{"id":23955,"date":"2025-08-10T20:21:14","date_gmt":"2025-08-10T20:21:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/23955\/"},"modified":"2025-08-10T20:21:14","modified_gmt":"2025-08-10T20:21:14","slug":"petroleo-consumidor-nao-deve-sentir-alivio-no-curto-prazo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/23955\/","title":{"rendered":"Petr\u00f3leo. Consumidor n\u00e3o deve sentir al\u00edvio no curto prazo"},"content":{"rendered":"<p>A Organiza\u00e7\u00e3o dos Pa\u00edses Exportadores de Petr\u00f3leo e aliados (OPEP +) decidiu\u00a0 aumentar a sua oferta de petr\u00f3leo em 547 mil barris por dia a partir de setembro, sendo este o sexto aumento mensal consecutivo e que se prende com\u00a0 a perspetiva econ\u00f3mica global de estabilidade.\u00a0<\/p>\n<p>O Nascer do SOL tentou perceber as consequ\u00eancias desta decis\u00e3o. Jo\u00e3o Queiroz, Head of Trading do Banco Carregosa, explica que este aumento representa \u00abum movimento estrat\u00e9gico com efeitos pr\u00e1ticos relevantes, embora n\u00e3o imediatos\u00bb.\u00a0<\/p>\n<p>Em n\u00fameros, Jo\u00e3o Queiroz detalha que este acr\u00e9scimo dever\u00e1 corresponder \u00aba aproximadamente 0,5% da procura mundial de petr\u00f3leo, estimada em 105 milh\u00f5es de barris por dia, o que pode parecer modesto, mas num mercado t\u00e3o sens\u00edvel a desequil\u00edbrios marginais, pode gerar impactos significativos\u00bb.<\/p>\n<p>\u00a0O efeito direto ser\u00e1, em teoria, \u00abo al\u00edvio parcial de press\u00f5es sobre os pre\u00e7os, num contexto em que o Brent crude se mant\u00e9m pr\u00f3ximo dos 70 d\u00f3lares por barril, um patamar elevado face \u00e0 m\u00ednima recente de\u00a0 58 d\u00f3lares\u00bb. No entanto, acrescenta, \u00abo impacto depender\u00e1 da capacidade de absor\u00e7\u00e3o do mercado, sobretudo na \u00c1sia, principal destino do crude transportado por via mar\u00edtima\u00bb.<\/p>\n<p>Por outro lado, o especialista avisa que este movimento tamb\u00e9m pode ser interpretado \u00abcomo um gesto de reequil\u00edbrio interno\u00bb e que pa\u00edses como o Iraque e o Cazaquist\u00e3o, \u00abque v\u00eam ultrapassando sistematicamente as suas quotas, beneficiam financeiramente deste aumento formal, enquanto a Ar\u00e1bia Saudita, tradicional reguladora de mercado, poder\u00e1 estar a mudar de postura, dando prioridade \u00e0 quota de mercado em detrimento da defesa de elevados pre\u00e7os\u00bb.<\/p>\n<p>J\u00e1 Nuno Mello, analista da XTB, recorda que a OPEP+ ainda est\u00e1 \u00abteoricamente limitada devido \u00e0 queda na procura causada pela pandemia da Covid-19 e pelo ganho de quota de mercado dos EUA\u00bb. Assim, este aumento est\u00e1 relacionado com o aumento da procura, como tal, \u00abespera-se um equil\u00edbrio entre oferta e procura a curto prazo\u00bb.\u00a0<\/p>\n<p>No entanto, o especialista considera importante lembrar que o presidente Donald Trump afirmou que, se um cessar-fogo entre a R\u00fassia e a Ucr\u00e2nia n\u00e3o for acordado at\u00e9 esta sexta-feira, ser\u00e3o impostas tarifas aos pa\u00edses que comprarem petr\u00f3leo bruto russo. \u00abNo entanto, n\u00e3o est\u00e1 claro se isso se aplicaria a pa\u00edses inteiros ou diretamente \u00e0s empresas envolvidas na importa\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo russo. Atualmente, os principais importadores de petr\u00f3leo russo s\u00e3o China, \u00cdndia e Turquia\u00bb, detalha.\u00a0<\/p>\n<p><strong>Boa decis\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Questionado o que estar\u00e1 na base desta decis\u00e3o e at\u00e9 que ponto foi acertada, Jo\u00e3o Queiroz recorda que este aumento \u00abresulta de uma combina\u00e7\u00e3o de fatores que envolvem interesses comerciais, tens\u00f5es geopol\u00edticas e ajustamentos internos ao cartel\u00bb, acrescentando que ap\u00f3s tr\u00eas anos \u00abde cortes agressivos que reduziram a produ\u00e7\u00e3o conjunta em 5 milh\u00f5es de barris por dia, o grupo procura recuperar protagonismo num mercado onde produtores fora da al\u00e7ada da OPEP+, como Estados Unidos, Brasil, Canad\u00e1 e Guiana, t\u00eam vindo a ganhar relev\u00e2ncia\u00bb. S\u00f3 em 2025, \u00abestes pa\u00edses dever\u00e3o adicionar quase 1,3 milh\u00f5es de barris di\u00e1rios \u00e0 oferta global\u00bb.