{"id":245168,"date":"2026-01-26T16:14:07","date_gmt":"2026-01-26T16:14:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/245168\/"},"modified":"2026-01-26T16:14:07","modified_gmt":"2026-01-26T16:14:07","slug":"ano-atipico-expos-nova-dinamica-das-doencas-respiratorias-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/245168\/","title":{"rendered":"Ano at\u00edpico exp\u00f4s nova din\u00e2mica das doen\u00e7as respirat\u00f3rias no Brasil"},"content":{"rendered":"<p class=\"texto\">Mar\u00edlia Marasciulo &#8211;\u00a0O ano de 2025 foi marcado por um cen\u00e1rio at\u00edpico para as <strong><a href=\"https:\/\/www.em.com.br\/nacional\/2025\/06\/amp\/7177137-sindrome-respiratoria-aguda-grave-ja-matou-676-pessoas-este-ano-no-rio.html\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">s\u00edndromes respirat\u00f3rias agudas graves (SRAGs)<\/a><\/strong> no Brasil, com alta intensidade e circula\u00e7\u00e3o prolongada de v\u00edrus respirat\u00f3rios muito al\u00e9m do per\u00edodo sazonal esperado. O resultado foi um quadro de imprevisibilidade e sobrecarga do sistema de sa\u00fade, fora do calend\u00e1rio tradicional para essas doen\u00e7as.\u00a0<\/p>\n<p class=\"texto\">Os boletins do InfoGripe, plataforma do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) que monitora os casos de SRAG no pa\u00eds, registraram n\u00fameros elevados de hospitaliza\u00e7\u00f5es e \u00f3bitos, al\u00e9m de um fen\u00f4meno incomum no padr\u00e3o brasileiro: duas ondas de <strong><a href=\"https:\/\/www.em.com.br\/saude\/2025\/06\/amp\/7163402-idosos-sao-os-mais-atingidos-por-infeccoes-do-virus-da-gripe.html\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">influenza A<\/a><\/strong> no mesmo ano, que se estenderam pela primavera e pelo ver\u00e3o. A COVID-19 manteve impacto relevante na mortalidade, sobretudo entre idosos, enquanto outros v\u00edrus respirat\u00f3rios continuaram a pressionar as interna\u00e7\u00f5es, especialmente entre crian\u00e7as.<\/p>\n<p class=\"texto\">&#13;\n<\/p>\n<p class=\"texto\">\u201cO desafio \u00e9 amplo porque \u00e9 preciso fazer maiores gastos para realizar diagn\u00f3sticos diferenciais\u201d, explica o infectologista Moacyr Silva Junior, do Einstein Hospital Israelita. \u201cTemos uma alta taxa de interna\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 pela influenza, mas tamb\u00e9m pela COVID-19 e pelo v\u00edrus sincicial respirat\u00f3rio [VSR]. Tudo isso vai sobrecarregando o sistema de sa\u00fade.\u201d<\/p>\n<p class=\"texto\">Ao final do ano epidemiol\u00f3gico de 2025, o Brasil havia notificado mais de 230 mil casos de SRAG, com pouco mais da metade apresentando confirma\u00e7\u00e3o laboratorial para algum v\u00edrus respirat\u00f3rio, e 13.678 mortes. Entre os casos positivos, o VSR respondeu pela maior parcela das notifica\u00e7\u00f5es, seguido pelo rinov\u00edrus e pela influenza A. J\u00e1 entre os \u00f3bitos, a influenza A concentrou a maior propor\u00e7\u00e3o, seguida pela <strong><a href=\"https:\/\/www.em.com.br\/saude\/2026\/01\/amp\/7340478-apos-cinco-anos-de-vacinacao-covid-recua-mas-ainda-preocupa.html\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">COVID-19 <\/a><\/strong>\u2014 que, mesmo com menor incid\u00eancia ao longo do ano, manteve peso elevado na mortalidade.\u00a0<\/p>\n<p class=\"texto\">\u201cFoi um ano at\u00edpico por dois aspectos: primeiro, pela intensidade, principalmente da influenza A, com um n\u00famero elevado de casos graves, o que n\u00e3o \u00e9 comum. Em segundo lugar, observamos uma segunda onda da influenza A, o que tamb\u00e9m foge do padr\u00e3o\u201d, observa a pesquisadora Tatiana Portella, do Programa de Computa\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz) e do InfoGripe. \u201cGeralmente, observamos uma onda por volta de abril e maio, mas em 2025 houve uma segunda onda na primavera e no ver\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Din\u00e2mica redefinida<\/p>\n<p class=\"texto\">Foi nesse contexto que, em dezembro, pesquisadores da Fiocruz identificaram, pela primeira vez no Brasil, o <strong><a href=\"https:\/\/www.em.com.br\/saude\/2025\/12\/7319942-brasil-registra-primeiro-caso-de-gripe-k-e-reforca-vigilancia-de-influenza.html\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">subclado K do v\u00edrus influenza A<\/a><\/strong> (H3N2). A detec\u00e7\u00e3o ocorreu a partir do sequenciamento gen\u00f4mico de uma amostra coletada em Bel\u00e9m, em uma viajante estrangeira, e foi classificada como caso importado, sem ind\u00edcios de transmiss\u00e3o local.