{"id":23529,"date":"2025-08-10T13:38:22","date_gmt":"2025-08-10T13:38:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/23529\/"},"modified":"2025-08-10T13:38:22","modified_gmt":"2025-08-10T13:38:22","slug":"pai-e-filho-lancam-livros-de-cronicas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/23529\/","title":{"rendered":"Pai e filho lan\u00e7am livros de cr\u00f4nicas"},"content":{"rendered":"<p class=\"texto\">Jornalista e escritor, Fernando Molica lan\u00e7a o d\u00e9cimo livro, \u201cMeninos que brincaram na Lua\u201d. E, desta vez, acompanhado por um estreante que conhece muito bem: o pai, Jos\u00e9 Am\u00e9lio Molica, que debuta na literatura aos 92 anos com \u201cO mundo come\u00e7a em Cajuri\u201d, resgatando mem\u00f3rias da inf\u00e2ncia passada na Zona da Mata mineira. \u201c\u00c9 o relato do cotidiano na \u00e1rea rural de uma pequena cidade. N\u00e3o se tratava de uma fam\u00edlia rica, mas tamb\u00e9m n\u00e3o era pobre (meu av\u00f4 tinha uma fazenda, meu pai trabalhou desde cedo como boiadeiro, agricultor, fabricante de lingui\u00e7a)\u201d, conta Fernando. A seguir, pai e filho detalham, em depoimentos para o Pensar, como surgiram os dois livros, lan\u00e7amentos da editora Tinta Negra.<\/p>\n<p class=\"texto\"><strong>\u201cSobre minhas paix\u00f5es e algumas obsess\u00f5es\u201d<\/strong><\/p>\n<p class=\"texto\"><strong>Fernando Molica<\/strong><\/p>\n<p class=\"texto\">(autor de \u201cMeninos que brincaram na Lua\u201d)<\/p>\n<p class=\"texto\">\u201cMeninos que brincaram na Lua\u201d \u00e9 meu d\u00e9cimo livro, o primeiro de cr\u00f4nicas. \u00c9 uma colet\u00e2nea que gira em torno de alguns temas principais, como o Rio (especialmente seus sub\u00farbios) e o pa\u00eds, m\u00fasica, livros, amor e futebol. Ou seja, \u00e9 um livro sobre minhas paix\u00f5es \u2013 e algumas, admito, obsess\u00f5es. As se\u00e7\u00f5es que delimitam cada grupo de textos n\u00e3o s\u00e3o, por\u00e9m, r\u00edgidas; seria imposs\u00edvel estabelecer uma separa\u00e7\u00e3o completa entre os assuntos, um puxa conversa com o outro, pede uma opini\u00e3o, um palpite, qui\u00e7\u00e1 uma ideia emprestada.<\/p>\n<p class=\"texto\">Desde que comecei a publicar livros, quase todos de fic\u00e7\u00e3o, procurei estabelecer uma fronteira entre o jornalista e o escritor, busco at\u00e9 sabotar a conviv\u00eancia entre eles. Mas a cr\u00f4nica permite um di\u00e1logo entre esses dois caras. Isso, por ser historicamente ligada aos jornais \u2013 como a not\u00edcia, costuma partir de uma realidade factual \u2013 e por flertar o tempo todo com a imagina\u00e7\u00e3o, com aquilo que pode ter acontecido.<\/p>\n<p class=\"texto\">A cr\u00f4nica meio que zomba da seriedade do rep\u00f3rter e do pr\u00f3prio texto jornal\u00edstico; e sorri ir\u00f4nica para a fic\u00e7\u00e3o, para o romance, para o conto \u2013 este, seu primo. Precisa ser fiel apenas ao olhar do seu autor, um sujeito que, como quem n\u00e3o quer nada, tem o direito de ora usar recursos de um g\u00eanero, ora de outro. E n\u00e3o precisa contar pra ningu\u00e9m que fez isso, que rompeu o limite entre o fato e a inven\u00e7\u00e3o: pede mais um chope no bar da cal\u00e7ada enquanto o jornalista se desespera ao apurar determinado assunto e o ficcionista quebra a cabe\u00e7a para dar forma e sentido \u00e0 sua hist\u00f3ria.<\/p>\n<p class=\"texto\">O engra\u00e7ado \u00e9 que nossa depend\u00eancia aos aparelhos que nos levam ao universo virtual d\u00e1 \u00e0 cr\u00f4nica um vi\u00e9s quase militante. Isto, por resgatar a import\u00e2ncia do olhar sem media\u00e7\u00e3o de telas ou c\u00e2meras. A vis\u00e3o do cronista talvez seja tamb\u00e9m um est\u00edmulo para que o leitor preste mais aten\u00e7\u00e3o ao que ocorre \u00e0 sua volta, \u00e0 vida nas ruas e nas esquinas.