{"id":235,"date":"2025-07-25T07:25:26","date_gmt":"2025-07-25T07:25:26","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/235\/"},"modified":"2025-07-25T07:25:26","modified_gmt":"2025-07-25T07:25:26","slug":"mulheres-de-aalto-e-reconhecimento-merecido-na-arquitetura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/235\/","title":{"rendered":"Mulheres de Aalto e Reconhecimento Merecido na Arquitetura"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Esse edif\u00edcio, o Sanat\u00f3rio de Paimio, \u00e9 um dos candidatos a patrim\u00f3nio mundial da UNESCO.<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 um dos candidatos a patrim\u00f3nio mundial e, para mim, o mais importante, no sentido em que \u00e9 o maior, \u00e9 um edif\u00edcio gigantesco e que precisa de imensa prote\u00e7\u00e3o, porque o hospital que funcionou l\u00e1 at\u00e9 recentemente deixou de funcionar. Neste momento, a funda\u00e7\u00e3o Paimio tem tentado ocupar o espa\u00e7o, tem visitas guiadas etc., mas ainda est\u00e3o num processo de entender como \u00e9 que podem ocupar a totalidade daquele edif\u00edcio t\u00e3o grande. H\u00e1 outros edif\u00edcios que est\u00e3o nomeados, como a Casa dos Aalto, o Ateli\u00ea, etc. Os projetos principais da candidatura, que s\u00e3o 13, est\u00e3o todos na exposi\u00e7\u00e3o, \u00e0 exce\u00e7\u00e3o de um, que \u00e9 o edif\u00edcio nacional das pens\u00f5es, por um motivo particular: era o projeto menos reconhecido pela cr\u00edtica e menos aceite pelos pr\u00f3prios finlandeses, que achavam que aquilo era um hotel de luxo e que o edif\u00edcio nacional das pens\u00f5es n\u00e3o podia ser um hotel de luxo para funcion\u00e1rios.<\/p>\n<p><strong>Aalto tem mobili\u00e1rio ic\u00f3nico, como a cadeira Paimio, feita para o sanat\u00f3rio. A exposi\u00e7\u00e3o faz essa liga\u00e7\u00e3o entre arquitetura e <\/strong><strong>design<\/strong><strong>?<\/strong><\/p>\n<p>Sim, era inevit\u00e1vel. Ali\u00e1s, eu juntei o projeto da Casa dos Aalto com a Artek na mesma sala. At\u00e9 porque eles apercebem-se, pelo menos no in\u00edcio, que a arquitetura n\u00e3o \u00e9 suficiente para os sustentar. Ent\u00e3o, apesar de estarem a fazer grandes projetos, s\u00e3o projetos que demoram muitos anos, e eles v\u00e3o sobreviver em determinados momentos mais dif\u00edceis pela venda internacional do seu mobili\u00e1rio e n\u00e3o propriamente pela arquitetura. E temos na exposi\u00e7\u00e3o v\u00e1rios exemplos. Eles v\u00e3o definir aquela perna curvil\u00ednea, a ideia de dobrar a madeira, que, no fundo, s\u00e3o v\u00e1rias camadas que v\u00e3o sendo coladas. Ou at\u00e9, depois, a perna em forma de leque. H\u00e1 o elemento org\u00e2nico, a concha, que est\u00e1 muito patente na ideologia dos Aalto. H\u00e1 v\u00e1rias pe\u00e7as desse g\u00e9nero, e que at\u00e9 representam a inventividade do carpinteiro que com eles trabalhava. Ali\u00e1s, os Aalto faziam sempre quest\u00e3o de elogiar tanto o trabalho dos carpinteiros, como das pessoas da \u00e1rea da lumin\u00e1ria, porque eles desenharam mais de 50 tipos de candeeiros, alguns que tamb\u00e9m est\u00e3o na exposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 uma preocupa\u00e7\u00e3o com todos os detalhes, que tamb\u00e9m existe na obra de Siza Vieira. De que forma  o arquiteto portugu\u00eas  foi influenciado por Aalto?<\/strong> <\/p>\n<p>Eu n\u00e3o sei se \u00e9 influ\u00eancia ou se \u00e9 interesse. A influ\u00eancia \u00e9 sempre subjetiva, porque muitas vezes \u00e9 subconsciente, a pessoa n\u00e3o se apercebe que est\u00e1 a fazer alguma coisa. Mas, desde logo, em primeiro lugar e de forma mais evidente, \u00e9 esta rela\u00e7\u00e3o que a nova Ala tem com a clareira onde foi constru\u00edda em Serralves, porque o edif\u00edcio move-se para se ir afastando das \u00e1rvores, que ali\u00e1s foi o pr\u00f3prio Siza que plantou. Ele costumava brincar que n\u00e3o desenhou o edif\u00edcio, que foram as \u00e1rvores que o desenharam, porque ele moveu o edif\u00edcio para que as \u00e1rvores ficassem onde estavam. E, de facto, esta \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o muito \u2018aaltiana\u2019, esta da rela\u00e7\u00e3o com a natureza, de n\u00e3o transformar o local, ou de o transformar de uma forma que seja integrada com a natureza. Essa preocupa\u00e7\u00e3o de que os edif\u00edcios s\u00e3o desenhados a uma escala humana e que a escala humana \u00e9 t\u00e3o importante como a escala de um pinheiro, e que, portanto, est\u00e3o todos em liga\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Por exemplo, o Siza, nos primeiros projetos, se virmos a Casa de Ch\u00e1 da Boa Nova, que se assemelha muito ao projeto da Maison Carr\u00e9, que est\u00e1 na exposi\u00e7\u00e3o, esta ideia de um teto curvil\u00edneo que comprime o nosso olhar em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 natureza, \u00e0 floresta, no caso dos Aalto, ao oceano Atl\u00e2ntico, no caso daqui de Matosinhos.