{"id":239171,"date":"2026-01-22T07:12:09","date_gmt":"2026-01-22T07:12:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/239171\/"},"modified":"2026-01-22T07:12:09","modified_gmt":"2026-01-22T07:12:09","slug":"estudo-revela-proteina-ligada-ao-avanco-do-cancer-de-pancreas-pelos-nervos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/239171\/","title":{"rendered":"Estudo revela prote\u00edna ligada ao avan\u00e7o do c\u00e2ncer de p\u00e2ncreas pelos nervos"},"content":{"rendered":"<p>\n                                 Oncologia\n                            <\/p>\n<p>                            Estudo revela prote\u00edna ligada ao avan\u00e7o do c\u00e2ncer de p\u00e2ncreas pelos nervos<\/p>\n<p class=\"summary\">Pesquisa brasileira mostra que c\u00e9lulas pancre\u00e1ticas estreladas, ao produzir periostina, remodelam o tecido e facilitam a infiltra\u00e7\u00e3o tumoral, mecanismo-chave para a agressividade e alta mortalidade da doen\u00e7a<\/p>\n<p>\n                                 Oncologia\n                            <\/p>\n<p>                                                        Estudo revela prote\u00edna ligada ao avan\u00e7o do c\u00e2ncer de p\u00e2ncreas pelos nervos<\/p>\n<p class=\"p-int-resumo summary \">Pesquisa brasileira mostra que c\u00e9lulas pancre\u00e1ticas estreladas, ao produzir periostina, remodelam o tecido e facilitam a infiltra\u00e7\u00e3o tumoral, mecanismo-chave para a agressividade e alta mortalidade da doen\u00e7a<\/p>\n<p>                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/56883.jpg\" class=\"img-fluid\" onclick=\"expand(56883,'files\/post\/56883.jpg',true)\"\/><\/p>\n<p class=\"Legenda\">No Brasil, segundo estimativas do Instituto Nacional de C\u00e2ncer (Inca), ocorrem cerca de 13 mil mortes por ano decorrentes desse tipo de tumor (imagem: <a href=\"https:\/\/www.scientificanimations.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Scientific Animations<\/a>\/<a href=\"https:\/\/commons.wikimedia.org\/wiki\/File:Pancreatic_Cancer.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Wikimedia Commons<\/a>)<\/p>\n<p><strong>Fernanda Bassette | Ag\u00eancia FAPESP<\/strong> \u2013 Um novo estudo brasileiro, <a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/abs\/pii\/S0303720725002291\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>publicado<\/strong><\/a> na revista cient\u00edfica Molecular and Cellular Endocrinology, desvendou o papel-chave da prote\u00edna periostina e de c\u00e9lulas pancre\u00e1ticas estreladas no processo que permite ao c\u00e2ncer de p\u00e2ncreas infiltrar nervos e se disseminar precocemente, aumentando o risco de met\u00e1stases. A pesquisa demonstra como o tumor reprograma parte do tecido saud\u00e1vel ao redor para adquirir alta capacidade de invas\u00e3o, em um mecanismo associado \u00e0 agressividade da doen\u00e7a e \u00e0 dificuldade de tratamento, apontando poss\u00edveis alvos para terapias mais precisas e tratamentos mais personalizados.<\/p>\n<p>O c\u00e2ncer de p\u00e2ncreas mais comum \u00e9 do tipo adenocarcinoma (que se origina no tecido glandular, que produz o suco pancre\u00e1tico), correspondendo a 90% dos casos diagnosticados. \u00c9 considerado um tumor com comportamento agressivo e bastante letal: embora n\u00e3o figure entre os mais frequentes, apresenta mortalidade quase equivalente \u00e0 incid\u00eancia. No mundo, s\u00e3o cerca de 510 mil novos casos e praticamente o mesmo n\u00famero de mortes por ano.<\/p>\n<p>No Brasil, segundo estimativas do Instituto Nacional de C\u00e2ncer (Inca), s\u00e3o aproximadamente 11 mil casos e 13 mil mortes todos os anos. \u201c\u00c9 um c\u00e2ncer agressivo e dif\u00edcil de tratar. Ao redor de 10% dos pacientes apresentam chance de sobrevida a longo prazo, como cinco anos ap\u00f3s o diagn\u00f3stico\u201d, afirma o oncologista <a href=\"https:\/\/www.webofscience.com\/wos\/author\/record\/O-2367-2019\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>Pedro Luiz Serrano Uson Junior<\/strong><\/a>, um dos autores do estudo.