\u201d<\/p>\n<p class=\"texto\">&#13;<br \/>\n    <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/1_livro-meninos-x-58121276.jpeg\" alt=\"      \" title=\"      \" loading=\"lazy\" width=\"775\" height=\"470\"\/>&#13;<br \/>\n    &#13;<br \/>\n               Reprodu\u00e7\u00e3o&#13;<br \/>\n    &#13;\n<\/p>\n<p class=\"texto\"><strong>\u201cMeninos que brincaram na Lua\u201d<\/strong><br \/>\u2022 De Fernando Molica<br \/>\u2022 Editora Tinta Negra<br \/>\u2022 200 p\u00e1ginas<br \/>\u2022 R$ 49,85<\/p>\n<p>\u201cEscrever era uma esp\u00e9cie de compromisso com meus pais\u201d<\/p>\n<p class=\"texto\"><strong>Jos\u00e9 Am\u00e9lio Molica<\/strong><\/p>\n<p class=\"texto\">(autor de \u201cO mundo come\u00e7a em Cajuri\u201d)<\/p>\n<p class=\"texto\">\u201cL\u00e1 pelas bandas dos sert\u00f5es da ro\u00e7a, at\u00e9 mesmo nos distritos e povoados, a conclus\u00e3o do curso prim\u00e1rio por uma filha ou um por um filho era motivo para comemora\u00e7\u00f5es e festas. Para marcar esses eventos, as escolas entregavam diplomas suntuosos que eram imediatamente colocados em quadros envidra\u00e7ados, expostos nas salas de visita, enfeitados por vasinhos de flores, ao lado de imagens de santos de devo\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"texto\">Meu pai, Almiro, balan\u00e7ava a cabe\u00e7a e at\u00e9 sorria quando via esse tipo de cen\u00e1rio. Eu, criado numa fazenda em Cajuri, sempre desconfiava que ele tinha algum outro plano. Eu tinha raz\u00e3o, e o plano n\u00e3o era s\u00f3 dele, mas tamb\u00e9m de minha m\u00e3e, Dona Ritinha. Com muitas dificuldades, eles colocaram todos os 12 filhos para estudar, sabiam que, puxando enxadas, n\u00e3o chegariam a lugar algum. Isso tudo nas d\u00e9cadas de 1930 e 1940, n\u00e3o conhe\u00e7o nenhuma outra fam\u00edlia da \u00e9poca, naquelas condi\u00e7\u00f5es, que tenha feito algo parecido. Escrever o livro era uma esp\u00e9cie de compromisso com meus pais, com o exemplo que eles deram.<\/p>\n<p class=\"texto\">\u2018O mundo come\u00e7a em Cajuri\u2019 nasce tamb\u00e9m de uma vontade de detalhar o cotidiano de todos n\u00f3s, falar da comida, das brincadeiras, dos tratamentos para doen\u00e7as e do trabalho \u2013 eu, ainda crian\u00e7a, fui boiadeiro, capineiro e at\u00e9 tropeiro. Tamb\u00e9m ajudei muito a minha m\u00e3e na venda do molho de tomate e dos doces que ela fazia. Era importante contar essas hist\u00f3rias.\u201d<\/p>\n<p class=\"texto\">\u00a0&#13;<br \/>\n    <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/1_livro-meninos-58121310.jpeg\" alt=\"         \" title=\"         \" loading=\"lazy\" width=\"775\" height=\"470\"\/>&#13;<br \/>\n    &#13;<br \/>\n                  Reprodu\u00e7\u00e3o&#13;<br \/>\n    &#13;\n<\/p>\n<p class=\"texto\"><strong>O mundo come\u00e7a em Cajuri\u201d<\/strong><br \/>\u2022 De Jos\u00e9 Am\u00e9lio Molica<br \/>\u2022 Editora Tinta Negra<br \/>\u2022 180 p\u00e1ginas<br \/>\u2022 R$ 42,80<\/p>\n<p>Longe de Montmartre, no cora\u00e7\u00e3o da Savassi<\/p>\n<p class=\"texto\">\u201cQual o segredo que se esconde em uma fazenda em ru\u00ednas nos confins de Minas Gerais?\u201d. A pergunta surge na contracapa de \u201cLonge de Montmartre\/Loin de Montmartre\u201d, do franc\u00eas Fr\u00e9d\u00e9ric Pag\u00e8s. Poeta, cantor e compositor, Pag\u00e8s faz o lan\u00e7amento de seu livro de mist\u00e9rio e suspense (\u201cest\u00f3ria do sert\u00e3o que \u00e9 luz, sombra e mist\u00e9rio como a pr\u00f3pria vida\u201d) neste s\u00e1bado, a partir de 11h, na Livraria Quixote (R. Fernandes Tourinho, 274, Savassi). O autor dedica a edi\u00e7\u00e3o bil\u00edngue, aos \u201camigos e amigas de Minas Gerais, especialmente aqueles e aquelas de S\u00e3o Gon\u00e7alo do Rio das Pedras, meu porto seguro no Brasil h\u00e1 algumas d\u00e9cadas\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><a href=\"https:\/\/whatsapp.com\/channel\/0029Va8e466AO7RPLL06EL2h\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Siga nosso canal no WhatsApp e receba not\u00edcias relevantes para o seu dia<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Jornalista e escritor, Fernando Molica lan\u00e7a o d\u00e9cimo livro, \u201cMeninos que brincaram na Lua\u201d. 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