{"id":23951,"date":"2025-08-10T20:18:05","date_gmt":"2025-08-10T20:18:05","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/23951\/"},"modified":"2025-08-10T20:18:05","modified_gmt":"2025-08-10T20:18:05","slug":"depressao-em-idosos-e-confundida-com-sintomas-fisicos-10-08-2025-equilibrio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/23951\/","title":{"rendered":"Depress\u00e3o em idosos \u00e9 confundida com sintomas f\u00edsicos &#8211; 10\/08\/2025 &#8211; Equil\u00edbrio"},"content":{"rendered":"<p>Talvez seja a \u00faltima \u00e1rea onde algu\u00e9m esperaria encontrar uma divis\u00e3o geracional, mas mesmo na <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/saude\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">sa\u00fade mental<\/a>, aqueles de uma certa idade costumam ouvir: &#8220;N\u00f3s [os mais jovens] estamos mais conscientes da sa\u00fade mental do que voc\u00eas&#8221;; como se a conscientiza\u00e7\u00e3o por si s\u00f3 pudesse remediar a <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/depressao\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">depress\u00e3o<\/a>.<\/p>\n<p>No entanto, h\u00e1 alguma verdade nisso. &#8220;H\u00e1 mudan\u00e7as nas gera\u00e7\u00f5es mais jovens e tamb\u00e9m nas gera\u00e7\u00f5es mais velhas. Mas, infelizmente, a <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrio\/2023\/11\/saude-mental-dos-idosos-ainda-sofre-os-impactos-da-pandemia.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">sa\u00fade mental dos idosos<\/a> ainda \u00e9 muito estigmatizada&#8221;, diz Pascal Schlechter, do Instituto de Psicologia da Universidade de M\u00fcnster, na Alemanha. &#8220;Para algumas pessoas, \u00e9 um grande passo admitir: &#8216;Tenho um problema de sa\u00fade mental e quero falar sobre isso&#8217;.&#8221;<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o s\u00e3o apenas os <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/blogs\/saude-mental\/2023\/05\/depressao-em-idosos-tem-como-sintomas-dor-e-isolamento.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">pacientes mais velhos que n\u00e3o t\u00eam consci\u00eancia ou disposi\u00e7\u00e3o para falar sobre depress\u00e3o<\/a>. Isso tamb\u00e9m pode ocorrer entre os m\u00e9dicos, que podem diagnosticar erroneamente um problema de sa\u00fade mental como sendo f\u00edsico, algo comum com a idade.<\/p>\n<p>&#8220;Se uma pessoa de 30 anos lhe disser que parou de sair e est\u00e1 se afastando das intera\u00e7\u00f5es sociais, voc\u00ea perguntaria: &#8216;H\u00e1 algo errado com sua sa\u00fade mental? Voc\u00ea est\u00e1 deprimido?'&#8221;, observa Schlechter. &#8220;Mas com uma pessoa mais velha, voc\u00ea poderia dizer: &#8216;Voc\u00ea est\u00e1 cansado. Faz parte do processo normal de envelhecimento. Apenas descanse.'&#8221;<\/p>\n<p>Depress\u00e3o \u00e9 diferente em idosos?<\/p>\n<p>A divis\u00e3o geracional se fecha quando falamos sobre sintomas de depress\u00e3o, uma vez que h\u00e1 pouca ou nenhuma diferen\u00e7a na depress\u00e3o entre adultos mais jovens e mais velhos.<\/p>\n<p>Enquanto estudava na Universidade de Cambridge, no Reino Unido, Schlechter copublicou um artigo sobre o desenvolvimento de sintomas depressivos em idosos, com base nos resultados de um estudo longitudinal que acompanhou o progresso de mais de 11 mil pessoas ao longo de um per\u00edodo de 16 anos.<\/p>\n<p>Schlechter e seus colegas encontraram os mesmos sintomas em adultos mais velhos e mais jovens: os pacientes expressaram que se sentiam deprimidos, ou que tudo demandava esfor\u00e7os, que n\u00e3o conseguiam se movimentar, tinham sono agitado ou se <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrio\/2024\/11\/solidao-na-velhice-aumenta-em-31-o-risco-de-desenvolver-demencia-diz-estudo.