<\/p>\n<p>A agressividade desse tumor est\u00e1 ligada, entre outros fatores, \u00e0 chamada invas\u00e3o perineural, processo que acontece quando c\u00e9lulas cancerosas passam a infiltrar e avan\u00e7ar ao longo dos nervos. Isso n\u00e3o apenas pode causar dores intensas, como tamb\u00e9m facilita a dissemina\u00e7\u00e3o do tumor para outras regi\u00f5es. \u201cA invas\u00e3o perineural \u00e9 um marco de agressividade do c\u00e2ncer\u201d, diz Uson.<\/p>\n<p>O trabalho foi realizado no <a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/167255\/centro-de-pesquisa-em-doencas-inflamatorias-crid\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>Centro de Pesquisa em Doen\u00e7as Inflamat\u00f3rias<\/strong><\/a> (<a href=\"https:\/\/crid.fmrp.usp.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>CRID<\/strong><\/a>), um dos Centros de Pesquisa, Inova\u00e7\u00e3o e Difus\u00e3o (<a href=\"https:\/\/cepid.fapesp.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>CEPIDs<\/strong><\/a>) da FAPESP e teve como primeiro autor o pesquisador <a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/718503\/carlos-alberto-de-carvalho-fraga\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>Carlos Alberto de Carvalho Fraga<\/strong><\/a>. O grupo buscou entender os mecanismos moleculares e celulares que sustentam essa invas\u00e3o e para isso usou tecnologias que permitem analisar a atividade de milhares de genes em cada c\u00e9lula e mapear sua posi\u00e7\u00e3o exata no tecido. \u201cConseguimos integrar dados de dezenas de amostras com uma resolu\u00e7\u00e3o extremamente potente\u201d, afirma <a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/24543\/helder-takashi-imoto-nakaya\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>Helder Nakaya<\/strong><\/a>, pesquisador principal do CRID que liderou o estudo. Nakaya tamb\u00e9m \u00e9 pesquisador s\u00eanior do Einstein Hospital Israelita e professor da Faculdade de Ci\u00eancias Farmac\u00eauticas da Universidade de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Ao analisar esse conjunto de informa\u00e7\u00f5es em 24 amostras de c\u00e2ncer de p\u00e2ncreas, os pesquisadores observaram que o estroma (tecido que sustenta o tumor) desempenha papel ativo na sua progress\u00e3o. Entre os achados mais importantes est\u00e1 o comportamento das c\u00e9lulas pancre\u00e1ticas estreladas, que expressam altos n\u00edveis de uma prote\u00edna chamada periostina \u2013 mol\u00e9cula capaz de remodelar a matriz extracelular, a estrutura que organiza e mant\u00e9m o tecido saud\u00e1vel.<\/p>\n<p>O estudo aponta que, para conseguir avan\u00e7ar pelo tecido e alcan\u00e7ar os nervos, as c\u00e9lulas tumorais dependem de processos de remodela\u00e7\u00e3o intensa da matriz extracelular, num processo complexo que envolve enzimas espec\u00edficas e desorganiza\u00e7\u00e3o do tecido. \u201cA periostina participa dessa remodela\u00e7\u00e3o, abrindo caminho para que as c\u00e9lulas tumorais invadam\u201d, explica Nakaya. O nervo, por sua vez, funciona como uma esp\u00e9cie de \u201cestrada\u201d para essa expans\u00e3o.<\/p>\n<p>Esse ambiente alterado gera ainda uma rea\u00e7\u00e3o desmopl\u00e1sica, um tipo de fibrose intensa ao redor do tumor, formada por c\u00e9lulas e prote\u00ednas que deixam o tecido mais r\u00edgido e inflamado, o que dificulta a chegada de quimioter\u00e1picos e imunoterapias, pois as drogas t\u00eam mais dificuldade de penetrar nesse tecido endurecido, criando um \u201cmicroambiente\u201d que favorece a sobreviv\u00eancia e dissemina\u00e7\u00e3o do tumor. \u201cPor isso o c\u00e2ncer de p\u00e2ncreas ainda \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil de tratar\u201d, afirma Uson.<\/p>\n<p>O oncologista refor\u00e7a que essa capacidade de infiltra\u00e7\u00e3o \u00e9 decisiva para o mau progn\u00f3stico dos pacientes com c\u00e2ncer de p\u00e2ncreas. \u201cA invas\u00e3o perineural \u00e9 um sinal de que as c\u00e9lulas cancer\u00edgenas adquiriram mobilidade. Elas escapam da massa tumoral, caminham pelo tecido saud\u00e1vel e alcan\u00e7am os feixes nervosos e linf\u00e1ticos, que as levam a outras regi\u00f5es do corpo, facilitando o desenvolvimento de met\u00e1stases.