{"id":233870,"date":"2026-01-18T10:32:07","date_gmt":"2026-01-18T10:32:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/233870\/"},"modified":"2026-01-18T10:32:07","modified_gmt":"2026-01-18T10:32:07","slug":"paisagem-sob-o-manto-de-gelo-da-antarctida-foi-revelada-com-detalhe-sem-precedentes-antarctida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/233870\/","title":{"rendered":"Paisagem sob o manto de gelo da Ant\u00e1rctida foi revelada com detalhe sem precedentes | Ant\u00e1rctida"},"content":{"rendered":"<p>Uma equipa de cientistas concebeu o mapa mais detalhado at\u00e9 \u00e0 data do terreno oculto sob o vasto manto de gelo que cobre a Ant\u00e1rctida, revelando uma paisagem exuberante composta por montanhas, desfiladeiros, vales e plan\u00edcies, ao mesmo tempo que identifica, pela primeira vez, dezenas de milhares de colinas e outras forma\u00e7\u00f5es menores.<\/p>\n<p>O estudo, publicado esta quinta-feira na <a href=\"https:\/\/www.science.org\/doi\/10.1126\/science.ady2532\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">revista Science<\/a>, foca-se na chamada \u201c\u200bmeso-escala\u201d \u2014 forma\u00e7\u00f5es geol\u00f3gicas entre dois e 30 quil\u00f3metros de extens\u00e3o \u2014 que escapavam sistematicamente \u00e0 detec\u00e7\u00e3o nos rastreios anteriores.<\/p>\n<p>Para cartografar a totalidade do continente, incluindo zonas anteriormente inexploradas, os investigadores recorreram \u00e0s mais recentes observa\u00e7\u00f5es de sat\u00e9lite de alta resolu\u00e7\u00e3o e a um m\u00e9todo inovador designado por \u201can\u00e1lise de perturba\u00e7\u00e3o do fluxo de gelo\u201d.<\/p>\n<p>Duncan Young, geof\u00edsico que <a href=\"https:\/\/www.science.org\/doi\/10.1126\/science.aee4245\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">comenta o estudo<\/a> na mesma edi\u00e7\u00e3o da Science, recorre a uma analogia visual para explicar a t\u00e9cnica: seria algo como verter xarope sobre um bolo irregular, em que a forma como o l\u00edquido escorre \u00e0 superf\u00edcie revela onde est\u00e3o os \u201cgrumos\u201d, ou seja, os altos e baixos da massa subjacente. Esta abordagem permitiu corrigir a \u201csuaviza\u00e7\u00e3o\u201d artificial criada pelos m\u00e9todos tradicionais, que tendiam a apresentar o leito rochoso como sendo muito mais plano do que \u00e9 na realidade.<\/p>\n<p>Um conhecimento aprofundado da paisagem deste leito rochoso subglacial poder\u00e1 ser determinante para as previs\u00f5es relativas ao recuo do <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2024\/07\/31\/azul\/noticia\/mar-escavar-lagrimas-base-plataforma-gelo-antarctida-2099441\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">manto de gelo da Ant\u00e1rctida<\/a> provocado pelas altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas. Investiga\u00e7\u00f5es anteriores j\u00e1 tinham indicado que terrenos acidentados, como encostas escarpadas e cumes montanhosos, podem <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2024\/08\/29\/azul\/noticia\/cientistas-chile-questionam-antarctida-atingiu-ponto-retrocesso-2102078\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">abrandar este recuo<\/a>, agindo como trav\u00f5es naturais.<\/p>\n<p>\u201cDispor do mapa mais rigoroso da configura\u00e7\u00e3o do leito da Ant\u00e1rctida \u00e9 crucial, uma vez que a forma do leito exerce um controlo importante sobre a fric\u00e7\u00e3o que actua contra o fluxo do gelo. Precisamos de incluir este factor nos modelos num\u00e9ricos utilizados para projectar a rapidez com que o gelo da Ant\u00e1rctida fluir\u00e1 para o oceano, derreter\u00e1 e contribuir\u00e1 para a subida global do n\u00edvel do mar\u201d, explica o glaciologista Robert Bingham, da Universidade de Edimburgo, um dos coordenadores do estudo, citado pela Reuters.<\/p>\n<p>        &#13;<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n                &#13;\n            <\/p>\n<p>&#13;<\/p>\n<p>Precis\u00e3o sem precedentes<\/p>\n<p>Os investigadores conseguiram mapear o terreno subglacial com uma precis\u00e3o in\u00e9dita. A t\u00edtulo de exemplo, identificaram mais de 30 mil colinas anteriormente desconhecidas, definidas como protuber\u00e2ncias do terreno com, pelo menos, 50 metros de altura.<\/p>\n<p>Esta nova clareza permitiu at\u00e9 corrigir velhos dados geogr\u00e1ficos: o estudo revela que o gelo mais espesso do mundo n\u00e3o reside na Bacia do Astrol\u00e1bio, como se pensava, mas num canh\u00e3o sem nome na Terra de Wilkes, onde atinge a profundidade abissal de 4757 metros.<\/p>\n<p>Outro caso paradigm\u00e1tico \u00e9 o da corrente de gelo Recovery, na Ant\u00e1rctida Oriental: onde os mapas antigos mostravam um vale amplo e liso, a nova an\u00e1lise exp\u00f5e uma topografia complexa e rugosa, o que altera significativamente os c\u00e1lculos sobre a velocidade de deslizamento do gelo nessa regi\u00e3o cr\u00edtica.<\/p>\n<p>\u201cTodos os continentes cont\u00eam, em si mesmos, uma gama de paisagens muito d\u00edspares, desde imponentes cadeias montanhosas a imensas plan\u00edcies. A paisagem oculta da Ant\u00e1rctida tamb\u00e9m alberga estes vastos extremos\u201d, observa Robert Bingham. \u201c\u00c9 tudo menos mon\u00f3tona.