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">sentiam solit\u00e1rios<\/a>.<\/p>\n<p>No entanto, eles observaram que &#8220;em adultos mais velhos, a depress\u00e3o frequentemente se apresenta com mais sintomas som\u00e1ticos do que em popula\u00e7\u00f5es mais jovens.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Sintomas m\u00e9dicos ou som\u00e1ticos podem fazer parte de uma depress\u00e3o, mas os idosos frequentemente atribuem esses sintomas erroneamente ao seu processo de envelhecimento&#8221;, explica Schlechter. &#8220;Isso pode levar a um reconhecimento tardio e, como resultado, sua depress\u00e3o pode se manifestar de forma mais cr\u00f4nica&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<p>Portanto, existe essa diferen\u00e7a. Seja devido \u00e0 falta de conscientiza\u00e7\u00e3o entre pacientes e m\u00e9dicos, ou ao estigma, a depress\u00e3o pode ser pior para os idosos.<\/p>\n<p>Isso pode ocorrer porque a depress\u00e3o est\u00e1 combinada com \u2013 ou, em parte, &#8220;desencadeada&#8221; por \u2013 uma doen\u00e7a som\u00e1tica (f\u00edsica), ou os sintomas de depress\u00e3o n\u00e3o foram tratados mais cedo na vida, talvez tamb\u00e9m devido \u00e0 falta de conscientiza\u00e7\u00e3o ou estigma.<\/p>\n<p>Como acontece com a maioria das doen\u00e7as, quanto mais cedo a depress\u00e3o ou a ansiedade forem diagnosticadas, maiores ser\u00e3o as chances de tratamento.<\/p>\n<p>Alguns fatores sociais tamb\u00e9m contribuem para a depress\u00e3o. \u00c0 medida que envelhecemos, somos frequentemente for\u00e7ados a nos adaptar a mudan\u00e7as em nosso status social, nossa identidade, seja por meio do trabalho ou de outras atividades na comunidade, e pessoas come\u00e7am a morrer ao nosso redor. Podemos at\u00e9 sofrer abusos por parte de nossos cuidadores, como destaca a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) sobre depress\u00e3o, o que poderia ser outro fator a contribuir para esse quadro.<\/p>\n<p>Todos esses fatores podem trazer \u00e0 tona, de forma cr\u00f4nica e grave, o que at\u00e9 ali era uma depress\u00e3o leve e latente.<\/p>\n<p>Medicamentos e psicoterapia<\/p>\n<p>Ao conversar com especialistas, h\u00e1 uma percep\u00e7\u00e3o de que os m\u00e9dicos podem preferir lidar com problemas f\u00edsicos em idosos do que com problemas mentais.<\/p>\n<p>Independentemente da idade da pessoa, a depress\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil de tratar. Mas quando os idosos apresentam problemas de sa\u00fade f\u00edsica e mental, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda mais complicada.<\/p>\n<p>&#8220;Tanto nos sistemas de sa\u00fade mais pobres quanto nos mais ricos da Europa, um dos principais instrumentos que temos para lidar com a depress\u00e3o \u00e9 a medica\u00e7\u00e3o&#8221;, afirma Albino Oliveira-Maia, chefe da Unidade de Neuropsiquiatria da Funda\u00e7\u00e3o Champalimaud em Lisboa, Portugal.<\/p>\n<p>&#8220;Ao tratar idosos com medicamentos, h\u00e1 uma maior probabilidade de intera\u00e7\u00e3o com outros medicamentos e de ocorr\u00eancia de toxicidades&#8221;, explica Oliveira-Maia.<\/p>\n<p>A medica\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico tratamento para a depress\u00e3o. H\u00e1 tamb\u00e9m uma variedade de op\u00e7\u00f5es de psicoterapia, que incluem a terapia cognitivo-comportamental e muitas outras, espec\u00edficas para a situa\u00e7\u00e3o de cada paciente.<\/p>\n<p>Idosos exclu\u00eddos de ensaios cl\u00ednicos<\/p>\n<p>Outro aspecto da depress\u00e3o \u00e9 o suic\u00eddio, que pode atingir todos os grupos de pessoas, jovens e idosos, homens e mulheres.<\/p>\n<p>A regulamenta\u00e7\u00e3o frequentemente impede as pessoas de participarem de pesquisas se elas tiverem registro de pensamentos ou comportamento suicida, fazendo com que haja uma falta de compreens\u00e3o e conhecimento entre os pesquisadores.