{"id":242476,"date":"2026-01-24T13:32:16","date_gmt":"2026-01-24T13:32:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/242476\/"},"modified":"2026-01-24T13:32:16","modified_gmt":"2026-01-24T13:32:16","slug":"portugal-vai-enterrar-a-poluicao-debaixo-do-fundo-do-mar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/242476\/","title":{"rendered":"Portugal vai enterrar a polui\u00e7\u00e3o debaixo do fundo do mar"},"content":{"rendered":"<p>        A ideia \u00e9 capturar a polui\u00e7\u00e3o nas cimenteiras, transportar por gasoduto e injetar no fundo do mar. J\u00e1 h\u00e1 planos para um projeto-piloto ao largo da Figueira da Foz em 2030.    <\/p>\n<p>Parece algo que saiu da cabe\u00e7a de J\u00falio Verne ao melhor estilo das \u201920 mil l\u00e9guas submarinas\u2019, mas h\u00e1 um plano para enterrar polui\u00e7\u00e3o no fundo do mar.<\/p>\n<p>Sim, \u00e9 isso mesmo. A ind\u00fastria cimenteira prev\u00ea investir mais de 2,2 mil milh\u00f5es de euros nos pr\u00f3ximos 20 anos em Portugal com o objetivo de armazenar carbono no oceano Atl\u00e2ntico ao largo da costa portuguesa.<\/p>\n<p>A ideia \u00e9 construir uma rede de gasodutos com 680 km para ligar as seis f\u00e1bricas de cimento do pa\u00eds (Souselas, Alhandra e Loul\u00e9, da Cimpor; Maceira, Pataias e Out\u00e3o, da Secil) para capturar a polui\u00e7\u00e3o e transport\u00e1-la para o local onde ser\u00e1 injetada no fundo do mar.<\/p>\n<p>O investimento para a rede de transporte e armazenamento atinge os 2,2 mil milh\u00f5es de euros, um investimento privado, ficando a cargo do operador escolhido.<\/p>\n<p>J\u00e1 as f\u00e1bricas de cimento ficam respons\u00e1veis por investir na tecnologia de captura, com 200 a 300 milh\u00f5es de euros de investimento estimado por f\u00e1brica de cimento, conclui o estudo da ATIC \u2013 Associa\u00e7\u00e3o Portuguesa de Cimento.<\/p>\n<p>\u201cJ\u00e1 n\u00e3o temos muito tempo para implementar esta solu\u00e7\u00e3o. J\u00e1 estamos a come\u00e7ar tarde.\u00a0 A descarboniza\u00e7\u00e3o implica implementar a captura e o armazenamento de carbono. As licen\u00e7as terminam at\u00e9 2040, depois n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel continuar a emitir\u201d, disse na sexta-feira a secret\u00e1ria-geral da ATIC Cec\u00edlia Meireles durante a apresenta\u00e7\u00e3o do estudo em Lisboa.<\/p>\n<p>E onde armazenar esta polui\u00e7\u00e3o toda? No fundo do mar, ao largo da costa portuguesa.<\/p>\n<p>O estudo aponta para a Bacia Lusit\u00e2nica como uma \u201cpotencial solu\u00e7\u00e3o de armazenamento offshore\u201d, que cobre 20 mil km2 ao longo de 200 km na costa portuguesa.<\/p>\n<p>O plano \u00e9 arrancar com um projeto-piloto 22 km ao largo da Figueira da Foz em 2030, num investimento previsto de 95 milh\u00f5es de euros.<\/p>\n<p>Depois, construir nove po\u00e7os para injetar CO2 e construir 620 km de gasodutos at\u00e9 2035. At\u00e9 esta etapa ser\u00e3o investidos 1.700 milh\u00f5es de euros. S\u00f3 depois arranca a fase de expans\u00e3o com mais seis po\u00e7os e 70 km de gasodutos e o restante investimento.<\/p>\n<p>E isto vai ter impacto no pre\u00e7o do cimento? A ATIC conclui que \u201cter\u00e1 um impacto residual de 2% a 4% no custo da constru\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>A capacidade m\u00ednima de armazenamento atinge os 90 milh\u00f5es de toneladas de CO2, podendo ir at\u00e9 \u00e0s 300 milh\u00f5es de toneladas.<\/p>\n<p>O documento destaca a \u201celevada qualidade de informa\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel e conhecimento do reservat\u00f3rio prospetivo\u201d; as \u201ccaracter\u00edsticas adequadas\u201d, como a baixa atividade s\u00edsmica e condi\u00e7\u00f5es de armazenamento \u201cadequadas\u201d.<\/p>\n<p>A opera\u00e7\u00e3o desta rede ficaria a cargo de um operador privado com base numa concess\u00e3o a 35 anos.