{"id":23494,"date":"2025-08-10T13:00:24","date_gmt":"2025-08-10T13:00:24","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/23494\/"},"modified":"2025-08-10T13:00:24","modified_gmt":"2025-08-10T13:00:24","slug":"o-agente-que-sobreviveu-a-cinco-tiros-de-terroristas-observador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/23494\/","title":{"rendered":"O agente que sobreviveu a cinco tiros de terroristas \u2013 Observador"},"content":{"rendered":"<p>27 de julho de 1983, pouco depois das 10h30. Ab\u00edlio Pereira, jovem agente da PSP em in\u00edcio de carreira, passava pela Avenida das Descobertas, no Restelo. Foi l\u00e1 que encontrou um grupo de terroristas arm\u00e9nios, que o atingiram com <strong>cinco tiros \u00e0 queima-roupa<\/strong>. Era o in\u00edcio do atentado \u00e0 Embaixada da Turquia, um dos ataques terroristas internacionais narrados <a href=\"https:\/\/observador.pt\/programas\/1983-portugal-queima-roupa\/episodio-3-ataque-a-embaixada\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">no novo Podcast Plus do Observador, \u201c1983: Portugal \u00e0 Queima-Roupa\u201d.\u00a0<\/a><\/p>\n<p>De manh\u00e3, quando saiu para a patrulha, n\u00e3o era aquele o dia que tinha idealizado. Essa quarta-feira <strong>era apenas o seu terceiro dia de patrulha individual<\/strong>. Naquela altura, um jovem sa\u00eddo da academia de pol\u00edcia tinha de passar por um m\u00eas de patrulha acompanhado por um colega com mais experi\u00eancia. Aos 23 anos, Ab\u00edlio j\u00e1 tinha cumprido esse per\u00edodo. Dois dias antes do ataque, na segunda-feira, estreara-se no servi\u00e7o a solo \u00e0 porta da esquadra de Bel\u00e9m. Na ter\u00e7a-feira, a patrulha tinha sido na Avenida da Torre de Bel\u00e9m. Quarta era suposto percorrer a zona da Avenida das Descobertas.<\/p>\n<p>Acabou a escola da pol\u00edcia com boas notas, e por isso <strong>podia ter escolhido entrar na esquadra que quisesse<\/strong>. Em vez de optar por uma vida mais tranquila \u2013 no m\u00ednimo ao in\u00edcio, para se ambientar na vida como agente \u2013 juntou-se \u00e0 4\u00aa Divis\u00e3o da Pol\u00edcia de Seguran\u00e7a P\u00fablica. Entre as zonas da capital que iria ter de cobrir, como o Calv\u00e1rio, Campo de Ourique ou Bel\u00e9m, teria de trabalhar ativamente em alguns dos bairros que, em 1983, eram considerados os mais problem\u00e1ticos de Lisboa: Casal Ventoso, Bairro 2 de Maio e Casalinho da Ajuda.<\/p>\n<p>\u201cEra o que viesse, na altura\u201d, explica Ab\u00edlio Pereira. O ent\u00e3o jovem agente tinha fam\u00edlia nas for\u00e7as de seguran\u00e7a \u2013 um primo na GNR e o outro na Pol\u00edcia Judici\u00e1ria. Sabia no que se estava a meter. Era uma vida de aventura que procurava e foi para uma vida de aventura que se inscreveu. Na Avenida das Descobertas n\u00e3o \u00e9 costume haver rusgas nem persegui\u00e7\u00f5es \u2013 naquela zona h\u00e1 pouco mais do que embaixadas. N\u00e3o significava que na manh\u00e3 daquela quarta-feira n\u00e3o estivesse nervoso. \u201cNo terceiro dia, <strong>a pessoa vai com medo<\/strong>. A farda \u00e9 um inc\u00f3modo. \u00c9 pesada. Quando a pessoa come\u00e7a a trabalhar sozinha, a farda \u00e9 pesada. A pessoa come\u00e7a a olhar para todos os lados. N\u00e3o sabe como h\u00e1 de estar.\u201d<\/p>\n<p>Acordou nas camaratas da PSP na Ajuda. Para que tudo corresse bem, tinha certos rituais. \u201cQuando sa\u00edamos da camarata, depois de nos fardarmos, pass\u00e1vamos pelo espelho, a ver como est\u00e1vamos. N\u00f3s, quando nos fard\u00e1vamos, olh\u00e1vamos pelo espelho e depois \u00edamos para a rua.\u201d Tomou o pequeno-almo\u00e7o j\u00e1 na esquadra de Bel\u00e9m, uma sandes de fiambre e um copo de leite.<\/p>\n<p><strong>[Um jovem pol\u00edcia \u00e9 surpreendido ao terceiro dia de trabalho: a embaixada da Turquia est\u00e1 sob ataque terrorista. E a primeira v\u00edtima \u00e9 ele.