<\/p>\n<p>&#8220;Isso \u00e9 obviamente uma quest\u00e3o \u00e9tica&#8221;, diz Oliveira-Maia. &#8220;\u00c9 um ato de generosidade participar de um programa de pesquisa, ent\u00e3o precisamos proteger as pessoas. Mas, ao fazer isso, \u00e0s vezes h\u00e1 consequ\u00eancias que levam a um progresso mais lento para alguns dos pacientes que mais precisam.&#8221;<\/p>\n<p>Pessoas com mais de 65 anos tamb\u00e9m podem ser exclu\u00eddas de ensaios cl\u00ednicos se tiverem condi\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas preexistentes, como les\u00f5es vasculares no c\u00e9rebro, afirma Oliveira-Maia.<\/p>\n<p>    Cuide-se<\/p>\n<p class=\"c-newsletter__subtitle\">Ci\u00eancia, h\u00e1bitos e preven\u00e7\u00e3o numa newsletter para a sua sa\u00fade e bem-estar<\/p>\n<p>Cientificamente, isso faz sentido, mesmo que apenas de uma perspectiva fria e sem emo\u00e7\u00e3o. Se as pessoas morrem ou suas doen\u00e7as pioram durante um estudo, isso pode impossibilitar que outras equipes verifiquem os resultados, que \u00e9 um processo padr\u00e3o e uma rede de seguran\u00e7a em pesquisas, especialmente no desenvolvimento de novos medicamentos.<\/p>\n<p>Tanto Schlechter quanto Oliveira-Maia t\u00eam reservas sobre as campanhas de conscientiza\u00e7\u00e3o, e especificamente sobre o autodiagn\u00f3stico, que pode ter dois sentidos. Uma pessoa mais jovem pode estar mais inclinada a dizer &#8220;sim, eu tenho um problema de sa\u00fade mental&#8221;, mesmo que n\u00e3o tenha, e uma pessoa mais velha pode negar todos os sinais.<\/p>\n<p>&#8220;Para as gera\u00e7\u00f5es mais jovens, h\u00e1 mais conscientiza\u00e7\u00e3o p\u00fablica devido \u00e0s m\u00eddias sociais. E existem boas campanhas que fornecem informa\u00e7\u00f5es v\u00e1lidas&#8221;, ressalta Schlechter. &#8220;Mas tamb\u00e9m h\u00e1 muita desinforma\u00e7\u00e3o por a\u00ed.&#8221;<\/p>\n<p>Oliveira-Maia, por sua vez, se preocupa com o fato de as pessoas se autodiagnosticarem erroneamente, sejam elas jovens ou idosas.<\/p>\n<p>Embora sejam valiosas, tamb\u00e9m existem alguns dados que sugerem que as campanhas de conscientiza\u00e7\u00e3o podem, por si s\u00f3, levar a uma classifica\u00e7\u00e3o err\u00f4nea, com algumas pessoas saud\u00e1veis podendo considerar seus sintomas normais de tristeza e ansiedade como um problema de sa\u00fade mental.<\/p>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o, como sempre acontece com qualquer doen\u00e7a ou sintoma que possa gerar preocupa\u00e7\u00e3o, \u00e9 conversar com um profissional de sa\u00fade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Talvez seja a \u00faltima \u00e1rea onde algu\u00e9m esperaria encontrar uma divis\u00e3o geracional, mas mesmo na sa\u00fade mental, aqueles&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":23952,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[86],"tags":[4844,1031,1029,1531,7277,1490,236,116,1491,32,33,117,1030,2969],"class_list":{"0":"post-23951","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-saude","8":"tag-antidepressivo","9":"tag-autocuidado","10":"tag-cuide-se","11":"tag-depressao","12":"tag-deutsche-welle","13":"tag-envelhecimento","14":"tag-folha","15":"tag-health","16":"tag-idoso","17":"tag-portugal","18":"tag-pt","19":"tag-saude","20":"tag-saude-mental","21":"tag-tristeza"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23951","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23951"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23951\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/23952"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23951"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23951"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23951"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}