<\/p>\n<p class=\"texto\">O achado chamou aten\u00e7\u00e3o por estar associado \u00e0 circula\u00e7\u00e3o recente do v\u00edrus no Hemisf\u00e9rio Norte, mas n\u00e3o representa, por si s\u00f3, uma mudan\u00e7a imediata no padr\u00e3o da gripe no pa\u00eds. Por enquanto, o foco da vigil\u00e2ncia em sa\u00fade continua sendo identificar qual v\u00edrus est\u00e1 por tr\u00e1s de cada caso de SRAG, visto que eles apresentam comportamentos distintos. <\/p>\n<p class=\"texto\">A influenza, especialmente a do tipo A, est\u00e1 historicamente associada a maior mortalidade em idosos; o VSR \u00e9 a principal causa de interna\u00e7\u00f5es graves em crian\u00e7as pequenas; o rinov\u00edrus, tradicionalmente visto como causador de quadros leves, aparece de forma consistente entre os casos graves, sobretudo em pediatria; e a COVID-19, embora hoje menos frequente em n\u00famero absoluto, mant\u00e9m impacto desproporcional nos \u00f3bitos.<\/p>\n<p class=\"texto\">O in\u00edcio de 2026 tem sido descrito como relativamente mais tranquilo. O boletim do InfoGripe referente \u00e0 primeira semana epidemiol\u00f3gica deste ano, publicado em 8 de janeiro, apontou queda dos casos de SRAG nas tend\u00eancias de curto e longo prazo e aus\u00eancia de n\u00edveis de alerta na maior parte do pa\u00eds. A exce\u00e7\u00e3o est\u00e1 na regi\u00e3o Norte, onde alguns estados ainda registram aumento de hospitaliza\u00e7\u00f5es por influenza A, sobretudo entre adultos e idosos, e entraram em alerta para SRAG por Influenza A no dia 15 de janeiro.<\/p>\n<p class=\"texto\">Segundo Portella, ainda \u00e9 cedo para fazer proje\u00e7\u00f5es consolidadas sobre o comportamento dessas s\u00edndromes em 2026. \u201cTemos modelos que indicam o que se espera das doen\u00e7as, mas precisamos aguardar a atualiza\u00e7\u00e3o dos dados. Para influenza e VSR, geralmente esperamos aumento no outono e inverno. J\u00e1 a COVID-19 \u00e9 mais dif\u00edcil de prever, porque n\u00e3o \u00e9 um <strong><a href=\"https:\/\/www.em.com.br\/app\/noticia\/saude-e-bem-viver\/2023\/03\/13\/interna_bem_viver,1468151\/gripes-resfriados-e-pneumonia-aumentam-nesta-epoca-do-ano.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">v\u00edrus sazonal<\/a><\/strong> e depende do surgimento de novas variantes\u201d, explica. As an\u00e1lises dependem da atualiza\u00e7\u00e3o cont\u00ednua dos dados de vigil\u00e2ncia, que orientam tanto a leitura do risco quanto o planejamento das campanhas de vacina\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<p class=\"texto\">&#13;\n<\/p>\n<p>Sazonalidade<\/p>\n<p class=\"texto\">Diferentemente das outras doen\u00e7as, a COVID-19 n\u00e3o apresenta sazonalidade cl\u00e1ssica. Ao contr\u00e1rio da influenza e do VSR, cuja circula\u00e7\u00e3o costuma se intensificar no outono e no inverno, o v\u00edrus Sars-CoV-2, que provoca a COVID-19, tende a registrar aumentos associados principalmente ao surgimento de novas variantes, o que torna sua din\u00e2mica menos previs\u00edvel ao longo do ano.<\/p>\n<p class=\"texto\">\u201cMas h\u00e1 tamb\u00e9m a quest\u00e3o clim\u00e1tica. Tivemos um per\u00edodo mais prolongado de frio em muitas regi\u00f5es do pa\u00eds, o que pode ter contribu\u00eddo para uma alta mais prolongada da influenza\u201d, observa a pesquisadora do InfoGripe.