\u00a0<a href=\"https:\/\/observador.pt\/programas\/1983-portugal-queima-roupa\/episodio-3-ataque-a-embaixada\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener ugc nofollow\">\u201c1983: Portugal \u00e0 Queima-Roupa\u201d<\/a>\u00a0\u00e9 a hist\u00f3ria do ano em que dois grupos terroristas internacionais atacaram em Portugal. Um comando paramilitar tomou de assalto uma embaixada em Lisboa e esta execu\u00e7\u00e3o sum\u00e1ria no Algarve abalou o M\u00e9dio Oriente. \u00c9 narrada pela atriz Victoria Guerra, com banda sonora original dos Linda Martini. Ou\u00e7a\u00a0<a href=\"https:\/\/observador.pt\/programas\/1983-portugal-queima-roupa\/episodio-3-ataque-a-embaixada\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener ugc nofollow\">o terceiro epis\u00f3dio no site do Observador<\/a>, na\u00a0<a href=\"https:\/\/podcasts.apple.com\/pt\/podcast\/epis%C3%B3dio-3-ataque-%C3%A0-embaixada-1983-portugal-%C3%A0-queima-roupa\/id1826483822?i=1000720639609\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow ugc\">Apple Podcasts<\/a>, no\u00a0<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/episode\/4dC8Ym8UAO9ZQGfsWBV2ja?si=16ffc8fd33b04fd9\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow ugc\">Spotify<\/a>\u00a0e no\u00a0<a href=\"https:\/\/music.youtube.com\/watch?v=AqjO4rpceVg&amp;si=NOL4OvjuFE2cBBez\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener ugc\">Youtube Music<\/a>. E ou\u00e7a o primeiro epis\u00f3dio\u00a0<a href=\"https:\/\/observador.pt\/programas\/1983-portugal-queima-roupa\/estreia-1983-portugal-a-queima-roupa-episodio-1-um-corpo-no-lobby-do-hotel\/\" rel=\"ugc nofollow noopener\" target=\"_blank\">aqui<\/a>\u00a0e o segundo\u00a0<a href=\"https:\/\/observador.pt\/programas\/1983-portugal-queima-roupa\/episodio-2-o-terrorista-do-quarto-507\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener ugc nofollow\">aqui<\/a>]<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/observador.pt\/programas\/1983-portugal-queima-roupa\/episodio-3-ataque-a-embaixada\/\" rel=\"ugc nofollow noopener\" target=\"_blank\"><\/p>\n<p>                <img src=\"\" alt=\"\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone\" onload=\"this.parentElement.classList.remove('spinner')\" onerror=\"this.parentElement.classList.remove('spinner')\" width=\"770\" height=\"433\"\/>    <\/p>\n<p><\/a><\/p>\n<p>Rendeu os colegas de turno pouco depois das sete da manh\u00e3, onde lhe passaram um r\u00e1dio e um roteiro, onde consultava a ronda que teria de assegurar ao longo de seis horas. Mas Ab\u00edlio vinha do norte do pa\u00eds, n\u00e3o conhecia Lisboa. Precisava de mais do que um roteiro para cumprir o seu trabalho com o brio que idealizava. Para isso, tinha uma estrat\u00e9gia pouco convencional: um papel e uma caneta. \u201cTinha um croquis, uma folha guardada, e ia pondo num bloco as embaixadas que existiam naquela Avenida. Com certos turnos para onde eu iria, fazia um croquis\u201d, resume. Assim, sempre que lhe fizessem alguma pergunta na rua \u2013 onde era uma determinada embaixada, por exemplo \u2013 saberia responder \u00e0 d\u00favida. Era a garantia de que conseguiria fazer a diferen\u00e7a junto da popula\u00e7\u00e3o, mesmo nos pormenores mais pequenos.<\/p>\n<p>Vieram em dois Ford Escort: um vermelho e um branco. Quando o primeiro carro chegou ao destino, a Embaixada da Turquia, encontraram Ab\u00edlio Pereira. Ele tinha reparado neles uns metros antes, mas n\u00e3o notou nada de estranho. Foi um carteiro que por ali estava que lhe deu o alerta, mas era tarde demais. \u201cO carteiro apercebeu-se de algo estranho, porque um dos homens tinha uma arma atr\u00e1s das costas. Disse-lhe: \u201cFuja\u201d. Quando rodou para olhar para o carteiro, o homem tirou a arma detr\u00e1s das costas e disparou uma rajada. \u201cAcerta-me com um tiro no bra\u00e7o\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"27 de julho de 1983, pouco depois das 10h30. 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