\u201d<\/p>\n<p>Dimens\u00e3o impressionante<\/p>\n<p>Tradicionalmente, os cientistas mapeavam a paisagem utilizando radares em avi\u00f5es, mas esses levantamentos deixavam frequentemente lacunas de cinco ou dez quil\u00f3metros entre si, por vezes at\u00e9 de 150 quil\u00f3metros. O novo m\u00e9todo, segundo a autora principal Helen Ockenden, permite \u201cdizer como deve ser a paisagem sob o gelo em todo o continente, incluindo em todas essas lacunas\u201d.<\/p>\n<p>O m\u00e9todo utilizado neste novo estudo, explica a glaciologista do Institut des G\u00e9osciences de l&#8217;Environnement, em Fran\u00e7a\u200b, \u201c\u00e9 realmente entusiasmante porque nos permite combinar a matem\u00e1tica do fluxo do gelo com observa\u00e7\u00f5es de sat\u00e9lite de alta resolu\u00e7\u00e3o da superf\u00edcie\u201d. Assim, refere, \u201cganhamos realmente uma ideia muito mais completa de como todas as caracter\u00edsticas da paisagem se interligam.\u201d<\/p>\n<p>A dimens\u00e3o da Ant\u00e1rctida, recorde-se, \u00e9 impressionante: \u00e9 cerca de 40% maior do que a Europa, 50% maior do que os Estados Unidos e ocupa sensivelmente metade da \u00e1rea de \u00c1frica.<\/p>\n<p>O <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2024\/08\/30\/azul\/noticia\/cientistas-nasa-constroem-sondas-medir-velocidade-alteracoes-climaticas-gelo-antarctida-2102334\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">manto de gelo da Ant\u00e1rctida<\/a> constitui a maior massa de gelo da Terra e ret\u00e9m cerca de 70% da \u00e1gua doce do planeta. A sua espessura m\u00e9dia est\u00e1 estimada em cerca de 2,1 quil\u00f3metros, atingindo uma espessura m\u00e1xima agora revista de quase 4,8 quil\u00f3metros.<\/p>\n<p>Um \u201cmapa do tesouro\u201d para o futuro<\/p>\n<p>Contudo, a Ant\u00e1rctida nem sempre esteve coberta de gelo. As suas caracter\u00edsticas subglaciares foram inicialmente esculpidas antes de o continente adquirir o seu revestimento gelado, h\u00e1 mais de 34 milh\u00f5es de anos, tendo sido posteriormente modificadas pela din\u00e2mica do manto de gelo. Outrora ligada \u00e0 Am\u00e9rica do Sul, a Ant\u00e1rctida separou-se devido ao processo de tect\u00f3nica de placas.<\/p>\n<p>O novo mapa revela agora uma paisagem repleta de diversidade. \u201cPossivelmente, o tipo de paisagem que muitas pessoas conhecer\u00e3o menos \u00e9 o dos &#8216;planaltos dissecados por vales glaciares profundos&#8217;. Posso garantir que \u00e9 muito familiar para os escoceses, mas \u00e9 tamb\u00e9m uma paisagem comum na Escandin\u00e1via, no norte do Canad\u00e1 e na Gronel\u00e2ndia\u201d, afirma Robert Bingham.<\/p>\n<p>Os investigadores notaram ainda um dado curioso: at\u00e9 agora, a superf\u00edcie de Marte estava mais bem cartografada do que o terreno subglacial da Ant\u00e1rctida.<\/p>\n<p>A equipa espera que o mapa sirva para afinar os modelos utilizados para projectar a futura subida do n\u00edvel do mar e as <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2024\/10\/04\/azul\/noticia\/antarctida-ficar-verde-ritmo-dramatico-2106602\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">previs\u00f5es emitidas<\/a> pelo Painel Intergovernamental sobre Altera\u00e7\u00f5es Clim\u00e1ticas das Na\u00e7\u00f5es Unidas (IPCC, na sigla em ingl\u00eas), que fornece aos governos dados para moldar as pol\u00edticas clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Como <a href=\"https:\/\/www.science.org\/doi\/10.1126\/science.aee4245\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">sublinha Duncan Young<\/a>, este trabalho funcionar\u00e1 como um \u201cmapa do tesouro\u201d para futuras miss\u00f5es, permitindo aos cientistas direccionar os dispendiosos radares a\u00e9reos para as anomalias agora detectadas, em vez de voarem \u00e0s cegas sobre a imensid\u00e3o branca. \u201cPodemos agora identificar melhor onde a Ant\u00e1rctida necessita de levantamentos de campo mais detalhados e onde tal n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio\u201d, conclui Bingham.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Uma equipa de cientistas concebeu o mapa mais detalhado at\u00e9 \u00e0 data do terreno oculto sob o vasto&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":233871,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[84],"tags":[29069,785,109,107,108,2271,12114,7833,541,32,33,105,103,104,106,110],"class_list":{"0":"post-233870","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-ciencia-e-tecnologia","8":"tag-antarctida","9":"tag-azul","10":"tag-ciencia","11":"tag-ciencia-e-tecnologia","12":"tag-cienciaetecnologia","13":"tag-clima","14":"tag-gelo","15":"tag-geologia","16":"tag-investigacao-cientifica","17":"tag-portugal","18":"tag-pt","19":"tag-science","20":"tag-science-and-technology","21":"tag-scienceandtechnology","22":"tag-technology","23":"tag-tecnologia"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115915649345076352","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/233870","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=233870"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/233870\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/233871"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=233870"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=233870"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=233870"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}