<\/p>\n<p class=\"texto\">Juntos, esses agentes redefiniram a din\u00e2mica das <strong><a href=\"https:\/\/www.em.com.br\/saude\/2025\/06\/7166191-sindrome-respiratoria-aguda-grave-confira-os-principais-cuidados.html\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">doen\u00e7as respirat\u00f3rias graves <\/a><\/strong>no pa\u00eds e ampliaram a press\u00e3o sobre o sistema de sa\u00fade. Ao todo, 2025 registrou 120.176 interna\u00e7\u00f5es por SRAG. Para refor\u00e7ar o atendimento, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade destinou R$ 100 milh\u00f5es aos munic\u00edpios para o cuidado de crian\u00e7as e R$ 50 milh\u00f5es para pacientes adultos. \u201cEssa situa\u00e7\u00e3o pega os sistemas de sa\u00fade desprevenidos. N\u00e3o se espera observar uma alta de hospitaliza\u00e7\u00e3o por gripe, por exemplo, na \u00e9poca de primavera ou ver\u00e3o. Ent\u00e3o, tudo isso afeta a popula\u00e7\u00e3o e o sistema de sa\u00fade\u201d, diz Portella.<\/p>\n<p>Baixa cobertura vacinal<\/p>\n<p class=\"texto\">Um fator relevante para esse cen\u00e1rio foi a baixa ades\u00e3o \u00e0s vacinas, especialmente contra a gripe. \u201cO problema cr\u00f4nico \u00e9 a vacina\u00e7\u00e3o. Sabemos que a ades\u00e3o est\u00e1 aqu\u00e9m do esperado, o que favorece a circula\u00e7\u00e3o desses v\u00edrus\u201d, afirma o infectologista. O aumento das hospitaliza\u00e7\u00f5es foi agravado pelas temporadas at\u00edpicas dos <strong><a href=\"https:\/\/www.em.com.br\/saude\/2024\/11\/6990002-qual-a-diferenca-entre-os-tipos-de-influenza-a-b-e-c.html\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">v\u00edrus H1N1 e H3N2<\/a><\/strong> em 2025. \u201cA vacina [da gripe] dispon\u00edvel protege contra as linhagens circulantes, mas tivemos duas temporadas que contribu\u00edram para duas ondas do v\u00edrus\u201d, observa Silva Junior.<\/p>\n<p class=\"texto\">No ano passado, a cobertura vacinal contra influenza entre os grupos priorit\u00e1rios durante a campanha do meio do ano ficou em 53,43%, segundo o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. Esse percentual \u00e9 insuficiente para reduzir hospitaliza\u00e7\u00f5es e mortes. A <strong><a href=\"https:\/\/www.em.com.br\/saude\/2024\/05\/amp\/6863921-ibge-quase-94-da-populacao-brasileira-se-vacinou-contra-covid-19.html\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">cobertura vacinal contra a COVID-19<\/a><\/strong> foi ainda menor, de 3,49%. A prote\u00e7\u00e3o incompleta favoreceu a circula\u00e7\u00e3o prolongada dos v\u00edrus e a ocorr\u00eancia de ondas sucessivas ao longo do ano.<\/p>\n<p class=\"texto\"><a href=\"https:\/\/whatsapp.com\/channel\/0029Va8e466AO7RPLL06EL2h\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>Siga nosso canal no WhatsApp e receba not\u00edcias relevantes para o seu dia<\/strong><\/a><\/p>\n<p class=\"texto\">Nesse cen\u00e1rio, a preven\u00e7\u00e3o \u00e9 fundamental, independentemente de picos ou per\u00edodos de aparente calmaria. Medidas como manter a vacina\u00e7\u00e3o em dia, adotar etiqueta respirat\u00f3ria, evitar circular com sintomas gripais e usar m\u00e1scara em ambientes de maior risco continuam sendo decisivas para reduzir a transmiss\u00e3o e o impacto das doen\u00e7as respirat\u00f3rias. \u201cAs pessoas deixaram de adotar cuidados b\u00e1sicos, como etiqueta respirat\u00f3ria e uso de \u00e1lcool em gel. Acho que n\u00e3o aprendemos muito com a pandemia [de COVID-19]. Pelo contr\u00e1rio, esquecemos\u201d, lamenta o infectologista.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Mar\u00edlia Marasciulo &#8211;\u00a0O ano de 2025 foi marcado por um cen\u00e1rio at\u00edpico para as s\u00edndromes respirat\u00f3rias agudas graves&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":245169,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[86],"tags":[2641,4357,116,32,33,21176,117,9886,37742],"class_list":["post-245168","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-saude","tag-covid-19","tag-doenca","tag-health","tag-portugal","tag-pt","tag-respiratoria","tag-saude","tag-srag","tag-vsr"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115962292617922765","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/245168","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=245168"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/245168\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/245169"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=245168"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=245168"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=245168"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}