<\/p>\n<p>E nem \u00e9 nada de novo, pois j\u00e1 existem projetos semelhantes noutros pa\u00edses,\u00a0como o projeto Sleipner na Noruega, onde a petrol\u00edfera Equinor separa o CO2 do g\u00e1s natural, ap\u00f3s a sua extra\u00e7\u00e3o, desde 1996. Depois, enterra-no a mais de 800 metros do fundo do mar, com mais de 19 milh\u00f5es de toneladas de CO2 armazenadas at\u00e9 hoje. Ou o projeto Brevik CCS tamb\u00e9m na Noruega, mais recente, que captura o CO2 da cimenteira Heildelberg.<\/p>\n<p><strong>Mas porqu\u00ea este plano para enterrar o carbono?<\/strong><\/p>\n<p>Portugal e a Uni\u00e3o Europeia t\u00eam o objetivo de descarbonizar a 100% at\u00e9 2050. A partir de 2040, ser\u00e3o eliminadas as licen\u00e7as de emiss\u00f5es poluentes, com a produ\u00e7\u00e3o de cimento a ser proibida a partir daqui na UE.<\/p>\n<p>Um cen\u00e1rio de fim de produ\u00e7\u00e3o de cimento na Europa, acarreta v\u00e1rios problemas, incluindo uma \u201cdiminui\u00e7\u00e3o consider\u00e1vel do PIB e do emprego\u201d, aumentando tamb\u00e9m os riscos da \u201ccadeia de abastecimento e a depend\u00eancia externa\u201d.<\/p>\n<p>A ind\u00fastria cimenteira nacional diz que j\u00e1 investiu 200 milh\u00f5es de euros com o objetivo de aumentar a efici\u00eancia dos fornos de cl\u00ednquer, a substitui\u00e7\u00e3o do g\u00e1s natural por eletricidade e hidrog\u00e9nio verde, o uso de eletricidade renov\u00e1vel. At\u00e9 2030, o objetivo \u00e9 continuar a investir 500 milh\u00f5es para reduzir emiss\u00f5es.<\/p>\n<p>Talvez os mais distra\u00eddos perguntem porque \u00e9 que o mundo precisa de cimento\u2026 A resposta \u00e9 simples: n\u00e3o foi descoberto nenhum material at\u00e9 hoje t\u00e3o duradouro como o cimento, que permite que as estruturas durem entre 60 a 120 anos, superando o a\u00e7o e a madeira em termos de resist\u00eancia a cat\u00e1strofes.<\/p>\n<p>\u00c9 fundamental para construir infraestruturas essenciais como estradas, pontes, caminhos-de-ferro, portos, hospitais, saneamento ou energias renov\u00e1veis.<\/p>\n<p>A ind\u00fastria nacional produz 5,5 milh\u00f5es de toneladas de cimento por ano, com 60% da produ\u00e7\u00e3o a destinar-se ao mercado interno.<\/p>\n<p>O que vale esta ind\u00fastria: 3 mil milh\u00f5es de euros de valor acrescentado bruto entre 2005-2020, gerando 5 mil postos de trabalho diretos e indiretos, com um impacto de 1,8 mil milh\u00f5es de euros na balan\u00e7a comercial entre 2005-2020. Por cada euro gerado pela ind\u00fastria, tem um efeito multiplicador de 3 euros na economia nacional, destaca a ATIC.<\/p>\n<p>Contudo, \u00e9 uma ind\u00fastria poluente, sendo respons\u00e1vel por 6% a 8% das emiss\u00f5es globais de gases de efeito estufa. \u00c9 um dos 3 principais emissores industriais, a par do a\u00e7o e dos qu\u00edmicos. Os setores com emiss\u00f5es \u2018duras de abater\u2019, como o cimenteiro, pesam 8% do total de emiss\u00f5es de CO2.<\/p>\n<p>A ATIC explica que a ind\u00fastria cimenteira \u00e9 \u201c\u00fanica\u201d, pois a maioria das emiss\u00f5es poluentes \u201cn\u00e3o s\u00e3o causadas pela utiliza\u00e7\u00e3o de energia proveniente da combust\u00e3o de combust\u00edveis, mas sim de mat\u00e9rias-primas que reagem e libertam CO2\u2033. Do total, 60% das emiss\u00f5es de CO2 do setor s\u00e3o libertados diretamente da calcina\u00e7\u00e3o de calc\u00e1rio num forno\u201d.<\/p>\n<p>A ATIC pede assim ao Estado para \u201ccoordenar v\u00e1rias entidades publicas para apoiar eficazmente a implementa\u00e7\u00e3o de CCS\u201d para \u201cgarantir trabalho conjunto com ind\u00fastria e operador para acelerar o desenvolvimento da infraestrutura\u201d.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A ideia \u00e9 capturar a polui\u00e7\u00e3o nas cimenteiras, transportar por gasoduto e injetar no fundo do mar. 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