\u00a0<\/p>\n<p>E recorda que o grupo \u00abenfrenta desafios internos de disciplina: v\u00e1rios membros t\u00eam ignorado os limites impostos e excedido sistematicamente as suas quotas\u00bb. Portanto, a decis\u00e3o de aumentar a produ\u00e7\u00e3o \u00abpode, neste contexto, funcionar como um instrumento de gest\u00e3o interna, permitindo integrar parte dessa produ\u00e7\u00e3o adicional no quadro oficial e, ao mesmo tempo, evitar fric\u00e7\u00f5es\u00bb. \u00abSe constitui a melhor escolha? A resposta \u00e9 amb\u00edgua. Por um lado, permite refor\u00e7ar receitas para economias altamente dependentes do petr\u00f3leo e reposicionar o grupo num contexto de concorr\u00eancia crescente. Por outro, o aumento da oferta num momento de abrandamento da procura global, como indicam as revis\u00f5es em baixa das previs\u00f5es da AIE (IEA na sigla em Ingl\u00eas) e da pr\u00f3pria OPEP, pode ser contraproducente\u00bb, alerta o especialista, acrescentando ainda que \u00aba possibilidade de excesso de oferta, agravada pela fraca disciplina entre membros, coloca riscos reais de nova press\u00e3o descendente sobre os pre\u00e7os\u00bb.<\/p>\n<p>Por sua vez, Nuno Mello refere que a OPEP \u00abpoder\u00e1 estar a antecipar um aumento da procura global de petr\u00f3leo nos pr\u00f3ximos meses, impulsionado por uma eventual recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica em grandes pot\u00eancias como os Estados Unidos e a China. Este cen\u00e1rio justificaria a necessidade de colocar mais barris no mercado para evitar uma escalada excessiva dos pre\u00e7os\u00bb, lembrando que a organiza\u00e7\u00e3o tem vindo a enfrentar press\u00e3o por parte de pa\u00edses consumidores \u2014 como os Estados Unidos, a Uni\u00e3o Europeia e a \u00cdndia \u2014 \u00abpara reduzir os pre\u00e7os do petr\u00f3leo, que t\u00eam alimentado a infla\u00e7\u00e3o global e dificultado a retoma econ\u00f3mica\u00bb. A decis\u00e3o de aumentar a produ\u00e7\u00e3o \u00abpode tamb\u00e9m ser uma forma de preservar a quota de mercado dos pa\u00edses membros face \u00e0 crescente produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo por parte de pa\u00edses n\u00e3o pertencentes \u00e0 OPEP, como os Estados Unidos, onde o petr\u00f3leo de xisto tem tido um papel relevante\u00bb, diz.<\/p>\n<p>E h\u00e1 outra raz\u00e3o que pode estar relacionada com \u00aba preocupa\u00e7\u00e3o em evitar uma desacelera\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica global. Pre\u00e7os de energia excessivamente elevados aumentam os custos de produ\u00e7\u00e3o e transporte, o que penaliza as empresas e os consumidores. Ao contribuir para a descida dos pre\u00e7os do petr\u00f3leo, a OPEP poder\u00e1 estar a tentar apoiar o crescimento econ\u00f3mico mundial\u00bb. Por fim, o analista da XTB diz ser \u00abimportante considerar que muitos pa\u00edses membros da organiza\u00e7\u00e3o dependem fortemente das receitas provenientes da exporta\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo. Um aumento da produ\u00e7\u00e3o pode ser visto como uma forma de compensar eventuais quebras de pre\u00e7o com maior volume de vendas\u00bb.<\/p>\n<p><strong>E para os consumidores?<\/strong><\/p>\n<p>Tent\u00e1mos ainda perceber qual ser\u00e1 o verdadeiro impacto para o consumidor final. Jo\u00e3o Queiroz diz que os pre\u00e7os do barril mant\u00eam-se firmes e que esta resili\u00eancia \u00abdeve-se a uma conjuga\u00e7\u00e3o de fatores que v\u00e3o desde o refor\u00e7o sazonal da procura at\u00e9 \u00e0s persistentes incertezas geopol\u00edticas, passando por perce\u00e7\u00f5es de escassez relativa nos n\u00edveis de invent\u00e1rios globais\u00bb. Para o consumidor final, adianta, o impacto desta conjuntura \u00abser\u00e1 necessariamente assim\u00e9trico e depender\u00e1 da evolu\u00e7\u00e3o de m\u00faltiplos vetores nos pr\u00f3ximos trimestres\u00bb.