00abHavia muita gente an\u00f3nima que ia l\u00e1 \u00e0 procura do Figo e das outras vedetas. O Lu\u00eds, que jogava em Barcelona, levava os colegas da equipa para Vilamoura, e o Rui Costa tamb\u00e9m foi um grande promotor, trazendo v\u00e1rios colegas da Fiorentina, e depois do Mil\u00e3o. O Van Gaal e os jogadores holandeses passavam por l\u00e1, mas iam muito para Vale de Lobo, que era do van Gelder\u00bb, adianta China. As paredes do 7 Figo espelhavam precisamente a viv\u00eancia de Paulo China com os v\u00e1rios craques ao longo de d\u00e9cadas. O que ir\u00e1 fazer a esse esp\u00f3lio, China prefere outra ocasi\u00e3o para dizer de sua justi\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>Av\u00f4s, pais e filhos<br \/><\/strong>A vida de Paulo China confunde-se, nos \u00faltimos 30 anos, com os espa\u00e7os que liderou na restaura\u00e7\u00e3o. Conheceu fam\u00edlias inteiras, de av\u00f3s a netos, e recorda que tinha de estar praticamente 24 horas dispon\u00edvel para resolver os v\u00e1rios problemas que os veraneantes iam passando. \u00abDurante a manh\u00e3, eram os pais que apareciam, \u00e0s vezes com os av\u00f3s. \u00c0 tarde encontravam-se todos, quando sa\u00edam da praia. Mas \u00e0 noite quem ficava eram os filhos que se preparavam para a festa comendo o bifinho do Chin\u00eas e bebendo sangrias e shots de tequila \u2013 o 7 Caf\u00e9 era um dos locais preferidos dos promotores das festas para entregarem os convites \u2013 at\u00e9 porque fech\u00e1vamos mais tarde\u00bb.<\/p>\n<p><strong>\u2018A vida \u00e9 um sopro\u2019<br \/><\/strong>Sem problemas financeiros, quais as raz\u00f5es ent\u00e3o para vender o m\u00edtico espa\u00e7o ao fundo americano? \u00ab\u00c9 preciso saber sair na hora certa. A vida \u00e9 um sopro e \u00e9 preciso aproveit\u00e1-la. Estou reformado, reformei-me aos 66, tenho 68 anos, e h\u00e1 50 que comecei a lavar pratos e casas de banho, e acho que chegou a altura de ter mais tempo para a fam\u00edlia e amigos. As minhas filhas formaram-se e n\u00e3o queriam continuar com o neg\u00f3cio, da parte do Figo a mesma coisa. N\u00f3s se n\u00e3o vend\u00eassemos t\u00ednhamos que apostar numa renova\u00e7\u00e3o, investindo na imagem, e acho que tamb\u00e9m era a altura tamb\u00e9m de n\u00f3s investirmos na imagem, pois apesar do 7 Caf\u00e9 ser um nome conhecido, era preciso adaptarmo-nos \u00e0s novas tend\u00eancias. Foram muitos anos, foi uma grande escola de vida, de faculdade de conhecimento, tudo que aprendi foi nessa escola\u2026 Eu n\u00e3o tinha s\u00f3 que tratar do 7 Caf\u00e9, pois no final do dia n\u00e3o era s\u00f3 o restaurante, era mais tratar das pessoas, das fam\u00edlias, disto e daquilo, tratar das entradas nas discotecas e por a\u00ed fora. Conheci Portugal todo, de uma ponta a outra, porque era um s\u00edtio de moda, n\u00e3o \u00e9?\u00bb, termina Paulo China, o Chin\u00eas. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O espa\u00e7o foi muito mais do que um snack-bar, restaurante ou bar. 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