\u201d<\/p>\n<p>Segundo ele, mais da metade dos casos de c\u00e2ncer de p\u00e2ncreas j\u00e1 apresenta invas\u00e3o perineural nos est\u00e1gios iniciais e isso s\u00f3 \u00e9 descoberto durante a cirurgia. \u201cInfelizmente, a gente descobre essa invas\u00e3o perineural quando ela j\u00e1 aconteceu. Isso \u00e9 visto somente na pe\u00e7a cir\u00fargica, quando vai para bi\u00f3psia.\u201d<\/p>\n<p><strong>Alvo promissor<\/strong><\/p>\n<p>Diante desse cen\u00e1rio complexo, os pesquisadores afirmam que a periostina surge como um poss\u00edvel alvo terap\u00eautico promissor. Bloquear sua a\u00e7\u00e3o ou eliminar as c\u00e9lulas estreladas que a produzem pode ser uma estrat\u00e9gia a ser investigada para reduzir a invas\u00e3o perineural e, possivelmente, limitar a capacidade metast\u00e1tica do tumor. \u201cEsse trabalho aponta caminhos que podem orientar abordagens futuras no tratamento do c\u00e2ncer de p\u00e2ncreas\u201d, avalia Nakaya. Ensaios cl\u00ednicos em outros tumores j\u00e1 testam anticorpos contra a periostina, o que, segundo ele, ajuda a explorar se essa via tamb\u00e9m pode ser relevante no p\u00e2ncreas.<\/p>\n<p>Uson destaca que essa estrat\u00e9gia se insere no avan\u00e7o rumo \u00e0 medicina de precis\u00e3o. \u201cSe conseguirmos desenvolver anticorpos ou medicamentos que bloqueiem essas c\u00e9lulas estreladas, teremos ferramentas para impedir que o tumor adquira essa capacidade invasiva t\u00e3o cedo.\u201d Ele lembra que n\u00e3o existe hoje nenhuma terapia direcionada especificamente \u00e0 invas\u00e3o perineural e ressalta que um medicamento desse tipo poderia ser \u00fatil em v\u00e1rios outros c\u00e2nceres que compartilham o mesmo mecanismo, entre eles o de intestino e de mama.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de revelar novos alvos terap\u00eauticos, o trabalho demonstra a for\u00e7a de an\u00e1lises complexas realizadas a partir de bancos de dados p\u00fablicos. \u201cConseguimos fazer e responder novas perguntas que os autores originais n\u00e3o tinham percebido\u201d, diz Nakaya. O pr\u00f3ximo passo, afirmam os pesquisadores, \u00e9 transformar esse conhecimento em estrat\u00e9gias e medicamentos que ajam de forma preditiva, antes que a invas\u00e3o aconte\u00e7a. \u201cA medicina de precis\u00e3o est\u00e1 caminhando. No futuro, vamos tratar o paciente pelas altera\u00e7\u00f5es gen\u00f4micas e moleculares e n\u00e3o especificamente pelo tipo de tumor. Esse \u00e9 o grande avan\u00e7o da oncologia\u201d, conclui Uson.<\/p>\n<p>O artigo Periostin-positive stellate cells associated with perineural invasion in pancreatic adenocarcinoma pode ser lido em: <a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/abs\/pii\/S0303720725002291\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>sciencedirect.com\/science\/article\/abs\/pii\/S0303720725002291<\/strong><\/a>.<br \/>&#13;<br \/>\n\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Oncologia Estudo revela prote\u00edna ligada ao avan\u00e7o do c\u00e2ncer de p\u00e2ncreas pelos nervos Pesquisa brasileira mostra que c\u00e9lulas&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":239172,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[86],"tags":[1776,45317,45318,45320,21732,116,45319,37849,7225,16452,32,33,117,14612,3064],"class_list":["post-239171","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-saude","tag-cancer","tag-cepid","tag-crid","tag-einstein","tag-fapesp","tag-health","tag-infiltracao-tumoral","tag-nervos","tag-oncologia","tag-pancreas","tag-portugal","tag-pt","tag-saude","tag-tumores","tag-usp"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115937512148218380","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/239171","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=239171"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/239171\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/239172"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=239171"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=239171"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=239171"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}