\u00a0H\u00e1 esta rela\u00e7\u00e3o do teto de madeira, e, acima de tudo, uma compress\u00e3o da escala, que era a escala do pr\u00f3prio Siza, na altura, que \u00e9 bastante baixa, a entrada na Casa de Ch\u00e1 da Boa Nova, ou na Piscina das Mar\u00e9s, para depois haver uma expans\u00e3o visual desde o interior, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 paisagem.\u00a0E isso \u00e9 muito patente na obra do Alvar Aolto, assim como esta ideia da luz, enquanto material construtor da arquitetura.<\/p>\n<p>Quem visitar a Universidade da Otanieme, ou a Universidade Aalto hoje, na periferia de Hels\u00ednquia, ver\u00e1 uma multid\u00e3o de lanterninhas diferentes de como a luz pode entrar no edif\u00edcio.\u00a0De facto, \u00e9 um desenho incr\u00edvel. \u00c9 algo que o Siza, de certa forma, tamb\u00e9m continuamente investiga na sua obra. <\/p>\n<p>Esta ideia de como \u00e9 que a luz pode entrar no edif\u00edcio indiretamente &#8211; e n\u00e3o diretamente -, e ir criando diferentes atmosferas a partir desse trabalho.\u00a0E tamb\u00e9m esta ideia de trabalhar continuamente com artes\u00e3os, que \u00e9 uma coisa que cada vez mais se perde com a industrializa\u00e7\u00e3o da \u00e1rea da constru\u00e7\u00e3o em todo o mundo.\u00a0Em Portugal, felizmente, ainda vamos tendo bastantes artes\u00e3os, mas n\u00e3o tantos como t\u00ednhamos antigamente.<\/p>\n<p>E, portanto, h\u00e1 esta dedica\u00e7\u00e3o que o Siza tem, e que o Alvar Aalto, a Aino e a Elissa tinham, de colaborar com as pessoas que constru\u00edam as coisas.\u00a0Fosse o pedreiro, fosse o carpinteiro, fosse a pessoa que faz as lumin\u00e1rias, da\u00ed termos tido uma exposi\u00e7\u00e3o de design do Siza, mesmo antes desta, na Ala \u00c1lvaro Siza, propositalmente para fazer, de certa forma, a transi\u00e7\u00e3o para esta exposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Est\u00e1 sempre em contacto com o Siza Vieira. Como \u00e9 que descreve a vossa colabora\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 uma amizade j\u00e1 de muitos anos, porque o \u00c1lvaro Siza tinha o seu ateli\u00ea na Rua da Alegria, ao lado da minha escola, e ent\u00e3o, muitas vezes cruz\u00e1vamo-nos no caf\u00e9 justamente em frente. Reencontr\u00e1mo-nos na Faculdade de Arquitetura quando ele foi meu professor no primeiro ano. E depois fomos mantendo uma amizade ao longo dos anos em que vamos trabalhando em v\u00e1rios projetos juntos. Ainda agora estamos a fazer um projeto para B\u00e9rgamo e temos feito outros projetos juntos, em conjunto. Portanto, tenho muita estima, muita amizade por ele, para l\u00e1 do g\u00e9nio da Arquitetura, \u00e9 uma figura muito humana, muito carinhosa com todos. Tenta, de certa forma,  transmitir aquilo que o pr\u00f3prio T\u00e1vora lhe deu, uma s\u00e9rie de oportunidades aos 20 anos, da Casa de Ch\u00e1 da Boa Nova, da Piscina das Mar\u00e9s, da Quinta da Concei\u00e7\u00e3o, s\u00e3o uma s\u00e9rie de oportunidades\u00a0que um jovem como ele, se calhar, hoje n\u00e3o teria, e ele tenta tamb\u00e9m transmitir isso\u00a0\u00e0s pessoas que v\u00e3o colaborando com ele, e tamb\u00e9m estar l\u00e1 e apoiar e participar. Portanto, tem essa caracter\u00edstica muito emp\u00e1tica\u00a0que aprecio muito.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Esse edif\u00edcio, o Sanat\u00f3rio de Paimio, \u00e9 um dos candidatos a patrim\u00f3nio mundial da UNESCO. \u00c9 um dos&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":236,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[144],"tags":[304,207,205,206,203,201,202,204,306,114,115,305,32,33],"class_list":{"0":"post-235","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-arte-e-design","8":"tag-arquitetura","9":"tag-arte","10":"tag-arte-e-design","11":"tag-artedesign","12":"tag-arts","13":"tag-arts-and-design","14":"tag-artsanddesign","15":"tag-design","16":"tag-edicao-impressa","17":"tag-entertainment","18":"tag-entretenimento","19":"tag-fundacao-de-serralves","20":"tag-portugal","21":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/235","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=235"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/235\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/236"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=235"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=235"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=235"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}