<\/p>\n<p>No curto prazo, diz Jo\u00e3o Queiroz, \u00abdificilmente se verificar\u00e1 um al\u00edvio expressivo nos pre\u00e7os dos combust\u00edveis. A nova oferta, ainda que relevante, poder\u00e1 ser parcialmente anulada por comportamentos assim\u00e9tricos entre os membros da OPEP+, sobretudo se persistirem viola\u00e7\u00f5es \u00e0s quotas por parte de pa\u00edses como o Iraque ou o Cazaquist\u00e3o. Ao mesmo tempo, o contexto internacional mant\u00e9m-se vol\u00e1til: as tarifas comerciais impostas pelos EUA, a amea\u00e7a de san\u00e7\u00f5es secund\u00e1rias sobre compradores de petr\u00f3leo russo e os riscos latentes no Estreito de Ormuz continuam a gerar algum nervosismo nos mercados, contribuindo para manter os pre\u00e7os em n\u00edveis elevados\u00bb.<\/p>\n<p>Mas, no m\u00e9dio prazo, \u00abo consumidor poder\u00e1, eventualmente, beneficiar de uma corre\u00e7\u00e3o nos pre\u00e7os, especialmente se a expans\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o, tanto dentro como fora da OPEP+, superar a trajet\u00f3ria da procura\u00bb.\u00a0<\/p>\n<p>Nuno Mello detalha que, em primeiro lugar, \u00abos mercados de petr\u00f3leo s\u00e3o influenciados n\u00e3o apenas pela oferta atual, mas tamb\u00e9m pelas expectativas futuras\u00bb. Mesmo com o aumento anunciado, \u00abos investidores e operadores antecipam poss\u00edveis riscos que podem limitar a efic\u00e1cia dessa medida \u2014 como conflitos geopol\u00edticos (no M\u00e9dio Oriente, por exemplo), instabilidade em pa\u00edses produtores ou dificuldades log\u00edsticas. Se houver incerteza quanto ao fornecimento futuro, os pre\u00e7os tendem a manter-se elevados por precau\u00e7\u00e3o\u00bb.<\/p>\n<p>Em segundo lugar, diz o analista, \u00aba procura continua s\u00f3lida, sobretudo em economias emergentes e em pa\u00edses que est\u00e3o a retomar n\u00edveis de atividade econ\u00f3mica mais elevados ap\u00f3s per\u00edodos de desacelera\u00e7\u00e3o\u00bb. O aumento da procura \u00abcompensa, em parte, o efeito do aumento da oferta, mantendo os pre\u00e7os altos\u00bb.<\/p>\n<p>Outro fator a ter em conta \u00e9 o comportamento dos pr\u00f3prios pa\u00edses da OPEP. \u00abMuitas vezes, os an\u00fancios de aumento de produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o se traduzem imediatamente em volumes reais no mercado, quer por limita\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas, quer por decis\u00f5es estrat\u00e9gicas internas\u00bb. Al\u00e9m disso, finaliza, \u00abos custos de refina\u00e7\u00e3o, distribui\u00e7\u00e3o e impostos nos pa\u00edses consumidores \u2014 como Portugal \u2014 tamb\u00e9m pesam fortemente no pre\u00e7o final dos combust\u00edveis\u00bb.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A Organiza\u00e7\u00e3o dos Pa\u00edses Exportadores de Petr\u00f3leo e aliados (OPEP +) decidiu\u00a0 aumentar a sua oferta de petr\u00f3leo&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":23956,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[83],"tags":[88,476,89,90,6153,32,33],"class_list":{"0":"post-23955","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-empresas","8":"tag-business","9":"tag-economia","10":"tag-economy","11":"tag-empresas","12":"tag-petroleo","13":"tag-portugal","14":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23955","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23955"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23955\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/23956"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23955"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23955"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23955"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}